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Home Economia

Monitor do PIB sobe 0,6% em fevereiro e mostra economia brasileira resiliente, diz FGV

por Camila Braga - Repórter de Economia
17/04/2026
em Economia, Destaque, Notícias
Pib - Gazeta Mercantil

Monitor do PIB sobe 0,6% em fevereiro e reforça resiliência da economia, mas perda de força acende alerta

O avanço do Monitor do PIB em fevereiro voltou a indicar crescimento da atividade econômica brasileira, mas o dado também trouxe um sinal importante para os próximos meses: a economia segue resistente, embora com perda de intensidade em relação ao ritmo observado no fim do ano passado. Divulgado nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), o indicador mostrou alta de 0,6% na comparação com janeiro, no quarto mês consecutivo de expansão.

Na comparação com fevereiro de 2025, porém, o crescimento foi de apenas 0,3%, enquanto o acumulado em 12 meses ficou em 2%. O resultado ajuda a consolidar uma leitura mais cautelosa sobre o cenário doméstico: o país continua avançando, mas com sinais de desaceleração em bases anuais, investimento enfraquecido e riscos externos que podem dificultar ainda mais o ambiente macroeconômico ao longo de 2026.

A leitura do Monitor do PIB é acompanhada de perto por analistas e agentes do mercado por antecipar tendências da atividade antes da divulgação oficial das contas nacionais. No caso de fevereiro, o retrato revela uma economia sustentada principalmente pelo consumo das famílias e pelo setor externo, mas ainda sem uma reação firme do investimento, considerado essencial para sustentar um crescimento mais robusto no médio prazo.

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Quarto mês seguido de alta mostra atividade ainda positiva

O ganho de 0,6% do Monitor do PIB em fevereiro representa aceleração frente ao avanço de 0,2% registrado em janeiro na comparação com dezembro. A sequência de quatro meses seguidos de crescimento reforça a percepção de que a economia brasileira não perdeu sua capacidade de reação, mesmo em um cenário marcado por juros elevados e maior cautela nas decisões de investimento.

Esse comportamento na margem mostra que ainda há vetores domésticos mantendo o nível de atividade em campo positivo. A resiliência do consumo, sobretudo em serviços e bens não duráveis, e o bom desempenho das exportações ajudam a explicar por que o Monitor do PIB segue apontando expansão.

Ao mesmo tempo, a leitura mensal precisa ser observada com cuidado. Embora o indicador mostre avanço no curto prazo, a fotografia mais ampla da economia passou a embutir perda de força. O dado de fevereiro confirma que a atividade cresce, mas em ritmo menos intenso do que aquele observado na virada de 2025.

Comparação anual expõe desaceleração mais nítida

O principal ponto de atenção do Monitor do PIB está justamente na comparação com igual período do ano anterior. Em outubro, a economia brasileira avançava 1,2% nesse recorte. Em dezembro, o indicador chegou a 2,8%. Desde então, o movimento perdeu intensidade: passou para 1,1% em janeiro e recuou novamente para 0,3% em fevereiro.

Essa desaceleração mostra que o crescimento atual está mais estreito e menos disseminado entre os diferentes motores da economia. O Monitor do PIB evidencia que o país continua em trajetória positiva, mas já não repete a mesma força observada meses atrás.

Na prática, isso significa uma atividade mais vulnerável a choques externos, à persistência de juros altos e à fraqueza dos investimentos produtivos. Também reforça a percepção de que o desempenho recente depende de bases conjunturais que podem perder sustentação mais à frente, especialmente se houver piora adicional do ambiente global.

Consumo das famílias segue como principal sustentação

Na análise da série trimestral encerrada em fevereiro, frente ao mesmo período do ano anterior, o PIB cresceu 1,4%. Dentro desse resultado, o consumo das famílias avançou 1,1%, mantendo ritmo semelhante ao visto no fim de 2025.

O Monitor do PIB mostrou que todos os componentes contribuíram positivamente para o consumo das famílias, com destaque para serviços e produtos não duráveis. Esses segmentos responderam por praticamente todo o aumento observado, sinalizando que a demanda doméstica continua sendo o principal pilar da atividade neste início de ano.

Esse desempenho ajuda a explicar a resistência da economia brasileira. Mesmo com crédito mais caro e ambiente financeiro ainda apertado, o consumo continua exercendo papel central no avanço do Monitor do PIB. O movimento também sugere que renda e mercado de trabalho ainda oferecem alguma sustentação à atividade, ainda que em intensidade moderada.

