O Grupo Pereira avançou na expansão de sua rede de supermercados ao fechar a compra de 21 unidades do Carrefour Bairro, em uma operação estimada em cerca de R$ 360 milhões. O acordo envolve 15 lojas no estado de São Paulo e seis no Distrito Federal e representa a entrada do Comper no mercado paulista de supermercados, enquanto amplia a presença da bandeira no DF.
A conclusão da transação ainda está condicionada ao cumprimento das condições previstas no contrato e à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Até a transferência efetiva das unidades, as lojas permanecem em operação sob a estrutura atual. O valor divulgado para a operação equivale, em média, a cerca de R$ 17,1 milhões por loja, cálculo que serve apenas como referência do tamanho financeiro do negócio e não como indicação de valor individual dos ativos.
Para o Grupo Pereira, a aquisição ocorre em um momento de expansão por meio de diferentes formatos e de entrada em novos mercados. A companhia já atua em São Paulo com o Fort Atacadista, mas ainda não tinha presença do Comper no estado. Em seu balanço de 2025, o grupo informava 36 lojas do Comper distribuÃdas por Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Goiás e Distrito Federal. No DF, eram cinco unidades naquele levantamento. A operação anunciada prevê que a rede passe a contar com dez lojas Comper na região após a conclusão do negócio.
O movimento também amplia a distância geográfica entre as operações do Grupo Pereira, que começou em Itajaà (SC), em 1962, e cresceu primeiro no Sul e no Centro-Oeste. A companhia entrou em São Paulo em 2022, com uma unidade do Fort Atacadista em JundiaÃ. A compra dos supermercados do Carrefour leva agora sua principal bandeira de varejo alimentar para um dos maiores mercados consumidores do paÃs.
Compra acelera a expansão do Comper fora do Centro-Oeste
A estratégia do Grupo Pereira tem sido construÃda a partir de uma combinação de crescimento orgânico, conversões de lojas e aquisições. Em 2025, por exemplo, a empresa assumiu as operações dos Supermercados Schmit, em Santa Catarina, e converteu seis das sete lojas adquiridas para a bandeira Comper e uma para o Fort Atacadista. Em 2026, o grupo também informou a incorporação das operações do Comercial Celeiro, de Chapecó, com cinco lojas.
A aquisição das 21 unidades do Carrefour tem uma caracterÃstica diferente porque coloca o Comper diretamente em São Paulo. Até então, a expansão paulista do grupo estava concentrada no Fort Atacadista, modelo de atacarejo que se tornou seu principal negócio desde a criação do Compre Fort, em 1999. O Grupo Pereira registra mais de 70 unidades do Fort em seu balanço de 2025, distribuÃdas por Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.
O tamanho financeiro da operação também chama atenção quando comparado com o porte do comprador. O Ranking ABRAS 2026 aponta faturamento de R$ 17,53 bilhões para o Grupo Pereira em 2025. Os R$ 360 milhões estimados para a aquisição correspondem a aproximadamente 2,1% desse faturamento anual. A comparação não representa capacidade de pagamento nem valuation do grupo, mas mostra que se trata de uma operação relevante em relação à escala de vendas da companhia.
A expansão é ainda mais significativa porque o grupo comprador não está adquirindo apenas pontos isolados. São 21 supermercados concentrados em dois mercados importantes, o que permite incorporar simultaneamente ativos, equipes, fornecedores, clientes e presença territorial. O efeito econômico da operação dependerá, entre outros fatores, do processo de conversão das unidades, das condições dos imóveis e dos contratos de locação, além da capacidade de integrar os estabelecimentos à estrutura comercial e logÃstica existente.
Carrefour encerra ciclo de manutenção de 21 supermercados
A venda também representa uma mudança na estratégia do Grupo Carrefour Brasil (CRFB3) para o negócio de supermercados. Em dezembro de 2024, a companhia comunicou ao mercado que pretendia desinvestir todas as 64 lojas das bandeiras Nacional e Bompreço, em um movimento descrito como parte de uma estratégia de simplificação das operações e concentração em formatos considerados centrais para o negócio.
Naquele momento, as 47 lojas Nacional e as 17 unidades Bompreço registravam R$ 1,5 bilhão em vendas brutas nos 12 meses encerrados em setembro de 2024 e apresentavam contribuição negativa de R$ 42 milhões para o Ebitda. O Carrefour estimava levantar aproximadamente R$ 400 milhões com o conjunto dos desinvestimentos. Depois da conclusão desse processo, a companhia informou que pretendia manter 21 supermercados considerados rentáveis e localizados em regiões estratégicas, sob a bandeira Carrefour Bairro.
