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Minério de ferro sobe em Dalian após indústria chinesa voltar a crescer em setembro

Contrato mais negociado avançou 0,14%, enquanto dados chineses mostram recuperação da atividade, mas mantêm fraqueza no aço e no setor imobiliário.

por Sandro Dias
30/09/2026 às 18h03
em Economia
Minério De Ferro Sobe Em Dalian Após Indústria Chinesa Voltar A Crescer Em Setembro-Gazeta Mercantil

Os contratos futuros de minério de ferro encerraram esta quarta-feira (30) em alta moderada na China, em meio à combinação de melhora dos indicadores industriais e novas medidas de estímulo anunciadas por Pequim. O contrato mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian (DCE) avançou 0,14%, para 702,5 yuans por tonelada, segundo dados de mercado. O movimento ocorreu no mesmo dia em que o índice oficial de gerentes de compras (PMI) da indústria chinesa voltou à zona de expansão, reforçando as expectativas de recuperação da demanda por matérias-primas.

O PMI industrial atingiu 50,1 pontos em setembro, alta de 0,3 ponto em relação a agosto e acima da marca de 50 pontos que separa, na metodologia do indicador, expansão e contração. Foi a segunda alta mensal consecutiva e a primeira vez desde os meses anteriores em que o índice retornou à zona de expansão. O resultado também veio acompanhado de melhora mais forte no componente de produção, que subiu 1,3 ponto, para 51,7.

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A reação do minério, entretanto, foi limitada. Os dados mais recentes da produção industrial mostram que a recuperação chinesa não ocorre de maneira uniforme entre os setores consumidores de aço. Em agosto, o valor adicionado da indústria de transformação cresceu 6,1% na comparação com o mesmo mês de 2025, mas a produção de aço bruto recuou 3,7%, enquanto a de produtos laminados caiu 5,5%. O contraste ajuda a explicar por que a melhora da percepção sobre a atividade ainda não produz uma aceleração equivalente nos preços do minério.

PMI melhora, mas indústria ainda opera em ritmos diferentes

O resultado de setembro apresentou melhora em várias frentes. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas da China, o índice de produção alcançou 51,7 pontos, enquanto o índice de novos pedidos ficou em 50,5 pontos. Ambos permaneceram acima do nível de 50 pontos, indicando expansão, embora o componente de novos pedidos tenha recuado 0,1 ponto na comparação mensal.

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Outra mudança relevante ocorreu na abrangência da recuperação. Dos 21 setores industriais pesquisados oficialmente, 12 registraram PMI acima de 50 pontos em setembro, quatro a mais do que em agosto. A melhora indica que a recuperação não ficou concentrada apenas em um conjunto restrito de atividades.

A composição dos dados também mostra uma diferença importante entre produção e demanda. O índice de produção avançou de forma mais expressiva, enquanto os novos pedidos apresentaram estabilidade relativa. Isso significa que o crescimento da atividade fabril já aparece nos dados de produção, mas a expansão da demanda ainda é mais gradual.

Para o minério de ferro, essa distinção é relevante porque o consumo está diretamente ligado ao ritmo de fabricação de aço e à utilização das usinas. Uma melhora do PMI tende a apoiar expectativas de demanda futura, mas não significa necessariamente aumento imediato das compras de minério pelas siderúrgicas.

Os números de agosto reforçam essa cautela. A produção industrial total da China aumentou 5,2% na comparação anual, com a indústria de transformação avançando 6,1%. Dentro desse resultado, a produção de máquinas de uso geral cresceu 9,8%, a de máquinas especiais aumentou 11,4%, a fabricação de equipamentos elétricos subiu 9,9% e a produção de computadores, equipamentos de comunicação e outros produtos eletrônicos avançou 17,2%.

