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PF encontra foto de Arthur Lira e Ramagem em rancho de advogado investigado no caso INSS

Registro de 2023 foi localizado no celular de Weverton Rocha; imagem mostra políticos na propriedade de Willer Tomaz, alvo de buscas por suspeita de lavagem.

por Júlia Campos
09/08/2026 às 21h56
em Política
Reprodução

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Uma fotografia localizada pela Polícia Federal no material extraído do celular do senador Weverton Rocha (PDT-MA) colocou sob atenção as relações políticas do advogado Willer Tomaz, alvo de buscas na nova fase da Operação Sem Desconto, investigação que apura fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

A imagem, registrada em 23 de abril de 2023, mostra Tomaz em sua propriedade em Planaltina, no Distrito Federal, cercado por parlamentares e outras pessoas durante um encontro particular. Entre os políticos identificados pela revista piauí estão Arthur Lira, então presidente da Câmara dos Deputados, Alexandre Ramagem, Juscelino Filho, Elmar Nascimento, Paulo Azi e o próprio Weverton Rocha.

Leia também: Como Recuperar o Benefício do Bolsa Família em Caso de Bloqueio.

O registro foi encontrado no celular de Weverton, que está sob análise dos investigadores desde o fim de 2025. Segundo a reportagem que revelou o documento, a fotografia integra o conjunto de dados em poder da PF, mas não foi mencionada na representação policial nem na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou as buscas realizadas em 4 de agosto.

Essa distinção é central.

Até o momento, a existência da fotografia não representa evidência de participação de Arthur Lira, Alexandre Ramagem ou dos demais políticos retratados nas fraudes previdenciárias investigadas pela Operação Sem Desconto.

O que a imagem documenta é a proximidade social de Willer Tomaz com integrantes de diferentes grupos políticos em 2023.

PF investiga possível lavagem de dinheiro

A nova fase da Operação Sem Desconto foi deflagrada pela Polícia Federal na terça-feira, 4 de agosto.

Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal.

Segundo a PF, essa etapa da investigação procura esclarecer uma possível estrutura de lavagem de dinheiro relacionada aos fatos já apurados na operação.

Os investigadores identificaram indícios de movimentações financeiras e patrimoniais realizadas por meio de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com dinheiro em espécie.

A hipótese investigativa é que esses mecanismos possam ter sido utilizados para ocultar a origem e o destino de recursos. A própria PF ressalta que as apurações continuam para determinar de onde o dinheiro veio, para onde foi e quais condutas podem ser individualmente atribuídas aos investigados.

Willer Tomaz entrou no centro da nova fase

Entre os nomes alcançados pelas medidas está Willer Tomaz.

A representação apresentada pela Polícia Federal ao STF descreve o advogado como peça relevante da estrutura financeira e patrimonial investigada.

Trechos da decisão judicial tornados públicos mostram que a PF pediu mandados de busca relacionados diretamente a Willer e a empresas vinculadas a ele. O registro da decisão publicado pelo Supremo confirma que o advogado figura expressamente entre os alvos das medidas requeridas.

A investigação busca esclarecer especialmente relações financeiras envolvendo o advogado, empresas de seu grupo e pessoas próximas ao senador Weverton Rocha.

O advogado nega participação nas fraudes previdenciárias.

Em manifestação pública, sustentou que não possui vínculo com o esquema de descontos indevidos e contestou a divulgação da fotografia, que classificou como registro de um evento privado sem relação com os fatos investigados.

PF aponta mais de R$ 11 milhões enviados à mulher de Weverton

Um dos elementos financeiros analisados pelos investigadores envolve Samya Rocha, mulher do senador Weverton.

De acordo com trecho da decisão de André Mendonça que reproduz informações apresentadas pela Polícia Federal, a conta pessoal de Samya teria sido utilizada para o recebimento de valores elevados.

A PF afirma que ela recebeu mais de R$ 11 milhões de empresas relacionadas a Willer Tomaz no período analisado.

A natureza e a finalidade dessas transferências estão entre os pontos investigados.

Willer sustenta que os pagamentos possuem origem lícita e afirma que valores transferidos estão relacionados a atividades profissionais.

