As maiores fortunas ligadas ao Brasil em 2026 estão concentradas em empresários e famÃlias com participações expressivas em companhias de tecnologia, instituições financeiras, indústrias, redes hospitalares e grupos de alimentos. Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, permanece na liderança, com patrimônio estimado em US$ 35,8 bilhões, seguido por Vicky Safra e famÃlia, com US$ 25,5 bilhões, e Jorge Paulo Lemann, com US$ 19,3 bilhões.
A relação considera 11 nomes, incluindo Vicky Safra, que possui cidadania brasileira e grega, e Jorge Moll Filho, fundador da Rede D’Or. A inclusão de ambos permite apresentar um panorama ampliado das maiores riquezas associadas ao paÃs, sem excluir patrimônios relevantes em razão de critérios de nacionalidade ou consolidação familiar.
Os valores correspondem a uma fotografia da classificação internacional de patrimônios consolidada em 10 de setembro de 2026. Como parte expressiva dessas fortunas está vinculada a ações negociadas em bolsa, as estimativas podem variar diariamente conforme o desempenho das empresas e as condições dos mercados financeiros.
Ranking dos maiores bilionários ligados ao Brasil
| Posição | Nome | Patrimônio estimado |
|---|---|---|
| 1º | Eduardo Saverin | US$ 35,8 bilhões |
| 2º | Vicky Safra e famÃlia | US$ 25,5 bilhões |
| 3º | Jorge Paulo Lemann e famÃlia | US$ 19,3 bilhões |
| 4º | André Esteves | US$ 11,7 bilhões |
| 5º | Fernando Moreira Salles | US$ 10,3 bilhões |
| 6º | Pedro Moreira Salles | US$ 9,5 bilhões |
| 7º | Max Herrmann Telles | US$ 7,1 bilhões |
| 8º | Jorge Moll Filho e famÃlia | US$ 7,05 bilhões |
| 9º | Miguel Krigsner | US$ 6,9 bilhões |
| 10º | Ricardo Castellar de Faria | US$ 6,8 bilhões |
| 11º | Carlos Alberto Sicupira e famÃlia | US$ 6,36 bilhões |
Valores aproximados em dólares, referentes à fotografia patrimonial de 10 de setembro de 2026. A classificação é dinâmica e não representa necessariamente a avaliação de cada fortuna na data desta publicação.
1. Eduardo Saverin: tecnologia e investimentos
Cofundador do Facebook ao lado de Mark Zuckerberg, Eduardo Saverin possui a maior fortuna entre os brasileiros acompanhados pela classificação internacional. Nascido em São Paulo, participou da criação da rede social em 2004, durante o perÃodo em que estudava na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. A companhia posteriormente se transformou na Meta, controladora também do Instagram e do WhatsApp.
Embora tenha se afastado da administração cotidiana da empresa, Saverin preservou uma participação acionária que constitui a principal origem de seu patrimônio. Atualmente, também desenvolve atividades no mercado de capital de risco por meio da B Capital, gestora especializada em investimentos em companhias de tecnologia.
Em julho de 2026, a B Capital anunciou a captação de US$ 500 milhões para seu fundo Ascent Fund III, direcionado principalmente a investimentos em inteligência artificial, saúde e energia. A operação amplia a exposição do empresário a novos negócios e diversifica suas atividades para além da participação na Meta.
2. Vicky Safra e famÃlia: serviços financeiros
Vicky Sarfati Safra representa uma particularidade na classificação internacional. Nascida na Grécia, mudou-se ainda criança para o Brasil, onde construiu sua trajetória familiar ao lado do banqueiro Joseph Safra, morto em dezembro de 2020. A empresária possui cidadania brasileira e grega e integra uma das famÃlias mais ricas do setor financeiro internacional.
A fortuna está associada ao conglomerado financeiro criado por Joseph Safra, que reúne o Banco Safra, operações bancárias internacionais e participações imobiliárias.
