Pablo Marçal pediu publicamente que Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) abandonem suas candidaturas à Presidência e apoiem Flávio Bolsonaro (PL) ainda no primeiro turno das eleições, marcado para domingo, 4 de outubro. O apelo ocorreu na noite de quinta-feira, 1º, durante uma transmissão ao vivo promovida por Flávio depois do cancelamento do debate presidencial da TV Globo.
Marçal dirigiu mensagens individuais aos três candidatos e defendeu a concentração de votos em Flávio na reta final da campanha. Em relação a Caiado, foi além do pedido de apoio e afirmou que o candidato do PSD poderia comandar um eventual Ministério da Segurança Pública em um governo de Flávio Bolsonaro.
A declaração, entretanto, não equivale a uma oferta formal de ministério. Marçal não ocupa cargo que lhe permita nomear ministros e, até o momento, não há confirmação pública de Flávio Bolsonaro de que Caiado tenha recebido convite para integrar um eventual governo. O que existe é uma sugestão feita por Marçal durante a transmissão.
“Estou falando com o Caiado para ele parar de fazer o que ele está fazendo”, afirmou Marçal antes de dizer que o candidato do PSD poderia ser “o melhor ministro da Segurança Pública da história”. Em seguida, dirigiu-se a Zema e Cury e pediu que os dois se unissem à candidatura de Flávio.
Apelo ocorreu durante live de Flávio
A transmissão foi realizada depois de Flávio Bolsonaro desistir do debate da Globo que estava programado para a noite de quinta-feira. O candidato do PL atribuiu sua decisão às mudanças de última hora impostas por decisões judiciais sobre as regras do programa e passou a utilizar a live como alternativa para se comunicar com seus eleitores.
Durante a transmissão, Flávio também fez um apelo por voto útil e tentou atrair eleitores de outros candidatos na reta final do primeiro turno. A estratégia busca concentrar votos em torno de sua candidatura antes da votação de domingo, mas não altera a situação formal dos demais concorrentes, que permanecem na disputa.
Marçal passou a participar ativamente da campanha de Flávio depois de ter sua própria candidatura presidencial indeferida pela Justiça Eleitoral. O TSE concluiu que ele estava inelegível e apontou ainda problema relacionado à comprovação de filiação partidária. Depois da desistência do candidato que o substituiu, Marçal declarou apoio a Flávio.
Essa condição ajuda a explicar seu papel na transmissão. Marçal não fala como candidato presidencial, mas como aliado político engajado na tentativa de ampliar a votação de Flávio na reta final.
Caiado foi citado como possível ministro
O trecho de maior repercussão foi dirigido a Ronaldo Caiado. Marçal afirmou estar conversando com o candidato do PSD e pediu que ele interrompesse sua candidatura para apoiar Flávio.
Em seguida, apresentou uma possível função para Caiado em um eventual governo do PL: o comando de um Ministério da Segurança Pública.
A formulação utilizada por Marçal foi hipotética. Ele disse que Caiado “poderia ser” ministro, sem apresentar anúncio de acordo político, documento, declaração conjunta ou confirmação de Flávio Bolsonaro de que a pasta tenha sido efetivamente oferecida.
Essa distinção é relevante porque algumas reproduções da fala passaram a tratar o episódio como uma oferta de ministério já articulada. Até agora, o material público disponível demonstra que Marçal sugeriu a possibilidade durante a live, mas não comprova a existência de compromisso firmado entre Flávio e Caiado.
Também não há confirmação de Caiado de que tenha aceitado discutir a retirada de sua candidatura em troca de um cargo.
Segurança é uma das principais bandeiras de Caiado
A referência de Marçal à Segurança Pública não foi aleatória. Caiado estruturou parte relevante de sua campanha presidencial em torno do tema e apresentou propostas de endurecimento contra organizações criminosas, integração de forças policiais e criação de estruturas federais específicas para o combate ao crime.
O próprio Caiado já apresentou nomes que considera adequados para comandar uma eventual pasta da Segurança em um governo seu. Em agosto, afirmou que convidaria o promotor Lincoln Gakiya para assumir o ministério caso fosse eleito.
A sugestão de Marçal procura, portanto, associar a experiência política de Caiado nessa área a uma eventual administração de Flávio Bolsonaro. Isso permanece, contudo, como proposta política formulada por um aliado de campanha, e não como composição ministerial anunciada.
Zema também recebeu pedido para deixar disputa
Marçal dirigiu apelo semelhante a Romeu Zema. Durante a transmissão, afirmou que a candidatura do Novo não teria conseguido ganhar tração suficiente e pediu ao ex-governador de Minas Gerais que se juntasse ao grupo de Flávio.
A pressão sobre Zema para abandonar a disputa não começou na live. Nos últimos dias, aliados de Flávio já vinham defendendo publicamente uma concentração dos votos de direita no candidato do PL. A campanha de Zema, entretanto, vinha rejeitando a possibilidade de desistência antes do primeiro turno.
Segundo relatos recentes, Zema indicou que poderia apoiar Flávio em um eventual segundo turno caso não avançasse, mas manteve sua própria candidatura para o primeiro turno.