Weverton também nega irregularidades e afirma que as movimentações financeiras mencionadas no inquérito decorrem de atividades profissionais e empresariais declaradas às autoridades fiscais.

Nenhuma dessas alegações defensivas encerra a investigação, assim como os indícios apresentados pela PF não equivalem a condenação.

Casa de R$ 6 milhões também está sob investigação

Outra operação patrimonial chamou a atenção da Polícia Federal.

Os investigadores encontraram conversas envolvendo a negociação de uma residência no Lago Sul, em Brasília, onde Weverton vive.

Segundo elementos reproduzidos na decisão judicial, o parlamentar teria participado de tratativas em que aparecem valores de R$ 4 milhões como entrada e R$ 2 milhões como saldo, totalizando R$ 6 milhões.

A aquisição, porém, teria sido formalizada em abril de 2023 pela WT Administração de Imóveis e Bens S.A., empresa ligada a Willer Tomaz. O registro no Diário da Justiça do STF confirma que a PF apontou a companhia como adquirente do imóvel naquele período.

A PF procura esclarecer a relação patrimonial entre a aquisição e o uso do imóvel pelo senador.

As defesas negam que a operação represente lavagem de dinheiro ou ocultação patrimonial.

Foto foi registrada no mesmo mês da compra do imóvel

A fotografia que agora veio a público possui uma coincidência temporal relevante.

O arquivo indica que o encontro no Rancho Tomaz ocorreu em 23 de abril de 2023. A aquisição do imóvel do Lago Sul analisada pela Polícia Federal também teria sido formalizada naquele mês.

A proximidade das datas não estabelece relação entre os dois acontecimentos.

Mas explica por que o material social encontrado no telefone de Weverton passou a integrar o conjunto de informações analisadas pelos investigadores.

Na fotografia, Willer aparece no centro de uma piscina de sua propriedade. Ao redor estão políticos que, naquele momento, ocupavam posições relevantes em Brasília.

Arthur Lira presidia a Câmara dos Deputados.

Juscelino Filho integrava o governo Lula como ministro das Comunicações.

Alexandre Ramagem exercia mandato de deputado federal.

Também aparecem, segundo a identificação publicada pela piauí, Elmar Nascimento, Paulo Azi e Weverton Rocha.

Encontro teria sido organizado pelo “Grupo Seleto”

A análise do celular revelou também conversas de um grupo de WhatsApp chamado “Grupo Seleto”.

De acordo com o material obtido pela piauí, participantes discutiram uma lista de convidados para atividades durante o feriado de Tiradentes, celebrado dois dias antes da data registrada na fotografia.

Mulheres de alguns políticos também integravam o grupo.

A reportagem encontrou ainda registros publicados em redes sociais por participantes em ambientes compatíveis com a propriedade de Willer naquele fim de semana.

Paulo Azi confirmou ter participado da comemoração e afirmou que conhece Willer, embora o advogado não o represente profissionalmente.

Elmar Nascimento afirmou ser próximo de Tomaz, mas disse que esteve em Tiradentes, Minas Gerais, durante parte daquele feriado.

Arthur Lira, Alexandre Ramagem e Juscelino Filho não responderam aos questionamentos enviados pela piauí sobre o encontro até a publicação da reportagem.

Foto não consta da decisão de André Mendonça

A existência do registro fotográfico precisa ser separada dos fundamentos jurídicos utilizados para autorizar as buscas.

A nova fase da Operação Sem Desconto foi autorizada com base em indícios financeiros, movimentações patrimoniais e relações empresariais, e não pela presença de políticos na propriedade de Willer Tomaz.

A fotografia não aparece entre os elementos descritos publicamente como fundamento da decisão.

O STF informou que André Mendonça autorizou buscas e apreensões e quebra de sigilo de dados telefônicos na investigação, enquanto a Polícia Federal informou oficialmente que essa fase tem como objetivo esclarecer suspeitas de lavagem de dinheiro.

Assim, a imagem possui valor principalmente como registro das relações sociais do advogado.

Não é, por si só, prova de crime.

