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PT prepara ação no STF contra projeto da dosimetria após derrota de Lula no Congresso

por Júlia Campos - Repórter de Política
01/05/2026 às 00h04 - Atualizado em 15/05/2026 às 17h19
em Política, Destaque, Notícias
Stf - Supremo Tribunal Federal - Gazeta Mercantil

O PT prepara uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o projeto da dosimetria, após o Congresso Nacional derrubar o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao texto que altera regras de cálculo de penas e pode reduzir punições aplicadas a condenados pelos atos de 8 de janeiro. A iniciativa foi confirmada pelo líder da bancada petista na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), que afirmou que o partido apontará supostas inconstitucionalidades e possíveis desvios regimentais na tramitação da proposta.

A decisão de judicializar o projeto da dosimetria ocorre depois de uma nova derrota política do Palácio do Planalto no Congresso. Em sessão conjunta de deputados e senadores, o veto presidencial foi derrubado por 318 votos a 144 na Câmara e por 49 votos a 24 no Senado. O resultado confirmou a força de oposição e Centrão em torno da proposta e expôs, mais uma vez, a dificuldade do governo em conter pautas sensíveis no Legislativo.

Segundo Pedro Uczai, o PT entende que há argumentos para levar o caso ao STF. O líder petista afirmou que o partido questionará tanto o mérito constitucional do projeto quanto o rito adotado durante a votação. Um dos pontos citados por ele é a inclusão, no Senado, de uma emenda de autoria do senador Sergio Moro, que teria alterado o conteúdo da proposta. Para Uczai, essa mudança exigiria o retorno do texto à Câmara, o que não ocorreu.

O projeto da dosimetria altera critérios de cálculo de penas e reduz punições relacionadas aos crimes atribuídos a condenados pelos atos de 8 de janeiro. A mudança é vista como uma medida que pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de outros réus condenados pelo STF. Para o PT, a possibilidade de aplicação retroativa da norma a casos com trânsito em julgado será um dos pontos centrais do questionamento.

PT vai judicializar projeto da dosimetria

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, afirmou que o partido pretende levar o projeto da dosimetria ao STF. Segundo ele, a legenda tem argumentos para questionar a validade da proposta e a forma como o texto avançou no Congresso Nacional.

“Vamos judicializar. Temos argumentos”, disse Uczai, ao comentar a reação da bancada petista após a derrota do governo na sessão conjunta do Congresso.

Indagado se a decisão de recorrer ao Supremo havia sido acertada previamente com o governo Lula, o líder petista negou. A posição indica que, ao menos no primeiro momento, a movimentação parte da bancada do partido na Câmara, embora a iniciativa dialogue diretamente com o interesse político do Planalto em tentar limitar os efeitos da proposta.

A judicialização da dosimetria deve abrir uma nova etapa da disputa entre governo, Congresso e STF. O Legislativo concluiu a análise do veto e impôs uma derrota ao presidente. Agora, caberá ao Supremo avaliar eventuais questionamentos sobre constitucionalidade, rito legislativo e alcance da nova regra penal.

Partido vê inconstitucionalidade em regra que pode beneficiar condenados

Um dos principais argumentos do PT contra o projeto da dosimetria é a alegação de que a norma não poderia retroagir para beneficiar réus já condenados pelo STF com trânsito em julgado. O trânsito em julgado ocorre quando não há mais possibilidade de recurso contra a decisão.

Na avaliação do líder petista, uma lei aprovada posteriormente não poderia alterar os efeitos de condenações já encerradas em definitivo pelo Supremo. Esse ponto deve ser explorado na ação que o partido pretende protocolar.

A discussão é juridicamente sensível. No direito penal brasileiro, normas mais benéficas ao réu podem retroagir em determinadas situações. O debate que deve chegar ao STF, porém, envolve crimes contra o Estado Democrático de Direito, condenações de alta repercussão institucional e decisões já tomadas pela própria Corte.

O projeto da dosimetria não anula condenações. Ele altera critérios de cálculo de penas. Ainda assim, seus efeitos podem reduzir o tempo de cumprimento de pena ou antecipar benefícios penais, dependendo da forma como a nova regra for aplicada caso a caso.

Emenda de Sergio Moro entra no centro da contestação

Além do mérito constitucional, o PT pretende questionar o rito legislativo. Pedro Uczai citou a inclusão, no Senado, de uma emenda de autoria do senador Sergio Moro como exemplo de possível irregularidade regimental.

Na avaliação do líder petista, a emenda teria alterado o conteúdo do projeto da dosimetria. Se isso for reconhecido, o texto deveria ter retornado à Câmara dos Deputados para nova análise, uma vez que mudanças feitas por uma Casa legislativa em proposições originadas ou já aprovadas pela outra costumam exigir reexame.