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Esse perfil mostra que parte importante da expansão industrial chinesa está vindo de setores de maior intensidade tecnológica. Em paralelo, a produção de ferro-gusa caiu 3,5% em agosto e a de aço bruto recuou 3,7%. A produção de aço bruto de 74,61 milhões de toneladas naquele mês ficou cerca de 8,4% abaixo da média mensal registrada entre janeiro e agosto, calculada a partir do volume acumulado de 651,85 milhões de toneladas.

O dado ajuda a colocar a alta do minério de ferro em perspectiva. O mercado passou a incorporar uma melhora da atividade, mas os números físicos de produção siderúrgica ainda não apontam para uma retomada homogênea da demanda.

Estímulos ampliam expectativa para infraestrutura e indústria

A percepção de que Pequim pretende sustentar a atividade também contribuiu para o movimento dos contratos. Entre as medidas anunciadas recentemente está a ampliação de instrumentos financeiros voltados à economia, incluindo mudanças nas condições de financiamento de projetos considerados estratégicos.

O Banco Popular da China reduziu de 1,75% para 1,5% a taxa de um ano do chamado Pledged Supplementary Lending (PSL), instrumento utilizado para direcionar recursos por meio de bancos de política. Também ampliou o escopo desse mecanismo para projetos associados a redes de água, energia, computação, comunicações, infraestrutura subterrânea urbana e logística. A autoridade monetária também elevou a cota do programa de crédito para inovação científica e tecnológica em 200 bilhões de yuans, de 1,2 trilhão para 1,4 trilhão de yuans.

O impacto potencial sobre o minério está principalmente na possibilidade de aumento dos investimentos em infraestrutura e equipamentos. Projetos dessa natureza demandam aço em diferentes etapas, desde estruturas metálicas até equipamentos, redes de transporte e instalações industriais. O efeito, porém, depende da velocidade de implementação dos investimentos e de sua conversão efetiva em demanda por produtos siderúrgicos.

A política de crédito também foi ampliada para agricultura e pequenas empresas. Uma das medidas elevou em 500 bilhões de yuans a cota destinada a esses segmentos, incluindo 300 bilhões de yuans direcionados ao apoio financeiro a empresas privadas. Para o mercado de commodities, a importância está menos no efeito imediato e mais na tentativa de preservar o fluxo de financiamento para empresas e investimentos em um momento de desaceleração de algumas áreas da economia.

Pequim também anunciou uma política inédita de subsídio de juros para determinadas operações de financiamento imobiliário. A medida começa a valer em 1º de outubro, terá duração inicial de um ano e prevê subsídio equivalente a 1 ponto percentual ao ano para empréstimos destinados à compra do primeiro imóvel, respeitados os critérios de valor e área estabelecidos pelo governo. O financiamento elegível fica limitado a 1 milhão de yuans por pessoa ou família dentro das regras do programa, com prazo de subsídio de até cinco anos.

No limite máximo previsto, a redução de custo financeiro equivale a até 10 mil yuans por ano sobre 1 milhão de yuans de saldo elegível. Em cinco anos, caso o principal permaneça integralmente dentro do limite de incidência durante todo o período, o benefício nominal pode alcançar 50 mil yuans. O cálculo não representa o desembolso efetivo de cada família, já que o subsídio depende do saldo e das condições da operação ao longo do tempo.

Imobiliário ainda limita uma recuperação mais forte do aço

O apoio ao mercado de imóveis é particularmente relevante para o minério porque a construção civil permanece entre os principais canais de consumo de aço na China. Os indicadores disponíveis, contudo, mostram que esse segmento ainda apresenta retração significativa.

Entre janeiro e agosto, o investimento nacional em desenvolvimento imobiliário caiu 19,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, para 4,7979 trilhões de yuans. O investimento residencial recuou 19,7%. As novas construções diminuíram 24,8%, enquanto a área residencial iniciada caiu 25,4%.

As vendas também permaneceram pressionadas. A área de imóveis novos vendida nos oito primeiros meses caiu 12,1%, enquanto o valor das vendas recuou 13%. Os recursos captados pelas empresas imobiliárias diminuíram 21%, com os empréstimos domésticos recuando 33,3% e os financiamentos hipotecários individuais 22,4%.

