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Nvidia na China: Alibaba e ByteDance mantêm compras de chips apesar da pressão de Pequim

por Gabriel Monteiro
05/09/2025 às 18h10
em Tecnologia
Nvidia Na China: Alibaba E Bytedance Mantêm Compras De Chips Apesar Da Pressão De Pequim - Gazeta Mercantil

Nvidia na China: gigantes Alibaba, ByteDance e Tencent mantêm interesse em chips mesmo sob pressão de Pequim

A disputa tecnológica entre Estados Unidos e China ganha novos capítulos a cada semana. No centro dessa guerra pela supremacia em inteligência artificial (IA) está a Nvidia, hoje considerada a empresa mais valiosa do mundo. Apesar da pressão de reguladores chineses para que companhias locais reduzam sua dependência de chips norte-americanos, Alibaba, ByteDance, Tencent e outras gigantes de tecnologia ainda demonstram forte interesse nos modelos H20 e no aguardado B30A.

esse movimento mostra como os produtos da Nvidia na China continuam relevantes, mesmo diante das sanções de Washington, da tentativa de substituição por alternativas nacionais como os chips da Huawei e Cambricon e da pressão política de Pequim.

Leia também: Lucro da Samsung triplica com boom de IA e escassez de chips no 4º trimestre.


A importância dos chips Nvidia H20

O chip H20 foi desenvolvido como uma versão adaptada às restrições de exportação dos EUA. Apesar de menos avançado que os modelos disponíveis em outros mercados, tornou-se um recurso estratégico para empresas chinesas que buscam avançar em projetos de IA generativa, big data e computação em nuvem.

Atualmente, o H20 é vendido entre US$ 10.000 e US$ 12.000. Seu custo elevado não tem reduzido a procura, já que a Nvidia mantém a liderança em desempenho e compatibilidade com ecossistemas de software que dominam o setor.

Leia também: Mercados Asiáticos Encerram em Alta com Impulso da Nvidia; China Fica no Vermelho.


O B30A: a próxima aposta da Nvidia na China

A Nvidia também prepara o lançamento do B30A, baseado na arquitetura Blackwell. O chip, que ainda depende de aprovação do governo dos EUA para ser comercializado no mercado chinês, promete ser até seis vezes mais potente que o H20.

Com previsão de preço em torno de US$ 20.000, o B30A é considerado pelas empresas chinesas como um “bom negócio” pelo ganho de performance em comparação ao H20. Essa expectativa gera ansiedade em companhias como Alibaba, ByteDance e Tencent, que veem na nova geração um diferencial competitivo crucial para manter a relevância global.


Pressão política de Pequim

As autoridades chinesas vêm convocando executivos de grandes companhias de tecnologia para discutir as compras de chips da Nvidia. O objetivo é estimular a transição para soluções nacionais, ao mesmo tempo em que são levantadas preocupações sobre riscos de segurança de dados e dependência estratégica.

Apesar dessa pressão, as empresas não receberam ordem formal para interromper as compras. Na prática, a demanda segue elevada porque os chips nacionais ainda não conseguem entregar a mesma performance que os da Nvidia na China.


Dependência tecnológica e rivalidade EUA x China

A Nvidia é responsável por aproximadamente 13% de sua receita global proveniente do mercado chinês. Essa fatia significativa reflete a importância estratégica da segunda maior economia do mundo para a gigante norte-americana.

Por outro lado, os EUA buscam limitar o acesso chinês às tecnologias mais avançadas, temendo que sejam utilizadas em projetos militares ou de vigilância. Para equilibrar interesses, Washington reduziu parte das restrições e fechou acordos, como o que prevê que a Nvidia repasse 15% da receita obtida com o H20 ao governo norte-americano.


Alternativas chinesas: Huawei e Cambricon

Apesar do avanço de empresas como Huawei e Cambricon, que buscam oferecer alternativas domésticas, especialistas afirmam que seus produtos ainda não alcançam o desempenho dos chips da Nvidia. Além disso, a limitação da oferta e a falta de maturidade do ecossistema de software tornam a migração lenta.

Assim, mesmo com investimentos maciços de Pequim em semicondutores, a substituição completa de chips da Nvidia no curto prazo parece improvável.


Impactos no mercado financeiro

A incerteza sobre a continuidade das vendas de chips da Nvidia na China já se reflete no mercado. No fim de agosto, a empresa divulgou projeções mais modestas para o trimestre, excluindo potenciais receitas da China. Como resultado, suas ações caíram cerca de 6%.

O recuo mostra como a guerra tecnológica entre EUA e China gera volatilidade para investidores e pressiona empresas globais a buscarem estratégias de adaptação.


A presença de gigantes chinesas no cenário

Companhias como Alibaba, ByteDance e Tencent continuam investindo pesadamente em infraestrutura de IA. Mesmo sob forte pressão, a dependência da Nvidia é estratégica para manter competitividade global. O ecossistema de aplicativos, comércio eletrônico, redes sociais e nuvem dessas empresas exige hardware de ponta que ainda não encontra equivalente em soluções nacionais.

Esse interesse persistente reafirma a liderança da Nvidia na China, mesmo em um cenário político e econômico de incertezas.


Major players e o futuro da disputa

O setor de tecnologia global está cada vez mais polarizado. Enquanto de um lado estão os major players dos EUA, como Nvidia, Microsoft e Google, do outro lado surge a tentativa da China de fortalecer sua própria indústria, apoiada por empresas como Huawei e Cambricon.

Essa disputa promete redefinir não apenas o mercado de chips, mas também a dinâmica da inteligência artificial mundial.


A disputa pelo domínio dos semicondutores é um dos capítulos mais intensos da rivalidade entre EUA e China. O caso da Nvidia na China mostra como a pressão política de Pequim ainda não é suficiente para afastar empresas como Alibaba, ByteDance e Tencent do uso dos chips da fabricante norte-americana.

Mesmo com o avanço das alternativas locais, a performance e a maturidade do ecossistema Nvidia seguem determinantes para quem deseja manter relevância global. A guerra tecnológica deve se intensificar, e o futuro do mercado dependerá da capacidade de inovação e da habilidade de cada país em garantir acesso a chips de ponta.

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