A disputa política brasileira já não acontece apenas em palanques, debates na televisão ou plenários do Congresso. Em 2026, uma parte decisiva da guerra por influência está concentrada nas redes sociais — e o Instagram virou um dos principais termômetros desse poder digital.
Um levantamento atualizado em tempo real pela Sólon Inteligência Política mostra que a direita domina a lista dos políticos mais seguidos no Instagram. Entre os 30 perfis com maior número de seguidores, apenas quatro são de esquerda. O dado expõe uma assimetria relevante na comunicação política nacional às vésperas de uma eleição presidencial marcada por alta polarização.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) lidera o ranking, com 26,9 milhões de seguidores. Em segundo lugar aparece o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), com 22,1 milhões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocupa a terceira posição, com 14,6 milhões de seguidores.
A diferença entre os principais nomes mostra como o campo conservador consolidou uma máquina de alcance digital. A direita não tem apenas o maior perfil político do país. Também concentra vários dos maiores influenciadores políticos do Instagram, com nomes ligados ao PL, Republicanos, União Brasil, Novo e PSD.
Bolsonaro lidera mesmo sem movimentar a conta há meses
Jair Bolsonaro permanece no topo entre os políticos mais seguidos no Instagram mesmo sem movimentar sua conta há meses. O dado reforça que a base digital construída pelo ex-presidente continua sendo um ativo político relevante.
Com 26,9 milhões de seguidores, Bolsonaro mantém uma audiência superior à de presidentes, governadores, senadores e deputados em atividade constante nas redes. A força de sua conta mostra que o engajamento político digital não depende apenas de publicações recentes, mas também de identificação ideológica, memória eleitoral e capacidade de mobilização acumulada.
A base bolsonarista segue presente em diferentes plataformas e ajuda a manter o ex-presidente como figura central da direita brasileira. Ainda que sua atuação institucional tenha mudado, sua presença digital permanece como referência para aliados, candidatos e apoiadores.
No ambiente de pré-campanha, esse alcance pode influenciar narrativas, impulsionar aliados e pressionar adversários. Entre os políticos mais seguidos, Bolsonaro ainda ocupa o lugar de maior vitrine individual da política brasileira.
Nikolas Ferreira se aproxima do topo e supera Lula em seguidores
O segundo lugar do ranking é ocupado por Nikolas Ferreira (PL-MG), com 22,1 milhões de seguidores. O deputado federal mineiro aparece à frente de Lula e se consolida como o parlamentar com maior força digital do país.
O crescimento de Nikolas nas redes foi impulsionado por vídeos virais, linguagem direta e forte conexão com o público conservador mais jovem. O episódio do vídeo sobre o Pix, citado no levantamento, ampliou sua exposição e ajudou a consolidar sua imagem como um dos principais comunicadores da direita.
A posição de Nikolas entre os políticos mais seguidos mostra uma mudança importante no poder político. Um deputado federal pode, por meio das redes, alcançar mais pessoas do que governadores, ministros e líderes partidários tradicionais.
Essa força digital transforma o parlamentar em ativo estratégico para campanhas eleitorais. Ele pode pautar debates, amplificar mensagens, mobilizar bases e influenciar disputas muito além de Minas Gerais.
Lula é o principal nome da esquerda no Instagram
Lula aparece em terceiro lugar entre os políticos mais seguidos, com 14,6 milhões de seguidores. O presidente é o maior perfil da esquerda no Instagram e segue como referência central do campo governista nas redes.
A posição confirma a força nacional de Lula, mas também revela uma diferença relevante em relação à direita. Enquanto o campo conservador distribui audiência entre vários nomes de grande alcance, a esquerda concentra sua presença digital em poucos perfis.
Além de Lula, apenas Erika Hilton (PSOL-SP), João Campos (PSB-PE) e Guilherme Boulos (PSOL-SP) aparecem entre os 30 maiores. A distância numérica mostra um desafio para o campo progressista: ampliar presença nas redes sem depender quase exclusivamente da figura presidencial.
Para uma eleição presidencial, essa diferença pode pesar. Campanhas digitais exigem capilaridade, repetição de mensagem e múltiplos emissores. A lista dos políticos mais seguidos indica que a direita chega a 2026 com mais perfis capazes de alcançar milhões de pessoas simultaneamente.
