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Inflação desacelera em maio, mas alimentos e luz ainda pesam no bolso

IPCA ficou em 0,58%, mas alimentação em casa subiu 1,65%, com alta forte de batata, tomate, cebola e carnes.

por Camila Braga
15/06/2026 às 11h16
em Economia
Inflação Desacelera Em Maio, Mas Alimentos E Luz Ainda Pesam No Bolso - Gazeta Mercantil - Economia

A inflação oficial do Brasil desacelerou em maio, mas continuou pressionada por itens essenciais do orçamento das famílias, especialmente alimentos consumidos dentro de casa e energia elétrica residencial. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,58% no mês, abaixo dos 0,67% registrados em abril, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado de 2026, o índice chegou a 3,20%, enquanto a alta em 12 meses avançou para 4,72%.

Apesar da desaceleração mensal, o resultado reforça a persistência da pressão sobre o custo de vida. O grupo Alimentação e bebidas subiu 1,33% em maio e respondeu por 0,29 ponto percentual do IPCA, o equivalente a metade da inflação do mês. Na sequência, apareceram Habitação, com alta de 1,22%, e Saúde e cuidados pessoais, com avanço de 0,90%.

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A alta dos alimentos voltou a afetar diretamente a percepção de inflação pelas famílias, porque recaiu sobre produtos de consumo frequente. Dentro das residências, a alimentação no domicílio subiu 1,65%, com aumentos expressivos da batata-inglesa, do tomate, da cebola e das carnes.

Alimentos puxam metade da inflação de maio

O grupo Alimentação e bebidas foi o principal responsável pela alta do IPCA em maio. A variação de 1,33% teve impacto de 0,29 ponto percentual no índice geral, segundo o IBGE.

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O peso do grupo é relevante porque os alimentos têm presença diária no orçamento familiar e atingem com maior intensidade famílias de renda mais baixa. Mesmo quando o índice geral desacelera, aumentos concentrados em comida tendem a gerar sensação de inflação mais forte para o consumidor.

A pressão foi maior na alimentação consumida em casa. A alimentação no domicílio avançou 1,65% em maio, praticamente repetindo o ritmo elevado de abril. O movimento foi puxado por produtos in natura e itens básicos da mesa do brasileiro.

Segundo o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves, a alta dos alimentos está relacionada à menor oferta de alguns produtos e ao aumento do custo de transporte, influenciado pelos combustíveis.

Batata, tomate e cebola disparam

Entre os principais vilões da inflação de maio, a batata-inglesa registrou alta de 44,69%. O tomate subiu 20,62%, enquanto a cebola avançou 16,80%. As carnes também pressionaram o orçamento, com aumento de 1,39%.

Esses produtos têm forte impacto no consumo cotidiano porque aparecem em refeições básicas e são comprados com frequência. A variação elevada de hortaliças e tubérculos costuma estar ligada a fatores climáticos, sazonalidade, oferta reduzida e custos logísticos.

A batata-inglesa foi o destaque de alta. O salto de quase 45% em um único mês elevou rapidamente o preço ao consumidor e contribuiu para a pressão geral dos alimentos.

O tomate e a cebola também tiveram aumentos expressivos, reforçando o impacto sobre itens de preparo doméstico. Quando produtos básicos sobem simultaneamente, a substituição pelo consumidor se torna mais difícil.

Café e frutas aliviam parte da pressão

Apesar da alta generalizada em itens relevantes, alguns produtos registraram queda em maio. O café moído recuou 2,38%, enquanto as frutas tiveram baixa de 0,70%.

Essas quedas ajudaram a conter parcialmente o avanço da alimentação no domicílio, mas não foram suficientes para compensar as altas de batata, tomate, cebola e carnes.

O recuo do café chama atenção porque o produto havia pressionado a inflação em meses anteriores. Como é item de consumo recorrente, qualquer queda tem efeito perceptível, embora limitado diante do peso combinado de outros alimentos.

As frutas também contribuíram para aliviar o índice, mas o comportamento desse grupo costuma variar conforme safra, clima, logística e oferta regional.

Energia elétrica pesa na habitação

O grupo Habitação acelerou de 0,63% em abril para 1,22% em maio. O principal motivo foi a alta de 3,67% da energia elétrica residencial, que teve o maior impacto individual no IPCA do mês, com 0,15 ponto percentual.

A pressão veio da combinação entre reajustes tarifários em algumas regiões e a vigência da bandeira tarifária amarela. Em maio, a bandeira adicionou R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos.

Segundo o IBGE, reajustes de energia foram aplicados em diferentes capitais. Aracaju, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte tiveram alterações tarifárias que contribuíram para o avanço do item.

A energia elétrica é um dos componentes mais sensíveis da inflação porque afeta diretamente o orçamento das famílias e também pode pressionar custos de empresas, comércio e serviços.

