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OpenAI prepara IPO e pode ser avaliada em mais de US$ 1 trilhão, diz jornal

Dona do ChatGPT estaria perto de protocolar pedido de abertura de capital nos Estados Unidos, em movimento que pode disputar atenção de investidores com SpaceX e Anthropic

por Maria Helena Costa
21/05/2026 às 16h01
em Mercados
Openai Fecha Rodada De Us$ 122 Bilhões E Alcança Avaliação De Us$ 852 Bilhões - Gazeta Mercantil

A OpenAI, dona do ChatGPT, deve protocolar ainda nesta semana um pedido de IPO nos Estados Unidos e pode ser avaliada em mais de US$ 1 trilhão, segundo informações publicadas pelo jornal britânico Financial Times. A abertura de capital, caso avance, pode ocorrer já em setembro e tem potencial para se tornar uma das maiores ofertas públicas iniciais de ações da história do mercado americano, em meio à corrida global por inteligência artificial.

A companhia comandada por Sam Altman estaria trabalhando com Goldman Sachs e Morgan Stanley, além do escritório de advocacia Cooley, para estruturar a operação. Segundo fontes ouvidas pelo jornal, um prospecto preliminar pode ser apresentado nos próximos dias, marcando o início formal do processo de listagem.

Leia também: Governo Prepara Regulamentação para Trabalhadores de Aplicativos.

A possível chegada da OpenAI à Bolsa ocorre em um momento de forte apetite dos investidores por empresas ligadas à inteligência artificial generativa, data centers, chips, computação em nuvem e softwares capazes de automatizar tarefas corporativas. A empresa se tornou uma das principais referências globais do setor após a popularização do ChatGPT.

IPO da OpenAI pode estar entre os maiores dos EUA

A avaliação superior a US$ 1 trilhão colocaria a OpenAI em uma faixa restrita do mercado global de tecnologia. Hoje, poucas empresas listadas alcançam esse patamar, normalmente companhias com escala mundial, forte geração de caixa e posição dominante em mercados estratégicos.

No caso da OpenAI, a tese de investimento está ligada ao crescimento acelerado da inteligência artificial generativa. A companhia se consolidou como uma das principais desenvolvedoras de modelos de linguagem, assistentes virtuais, ferramentas de automação e soluções corporativas baseadas em IA.

O IPO permitiria que investidores acessassem diretamente uma das empresas mais influentes da nova fase da tecnologia. Até agora, a exposição à OpenAI ocorre principalmente por meio de investidores privados, parcerias estratégicas e empresas ligadas ao ecossistema de IA.

Uma listagem pública também obrigaria a companhia a divulgar informações financeiras mais detalhadas. Receita, custos de infraestrutura, margens, governança, dependência de parceiros e riscos regulatórios passariam a ser analisados com maior profundidade pelo mercado.

Sam Altman quer chegar à Bolsa antes da Anthropic

Segundo o Financial Times, Sam Altman estaria pressionando para que a OpenAI estreie na Bolsa antes da Anthropic, rival direta no mercado de inteligência artificial e criadora do Claude. A Anthropic também avalia uma oferta pública ainda neste ano.

A disputa pelo momento da listagem é estratégica. Em setores de forte crescimento, a primeira grande companhia a acessar o mercado público pode capturar uma parcela maior da demanda de investidores institucionais.

No caso da inteligência artificial, esse ponto é ainda mais relevante porque há poucas empresas puramente focadas em IA generativa disponíveis nas bolsas. A maior parte da exposição pública ao tema hoje ocorre por meio de big techs, fabricantes de chips e provedores de nuvem.

A OpenAI busca se posicionar como a principal referência pública do setor antes que concorrentes diretas também disputem capital. Uma estreia bem-sucedida poderia reforçar a percepção de liderança da empresa e estabelecer novos parâmetros de avaliação para companhias de IA.

SpaceX também pressiona janela de mercado

Além da Anthropic, a OpenAI também acompanha o aguardado IPO da SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk. Segundo o jornal, executivos da OpenAI avaliam que a listagem da SpaceX pode atrair grande parte do capital disponível entre investidores institucionais.