Apenas quatro nomes da esquerda aparecem no top 30
O levantamento da Sólon Inteligência Política mostra que, entre os 30 políticos mais seguidos no Instagram, apenas quatro são identificados com a esquerda: Lula, Erika Hilton, João Campos e Guilherme Boulos.
Erika Hilton aparece com 4,5 milhões de seguidores. A deputada federal construiu uma audiência expressiva com pautas ligadas a direitos civis, diversidade, enfrentamento à violência política e debates sociais.
João Campos soma 3 milhões de seguidores. O ex-prefeito de Recife se destaca por uma comunicação mais leve, visual e voltada à gestão pública, com forte apelo entre públicos urbanos e jovens.
Guilherme Boulos tem 2,9 milhões de seguidores. O ministro e liderança do PSOL combina atuação institucional, militância social e debate político nacional.
A presença desses nomes mostra que há perfis progressistas competitivos no ambiente digital. Mas, em volume, o ranking dos políticos mais seguidos segue amplamente dominado por lideranças de direita.
Família Bolsonaro ocupa várias posições no ranking
A força digital do bolsonarismo aparece não apenas na liderança de Jair Bolsonaro. O ranking dos políticos mais seguidos também inclui Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Michelle Bolsonaro (PL-DF), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (PL-RJ).
Flávio Bolsonaro aparece com 10,2 milhões de seguidores. Michelle Bolsonaro soma 8,2 milhões. Eduardo Bolsonaro tem 7,3 milhões. Carlos Bolsonaro registra 4,2 milhões.
A presença simultânea de vários nomes da família mostra que o bolsonarismo funciona como uma rede digital própria. Cada perfil atua com público, linguagem e alcance específicos, mas todos reforçam a mesma identidade política.
Esse ecossistema amplia a capacidade de mobilização. Uma mensagem pode circular por diferentes contas, atingir públicos variados e gerar efeito de repetição. Para campanhas eleitorais, essa estrutura representa uma vantagem competitiva relevante.
Pablo Marçal aparece em quarto e mostra força fora da política tradicional
Pablo Marçal (União Brasil-SP) aparece em quarto lugar entre os políticos mais seguidos, com 13,2 milhões de seguidores. Sua posição mostra o impacto de figuras que combinam política, empreendedorismo, influência digital e comunicação agressiva.
Marçal representa um perfil cada vez mais comum na política contemporânea: o candidato que chega às urnas com base construída antes da estrutura partidária. A audiência já existe antes da campanha. O desafio passa a ser transformar alcance em voto, organização e viabilidade eleitoral.
Sua presença entre Bolsonaro, Nikolas e Lula evidencia que redes sociais embaralharam a hierarquia tradicional da política. Autoridade institucional deixou de ser o único caminho para influência pública.
No ranking dos políticos mais seguidos, Marçal reforça o peso de outsiders, comunicadores digitais e nomes com forte domínio de linguagem de internet.
Tarcísio, Zema e Caiado ampliam presença da direita competitiva
O ranking também mostra a presença de lideranças associadas à direita ou centro-direita com potencial eleitoral nacional ou regional. Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) aparece com 5,9 milhões de seguidores. Romeu Zema (Novo-MG) soma 3,5 milhões.
Zema foi o político que mais ganhou seguidores nos últimos 30 dias, com mais de 953 mil novos seguidores e crescimento de 37,3% no Instagram. O avanço ocorreu após embate com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o que ampliou sua exposição nacional.
Esse crescimento mostra como episódios de confronto político podem acelerar a construção de audiência digital. Em redes sociais, embates com instituições, autoridades ou adversários costumam gerar forte circulação, especialmente em públicos já mobilizados.
Entre os políticos mais seguidos, Zema ainda não está no topo, mas seu crescimento recente indica potencial de expansão em ano eleitoral.
Instagram virou arena central da disputa política
O Instagram deixou de ser apenas uma rede de imagem pessoal. Hoje, é uma das principais arenas da política brasileira. Reels, stories, transmissões ao vivo, cortes de discursos, bastidores e vídeos curtos moldam a percepção pública de candidatos e partidos.
A lista dos políticos mais seguidos mostra quem tem maior capacidade de falar diretamente com a população, sem depender de entrevistas, jornais, televisão ou propaganda partidária.