Saúde e higiene pessoal também sobem

O grupo Saúde e cuidados pessoais avançou 0,90% em maio. A principal pressão veio dos artigos de higiene pessoal, que subiram 1,95%.

Dentro desse segmento, o perfume teve alta de 4,42%, tornando-se um dos destaques de aumento no mês. Produtos de higiene e cuidados pessoais têm peso importante no consumo recorrente das famílias, embora não sejam tão sensíveis quanto alimentos e energia.

Os planos de saúde também subiram em maio, com variação de 0,50%. Esse item costuma ter impacto persistente no orçamento de famílias de renda média e alta, especialmente em períodos de reajuste anual.

A alta em saúde reforça o caráter disseminado de parte da inflação, ainda que a pressão principal do mês tenha vindo de alimentos e habitação.

Combustíveis caem e impedem inflação maior

O grupo Transportes foi o único a registrar queda em maio, com recuo de 0,46%. O movimento foi puxado pela baixa dos combustíveis, que ajudou a impedir uma inflação mensal ainda maior.

A gasolina caiu 1,46% e representou o principal impacto negativo individual do mês, com contribuição de -0,08 ponto percentual. O etanol recuou 6,20%, enquanto o óleo diesel caiu 2,34%.

O gás veicular foi exceção e subiu 5,81%, após queda no mês anterior.

A queda dos combustíveis tem efeito relevante porque reduz a pressão direta sobre motoristas e pode ajudar a conter custos de transporte de mercadorias. Ainda assim, o IBGE apontou que o frete continuou influenciando alguns alimentos, mostrando que o impacto sobre cadeias logísticas não desaparece imediatamente.

Aracaju e Campo Grande lideram altas regionais

No recorte regional, Aracaju e Campo Grande registraram as maiores variações do IPCA em maio, ambas com alta de 1,31%.

Em Aracaju, o resultado foi pressionado pela energia elétrica residencial, que subiu 7,37%, e pelo tomate, com alta de 32,75%. Em Campo Grande, a energia elétrica avançou 13,56%, enquanto o tomate subiu 22,61%.

A menor variação regional foi registrada em Curitiba, com alta de 0,29%. O resultado foi contido pela queda do emplacamento e licença, que recuou 4,83%, e da gasolina, que caiu 2,49%.

A diferença entre as regiões mostra como a inflação pode variar de forma significativa conforme tarifas locais, oferta de alimentos, combustíveis e composição de consumo.

INPC também desacelera em maio

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de um a cinco salários mínimos, subiu 0,65% em maio. O resultado ficou 0,16 ponto percentual abaixo da taxa de abril, quando o índice havia avançado 0,81%.

No acumulado do ano, o INPC chegou a 3,36%. Em 12 meses, acumulou alta de 4,42%.

Os produtos alimentícios subiram 1,33% em maio, enquanto os não alimentícios desaceleraram de 0,63% em abril para 0,43% em maio.

No recorte regional do INPC, Campo Grande teve a maior alta do país, de 1,49%, pressionada pela energia elétrica residencial e pelas carnes. Vitória registrou a menor taxa, de 0,34%.

Resultado mantém pressão sobre juros

A desaceleração do IPCA em maio não elimina a preocupação com a inflação. O acumulado em 12 meses, de 4,72%, segue acima do centro da meta e reforça o desafio do Banco Central na condução da política monetária.

O comportamento dos alimentos e da energia elétrica é especialmente importante porque afeta expectativas de inflação. Quando itens essenciais sobem com força, consumidores sentem perda de poder de compra, e empresas podem repassar custos para outros preços.

Para o mercado financeiro, o dado de maio reforça a necessidade de cautela em relação à Selic. Mesmo com a queda dos combustíveis, a pressão de alimentos, luz e serviços limita o espaço para uma flexibilização rápida da política monetária.

O Copom tende a observar não apenas o índice cheio, mas também a composição da inflação, a disseminação dos reajustes, as expectativas do Boletim Focus, o mercado de trabalho e o quadro fiscal.

Comida e luz seguem no centro da inflação

O IPCA de maio mostra um quadro misto. A inflação desacelerou em relação a abril, mas a composição do índice continua desfavorável para o consumidor, com alimentos e energia elétrica respondendo por parte relevante da pressão.

A queda dos combustíveis ajudou a conter o resultado mensal, mas não foi suficiente para neutralizar a alta de itens básicos. Batata, tomate, cebola, carnes e conta de luz continuaram pesando no orçamento das famílias.

Para os próximos meses, a trajetória da inflação dependerá da oferta de alimentos, do comportamento dos combustíveis, das bandeiras tarifárias de energia e dos reajustes de serviços. O resultado de maio reforça que, mesmo em desaceleração, a inflação segue concentrada em itens de grande impacto social.

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