A SpaceX é apontada como candidata à maior abertura de capital da história, com expectativa de avaliação próxima de US$ 1,75 trilhão e potencial de levantar cerca de US$ 75 bilhões.

Uma operação desse porte poderia concentrar a atenção de fundos globais, gestoras, bancos de investimento e investidores especializados em tecnologia. Por isso, a OpenAI tenta se antecipar e sinalizar ao mercado que também poderá oferecer uma oportunidade direta de investimento em uma das principais teses de crescimento da década.

A disputa por capital ocorre em um ambiente no qual empresas de tecnologia buscam transformar narrativas de inovação em acesso a recursos públicos. No caso da OpenAI, o apelo está na inteligência artificial. No caso da SpaceX, a tese envolve exploração espacial, foguetes, satélites e internet global.

Empresa removeu obstáculos para a listagem

De acordo com o Financial Times, a OpenAI passou os últimos meses eliminando obstáculos para uma abertura de capital. Entre as medidas citadas estão a conversão para uma estrutura com fins lucrativos, a redução de investimentos em projetos paralelos e a vitória recente em uma disputa judicial movida por Elon Musk.

A estrutura societária da OpenAI sempre foi um dos pontos mais observados pelo mercado. A empresa nasceu com uma proposta voltada ao desenvolvimento seguro de inteligência artificial, mas passou por mudanças relevantes à medida que atraiu investimentos bilionários, ampliou sua atuação comercial e se tornou peça central da corrida global por IA.

A conversão para uma estrutura com fins lucrativos tende a facilitar uma eventual listagem pública. Investidores de mercado aberto exigem clareza sobre governança, direitos econômicos, retorno sobre capital, controle acionário e responsabilidade fiduciária.

Ainda assim, o IPO da OpenAI deve levantar questionamentos. A companhia atua em um setor cercado por debates sobre direitos autorais, uso de dados, segurança, concorrência, impacto no trabalho, consumo de energia e influência sobre informação pública.

Bancos globais trabalham na operação

A participação de Goldman Sachs e Morgan Stanley na preparação do IPO indica o potencial porte da transação. Os dois bancos estão entre os principais coordenadores de grandes ofertas públicas globais, especialmente no setor de tecnologia.

O escritório Cooley, também citado pelo jornal, é conhecido por assessorar startups, empresas de tecnologia e companhias de alto crescimento em operações societárias, rodadas de investimento e aberturas de capital.

O prospecto preliminar será o documento mais aguardado pelo mercado. Nele, investidores deverão encontrar informações sobre o modelo de negócios da OpenAI, estrutura acionária, riscos, dados financeiros, uso dos recursos captados e governança.

Esse material será decisivo para medir se a avaliação superior a US$ 1 trilhão é compatível com os fundamentos da companhia. O mercado buscará entender a dimensão das receitas do ChatGPT, o peso dos clientes corporativos, os custos de computação, a dependência de provedores de nuvem e a capacidade de transformar liderança tecnológica em rentabilidade.

Inteligência artificial impulsiona apetite por IPOs

A possível abertura de capital da OpenAI acontece em um dos ciclos mais intensos de investimento em inteligência artificial. A adoção de IA generativa acelerou gastos com chips, data centers, servidores, computação em nuvem, softwares corporativos e automação.

Companhias como Nvidia (NVDC34), Microsoft (MSFT34), Alphabet (GOGL34), Amazon (AMZO34) e Meta (M1TA34) já capturam parte relevante desse movimento nas bolsas. Ainda assim, investidores têm poucas alternativas diretas em empresas cujo principal negócio seja o desenvolvimento de modelos generativos.

A OpenAI ocuparia esse espaço. A empresa é vista como uma das companhias mais influentes da nova fase tecnológica, com impacto em educação, programação, atendimento, comunicação, análise de dados, produtividade e processos corporativos.

Uma listagem pública também pode estabelecer uma nova referência de valor para o setor. Caso a OpenAI seja precificada acima de US$ 1 trilhão, outras empresas de IA poderão usar a operação como parâmetro em rodadas privadas, fusões, aquisições e futuras ofertas públicas.