Jacob Safra conduz negócios internacionais, incluindo o J. Safra Sarasin e o Safra National Bank of New York, enquanto David Safra responde pelas atividades do grupo no Brasil. A estrutura passou por reorganizações após a morte do patriarca, incluindo mudanças nas participações dos demais herdeiros.
A famÃlia também ampliou sua presença no setor financeiro internacional com o acordo anunciado em março de 2025 para a aquisição de aproximadamente 70% do Saxo Bank, instituição dinamarquesa especializada em investimentos e negociação de ativos.
3. Jorge Paulo Lemann: bebidas e investimentos
Jorge Paulo Lemann construiu seu patrimônio a partir do mercado financeiro e da expansão de grandes conglomerados empresariais, particularmente no setor de bebidas. Ao lado de Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira, participou da formação de um grupo de investimentos com operações em diversos paÃses.
Sua principal exposição empresarial está associada à AB InBev, controladora da Ambev e de marcas internacionais de cerveja. Lemann também mantém investimentos vinculados à Restaurant Brands International, proprietária de redes como Burger King e Tim Hortons.
Por meio da 3G Capital, o empresário participou de grandes operações de aquisição. Uma das mais recentes foi a compra da fabricante norte-americana de calçados Skechers, anunciada em maio de 2025 por aproximadamente US$ 9,4 bilhões.
A diversificação ajuda a explicar a composição de sua fortuna, embora o valor das participações permaneça sujeito às oscilações do mercado e às avaliações dos negócios privados.
4. André Esteves: BTG Pactual
André Esteves ocupa a quarta posição, com fortuna ligada principalmente ao BTG Pactual, instituição da qual é o principal acionista individual.
Sua trajetória começou no antigo Banco Pactual, em 1989, quando foi contratado como analista de sistemas. Tornou-se sócio quatro anos depois e participou da transformação da instituição em um banco de investimentos com atuação internacional.
O desempenho operacional do BTG Pactual é um dos fatores relevantes para a avaliação de seu patrimônio. A instituição encerrou 2025 com lucro lÃquido contábil de R$ 15,95 bilhões e lucro lÃquido ajustado de R$ 16,68 bilhões, conforme as demonstrações financeiras apresentadas ao mercado.
O banco atua em gestão de recursos, administração de patrimônio, crédito corporativo, investimentos e serviços financeiros, mantendo operações no Brasil e no exterior.
5. Fernando Moreira Salles: Itaú Unibanco e mineração
Fernando Roberto Moreira Salles pertence à famÃlia que construiu o antigo Unibanco, posteriormente integrado ao Itaú em uma operação concluÃda em 2008.
Sua fortuna está associada às participações familiares no Itaú Unibanco e na Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), empresa sediada em Araxá, Minas Gerais, que ocupa posição relevante no mercado mundial de nióbio.
O patrimônio é mantido por meio de estruturas societárias familiares, incluindo a Companhia E. Johnston de Participações. Em 2022, Fernando ampliou sua participação nesses negócios após uma reorganização envolvendo seus irmãos.
A CBMM fornece produtos utilizados principalmente na fabricação de aços especiais e em aplicações industriais de alta tecnologia, constituindo uma importante fonte de riqueza da famÃlia Moreira Salles fora do sistema bancário.
6. Pedro Moreira Salles: Itaú Unibanco e investimentos
Irmão de Fernando, Pedro Moreira Salles possui patrimônio associado às mesmas origens empresariais, especialmente Itaú Unibanco e CBMM.
Além de acionista, exerce funções de governança corporativa. Integra a estrutura de liderança do Itaú Unibanco e também participou da reorganização patrimonial familiar realizada em 2022.
Sua trajetória inclui a presidência do conselho de administração da Alpargatas, função da qual anunciou sua saÃda em fevereiro de 2026 para dedicar-se a atividades acadêmicas na Universidade Columbia, nos Estados Unidos.
A presença simultânea dos dois irmãos entre as maiores fortunas demonstra o peso das participações familiares em instituições financeiras consolidadas e em empresas industriais de atuação internacional.
