A parcela dos brasileiros que considera os aliados de Jair Bolsonaro mais envolvidos nas irregularidades investigadas no caso Banco Master aumentou 12,9 pontos percentuais em seis meses, segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira, 17 de setembro. O índice passou de 28,3% em março para 41,2% na rodada atual, aproximando o campo bolsonarista do percentual atribuído aos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citados por 40,2% dos entrevistados.
A diferença de um ponto percentual entre os dois grupos está dentro da margem de erro do levantamento, de um ponto para mais ou para menos. O dado, portanto, não permite afirmar estatisticamente que um campo seja percebido como mais envolvido que o outro. Ele revela, porém, uma mudança expressiva na série histórica: em março, aliados de Lula eram apontados por 39,5% dos entrevistados, 11,2 pontos acima dos aliados de Bolsonaro.
Em seis meses, essa distância foi eliminada. Considerando apenas a diferença nominal entre as duas respostas, houve deslocamento de 12,2 pontos percentuais: de uma vantagem de 11,2 pontos para o grupo lulista em março para uma vantagem nominal de um ponto para o bolsonarista em setembro.
A pesquisa ouviu 5.018 pessoas entre 11 e 16 de setembro por recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06221/2026.
Associação ao grupo bolsonarista cresceu 45,6% desde março
A mudança fica mais evidente quando considerada a variação relativa. A parcela que aponta principalmente aliados de Bolsonaro passou de 28,3% para 41,2%, crescimento de aproximadamente 45,6% em relação ao patamar de março.
No caso dos aliados de Lula, o movimento foi muito menor. O indicador saiu de 39,5% para 40,2%, avanço nominal de apenas 0,7 ponto percentual no período.
A trajetória intermediária também mostra que a aproximação não ocorreu de uma única vez. Em junho, 37,6% apontavam principalmente aliados de Lula e 36% indicavam aliados de Bolsonaro. A diferença havia diminuído para 1,6 ponto.
Em setembro, a ordem numérica se inverteu, embora permaneça dentro da margem de erro: 41,2% citam aliados de Bolsonaro e 40,2%, aliados de Lula.
Outros 13,8% dos entrevistados dizem que os diferentes campos estão igualmente envolvidos. O Centrão é apontado principalmente por 3,4%, enquanto 1,3% não soube responder.
A evolução desse grupo também chama atenção. Em março, 24,7% diziam que os dois lados estavam igualmente implicados. Em junho, eram 20,4%. Agora, são 13,8%. A queda acumulada foi de 10,9 pontos percentuais, indicando que mais entrevistados passaram a escolher um dos campos políticos quando questionados sobre sua percepção do caso.
Isso não significa que a pesquisa tenha medido responsabilidade jurídica ou comprovado envolvimento dos grupos citados. O levantamento registra a percepção dos entrevistados sobre pessoas politicamente associadas a diferentes campos. Investigações, mensagens, contratos e movimentações financeiras precisam ser avaliados individualmente, e menção ou relacionamento com investigados não equivalem a participação em crime.
Caso Master passou a atingir personagens de diferentes grupos
A transformação na percepção ocorreu enquanto as investigações sobre o Banco Master ampliaram o número de pessoas, empresas e relações políticas examinadas.
Nos últimos meses, documentos, relatórios financeiros e mensagens extraídas de aparelhos apreendidos passaram a revelar contatos de Daniel Vorcaro e de pessoas de seu entorno com personagens situados em diferentes campos políticos.
Parte desses episódios envolve referências a integrantes ou familiares de integrantes do Supremo Tribunal Federal. A existência de mensagens, reuniões ou relações profissionais não significa automaticamente participação em irregularidades. Pessoas citadas em diferentes episódios apresentaram negativas, explicações ou versões próprias sobre os fatos.
Também surgiram frentes relacionadas ao entorno de Jair Bolsonaro. Entre os episódios sob investigação está a movimentação de recursos associada ao projeto do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente, além de comunicações nas quais aparecem personagens próximos à família Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro também passou a ser citado em reportagens e documentos relacionados a personagens alcançados pelo caso Master. O senador nega irregularidades nas situações em que seu nome foi relacionado às apurações.
Nesta semana, outro episódio acrescentou exposição ao entorno do candidato. Reportagem da revista piauí revelou que Flávio utilizou em agosto, durante compromissos de campanha em São Paulo, um apartamento que havia pertencido até fevereiro a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado na Operação Compliance Zero.
Quando Flávio utilizou o endereço, o apartamento já pertencia à empresa do advogado Willer Tomaz. Não há informação de que o senador tenha participado da compra ou venda do imóvel ou mantido relação com Zettel por causa da propriedade.
