segunda-feira, 2 de novembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Inflação acelera nas principais economias da zona do euro e aumenta pressão sobre o BCE

França, Itália, Alemanha e Espanha registram alta dos preços em setembro, enquanto energia amplia o risco de inflação persistente no bloco.

por Eduardo Toscano
30/09/2026 às 16h22
em Economia
Inflação Acelera Nas Principais Economias Da Zona Do Euro E Aumenta Pressão Sobre O Bce-Gazeta Mercantil

A inflação ganhou velocidade em setembro nas principais economias da zona do euro, reforçando a dificuldade do Banco Central Europeu (BCE) para reconduzir os preços à meta de 2% em meio ao choque de energia provocado pelo conflito no Oriente Médio. Os índices harmonizados de França, Itália e Espanha avançaram de forma significativa, enquanto a Alemanha também registrou aceleração, ampliando a distância entre a inflação corrente e o objetivo da autoridade monetária.

Na França, a inflação harmonizada passou de 2,6% em agosto para 3,4% em setembro, de acordo com a estimativa preliminar do instituto de estatística francês. Na Itália, o índice harmonizado subiu de 3,2% para 4,1%, enquanto a taxa nacional chegou a 4,2%. Na Espanha, o índice harmonizado atingiu 5,0%, contra 4,6% em agosto. Na Alemanha, a inflação anual subiu de 2,9% para 3,3%. Os dados nacionais foram divulgados antes da estimativa preliminar da inflação agregada da zona do euro, prevista para 2 de outubro.

Leia também: Petrobras demite diretor de gás de cozinha após pressão de Lula e crise no preço do GLP.

A comparação com a meta do BCE mostra a extensão do movimento. Considerando as taxas harmonizadas divulgadas para os quatro países, a inflação está 1,4 ponto percentual acima da meta na França, 2,1 pontos acima na Itália e 3 pontos acima na Espanha. Na Alemanha, a taxa de 3,3% representa 1,3 ponto percentual além do objetivo. O movimento, portanto, não está concentrado em uma única economia ou em um único componente dos preços.

Energia amplia o choque e começa a atingir outros preços

A principal origem da aceleração está nos custos de energia. Na Itália, por exemplo, os preços dos produtos energéticos regulados avançaram 25,9% em 12 meses em setembro, ante 18,6% em agosto. Nos itens não regulados, a alta passou de 17,0% para 22,2%. Os alimentos não processados também aceleraram, de 3,8% para 5,5%.

Leia também: Trump acelera desmonte do Departamento de Educação com aval da Suprema Corte.

A magnitude do choque aparece ainda no resultado mensal italiano. O índice nacional subiu 0,7% em setembro, com os preços da energia regulada aumentando 5,9% no mês e os da energia não regulada avançando 4,4%. A inflação de núcleo, que exclui energia e alimentos não processados, passou de 1,5% para 1,7%. O dado mostra que o choque ainda é fortemente concentrado em componentes mais voláteis, mas já há sinais de transmissão para outras partes da cesta.

Na Alemanha, a estatística oficial já havia mostrado em agosto a dimensão da pressão dos combustíveis. Os preços dos produtos energéticos eram 10,5% maiores que um ano antes, enquanto os combustíveis para veículos acumulavam alta de 27,7%. A inflação de núcleo, excluindo alimentos e energia, permanecia em 2,4%. A aceleração de setembro para 3,3% ocorreu, portanto, sobre uma base na qual a energia já vinha produzindo um impacto relevante sobre o índice.

Leia também: DeepSeek e Huawei desenvolvem software para chips Ascend e ampliam alternativa à Nvidia.

Na Espanha, a inflação cheia medida pelo índice de preços ao consumidor chegou a 4,9%, seis décimos acima de agosto, enquanto o indicador harmonizado atingiu 5,0%. A inflação subjacente aumentou de 2,9% para 3,1%, sinalizando uma disseminação maior do movimento de preços para além da energia.

A França também registrou aceleração superior à esperada pelo mercado. Segundo a estimativa preliminar do instituto de estatística francês, a alta harmonizada para 3,4% foi determinada principalmente pelo encarecimento da energia, especialmente de derivados de petróleo e gás.

O conjunto dos dados altera a composição do problema enfrentado pelo BCE. Um choque restrito à energia pode perder força quando os preços das commodities recuam ou quando os efeitos de comparação deixam de pressionar a taxa anual. Quando a inflação passa a aparecer também em alimentos, bens e serviços, porém, a reversão tende a depender de um processo mais amplo de acomodação dos preços.

BCE já elevou juros duas vezes em 2026

A autoridade monetária iniciou o segundo semestre respondendo diretamente ao choque energético. Em 11 de junho, o Conselho do BCE elevou as três principais taxas em 25 pontos-base. Com isso, a taxa de depósito passou para 2,25%, a taxa das operações principais de refinanciamento para 2,40% e a taxa de empréstimo marginal para 2,65%.

