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Natura (NATU3) sobe após JPMorgan elevar recomendação e ver potencial de 40%

Banco elevou ação para overweight e aumentou preço-alvo para R$ 14, apostando em margens, caixa e simplificação da estrutura.

por João Souza - Repórter de Negócios
07/05/2026 às 14h12 - Atualizado em 14/05/2026 às 22h08
em Ibovespa, Destaque, Mercados, Notícias
Natura Natu3 - Gzt - Gazeta Mercantil

As ações da Natura (NATU3) subiram nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, após o JPMorgan elevar a recomendação dos papéis de neutra para overweight, equivalente a exposição acima da média do mercado, e revisar o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 14 por ação até dezembro de 2026. A nova projeção implica potencial de valorização de cerca de 40% em relação aos níveis recentes de negociação e marca uma mudança relevante na leitura do banco sobre a companhia, mesmo após anos de decepções operacionais para investidores.

Por volta das 10h24, Natura (NATU3) avançava 4,66%, negociada perto de R$ 11. A reação positiva refletiu a avaliação de que a empresa concluiu uma etapa importante de simplificação dos negócios, reduziu riscos ligados à reestruturação e pode melhorar margens e geração de caixa nos próximos anos.

A mudança do JPMorgan ocorre em um ambiente ainda marcado por elevado ceticismo com Natura (NATU3). A companhia enfrentou uma sequência de frustrações nos últimos anos, associadas à integração da Avon, à complexidade operacional, à pressão sobre margens e ao desempenho abaixo do esperado em diferentes mercados. Para o banco, porém, parte relevante desses riscos foi reduzida após a venda integral da Avon International, excluída a operação da América Latina.

JPMorgan muda metodologia e eleva preço-alvo

A elevação do preço-alvo da Natura (NATU3) não decorreu de uma mudança expressiva nas projeções de lucro por ação para 2027. Segundo o JPMorgan, as estimativas de EPS permaneceram praticamente inalteradas. O que mudou foi a metodologia de avaliação usada pelos analistas.

O banco passou a adotar o modelo de fluxo de caixa descontado ao acionista, conhecido como DCFE, como principal métrica para avaliar Natura (NATU3). Antes, a análise era baseada principalmente no múltiplo de preço sobre lucro, o P/L.

A alteração é relevante porque muda o foco da tese de investimento. Em vez de concentrar a avaliação apenas no lucro contábil esperado, o JPMorgan passou a atribuir mais peso à capacidade da companhia de gerar caixa livre para os acionistas.

Esse ponto favorece Natura (NATU3) em um momento no qual a empresa tenta demonstrar que a simplificação operacional pode se traduzir em melhora de eficiência, menor volatilidade e maior retorno aos investidores.

Tese passa por margem e geração de caixa

Na avaliação do JPMorgan, a tese de investimento em Natura (NATU3) está centrada na expansão de margens e na geração de fluxo de caixa livre, mesmo em um cenário de crescimento de receita mais desafiador. O banco avalia que a companhia pode entregar melhora operacional sem depender necessariamente de aceleração forte nas vendas.

Essa leitura é importante porque a Natura (NATU3) ainda precisa reconstruir credibilidade junto ao mercado. Após anos de resultados instáveis, investidores tendem a cobrar sinais consistentes de rentabilidade, controle de despesas e disciplina de capital.

O JPMorgan também vê uma opcionalidade positiva caso a empresa consiga acelerar o crescimento. Segundo os analistas, as projeções atuais não incorporam ganhos adicionais de participação de mercado, apesar de a companhia vir recuperando market share na América Latina e diversificando canais de venda.

Em outras palavras, a recomendação do banco não depende de uma premissa agressiva de expansão de receita. A aposta principal está na melhora da estrutura operacional e na capacidade de transformar vendas em caixa.

Simplificação após Avon reduz riscos da tese

Um dos pilares da revisão do JPMorgan é a conclusão do processo de simplificação da Natura (NATU3). A venda da Avon International, exceto a operação latino-americana, reduziu a complexidade do grupo e diminuiu riscos ligados à reestruturação.

A aquisição da Avon foi, por anos, um dos principais pontos de preocupação para investidores. O negócio ampliou o alcance global da Natura, mas também trouxe desafios operacionais, sobreposição de estruturas, integração complexa e pressão sobre resultados.

Com a saída de ativos internacionais problemáticos, a companhia passa a concentrar esforços em mercados considerados mais estratégicos. A América Latina segue como eixo relevante, enquanto a gestão busca recuperar margens e simplificar processos.

Para o JPMorgan, essa mudança diminui riscos remanescentes da reestruturação. A leitura é que a empresa entra em uma fase na qual o foco passa a ser execução, eficiência e geração de caixa, e não mais a digestão de um portfólio global excessivamente complexo.

Corte de despesas reforça expectativa de margens

Outro ponto destacado pelo JPMorgan é a agenda de eficiência implementada no primeiro trimestre de 2026. Segundo o banco, Natura (NATU3) reduziu cerca de 25% a 30% das despesas corporativas, movimento que deve tornar a estrutura mais ágil e eficiente.

A redução de custos é vista como um fator de sustentação para margens. Em uma empresa de consumo, especialmente em cosméticos e venda direta, despesas corporativas, logística, marketing, tecnologia e estrutura administrativa têm impacto relevante sobre a rentabilidade.

O banco avalia que a recuperação de margens parece menos arriscada depois dessa reorganização. A expectativa é que a estrutura mais enxuta compense riscos de desalavancagem operacional e ajude a sustentar geração de caixa mais robusta.