Essa comunicação direta tem vantagens e riscos. Permite resposta rápida a crises, mobilização de apoiadores e construção de narrativa própria. Ao mesmo tempo, pode favorecer conteúdos emocionais, simplificação de temas complexos e polarização.
Para 2026, a presença no Instagram será decisiva. Quem domina a plataforma consegue testar discursos, medir reação da base e transformar temas de nicho em debates nacionais.
Seguidores não são votos, mas são poder de alcance
O número de seguidores não pode ser confundido com intenção de voto. Um perfil pode ter seguidores por admiração, rejeição, curiosidade, exposição midiática ou entretenimento. Mesmo assim, audiência digital é poder.
Entre os políticos mais seguidos, os perfis com milhões de seguidores têm capacidade de pautar discussões, lançar campanhas, pressionar adversários e criar ondas de engajamento. Em campanhas eleitorais, esse alcance reduz custos de comunicação e amplia velocidade de resposta.
A diferença está na conversão. Ter seguidores é uma coisa. Transformar seguidores em votos, doações, militância, presença em eventos e apoio territorial é outra. Para isso, ainda são necessários partido, alianças, estrutura regional e estratégia eleitoral.
Mesmo assim, o ranking indica quem começa a disputa com vantagem de megafone. Em um ambiente de eleição polarizada, esse megafone pode ser decisivo.
Lista dos políticos mais seguidos no Instagram
Veja o ranking dos 30 políticos mais seguidos no Instagram, segundo o levantamento:
Jair Messias Bolsonaro (PL): 26,9 milhões
Nikolas Ferreira (PL-MG): 22,1 milhões
Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 14,6 milhões
Pablo Marçal (União Brasil-SP): 13,2 milhões
Flávio Bolsonaro (PL-RJ): 10,2 milhões
Michelle Bolsonaro (PL-DF): 8,2 milhões
Eduardo Bolsonaro (PL-SP): 7,3 milhões
Tiririca (PSD-SP): 7,3 milhões
Acelino Freitas (Solidariedade-BA): 6,1 milhões
Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP): 5,9 milhões
Fábio Teruel (MDB-SP): 5,3 milhões
Lucas Pavanato (PL-SP): 5 milhões
Romário (PL-RJ): 4,7 milhões
Erika Hilton (PSOL-SP): 4,5 milhões
Cleitinho (Republicanos-MG): 4,2 milhões
Damares Alves (Republicanos-DF): 4,2 milhões
Sergio Moro (PL-PR): 4,2 milhões
Carlos Bolsonaro (PL-RJ): 4,2 milhões
Rodrigo Manga (Republicanos-SP): 3,8 milhões
Thammy Miranda (PSD-SP): 3,7 milhões
Carla Zambelli (PL-SP): 3,6 milhões
Marco Feliciano (PL-SP): 3,6 milhões
Romeu Zema (Novo-MG): 3,5 milhões
Douglas Viegas (União Brasil-SP): 3,3 milhões
Sargento Fahur (PL-PR): 3,2 milhões
Gustavo Gayer (PL-GO): 3,1 milhões
Ana Carolina Oliveira (Podemos-SP): 3,1 milhões
João Campos (PSB-PE): 3 milhões
Magno Malta (PL-ES): 3 milhões
Guilherme Boulos (PSOL-SP): 2,9 milhões
Direita chega a 2026 com vantagem digital visível
O ranking dos políticos mais seguidos no Instagram deixa uma mensagem clara: a direita chega à eleição de 2026 com vantagem digital ampla e pulverizada entre vários nomes de grande alcance.
Bolsonaro lidera. Nikolas se aproxima do topo. Flávio, Michelle, Eduardo, Tarcísio, Zema, Moro, Damares, Cleitinho e outros nomes conservadores mantêm bases expressivas. Essa rede amplia a capacidade de comunicação do campo de direita em diferentes regiões e públicos.
A esquerda, por outro lado, tem em Lula seu principal ativo digital. Erika Hilton, João Campos e Guilherme Boulos também aparecem com presença relevante, mas ainda em menor número dentro do grupo dos maiores perfis.
O levantamento não define a eleição, mas revela uma assimetria de largada na disputa por atenção. Em 2026, a batalha eleitoral será travada nas ruas, no Congresso, na televisão e nos palanques. Mas será também decidida, em grande parte, na tela do celular.