É justamente esse núcleo remanescente que passa agora a ser negociado. A operação com o Grupo Pereira, portanto, não corresponde apenas à continuação do desinvestimento das antigas lojas Nacional e Bompreço. Ela representa também uma nova etapa da retirada do Carrefour do modelo de supermercados de bairro que a própria companhia havia decidido preservar após a reorganização do portfólio.
O contraste financeiro entre as duas etapas ajuda a dimensionar a diferença entre os ativos. O plano anunciado em 2024 previa cerca de R$ 400 milhões pela alienação de 64 lojas, uma média aritmética de R$ 6,25 milhões por unidade. O novo negócio, de R$ 360 milhões por 21 estabelecimentos, implica média de aproximadamente R$ 17,1 milhões por loja, ou cerca de 2,7 vezes mais. A comparação não representa uma valorização formal dos ativos, porque os dois conjuntos têm composição diferente e envolvem condições imobiliárias distintas. Ela, porém, reforça a informação dada pelo Carrefour de que as 21 unidades mantidas depois do primeiro ciclo de desinvestimentos eram consideradas estratégicas e rentáveis.
Atacadão e grandes formatos seguem no centro da estratégia
A reorganização do Carrefour Brasil ocorre em paralelo à manutenção de uma estrutura ampla em outros formatos. No posicionamento institucional da companhia, o portfólio inclui Atacadão, Sam’s Club, hipermercados Carrefour, Carrefour Bairro e Carrefour Express, além de comércio eletrônico, drogarias, postos, banco e negócios imobiliários. O atacarejo continua sendo um dos pilares do grupo, com uma operação de escala nacional.
A alienação das 21 lojas para o Grupo Pereira, nesse contexto, reduz a exposição direta do Carrefour ao varejo de proximidade e transfere para um operador regional especializado a gestão de unidades que haviam sido preservadas como estratégicas. Para o comprador, ocorre o movimento inverso: a operação amplia sua participação justamente no formato de supermercado tradicional e complementa a presença já existente em atacarejo.
Essa combinação pode ser particularmente relevante em São Paulo. O Fort Atacadista permitiu ao Grupo Pereira construir presença no estado desde 2022, mas o Comper opera com uma proposta diferente, voltada ao abastecimento cotidiano, produtos frescos e compras de reposição. A chegada de 15 supermercados cria uma plataforma pronta para expansão da bandeira sem a necessidade de construir uma rede paulista do zero.
O histórico recente do Grupo Pereira mostra que a companhia tem utilizado aquisições e conversões para acelerar crescimento. No caso do Schmit, por exemplo, sete lojas foram incorporadas em 2025 e convertidas para as duas principais bandeiras do grupo. A experiência reduz, em tese, a necessidade de criar do zero toda a infraestrutura comercial e operacional associada à s novas unidades, embora cada integração dependa das caracterÃsticas dos ativos envolvidos.
Outro elemento relevante é a capacidade financeira e operacional do comprador para absorver a expansão. O Grupo Pereira encerrou 2025 entre os maiores varejistas alimentares do paÃs, com faturamento de R$ 17,53 bilhões segundo o Ranking ABRAS 2026. O grupo nasceu como pequeno comércio familiar, criou o Comper em 1972 e transformou o atacarejo em seu principal vetor de crescimento a partir de 1999.
A transação ainda não produz, portanto, uma alteração imediata nas lojas. O fechamento depende das condições contratuais e da análise concorrencial do Cade. Só depois dessa etapa será possÃvel concluir a transferência dos ativos e iniciar formalmente a mudança de bandeira e a integração operacional.
Para o Carrefour, a operação fecha um capÃtulo iniciado com a decisão de simplificar sua estrutura de supermercados e concentrar capital e gestão em formatos de maior escala. Para o Grupo Pereira, abre uma nova frente de expansão, com a entrada do Comper em São Paulo e o reforço da rede no Distrito Federal. O efeito final sobre as duas companhias dependerá da execução da transferência, das condições dos contratos e da transformação das unidades após a aprovação regulatória.
Fontes:
Grupo Carrefour Brasil – Comunicado ao Mercado de 3 de dezembro de 2024 sobre a alienação das lojas Nacional e Bompreço e a estratégia de reorganização do segmento Varejo
Grupo Carrefour Brasil – informações institucionais sobre os formatos de negócios, incluindo Atacadão, Carrefour Bairro, Carrefour Express, Sam’s Club e hipermercados
Grupo Pereira – Balanço Ambiental e Social 2025, com histórico de expansão, número de lojas do Comper, presença geográfica e operações incorporadas
Grupo Pereira – informações institucionais sobre a trajetória da empresa, expansão territorial e operações do Comper e do Fort Atacadista
ABRAS – Ranking ABRAS 2026, com faturamento de 2025 do Grupo Pereira e das principais redes supermercadistas