Avaliação trilionária aumenta cobrança por resultados

Apesar do forte interesse por inteligência artificial, uma avaliação superior a US$ 1 trilhão exigirá confiança elevada dos investidores. A OpenAI terá de demonstrar que consegue transformar liderança tecnológica em receita recorrente, margem sustentável e geração de caixa.

Empresas de IA têm custos altos. Treinamento de modelos, infraestrutura computacional, energia, contratação de talentos técnicos e parcerias com provedores de nuvem exigem desembolsos bilionários. Esses custos podem pressionar margens, mesmo em companhias com crescimento acelerado.

A concorrência também é intensa. A OpenAI disputa mercado com Anthropic, Google, Meta, xAI, Microsoft, Amazon e outras empresas especializadas em modelos, agentes, ferramentas corporativas e aplicações verticais.

O desafio será mostrar que o ChatGPT e os demais produtos da companhia conseguem sustentar expansão de longo prazo, retenção de clientes, diferenciação tecnológica e monetização em escala.

Relação com Microsoft deve ser ponto de atenção

Um dos temas que provavelmente será acompanhado pelos investidores é a relação da OpenAI com a Microsoft (MSFT34), uma de suas principais parceiras estratégicas. A big tech investiu bilhões de dólares na desenvolvedora do ChatGPT e integrou tecnologias da empresa a produtos como Azure, Copilot, Office e ferramentas corporativas.

Essa parceria ajudou a OpenAI a ganhar escala global, mas também levanta questões sobre dependência comercial e tecnológica. O prospecto deverá esclarecer, na medida permitida, como funcionam receitas, custos, direitos econômicos e obrigações entre as companhias.

A Microsoft (MSFT34) também é uma das maiores beneficiárias públicas da expansão da OpenAI. Para investidores, a listagem da dona do ChatGPT pode mudar a forma como o mercado precifica a exposição da Microsoft à inteligência artificial.

A abertura de capital também pode criar uma nova dinâmica competitiva entre parceiras e rivais. Como empresa listada, a OpenAI passaria a ter pressão direta por crescimento, margens e retorno aos acionistas.

Regulação e direitos autorais entram no radar

A OpenAI também deve enfrentar questionamentos regulatórios em uma eventual abertura de capital. O uso de dados para treinamento de modelos de IA, a proteção de direitos autorais, a segurança dos sistemas e os efeitos sobre concorrência são temas em discussão em diferentes países.

Empresas de mídia, autores, editoras, artistas e desenvolvedores têm cobrado remuneração, transparência e controle sobre o uso de seus conteúdos por modelos de inteligência artificial. A OpenAI já enfrenta disputas e negociações relacionadas a esse tema.

Além disso, governos discutem regras para uso responsável de IA, proteção de dados, riscos de desinformação, responsabilidade por respostas geradas por modelos e impacto sobre empregos.

Esses fatores podem representar riscos para a companhia. Investidores deverão avaliar não apenas o potencial de crescimento, mas também os custos de conformidade, possíveis indenizações, restrições operacionais e mudanças regulatórias.

IPO pode redefinir mercado de tecnologia em 2026

A possível abertura de capital da OpenAI tem potencial para se tornar um dos principais eventos do mercado financeiro global em 2026. Uma listagem bem-sucedida consolidaria a inteligência artificial como eixo central da nova fase de investimentos em tecnologia.

Ao mesmo tempo, o IPO aumentaria o escrutínio sobre a companhia. Como empresa aberta, a OpenAI passaria a ser cobrada por resultados trimestrais, governança, transparência, controle de custos, crescimento de receita e resposta a riscos regulatórios.

Para investidores, a operação representa uma oportunidade rara de exposição direta à empresa que popularizou a IA generativa. Para o mercado, será um teste sobre até onde vai o apetite por companhias de inteligência artificial em avaliações trilionárias.

Se o pedido for protocolado nesta semana, o foco se voltará ao prospecto, aos números financeiros e à capacidade da OpenAI de justificar uma avaliação superior a US$ 1 trilhão em um setor de crescimento acelerado, mas cada vez mais competitivo.

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