Esses números mostram que o estímulo ao setor imobiliário ocorre sobre uma base ainda fraca. Ao mesmo tempo em que o governo busca reduzir o custo do financiamento para compradores de primeira moradia, o investimento das incorporadoras e os lançamentos continuam abaixo dos níveis de um ano antes.

A composição do investimento reforça a necessidade de diferenciar os vetores de crescimento. Nos oito primeiros meses, o investimento em ativos fixos caiu 7,2%, enquanto o investimento em infraestrutura recuou 4%. O investimento industrial diminuiu 2,9%, embora o setor de mineração tenha apresentado crescimento de 3,4%.

O quadro, portanto, combina expansão em setores industriais específicos com retração em segmentos relevantes para a siderurgia tradicional. Esse descompasso reduz a possibilidade de interpretar a alta do minério de ferro desta quarta-feira como sinal de uma retomada generalizada da demanda.

Mercado acompanha produção siderúrgica e próximos dados chineses

O comportamento dos contratos deve continuar condicionado à evolução simultânea da atividade econômica, das compras das siderúrgicas e das medidas de estímulo. O PMI de setembro melhora a leitura sobre a atividade industrial no curto prazo, mas os números de produção de aço mostram que as usinas ainda não responderam integralmente ao ambiente de maior expectativa.

Em agosto, a produção de aço bruto acumulada de janeiro a agosto ficou 3,1% abaixo do mesmo período de 2025. A fabricação de produtos laminados caiu 1,7% no acumulado do ano. Em contraste, setores ligados a tecnologia e equipamentos apresentaram taxas de crescimento significativamente maiores, indicando mudança na composição da atividade manufatureira chinesa.

Para o minério, essa mudança pode representar uma combinação de sinais positivos e limitações. A expansão da produção industrial e das atividades de maior valor agregado sustenta o consumo de metais e equipamentos, enquanto a fraqueza da construção civil e a menor produção de aço limitam o crescimento da demanda por minério em segmentos tradicionais.

O próprio movimento do contrato em Dalian reflete essa leitura mais equilibrada. A alta de 0,14% levou o contrato mais negociado a 702,5 yuans por tonelada, avanço suficiente para registrar reação aos novos dados chineses, mas ainda distante de caracterizar uma mudança abrupta nas expectativas do mercado. Dados de mercado apontaram que o contrato I2701 terminou a sessão nesse nível, com variação de 0,14% sobre o pregão anterior.

A próxima etapa será observar se a recuperação do PMI se transforma em aumento efetivo de pedidos, produção e consumo de aço. Também será importante acompanhar a execução dos novos mecanismos de crédito e os efeitos das medidas voltadas ao mercado imobiliário a partir de outubro.

Para as mineradoras, a combinação de atividade industrial mais firme e estímulos à infraestrutura pode sustentar o mercado no médio prazo, mas a persistência da retração imobiliária e a redução da produção siderúrgica mantêm limites para uma recuperação mais acelerada. O comportamento do minério, portanto, dependerá menos de um único indicador e mais da capacidade dos estímulos de transformar melhora de confiança em demanda física por aço.

Fontes:

Escritório Nacional de Estatísticas da China – PMI de setembro de 2026, produção industrial, índices de produção e novos pedidos

Escritório Nacional de Estatísticas da China – produção industrial de agosto de 2026 e dados de aço bruto, ferro-gusa e produtos laminados

Ministério das Finanças da China, Banco Popular da China e Administração Nacional de Regulação Financeira – política de subsídio de juros para financiamento de primeira moradia

Banco Popular da China – medidas de ampliação e redução de custos de instrumentos de crédito para infraestrutura, inovação tecnológica e empresas

Shanghai Metals Market – fechamento dos contratos futuros de minério de ferro na Bolsa de Commodities de Dalian em 30 de setembro de 2026

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