Inflação da alimentação fora do lar acelera em julho e pressiona micro e pequenas empresas
O IPCA de julho, divulgado pelo IBGE, revelou que a inflação da alimentação fora do lar avançou 0,87% no mês, superando o índice geral de 0,26%. O aumento confirma uma tendência observada pelo setor: parte dos bares, restaurantes e lanchonetes está conseguindo repassar aos consumidores, de forma mais consistente, os aumentos de custos que vinham sendo absorvidos para evitar perda de clientela.
No entanto, a recomposição de preços ainda é desigual. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), 37% dos estabelecimentos não reajustaram preços nos últimos 12 meses, enquanto 57% aplicaram aumentos iguais ou abaixo da inflação. Essa limitação compromete a saúde financeira das empresas, especialmente das que operam com margens estreitas.
Alimentação fora do lar supera inflação geral no acumulado de 12 meses
Nos últimos 12 meses, a alimentação fora do lar acumulou alta de 8,31%, bem acima da inflação geral (5,23%). O aumento também superou o índice do grupo alimentos e bebidas, que registrou alta de 7,44% no período.
O maior destaque no mês foi o lanche, que teve alta de 1,9% em julho, muito acima do item refeição, que subiu 0,40%. Esse avanço expressivo dos lanches contribuiu fortemente para puxar o índice do setor para cima.
Situação delicada para micro e pequenas empresas
A Pesquisa Nacional de Conjuntura Econômica da Abrasel, realizada com 2.565 empresários em julho, apontou que micro e pequenas empresas — especialmente MEIs (faturamento até R$ 81 mil/ano) e microempresas (entre R$ 81 mil e R$ 360 mil/ano) — enfrentam um cenário desafiador em 2025.
Entre as microempresas:
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44% estão com pagamentos em atraso (média nacional: 37%).
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42% não conseguiram reajustar os preços entre julho de 2024 e junho de 2025.
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Apenas 32,5% registraram lucro em junho de 2025, enquanto 45% operaram no zero a zero e 22% tiveram prejuízo.
Para os MEIs, os números também preocupam:
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42,6% não conseguiram repassar aumentos para o cardápio.
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36,5% estão inadimplentes.
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Apenas 25,4% tiveram lucro no mês analisado.
Já entre as empresas com faturamento acima de R$ 4,8 milhões, 61% tiveram lucro, somente 15% registraram prejuízo e 76% estão com pagamentos em dia.
Diferença de desempenho entre restaurantes, bares e lanchonetes
O levantamento mostrou que restaurantes tiveram o melhor desempenho financeiro:
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41% registraram lucro em junho de 2025.
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Lanchonetes ficaram com 37% e bares com 36%.
Em relação ao prejuízo:
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Lanchonetes e restaurantes empataram com 22%.
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Bares apresentaram o pior índice, com 27%.
No quesito inadimplência:
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Bares lideram negativamente com 43% de pagamentos atrasados.
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Lanchonetes aparecem com 39%.
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Restaurantes registram 35%.
Já na dificuldade para repassar a inflação, as lanchonetes se destacam negativamente: 39% afirmam que não conseguem reajustar preços, contra 37% de bares e restaurantes.
Desafios estruturais e impactos da pandemia
O presidente da Abrasel lembra que quase 95% dos bares e botecos no Brasil faturam até R$ 360 mil anuais, o que explica parte da fragilidade financeira. Além disso, esse segmento foi um dos mais afetados pela pandemia, acumulando altos níveis de endividamento e apresentando recuperação mais lenta.
Essa realidade reforça a necessidade de políticas públicas diferenciadas, capazes de considerar as particularidades de cada tipo de negócio dentro do setor de alimentação fora do lar.
Perspectivas para o setor
A inflação da alimentação fora do lar em 2025 deve continuar acima da média geral enquanto persistirem:
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Custos elevados com insumos e energia.
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Desafios logísticos e tributários.
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Resistência de parte dos consumidores em absorver novos aumentos.
Para manter a competitividade, especialistas recomendam:
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Gestão de custos mais eficiente para reduzir desperdícios e otimizar insumos.
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Cardápios dinâmicos que priorizem produtos com menor volatilidade de preços.
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Promoções estratégicas para atrair clientes sem comprometer margens.
Enquanto isso, o setor segue atento ao comportamento da demanda, buscando equilibrar preços competitivos com a necessidade de sustentar a operação no longo prazo.