O partido sustenta que esse retorno não ocorreu. Por isso, a ação ao STF deve argumentar que houve desvio no procedimento legislativo. Esse tipo de questionamento pode levar a Corte a examinar não apenas o conteúdo da lei, mas também o caminho percorrido até a derrubada do veto.

A disputa regimental é relevante porque pode afetar a validade formal da proposta. Mesmo que o Supremo não acolha argumentos de mérito contra a dosimetria, poderia avaliar se a tramitação respeitou as regras do processo legislativo.

Congresso derrubou veto integral de Lula

O Congresso derrubou o veto integral de Lula ao projeto da dosimetria em sessão conjunta presidida por Davi Alcolumbre (União-AP). A votação reuniu deputados e senadores e confirmou a maioria favorável à retomada do texto aprovado anteriormente pelo Legislativo.

Na Câmara, foram 318 votos pela derrubada do veto e 144 pela manutenção. No Senado, o placar foi de 49 a 24. Os números indicam margem confortável para oposição e Centrão, que vinham pressionando pela análise do veto após semanas de articulação nos bastidores.

A derrubada do veto significa que o texto rejeitado pelo presidente voltará a ter validade após a promulgação. Caso Lula não promulgue a norma no prazo previsto, a atribuição poderá passar ao presidente do Senado.

A decisão sobre a dosimetria representa uma derrota direta para o Planalto, que havia vetado integralmente a proposta. O governo argumentava que a medida reduziria punições de crimes graves contra a democracia. O Congresso, no entanto, reverteu a decisão presidencial.

Nova derrota ocorre após rejeição de Messias ao STF

A votação da dosimetria ocorreu um dia depois de outra derrota importante para Lula: a rejeição, pelo Senado, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF. A sequência de derrotas ampliou a leitura de fragilidade do governo na articulação com o Congresso.

A rejeição de Messias foi um episódio raro na história política brasileira e expôs fissuras na base governista. Já a derrubada do veto ao projeto da dosimetria mostrou que o Planalto não conseguiu mobilizar votos suficientes para barrar uma pauta diretamente relacionada aos atos de 8 de janeiro e ao futuro penal de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A combinação dos dois episódios intensificou o desgaste político. Em menos de 24 horas, o governo perdeu uma votação estratégica no Senado e viu o Congresso impor sua vontade em uma pauta de forte impacto institucional.

Para o PT, recorrer ao STF passa a ser uma forma de tentar reverter, ou ao menos limitar, os efeitos da derrota legislativa. A judicialização, porém, também prolonga o conflito entre os Poderes em torno do tema.

Projeto pode beneficiar Bolsonaro e condenados pelo 8 de janeiro

O projeto da dosimetria tem potencial para beneficiar condenados pelos atos de 8 de janeiro e pela chamada trama golpista. Entre os possíveis beneficiários está o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF em processo relacionado à tentativa de golpe.

A proposta altera a forma de cálculo das penas, especialmente quando há condenação por crimes como golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A mudança reduz o efeito da soma de penas, o que pode diminuir o tempo total considerado para cumprimento da condenação.

Na prática, a nova regra pode abrir espaço para pedidos de revisão da pena. As defesas de condenados poderão acionar o STF para que a dosimetria seja aplicada aos casos individuais. O efeito, porém, não será automático. Caberá ao Judiciário analisar cada pedido.

Esse ponto é central para o debate público. A aprovação do texto não significa liberação imediata de condenados nem cancelamento de sentenças. O que se abre é uma disputa jurídica sobre a aplicação da nova regra aos casos já julgados.

STF terá papel decisivo na aplicação da nova regra

Mesmo com a derrubada do veto pelo Congresso, o STF continuará sendo ator central na discussão sobre a dosimetria. A Corte deverá analisar eventuais ações de inconstitucionalidade e, ao mesmo tempo, poderá ser provocada por defesas para recalcular penas com base na nova legislação.

O Supremo terá de decidir se a regra é constitucional, se houve problema de tramitação e de que forma o texto pode ser aplicado a condenações já proferidas. A análise deve envolver princípios constitucionais, direito penal, processo legislativo e segurança jurídica.

Caso o PT protocole a ação, o partido poderá pedir liminar para suspender os efeitos da norma até julgamento definitivo. A decisão sobre eventual suspensão caberá ao relator sorteado ou ao Plenário, conforme o encaminhamento processual.

A dosimetria deve, portanto, sair do centro da disputa legislativa para entrar no centro da disputa judicial. O Congresso decidiu derrubar o veto; agora, o Supremo poderá ser chamado a definir os limites da mudança.

Davi Alcolumbre conduziu sessão em meio à pressão política

A sessão que analisou o veto ao projeto da dosimetria foi presidida por Davi Alcolumbre. O presidente do Senado retomou a convocação do Congresso após semanas de pressão de parlamentares favoráveis à votação.