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg não permite identificar qual dessas notícias, individualmente, contribuiu para a mudança observada desde março. A comparação temporal permite apenas constatar que o crescimento da associação ao campo bolsonarista ocorreu durante um período de ampliação da exposição pública dessas relações.
Associação a Lula permanece praticamente estável
Um aspecto importante da série é que o crescimento da percepção relacionada aos aliados de Bolsonaro não veio acompanhado de queda comparável na associação aos aliados de Lula.
Em março, 39,5% apontavam principalmente o grupo lulista. Agora são 40,2%. A variação de 0,7 ponto está dentro da margem de erro.
Isso diferencia o movimento de uma simples transferência entre dois grupos. O principal deslocamento ocorreu entre os entrevistados que antes escolhiam outras respostas e aqueles que agora identificam um campo específico.
A redução da opção que atribui envolvimento igual aos diferentes lados reforça esse movimento. De março para setembro, essa resposta caiu de 24,7% para 13,8%, uma perda de aproximadamente 44% em termos relativos.
Os resultados mostram, assim, uma percepção mais polarizada do caso, mas não uma atribuição exclusiva das suspeitas a um único grupo. Somados, os percentuais que apontam principalmente bolsonaristas ou lulistas chegam a 81,4% dos entrevistados.
O dado também evidencia a dificuldade de transformar politicamente o caso Master em um escândalo associado de forma exclusiva a um dos polos da disputa presidencial. As investigações produziram relações e episódios envolvendo personagens que transitam entre diferentes partidos, governos, instituições e setores empresariais.
Crise no STF produz percepção eleitoral diferente
A AtlasIntel também perguntou aos entrevistados sobre uma questão diferente: qual candidatura seria mais prejudicada pela crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal.
Nesse quesito, os resultados são mais distantes. Para 49,5%, a crise no STF prejudica mais a candidatura de Lula. Outros 20,9% apontam Flávio Bolsonaro, enquanto 14,4% consideram que os dois são prejudicados igualmente.
A diferença entre Lula e Flávio nessa pergunta chega a 28,6 pontos percentuais.
Os dois resultados não devem ser confundidos. A pergunta sobre o Banco Master procura medir a percepção de maior envolvimento político nas irregularidades investigadas. A pergunta sobre o STF mede quem o eleitor considera eleitoralmente mais prejudicado pela crise institucional relacionada à Corte.
Assim, o fato de 49,5% associarem maior prejuízo eleitoral a Lula não significa que esse mesmo grupo atribua ao presidente responsabilidade pelos fatos investigados. Da mesma maneira, os 41,2% que apontam maior envolvimento de aliados de Bolsonaro no caso Master não estão necessariamente declarando mudança de voto.
Pesquisa ocorre a menos de três semanas do primeiro turno
O levantamento foi realizado entre 11 e 16 de setembro, a menos de três semanas do primeiro turno presidencial marcado para 4 de outubro.
Na mesma rodada da AtlasIntel/Bloomberg, Lula aparece com 44,1% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 41,7%. A diferença de 2,4 pontos é superior à margem de erro conjunta das estimativas individuais, mas mostra redução em relação à pesquisa anterior do instituto.
Em eventual segundo turno entre os dois, Flávio registra 47,2% e Lula, 46,8%. A diferença de 0,4 ponto percentual configura empate dentro da margem de erro.
Esses dados eleitorais não demonstram relação causal entre as revelações sobre o Banco Master e a intenção de voto. Uma pesquisa realizada em um determinado período consegue registrar simultaneamente mudanças de percepção e preferência eleitoral, mas não permite concluir, sem perguntas específicas e metodologia apropriada, que uma tenha provocado a outra.
O principal resultado da série sobre o Master é mais delimitado: entre março e setembro, aumentou fortemente a parcela dos entrevistados que associa principalmente aliados de Jair Bolsonaro às irregularidades investigadas, enquanto o percentual atribuído ao grupo de Lula permaneceu praticamente estável.
Em março, havia diferença nominal de 11,2 pontos a favor dos aliados de Lula nessa percepção. Em setembro, a distância desapareceu estatisticamente. Com 41,2% para aliados de Bolsonaro e 40,2% para aliados de Lula, a pesquisa mostra hoje um eleitorado dividido sobre a vinculação política do escândalo, justamente no momento em que as investigações e revelações públicas passaram a alcançar personagens de diferentes áreas do sistema político.
Fontes:
AtlasIntel – metodologia de pesquisas nacionais, coleta digital e informações institucionais sobre os levantamentos de opinião pública
AtlasIntel/Bloomberg – pesquisa nacional realizada entre 11 e 16 de setembro de 2026 sobre eleições, Banco Master e crise no Supremo Tribunal Federal
Tribunal Superior Eleitoral – registro BR-06221/2026 e informações cadastrais do levantamento eleitoral







