Recuperação judicial Oi: Serede e Tahto entram em nova fase de reestruturação
A recuperação judicial Oi entrou em um novo capítulo nesta quarta-feira (2), com o pedido formal das subsidiárias Serede, dedicada ao reparo técnico de rede, e Tahto, operadora de call center. Esta medida estratégica tem foco claro: preservar operações essenciais, proteger os colaboradores e credores, e manter a continuidade do atendimento ao cliente durante a reorganização do grupo. A seguir, exploramos em detalhes todo o contexto da recuperação judicial Oi, seu impacto no mercado, desafios e potenciais desdobramentos para o setor de telecomunicações.
Background da recuperação judicial Oi
Desde 2016, a Oi enfrenta um dos maiores processos de recuperação do Brasil. A dívida bilionária acumulada e a pressão de credores exigiram um modelo de recuperação multiphase. Em 2023, a empresa solicitou novo pedido, reestruturando dívidas novamente. O movimento atual, focado em recuperação judicial Oi, com Serede e Tahto, reflete a estratégia de concentrar esforços nos segmentos mais lucrativos.
O plano da Oi incluiu a venda de ativos como operação móvel, torres de transmissão e parte da rede fixa. Agora, com esse novo passo, os focos DAS subsidiárias vitais são protegidos, enquanto a companhia reforça sua aposta em fibra óptica, soluções corporativas e serviços de tecnologia.
Quem são Serede e Tahto?
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Serede: responsável pelo reparo técnico da rede da Oi, atuando em manutenções diária e em grandes intervenções nas linhas fixas e infraestrutura principal. Ela responde pela continuidade dos serviços de telecom do grupo, essencial para evitar falhas no atendimento ao cliente.
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Tahto: central de atendimento ao consumidor. Há anos, oferece suporte técnico, comercial e operacional ao cliente, sendo peça-chave para garantir qualidade e fidelização no pós‑venda.
Ambas são pilares operacionais da Oi – e seu acesso à recuperação judicial indica que a operadora não pretende interromper essas operações no curto prazo.
Objetivos do pleito de recuperação judicial
O pedido à 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro tem como objetivos principais:
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Assegurar continuidade das atividades da Serede e Tahto, sem riscos de interrupção que comprometam a Oi;
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Proteger credores e empregados de ambos os negócios, garantindo direitos trabalhistas e obrigações financeiras;
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Criar espaço jurídico para elaborar um plano de reestruturação que estabeleça condições para renegociação de dívidas.
O comunicado à CVM reforça a intenção do grupo: proteger o valor coletivo da empresa, evitando colapsos operacionais que poderiam derrubar o valor de mercado e a confiança de investidores.
Estratégia de otimização e foco em negócios rentáveis
Com receita menor nos segmentos tradicionais, a Oi agora foca em:
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Fibra óptica: mercado em forte expansão no Brasil, com margens maiores e potencial de crescimento sustentável.
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Soluções para empresas: incluindo cloud, IoT, data center e segurança da informação.
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Estrutura enxuta: cortando custos e ajustando hierarquias para elevar eficiência.
Essa reorganização técnica via recuperação judicial Oi permite manter operações essenciais (Serede e Tahto) enquanto concentra recursos em investimentos estratégicos.
Próximos passos no plano de recuperação
Agora, a Oi prepara um aditivo ao segundo plano de recuperação judicial, que será apresentado à assembleia de credores. Nele estarão definidas:
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Reestruturação financeira e contábil de Serede e Tahto;
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Linhas de crédito específicas ou proteção de receita;
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Prazos e condições para homologação de dívidas trabalhistas e fornecedores;
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Indicadores de desempenho (KPIs) para garantir governança e acompanhamento das operações.
A expectativa é de votação positiva da assembleia, sinalizando confiança de stakeholders e viabilizando o plano operacional.
Impactos para credores, empregados e consumidores
Credores
Serão renegociadas dívidas de curto prazo, fornecedores e prestadores. A recuperação judicial proporciona proteção contra execuções judiciais e penhoras, garantindo pagamento dentro de um cronograma definido.
Empregados
Serviços de reparo e call center são mantidos. A reorganização busca preservar o emprego, mesmo que ajustes sejam aplicados para eficiência operacional.
Consumidores
Serviços de telecom e suporte não sofrerão interrupções. A continuidade da manutenção e atendimento é prioridade para evitar perdas de clientes e impactos na experiência.
Cenário macroeconômico e setor de telecom no Brasil
A recuperação judicial Oi ocorre em um ambiente competitivo e regulado:
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Expansão da fibra óptica: operadoras como Vivo, TIM e Claro disputam mercado, mas ainda existe espaço para ganho de mercado nas áreas suburbanas.
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Regulação: Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) exige manutenção dos serviços básicos, influenciando configuração de planos e investimentos.
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Consumidores: tendem a preferir pacotes com suporte de qualidade, favorecendo empresas com bom serviço técnico e comportamento pós‑venda.
Nesse contexto, a estabilidade operacional promovida pela recuperação judicial ajuda a Oi manter posicionamento no médio prazo.
Riscos e desafios à frente
A recuperação judicial Oi não está livre de riscos:
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Reprovação da assembleia de credores: pode cortar o plano.
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Desempenho técnico abaixo das metas: risco de perda de contratos ou penalidades financeiras.
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Concorrência veloz: atrasos podem abrir espaço para concorrentes capturarem mercado.
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Impacto político/jurídico: pressões regulatórias ou denúncias contra a estrutura de governança podem gerar novos obstáculos.
Comparação com outros grandes processos de recuperação
A Oi já está entre os maiores casos de recuperação judicial do país. Mas com foco estratégico em segmentos essenciais, o objetivo é evitar fracasso por esgotamento de caixa, como ocorreu em outras empresas.
A lição é: recuperação judicial sem plano operacional sólido tende ao insucesso. A inclusão de Serede e Tahto mostra que a lógica mudou: agora há gestão de continuidade e maximização de ativos vitais.
A recuperação judicial Oi – com Serede e Tahto – é uma manobra estratégica que visa proteger a continuidade dos serviços essenciais, preservar empregos e manter a confiança dos credores. Com foco em fibra óptica e soluções corporativas, a Oi reforça seu projeto de reestruturação, evitando uma desintegração total do grupo.
Os próximos meses serão decisivos. A aprovação do plano, a disciplina na execução e a capacidade de atuação das subsidiárias definirão o futuro da empresa. Para a indústria de telecom, isso pode significar um ajuste de forças, com o fortalecimento de um player reestruturado e resiliente.