Em 10 de setembro, houve novo aumento de 25 pontos-base. Desde 16 de setembro, a taxa de depósito está em 2,50%, a de refinanciamento em 2,65% e a marginal em 2,90%. Em julho, entre as duas altas, o BCE havia mantido os juros inalterados.

O segundo aumento ocorreu apesar do risco de enfraquecimento da atividade econômica. Na decisão de setembro, o BCE afirmou que o conflito no Oriente Médio continuava gerando pressões inflacionárias e que a inflação deveria permanecer acima da meta por um período prolongado. A instituição manteve, porém, a estratégia de decidir reunião a reunião, sem estabelecer antecipadamente uma trajetória para os juros.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, reforçou esse posicionamento em audiência no Parlamento Europeu em 28 de setembro. Segundo ela, os preços de energia devem manter a inflação mais elevada do que o previsto anteriormente, mas ainda não havia evidência de que o choque estivesse incorporado de forma relevante aos salários. A avaliação apresentada foi de que uma resposta monetária medida continua adequada, enquanto a autoridade acompanha a propagação do choque para preços e remunerações.

Esse ponto é central para a próxima fase da política monetária. O BCE não reage mecanicamente a cada aumento de petróleo, gás ou combustíveis. A preocupação passa a ser maior quando o choque de oferta começa a produzir efeitos persistentes em preços de serviços, bens e salários. Nesse estágio, a política monetária precisa avaliar se a inflação temporária está se transformando em uma dinâmica mais duradoura.

Projeções apontam inflação maior no fim de 2026

As projeções econômicas publicadas pelo BCE em setembro já incorporavam um quadro de inflação mais elevado. A instituição projetou inflação média de 3,0% para 2026, 2,5% para 2027 e 2,1% para 2028. A inflação sem energia e alimentos foi projetada em 2,5% neste ano e 2,6% no próximo.

Mais importante para os próximos meses, o BCE estimou que a inflação cheia pode alcançar 3,6% no quarto trimestre de 2026, considerando as premissas de mercado para petróleo, gás e outras commodities energéticas. A projeção também indica que os efeitos indiretos dos custos mais altos de energia devem aparecer gradualmente nos componentes não energéticos.

O cenário de referência ainda pressupõe desaceleração posterior. A inflação projetada para 2027 cai para 2,5% na média, enquanto a taxa excluindo energia chega a 2,6%. A diferença entre esses números mostra que a instituição espera que parte relevante do choque de 2026 seja temporária, embora com alguma transmissão para a inflação subjacente.

O problema é que os dados efetivamente divulgados nesta semana já colocam algumas das maiores economias do bloco em níveis superiores aos considerados compatíveis com a estabilidade de preços. A Itália está com inflação harmonizada de 4,1%; a Espanha, em 5,0%; a França, em 3,4%; e a Alemanha, em 3,3%. Em todos os casos, o desvio em relação à meta é positivo e, em três deles, supera 1,5 ponto percentual.

Próxima leitura será a inflação agregada do bloco

A próxima referência decisiva será a divulgação da inflação preliminar de toda a zona do euro pelo Eurostat, em 2 de outubro. Economistas consultados pela Reuters projetam avanço da taxa anual para 3,6% em setembro, ante 3,2% em agosto. Essa estimativa coincide com a taxa que o próprio BCE projetou para o quarto trimestre, embora sejam métricas de naturezas diferentes: a projeção é uma média baseada em premissas econômicas, enquanto o dado do Eurostat medirá a inflação efetivamente observada no mês.

A composição desse resultado será tão importante quanto a taxa cheia. A experiência da Itália mostra que a energia continua concentrando boa parte do choque, mas a alta da inflação subjacente para 1,7% indica alguma transmissão adicional. Na Espanha, o núcleo de 3,1% revela uma pressão mais abrangente. Na Alemanha, a inflação subjacente permaneceu em 2,4% em agosto, enquanto a taxa cheia avançou posteriormente para 3,3%, reforçando a diferença entre o choque energético e os componentes mais persistentes.

Há ainda um efeito sobre a atividade econômica. As projeções de setembro do BCE apontam crescimento real de 0,9% em 2026, 1,4% em 2027 e 1,5% em 2028. A combinação de inflação elevada e custos de energia mais altos impõe uma restrição adicional ao consumo e aos custos empresariais, ao mesmo tempo em que juros maiores elevam o custo do crédito.