Presença na fotografia não transforma políticos em investigados

Esse é o principal limite factual da revelação.

Não há nos documentos públicos consultados indicação de que Arthur Lira, Alexandre Ramagem, Juscelino Filho, Elmar Nascimento ou Paulo Azi sejam investigados pela Operação Sem Desconto em razão de terem participado daquele encontro.

Também não há, até agora, elemento público demonstrando que a reunião no Rancho Tomaz tenha tratado de descontos previdenciários ou da estrutura financeira investigada pela PF.

O encontro ocorreu em abril de 2023.

A fotografia apenas passou a ter interesse público porque foi posteriormente encontrada em um dispositivo eletrônico apreendido em uma investigação que alcançou pessoas presentes naquela reunião.

Transformar essa circunstância em prova de participação coletiva no esquema iria além do que os elementos disponíveis permitem afirmar.

Operação Sem Desconto investiga esquema nacional

A investigação é muito mais ampla que a fotografia.

A Operação Sem Desconto apura um esquema nacional de descontos associativos não autorizados sobre aposentadorias e pensões do INSS.

Em diferentes fases, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União passaram a investigar associações, empresários, intermediários, agentes públicos e estruturas financeiras possivelmente utilizadas para captar e movimentar os recursos retirados dos beneficiários.

Em março, por exemplo, outra fase autorizada pelo STF apurou organização criminosa, estelionato previdenciário, inserção de informações falsas em sistemas oficiais e atos de ocultação e dilapidação patrimonial.

A etapa de agosto deslocou parte da investigação para o caminho percorrido pelo dinheiro.

Agora, PF tenta seguir o dinheiro

O comunicado oficial da Polícia Federal deixa claro que o objetivo desta fase é reconstruir as movimentações financeiras.

Os investigadores querem determinar origem, destino e finalidade dos repasses, além de individualizar a conduta de cada pessoa envolvida.

É nesse contexto que aparecem os R$ 11 milhões enviados a Samya Rocha, a aquisição da residência de R$ 6 milhões por uma empresa ligada a Willer e outras operações financeiras sob análise.

A fotografia encontrada no celular acrescenta um componente político à investigação, mas não substitui essas provas documentais.

Ela mostra que Willer Tomaz mantinha acesso pessoal a algumas das principais figuras da política brasileira.

Determinar se alguma dessas relações produziu consequência concreta para os fatos investigados é outra questão — e, até agora, não há demonstração pública disso.

Investigação ainda está em andamento

A Polícia Federal não encerrou a apuração.

O próprio comunicado sobre a operação de 4 de agosto afirma que ainda é necessário esclarecer quem recebeu os recursos, quem os enviou, qual era a finalidade das transferências e qual responsabilidade individual poderá ser atribuída a cada investigado.

Esse estágio processual exige cautela.

Willer Tomaz nega ter participado do esquema do INSS.

Weverton Rocha afirma que as movimentações financeiras possuem origem profissional e empresarial lícita.

E a presença de outros políticos na fotografia de abril de 2023 não permite afirmar que tenham qualquer relação com os delitos investigados.

O fato novo revelado pela imagem é outro: um advogado que hoje está no centro de uma investigação financeira relacionada ao caso INSS mantinha, anos antes, convivência próxima com figuras influentes do Congresso e do Executivo.

Se essa proximidade terá alguma relevância criminal dependerá do que a Polícia Federal conseguir demonstrar a partir de documentos, transações financeiras, mensagens e demais provas.

Até lá, a fotografia registra relações.

A investigação precisa demonstrar os fatos.

Fontes:

  • Polícia Federal — comunicado oficial da fase da Operação Sem Desconto deflagrada em 4 de agosto de 2026.
  • Supremo Tribunal Federal — decisão e comunicação institucional sobre buscas e quebras de sigilo na Petição 16435.
  • Diário da Justiça Eletrônico do STF — publicação da decisão de André Mendonça.
  • Polícia Federal e CGU — fases anteriores da Operação Sem Desconto.
  • Revista piauí — veículo que obteve e publicou a fotografia encontrada no celular de Weverton Rocha.

 

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