Para investidores, esse é um sinal importante. O mercado costuma reagir melhor quando a melhora de margem decorre de medidas internas de eficiência, porque esse tipo de ajuste depende menos do ambiente macroeconômico ou de crescimento acelerado de receita.

Advent aparece como suporte adicional para as ações

A possível atuação da Advent também foi citada pelo JPMorgan como elemento de suporte para Natura (NATU3). Segundo estimativas do banco, a gestora teria intenção de comprar papéis da companhia a preço médio de R$ 9,75 ao longo dos próximos cinco meses.

A entrada de uma gestora de private equity em uma companhia listada costuma ser acompanhada de perto pelo mercado. Investidores avaliam não apenas o potencial de compra de ações, mas também a influência sobre governança, disciplina de capital e estratégia corporativa.

O JPMorgan considera que uma eventual presença da Advent no conselho de administração pode fortalecer a governança da Natura (NATU3) e ajudar a destravar valor para os acionistas.

Esse ponto ganha relevância porque a Natura (NATU3) ainda negocia com desconto em relação a pares latino-americanos, segundo a avaliação do banco. A percepção de governança mais robusta e maior disciplina operacional pode reduzir parte desse desconto ao longo do tempo.

Natura negocia com desconto frente a pares

O JPMorgan estima que Natura (NATU3) negocia atualmente a cerca de 10 vezes o lucro ajustado projetado para 2026 e 8 vezes o lucro estimado para 2027. Esses múltiplos representam desconto aproximado de 15% a 20% em relação a pares latino-americanos.

A leitura do banco é que esse desconto pode diminuir se a empresa entregar melhora de margens, geração de caixa consistente e redução da percepção de risco operacional. Para isso, a companhia precisará comprovar que os ajustes recentes são sustentáveis.

O JPMorgan projeta crescimento anual composto do lucro por ação de 16% entre 2026 e 2028. Também estima rendimento de fluxo de caixa livre próximo de 10%, acima da média de cerca de 4% do varejo latino-americano.

Esse diferencial de geração de caixa pode se traduzir em dividendos mais robustos, segundo o banco. Para investidores, a possibilidade de remuneração maior é um fator relevante em uma ação que passou por forte volatilidade nos últimos anos.

Mercado ainda cobra execução após anos de frustração

Apesar da recomendação mais positiva, Natura (NATU3) ainda enfrenta um ambiente de desconfiança. A companhia acumula anos de resultados abaixo das expectativas, mudanças estratégicas e desafios ligados à integração de marcas e canais.

O ceticismo do mercado não desaparece com uma revisão de preço-alvo. A recomendação do JPMorgan melhora a percepção de curto prazo, mas a confirmação da tese dependerá dos próximos balanços.

Os investidores devem acompanhar a evolução de margens, fluxo de caixa livre, despesas corporativas, recuperação de participação de mercado e desempenho dos canais de venda. A companhia também precisará mostrar que consegue crescer sem perder disciplina de custos.

A esperada fraqueza dos resultados no primeiro semestre de 2026, segundo o JPMorgan, pode abrir uma janela atrativa para montagem de posições. Essa leitura parte da ideia de que o mercado ainda pode estar subestimando a melhora estrutural da empresa.

Ação sobe com nova leitura sobre risco e retorno

A alta das ações da Natura (NATU3) nesta quinta-feira refletiu a mudança de percepção sobre o balanço entre risco e retorno. Ao elevar a recomendação para overweight e apontar preço-alvo de R$ 14, o JPMorgan passou a defender que o potencial de valorização compensa o histórico recente de decepções.

O movimento também ocorre em um momento em que outros bancos já haviam revisado positivamente a visão sobre Natura (NATU3). Em abril, o Bank of America elevou a recomendação para compra e também projetou preço-alvo de R$ 14, citando fatores como melhora operacional e entrada da Advent como possíveis catalisadores.

Esse alinhamento parcial entre casas de análise aumenta o peso da tese de recuperação, mas não elimina riscos. A Natura (NATU3) segue exposta ao consumo na América Latina, câmbio, custos logísticos, competitividade no setor de beleza e capacidade de execução da nova estrutura.

No curto prazo, o papel pode continuar reagindo a relatórios de bancos, expectativas para resultados e sinais de melhora operacional. No médio prazo, a sustentação da alta dependerá de números concretos.

Virada da Natura depende de caixa e margem

A elevação da recomendação pelo JPMorgan marca uma mudança importante na leitura sobre Natura (NATU3), mas também coloca a companhia sob maior cobrança. O mercado passará a observar se a simplificação após a venda da Avon International e a redução de despesas corporativas serão suficientes para sustentar margens melhores.

A tese agora está menos apoiada em crescimento acelerado de receita e mais concentrada em geração de caixa, eficiência e governança. Essa mudança pode favorecer a ação em um ambiente no qual investidores valorizam disciplina financeira e previsibilidade.

Para a Natura (NATU3), a oportunidade é transformar uma narrativa de reestruturação em resultados recorrentes. Para os acionistas, o ponto central será verificar se o desconto frente aos pares latino-americanos é uma oportunidade ou reflexo de riscos ainda não superados.

A alta do papel mostra que o mercado recebeu bem a nova avaliação do JPMorgan. A consolidação dessa melhora, porém, dependerá dos próximos trimestres e da capacidade da companhia de entregar aquilo que agora volta a ser precificado: margens mais fortes, caixa livre elevado e retorno mais consistente ao acionista.

Tags: ações da NaturaAdventAvonAvon Internationalbolsa brasileiraconsumoFluxo de Caixa LivreIbovespaJPMorganmargemmercadosNATU3Natura NATU3overweightpreço-alvo.varejo

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