A atuação de Alcolumbre ocorre em um momento de protagonismo do Senado. Na véspera da derrubada do veto, a Casa havia rejeitado Jorge Messias para o STF. A sequência de eventos colocou o presidente do Senado no centro da relação entre Legislativo e Executivo.

Nos bastidores, já predominava a avaliação de que oposição e Centrão tinham votos suficientes para derrubar o veto. O resultado confirmou essa expectativa e mostrou que a articulação do governo não foi capaz de alterar o placar.

A dosimetria se tornou uma pauta de convergência entre setores da oposição e parlamentares do centro. O tema reuniu interesses jurídicos, políticos e eleitorais, especialmente por seus possíveis efeitos sobre Bolsonaro e condenados pelos atos de 8 de janeiro.

Governo enfrenta dificuldade para conter avanço da oposição

A derrota no projeto da dosimetria expôs a dificuldade do governo em conter a agenda da oposição no Congresso. Embora o Planalto ainda conte com partidos aliados em votações econômicas e administrativas, temas de alto impacto político têm mostrado maior imprevisibilidade.

A oposição transformou a derrubada do veto em uma vitória simbólica contra Lula e contra a atuação do STF nos processos relacionados aos atos de 8 de janeiro. Para parlamentares governistas, o resultado representa risco de enfraquecimento das punições aplicadas a crimes contra a democracia.

O Centrão teve papel decisivo. Sem apoio de partidos de centro, a oposição não teria alcançado margem tão confortável nas duas Casas. O placar revela que o governo enfrenta dificuldades para manter coesão em temas sensíveis.

A reação do PT ao judicializar a dosimetria indica que a disputa continuará fora do Congresso. A estratégia agora será tentar convencer o STF de que o texto tem vícios constitucionais ou regimentais.

Debate sobre retroatividade será ponto central

A retroatividade da nova regra penal deve ser um dos pontos mais relevantes da ação contra a dosimetria. O PT argumenta que a lei não poderia beneficiar réus condenados em definitivo pelo STF. Já as defesas de condenados devem sustentar que a norma mais benéfica pode retroagir.

Esse embate jurídico é complexo. A Constituição e o Código Penal admitem a retroatividade da lei penal mais favorável ao réu. No entanto, o caso envolve crimes contra instituições democráticas, decisões do Supremo e condenações de grande repercussão política.

O STF terá de avaliar se a regra aprovada pelo Congresso se aplica automaticamente a processos já encerrados ou se há limites constitucionais para essa aplicação. A definição poderá afetar não apenas Bolsonaro, mas também outros condenados pelos atos de 8 de janeiro.

A dosimetria deixará de ser apenas um cálculo técnico de pena para se tornar uma discussão sobre separação de Poderes, segurança jurídica e resposta institucional a ataques contra a democracia.

Base governista tenta transformar derrota em reação judicial

A decisão do PT de recorrer ao Supremo mostra uma tentativa de transformar a derrota legislativa em reação judicial. Como o governo não conseguiu manter o veto no Congresso, a aposta passa a ser a contestação jurídica.

Essa estratégia tem riscos e benefícios. Por um lado, o STF pode suspender ou limitar os efeitos da dosimetria, reduzindo o impacto da derrota. Por outro, a judicialização pode aprofundar críticas da oposição de que o governo tenta transferir ao Supremo uma disputa perdida no Legislativo.

A reação também recoloca o STF sob pressão. A Corte será chamada a decidir sobre uma lei que afeta condenações proferidas por ela própria. Isso pode intensificar o debate público sobre a relação entre Judiciário, Congresso e Executivo.

Para o Planalto, a disputa é sensível porque envolve Bolsonaro, atos de 8 de janeiro e a narrativa de defesa da democracia. Para a oposição, a derrubada do veto é apresentada como correção de penas consideradas excessivas.

Dosimetria abre nova fase de conflito entre Congresso, governo e STF

A derrubada do veto ao projeto da dosimetria não encerrou a disputa política. Ao contrário, abriu uma nova fase de conflito institucional, agora com o PT preparando ação no STF para questionar o texto aprovado pelo Congresso.

O caso reúne elementos de alta tensão: derrota do governo Lula, protagonismo do Congresso, possível benefício a Bolsonaro, revisão de penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro e questionamentos sobre o rito legislativo. A votação também ocorreu em um ambiente de desgaste ampliado pela rejeição de Jorge Messias ao Supremo no dia anterior.

O próximo passo será a promulgação da norma e a eventual apresentação da ação pelo PT. A partir daí, o STF poderá ser chamado a definir se a dosimetria respeita a Constituição, se a tramitação foi regular e quais efeitos poderá produzir sobre condenações já impostas.

A disputa tende a continuar nos próximos dias. No Congresso, oposição e Centrão comemoram a derrubada do veto. No PT, a ordem é levar o caso ao Judiciário. No Supremo, a Corte poderá receber uma das decisões mais sensíveis sobre os desdobramentos jurídicos e políticos dos atos de 8 de janeiro.

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