Outro dado relevante é que o consumo das famílias vem em aceleração quase contínua desde o trimestre encerrado em outubro do ano passado, quando registrava alta de 0,3%. Desde então, o componente ganhou tração e passou a oferecer contribuição mais consistente para o crescimento agregado.

FBCF fraca continua limitando o potencial de expansão

Se o consumo aparece como ponto de sustentação, a Formação Bruta de Capital Fixo segue como principal fragilidade do Monitor do PIB. O componente caiu 1,1% no trimestre encerrado em fevereiro frente ao mesmo período do ano anterior. Apesar de o recuo ser menor do que a queda de 4% observada no trimestre encerrado em janeiro, o sinal continua negativo.

Construção e máquinas e equipamentos contribuíram para o desempenho fraco da FBCF. No caso de máquinas e equipamentos, a retração deixou de ser tão intensa quanto antes, mas não foi suficiente para reverter o quadro.

O dado é especialmente relevante porque a FBCF mede o investimento produtivo da economia. Sem avanço consistente nesse componente, o crescimento futuro tende a ser mais limitado. O Monitor do PIB deixa claro que o país mantém alguma capacidade de expansão no presente, mas ainda encontra dificuldade para construir bases mais sólidas para os próximos trimestres.

A debilidade do investimento preocupa porque afeta produtividade, ampliação da capacidade instalada e renovação da estrutura produtiva. Em outras palavras, uma economia pode até continuar crescendo sem forte reação da FBCF por algum tempo, mas dificilmente sustentará um ciclo mais robusto e duradouro nesse cenário.

Exportações ganham protagonismo no resultado

Outro destaque do Monitor do PIB foi o setor externo. As exportações cresceram 13,4% no trimestre encerrado em fevereiro, enquanto as importações caíram 5,2%. O comportamento ajudou a sustentar a atividade e compensou parcialmente a fraqueza do investimento.

Esse resultado mostra que o comércio exterior segue oferecendo suporte relevante para a economia brasileira. Em momentos de menor tração doméstica, a contribuição do setor externo ganha peso ainda maior no resultado agregado. No caso do Monitor do PIB, essa dinâmica ajudou a reforçar a leitura de resiliência da economia, mesmo em meio a condições ainda desafiadoras.

Ainda assim, a leitura do setor externo exige cautela. Exportações fortes são positivas, mas a queda das importações também pode refletir atividade doméstica mais contida. Ou seja, parte da melhora desse componente pode estar associada não apenas à competitividade, mas também a uma demanda interna menos vigorosa.

Mesmo com essa ressalva, o setor externo apareceu como um dos pontos mais favoráveis do levantamento de fevereiro e ajudou a sustentar o desempenho geral do Monitor do PIB.

Cenário externo adiciona pressão sobre inflação e juros

O economista Claudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais do FGV Ibre, chamou atenção para um fator adicional de risco: o dado de fevereiro ainda reflete um contexto anterior ao agravamento das tensões no Oriente Médio. Segundo ele, a guerra no Irã pode gerar impactos inflacionários relevantes, sobretudo por meio dos preços do petróleo e dos combustíveis.

Esse ponto é central para a leitura do Monitor do PIB daqui para frente. Uma eventual alta mais forte da inflação tende a limitar o espaço para continuidade do afrouxamento monetário, o que afeta diretamente consumo, crédito e investimento.

O Brasil iniciou em março um movimento de redução da Selic, com corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,75% ao ano. No entanto, o agravamento do cenário internacional pode dificultar novas reduções. Nesse contexto, o Monitor do PIB passa a ser também um termômetro da capacidade de resistência da economia em um ambiente de juros ainda elevados e riscos externos crescentes.

O retrato de fevereiro reforça cautela para 2026

O resultado do Monitor do PIB de fevereiro aponta uma economia brasileira que segue crescendo, mas em ritmo mais moderado. Há sinais de resiliência, sobretudo no consumo das famílias e nas exportações, mas também há alertas importantes: desaceleração anual, investimento fraco e aumento das incertezas externas.

O quadro sugere que 2026 pode ser marcado por uma expansão limitada, sem retração iminente, mas também sem espaço confortável para aceleração robusta. O Monitor do PIB divulgado pela FGV Ibre indica que o país continua avançando, porém com margens menores de segurança e maior dependência de poucos vetores de sustentação.

A mensagem que fica é clara: a economia brasileira ainda resiste, mas a perda de força já aparece de maneira mais visível. E, sem melhora mais consistente do investimento, o crescimento tende a continuar restrito, ainda que o curto prazo mostre algum dinamismo.

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