O cenário aumenta a importância dos próximos dados sobre inflação subjacente, salários, preços de energia e expectativas. Caso a pressão permaneça concentrada em componentes energéticos, parte do choque poderá perder força com a reversão das cotações e os efeitos de base. Se a aceleração continuar se espalhando por bens e serviços e alcançar os salários, o processo de desinflação ficará mais complexo e a decisão sobre a trajetória dos juros ganhará peso ainda maior.

Fontes:

Eurostat – histórico recente da inflação harmonizada da zona do euro e calendário de divulgação dos indicadores de preços

Banco Central Europeu – projeções macroeconômicas de setembro de 2026, trajetória da inflação e cenários relacionados ao choque de energia

Banco Central Europeu – decisões de política monetária de junho e setembro de 2026 e níveis das principais taxas de juros

Banco Central Europeu – audiência de Christine Lagarde no Parlamento Europeu em 28 de setembro de 2026

Istat – estimativa preliminar dos preços ao consumidor da Itália em setembro de 2026

Instituto Nacional de Estatística da Espanha – estimativa preliminar do CPI e do HICP de setembro de 2026

Destatis – inflação alemã, evolução dos preços de energia e inflação subjacente em 2026

INSEE – estimativa preliminar da inflação harmonizada francesa em setembro de 2026

Reuters – levantamento das estimativas para a inflação da zona do euro e repercussão dos dados nacionais de setembro

Leia também

  • IGP-DI acelera a 1,50% em setembro com pressão de alimentos e energia

LEIA MAIS

Admin Ajax 2025 12 11T094346.625 (1)
Economia

Nota fiscal do Simples Nacional mudou: veja 4 passos para emitir NFS-e no novo sistema

Nota fiscal do Simples Nacional mudou em novembro de 2026. Veja quem deve usar a NFS-e nacional e como emitir o documento em quatro passos.

Leia MaisDetails
Telemarketing - Gazeta Mercantil
Economia

SAC terá atendimento humano obrigatório a partir de hoje; veja as novas regras

Novas regras do SAC entram em vigor hoje (2). Empresas abrangidas deverão oferecer atendimento humano das 8h às 20h, inclusive aos domingos e feriados.

Leia MaisDetails
Vale-Refeição E Vale-Alimentação: Novas Regras Entram Em Fase Final; Veja O Que Muda - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Vale-refeição e vale-alimentação: novas regras entram em fase final; veja o que muda

Novas regras do vale-refeição e vale-alimentação entram em vigor em novembro. Veja o que muda nos cartões, nas taxas e nos estabelecimentos.

Leia MaisDetails
Black Friday 2026 Será Em 27 De Novembro; Veja Como Evitar Falsas Promoções E Golpes - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Black Friday 2026 será em 27 de novembro; veja como evitar falsas promoções e golpes

Black Friday 2026 será em 27 de novembro. Veja como identificar descontos reais, evitar golpes, comparar preços e conhecer seus direitos nas compras.

Leia MaisDetails
Inss De Novembro De 2026: Veja Calendário De Pagamento Por Final Do Benefício - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

INSS de novembro de 2026: veja calendário de pagamento por final do benefício

INSS de novembro de 2026 começa a ser pago dia 24. Confira o calendário completo por final do benefício e saiba como consultar seu pagamento.

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

22:31:37
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Admin Ajax 2025 12 11T094346.625 (1)
Economia

Nota fiscal do Simples Nacional mudou: veja 4 passos para emitir NFS-e no novo sistema

Leia MaisDetails
Telemarketing - Gazeta Mercantil
Economia

SAC terá atendimento humano obrigatório a partir de hoje; veja as novas regras

Leia MaisDetails
Bitcoin (Btc) E Criptomoedas (Imagem: Canva Pro)
Criptomoedas

Binance registra saída de US$ 4,72 bilhões após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões

Leia MaisDetails
Embraer (Embj3) Salta Quase 8% E Lidera Ibovespa Com Expectativa De Novos Contratos-Gazeta Mercantil
Empresas

Embraer (EMBJ3) fecha acordo para até seis aviões KC-390 à Grécia; contrato inicial soma € 590 milhões

Leia MaisDetails
Ouro Hoje - Gzt - Gazeta Mercantil
Mercados

Ouro sobe quase 2% com queda do petróleo e fecha a US$ 3.969,60

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Nota fiscal do Simples Nacional mudou: veja 4 passos para emitir NFS-e no novo sistema

SAC terá atendimento humano obrigatório a partir de hoje; veja as novas regras

Binance registra saída de US$ 4,72 bilhões após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões

Embraer (EMBJ3) fecha acordo para até seis aviões KC-390 à Grécia; contrato inicial soma € 590 milhões

Ouro sobe quase 2% com queda do petróleo e fecha a US$ 3.969,60

Hackers atacam supermercados na Europa e elevam temperatura de freezers a 50°C

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

Últimas notícias da Gazeta Mercantil