7. Max Herrmann Telles: AB InBev
Max Van Hoegaerden Herrmann Telles representa uma nova geração de grandes acionistas brasileiros. Filho de Marcel Herrmann Telles, um dos fundadores da 3G Capital, recebeu participações na AB InBev por meio de uma transferência patrimonial familiar.
A operação permitiu que assumisse uma parcela relevante dos investimentos anteriormente detidos pelo pai no conglomerado cervejeiro internacional. Max também possui interesses na São Carlos Empreendimentos, empresa ligada aos investimentos imobiliários das famÃlias dos sócios da 3G.
Sua posição na lista demonstra como a sucessão empresarial pode alterar rapidamente a distribuição das grandes fortunas, mesmo sem a realização de uma nova operação comercial de dimensão equivalente.
A participação na AB InBev permanece como o principal componente identificado de sua riqueza.
8. Jorge Moll Filho e famÃlia: Rede D’Or (RDOR3)
Fundador da Rede D’Or, Jorge Neval Moll Filho integra o grupo das maiores fortunas brasileiras relacionadas ao setor privado de saúde.
Médico cardiologista, iniciou sua trajetória empresarial no setor de diagnóstico e expandiu as atividades para a operação hospitalar. A partir de estabelecimentos no Rio de Janeiro, construiu um grupo que passou a adquirir e desenvolver hospitais em diferentes regiões brasileiras.
A abertura de capital da Rede D’Or na B3, em dezembro de 2020, ampliou a visibilidade das participações societárias da famÃlia e permitiu que sua riqueza fosse acompanhada diretamente por meio do mercado acionário.
A empresa também diversificou suas operações com a aquisição da SulAmérica, concluÃda em 2022, passando a reunir atividades hospitalares, clÃnicas especializadas e seguros.
Em 2025, a Rede D’Or registrou lucro lÃquido de aproximadamente R$ 4,84 bilhões. Jorge Moll Filho permanece na presidência do conselho de administração, enquanto Paulo Junqueira Moll ocupa a posição de diretor-presidente.
A composição patrimonial do fundador também evidencia a importância das participações acionárias familiares na avaliação das grandes fortunas brasileiras.
9. Miguel Krigsner: Grupo Boticário
Miguel Gellert Krigsner construiu uma das maiores fortunas empresariais brasileiras no setor de cosméticos. Nascido na BolÃvia, mudou-se para Curitiba ainda na infância e formou-se em Farmácia e BioquÃmica pela Universidade Federal do Paraná.
Em 1977, fundou uma pequena farmácia de manipulação que posteriormente deu origem a O Boticário. A expansão por franquias transformou a companhia em um grupo com presença internacional e operações em diferentes segmentos do mercado de beleza.
Atualmente, o conglomerado reúne marcas como Eudora, Quem Disse, Berenice?, Vult, O.U.i e Beautybox.
Segundo informações institucionais divulgadas em abril de 2026, o Grupo Boticário registrou R$ 38,1 bilhões em vendas ao consumidor durante 2025. A cifra representa o volume comercial movimentado pelas marcas, não o lucro da companhia nem a fortuna pessoal de Krigsner.
10. Ricardo Castellar de Faria: Granja Faria e Global Eggs
Ricardo Castellar de Faria aparece entre os principais representantes do agronegócio brasileiro na classificação internacional.
Engenheiro agrônomo, fundou a Granja Faria em 2006 e expandiu suas atividades na produção de ovos comerciais, ovos férteis e pintos de um dia. A estratégia empresarial passou a incluir aquisições internacionais, especialmente nos mercados norte-americano e europeu.
A expansão deu origem à Global Eggs, que reúne operações no Brasil, Estados Unidos e Europa. Em março de 2026, a gestora Warburg Pincus anunciou um investimento de até US$ 1 bilhão no grupo, atribuindo à companhia uma avaliação de US$ 8 bilhões.
A operação demonstra a capacidade de empresas brasileiras do setor de alimentos de atrair investidores internacionais e ampliar sua atuação mediante aquisições e integração de operações produtivas.
