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FMI eleva previsão de crescimento do Brasil para 2026, confirma ministro da Fazenda

Revisão positiva acompanha melhora de indicadores, avanços na agenda sustentável e ganhos de produtividade

por Camila Braga
02/07/2026 às 17h27
em Economia
O Ministro Da Fazenda, Dario Durigan - Gazeta Mercantil

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan

O Fundo Monetário Internacional (FMI) deve anunciar ainda nesta quinta-feira a revisão para cima da projeção de crescimento econômico do Brasil para 2026, além de ajustar também a estimativa para o potencial de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do país a longo prazo. A confirmação foi feita pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante o 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, realizado nas instalações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.
Segundo o titular da pasta, a informação foi repassada pela equipe técnica do organismo internacional ainda no início do dia, antes da divulgação oficial do relatório de perspectivas econômicas globais. A revisão positiva reforça um ciclo de ajustes consecutivos para melhor na avaliação do desempenho da economia brasileira nos últimos anos, impulsionado pela estabilidade de preços, pelo aumento da ocupação e por ganhos em setores produtivos estratégicos.
“Nós vamos ter hoje uma revisão do FMI, fui informado hoje cedo, reajustando, mais uma vez, a previsão de crescimento do Brasil para 2026, mas também o potencial de crescimento do Brasil reajustado para cima em grande medida” — afirmou Durigan, ao abrir sua participação no evento.

Cenário de estabilidade abre espaço para expansão sustentada

A elevação da projeção do FMI reflete, na avaliação do ministro, um quadro econômico que combina indicadores em patamares historicamente favoráveis. Nos últimos meses, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tem ficado dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), enquanto a taxa de desemprego registra os menores índices desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE.
Esse ambiente de estabilidade, somado ao desempenho superior ao esperado da atividade produtiva, tem levado instituições financeiras e organismos internacionais a revisarem suas estimativas ano após ano. Para Durigan, o crescimento não se restringe apenas a números pontuais, mas vem acompanhado de mudanças estruturais que garantem maior solidez.
“As taxas de crescimento vêm quebrando as perspectivas para melhor em todos os anos. Não é um salto momentâneo, mas um movimento que se apoia em bases mais sólidas, com controle de preços, geração de emprego e aumento da produtividade” — completou, evitando, no entanto, comentar sobre os rumos da taxa básica de juros, a Selic, cuja definição cabe ao Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Agenda ambiental e produtiva impulsionam nova fase da economia

Um dos pilares que sustentam a revisão positiva do FMI é, segundo o ministro, a integração entre crescimento econômico e compromisso ambiental. Durigan destacou que a expansão da produção agropecuária, um dos principais motores da balança comercial brasileira, tem ocorrido sem o aumento da pressão sobre o meio ambiente.
“Nossas safras estão quebrando recordes todos os anos, mas sem passar a boiada. O desmatamento também está batendo recordes de mínimas, fruto de compromisso e trabalho contínuo de fiscalização e incentivo às práticas sustentáveis” — ressaltou.
Para viabilizar esse modelo, o governo tem adotado uma série de medidas de fomento e regulamentação. Nos últimos três anos, a União captou cerca de US$ 5,5 bilhões por meio de emissões soberanas com critérios ambientais, sociais e de governança (ASG), abrindo caminho para que empresas nacionais também acessem linhas de financiamento internacionais vinculadas a metas sustentáveis.
Além disso, recursos do Fundo Clima e programas de incentivo à recomposição de áreas de preservação têm sido aplicados para ampliar a cobertura florestal e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Instrumentos financeiros ampliam recursos para investimentos de longo prazo

Outro ponto destacado por Durigan é a criação e expansão de mecanismos de crédito voltados a projetos estruturantes. É o caso das Letras de Crédito do Desenvolvimento (LCDs), títulos emitidos pelo BNDES com prazo de vencimento mais longo e direcionados a setores que demandam investimentos contínuos.
Até o momento, o volume captado com as LCDs já ultrapassa R$ 16 bilhões. Os recursos são aplicados em linhas de financiamento para aquisição de máquinas e equipamentos, ampliação da capacidade produtiva da indústria e apoio às micro, pequenas e médias empresas, que representam parcela expressiva da geração de emprego no país.
Esses instrumentos permitem que o capital fique disponível por períodos compatíveis com o tempo de retorno dos investimentos, reduzindo o custo do crédito e dando mais segurança para quem quer produzir e crescer” — explicou o ministro.

Regulamentação de minerais críticos busca agregar valor à produção

A estratégia de desenvolvimento econômico também passa pela reorganização do setor de minerais críticos, insumos essenciais para a fabricação de baterias, equipamentos eletrônicos, painéis solares e turbinas eólicas. O governo enviou ao Congresso Nacional projeto de lei que estabelece regras claras para exploração, comercialização e beneficiamento desses recursos.
Segundo Durigan, o objetivo é mudar a lógica histórica de exportação apenas de matéria-prima bruta, agregando valor à produção dentro do território nacional.
“Queremos duas coisas simples e que são difíceis de executar, mas fáceis de entender: soberania no território brasileiro, saber o que tem no nosso subsolo e proteger esse patrimônio. Em segundo lugar, não repetir o passado de simplesmente exportar a commodity, mas estimular o adensamento produtivo e o desenvolvimento da indústria nacional” — detalhou.
Com a regulamentação, a expectativa é atrair investimentos em plantas de processamento, transformar reservas naturais em produtos com maior valor agregado e gerar empregos mais qualificados em regiões onde a atividade extrativa é predominante.

Revisão do FMI abre perspectivas para mercados e investidores

A confirmação da revisão positiva do FMI tende a trazer efeitos imediatos para o ambiente econômico e financeiro do país. Melhores projeções de crescimento aumentam a confiança de investidores internacionais, facilitam a entrada de recursos externos e ajudam a manter as taxas de juros em trajetória favorável, ao reduzir o risco percebido sobre a economia brasileira.
Para o mercado de ações, o cenário mais otimista pode beneficiar setores ligados ao consumo, à indústria e ao agronegócio, que devem responder diretamente à expansão da atividade. Já para as contas públicas, o crescimento maior tende a elevar a arrecadação tributária, facilitando o cumprimento das metas fiscais estabelecidas no arcabouço fiscal.
A revisão do FMI também deve servir como referência para outras instituições, como o Banco Mundial, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e bancos privados, que costumam ajustar suas próprias estimativas com base nos dados do organismo internacional.
A expectativa do mercado agora é pelo anúncio oficial, que deve trazer os números exatos das novas projeções, além de detalhes sobre os fatores de risco que ainda podem influenciar o desempenho da economia ao longo do ano e do período seguinte.

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