Até a manhã desta sexta-feira, 2 de outubro, não havia anúncio de retirada de Zema da eleição.
Cury também foi chamado a aderir
Augusto Cury recebeu o terceiro apelo. Marçal disse respeitar o tempo e o esforço empregados pelo candidato do Avante, mas pediu que as diferenças fossem deixadas de lado em favor de uma aliança com Flávio.
Cury chegou à reta final da campanha ocupando espaço relevante nas pesquisas, embora abaixo de Lula e Flávio. Sua candidatura segue formalmente registrada e válida na Justiça Eleitoral. O TSE incluiu Cury entre as 12 candidaturas presidenciais habilitadas para a eleição de 2026.
Não há, até agora, anúncio público de que Cury tenha desistido da candidatura em resposta ao pedido feito na live.
Nenhum dos três anunciou retirada
A situação formal da corrida presidencial permanece, portanto, diferente daquela sugerida pelo apelo político de Marçal.
Caiado, Zema e Cury continuam sendo candidatos registrados à Presidência. As chapas dos três foram validadas pelo Tribunal Superior Eleitoral e seguem na disputa a dois dias do primeiro turno.
Uma retirada antes da votação exigiria decisão do próprio candidato e os procedimentos correspondentes perante a Justiça Eleitoral. Até agora, não houve anúncio nesse sentido por parte dos três.
O fato de candidatos declararem apoio eventual a outro nome em um segundo turno também não significa desistência no primeiro. São situações políticas e jurídicas diferentes.
Pedido faz parte da disputa pelo voto útil
O movimento ocorre em uma reta final na qual Flávio Bolsonaro passou a pedir explicitamente o chamado voto útil a eleitores de candidaturas menores. Depois de desistir do debate da Globo, o candidato utilizou a transmissão ao vivo para defender uma concentração de votos que pudesse ampliar seu desempenho já no primeiro turno.
Pesquisas divulgadas nesta semana mostram Lula e Flávio nas duas primeiras posições, enquanto os demais candidatos aparecem abaixo deles em diferentes percentuais, dependendo do instituto e da metodologia. Esses levantamentos são retratos das amostras entrevistadas e não constituem previsão do resultado eleitoral.
A estratégia de pedir voto útil procura reduzir a dispersão entre candidaturas com algum grau de sobreposição de eleitorado. Isso, porém, não significa que os candidatos procurados por Marçal tenham concordado com a tese ou estejam negociando formalmente a retirada.
Marçal não pode falar por Caiado nem por Flávio
O principal cuidado na interpretação do episódio está justamente na fala sobre o Ministério da Segurança Pública.
Marçal integra a mobilização política em torno de Flávio e participou da live ao lado do candidato, mas não possui competência institucional para oferecer um cargo de ministro em nome de um governo que ainda não existe.
Somente um presidente eleito poderia nomear formalmente os integrantes de sua equipe ministerial depois da posse. Antes disso, compromissos e convites podem ser politicamente negociados, mas precisam ser confirmados pelas partes envolvidas para serem tratados como acordos.
Até o momento, não há confirmação pública de Flávio de que Caiado seja seu escolhido para comandar um eventual Ministério da Segurança Pública.
Da mesma maneira, a afirmação de Marçal de que estaria conversando com Caiado não permite concluir que exista acordo entre as duas campanhas. Ela demonstra que o aliado de Flávio está tentando construir apoio e que apresentou publicamente uma possibilidade de composição.
Pressão ocorre dois dias antes da votação
O primeiro turno das eleições presidenciais será realizado neste domingo, 4 de outubro. Com o tempo de campanha praticamente encerrado, movimentos dessa natureza procuram produzir efeito imediato sobre eleitores que ainda avaliam trocar de candidato ou decidir entre nomes de campos políticos próximos.
O TSE registra atualmente 12 candidaturas à Presidência, entre elas as de Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury e Renan Santos.
O pedido de Pablo Marçal não modifica esse quadro por si só. Até que algum dos candidatos anuncie formalmente uma desistência, Caiado, Zema e Cury permanecem concorrendo e seus nomes continuarão disponíveis para votação.
O fato concreto ocorrido na noite de quinta-feira é que Marçal, durante uma transmissão de Flávio Bolsonaro, pediu publicamente que os três abandonassem suas candidaturas e apoiassem o candidato do PL. No caso de Caiado, acrescentou a sugestão de que ele poderia comandar a Segurança Pública em um eventual governo.
Qualquer passo além disso — retirada de candidatura, apoio formal ou composição ministerial — ainda dependeria de decisões que não foram anunciadas.
Fontes
Transmissão de Flávio Bolsonaro realizada na noite de 1º de outubro de 2026.
Tribunal Superior Eleitoral — relação das candidaturas presidenciais registradas para as Eleições 2026.
Tribunal Superior Eleitoral — decisões relativas ao registro da candidatura presidencial de Pablo Marçal.
Manifestações públicas das campanhas de Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema na reta final do primeiro turno.