11. Carlos Alberto Sicupira: 3G Capital e AB InBev
Carlos Alberto da Veiga Sicupira completa a relação ampliada. Sócio histórico de Jorge Paulo Lemann e Marcel Herrmann Telles, participou da construção de um conglomerado internacional com investimentos em bebidas, alimentação e outros setores.
Sua fortuna está relacionada principalmente às participações na AB InBev e aos investimentos associados à 3G Capital.
No Brasil, Sicupira também esteve ligado ao grupo de acionistas de referência da Americanas, empresa que entrou em recuperação judicial após a revelação de inconsistências contábeis em 2023. A crise desencadeou investigações e disputas relacionadas à companhia.
A composição de seu patrimônio, entretanto, envolve diferentes participações empresariais e não corresponde exclusivamente à exposição ao varejo brasileiro.
O que explica a concentração das maiores fortunas brasileiras?
A composição das maiores fortunas evidencia a concentração patrimonial em grandes grupos empresariais, especialmente naqueles com operações internacionais e participações relevantes em companhias de capital aberto.
Tecnologia, instituições financeiras, bebidas e investimentos representam parcela expressiva dos patrimônios, enquanto setores como saúde, cosméticos e agronegócio também passaram a produzir grandes fortunas associadas à expansão empresarial e à consolidação de mercados.
Outra caracterÃstica é a presença de diferentes gerações de uma mesma famÃlia. Os irmãos Fernando e Pedro Moreira Salles, por exemplo, possuem participações nos mesmos grupos financeiros e industriais. Já Max Herrmann Telles passou a integrar o grupo dos maiores bilionários após receber participações societárias anteriormente pertencentes ao pai.
As operações internacionais também influenciam diretamente a avaliação desses patrimônios. Meta, AB InBev, 3G Capital e Global Eggs possuem atividades ou investimentos em diferentes paÃses, tornando suas fortunas sensÃveis à s condições dos mercados financeiros e à valorização de ativos negociados em moedas estrangeiras.
Por que o patrimônio dos bilionários muda diariamente?
As estimativas patrimoniais não representam dinheiro disponÃvel em contas bancárias. A maior parte dessas fortunas está concentrada em ações, participações societárias, investimentos e outros ativos cujo valor pode oscilar conforme as condições econômicas.
Quando uma companhia listada em bolsa registra valorização, por exemplo, o patrimônio estimado de seus principais acionistas também pode aumentar, mesmo que eles não tenham vendido qualquer participação. O movimento contrário ocorre quando as ações apresentam queda.
Empresas privadas exigem metodologias diferentes, que podem considerar transações recentes, participação de investidores, avaliações de mercado e informações financeiras divulgadas publicamente. A entrada de um novo investidor, como ocorreu com a Global Eggs, pode fornecer uma referência adicional para a avaliação do negócio, sem que isso signifique que seu fundador possua individualmente todo o valor atribuÃdo à companhia.
Também existem diferenças importantes entre fortunas individuais e familiares. Em alguns casos, a estimativa considera participações pertencentes a diferentes herdeiros ou integrantes de um mesmo grupo econômico.
Por essas razões, os patrimônios devem ser interpretados como estimativas referentes a uma data especÃfica, e não como valores definitivos. O panorama de 2026 revela, sobretudo, a dimensão das participações societárias e da internacionalização empresarial na formação das maiores riquezas associadas ao Brasil.
Fontes
B Capital — Informações institucionais sobre o fundo Ascent Fund III.
J. Safra Group — Estrutura do conglomerado financeiro e informações societárias.
BTG Pactual — Demonstrações financeiras e resultados do exercÃcio de 2025.
Rede D’Or — Relações com Investidores, demonstrações financeiras de 2025 e estrutura de governança.
Grupo Boticário — Relato Integrado 2025 e informações institucionais divulgadas em abril de 2026.
Warburg Pincus — Comunicado de 2 de março de 2026 sobre o investimento na Global Eggs.
CBMM — Relatório de Sustentabilidade 2025 e informações institucionais.
AB InBev — Relatório Anual de 2025 e informações corporativas divulgadas aos investidores.









