O Mangueirão vai transformar pressão em receita nesta terça-feira. Remo e Santos se enfrentam às 21h30, no horário de Brasília, em Belém, pelo jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil de 2026, com tudo em aberto após o 0 a 0 da ida na Vila Belmiro e com R$ 4 milhões garantidos para quem avançar. É o jogo que fecha a noite de terça da competição, tem transmissão no SporTV e no Premiere e concentra, em 90 minutos, o que os dois clubes mais precisam no segundo semestre: resultado esportivo e alívio financeiro.
Segundo a tabela detalhada divulgada pela Confederação Brasileira de Futebol, a partida é a segunda entre as equipes no intervalo de quatro dias. A ida foi no sábado, 1º de agosto, às 21h, na Vila Belmiro, com empate sem gols. A volta será no Estádio Olímpico do Pará, o Mangueirão, com mando do Remo, que solicitou o estádio maior para ampliar bilheteria e abrigar a demanda de uma decisão que não acontece em Belém há mais de dez anos neste estágio da Copa do Brasil.
O regulamento é simples e duro. Conforme a CBF, não há gol fora de casa. Quem vencer por um gol de diferença vai às quartas. Novo empate leva direto para os pênaltis, sem prorrogação. O vencedor enfrentará adversário a ser definido em novo sorteio, já que o chaveamento até a final será refeito após as oitavas. As quartas estão previstas para 26 de agosto e 3 de setembro, as semifinais para 1º e 13 de novembro e a final única para 6 de dezembro, em local ainda a ser definido.
Para a Gazeta Mercantil, o confronto tem três camadas que vão além do placar. A primeira é de produto. A Copa do Brasil de 2026 mudou de tamanho e de valor. A segunda é de balanço. O Remo, recém-promovido à Série A, precisa transformar mata-mata em superávit para sustentar a permanência. A terceira é de custo de oportunidade. O Santos, com um dos elencos mais caros do país e com Neymar e Gabriel Barbosa no grupo, trata a Copa como atalho esportivo para a Libertadores de 2027 e como amortecedor de caixa em um ano de margem estreita no Brasileirão.
Empate na Vila foi de domínio sem conversão e muda o plano de hoje
O 0 a 0 da Vila foi um jogo de um time só na posse e de dois times na eficiência defensiva. De acordo com o boletim estatístico oficial da partida, o Santos teve 58% de posse, finalizou 11 vezes com 4 chutes no alvo e teve 8 escanteios contra 1 do Remo. O time paraense finalizou 4 vezes, com 3 no alvo, e sustentou o zero com linha baixa, 35 cortes defensivos e 10 bloqueios, segundo o relatório de estatísticas. Foram 12 faltas do Santos e 10 do Remo, com três cartões amarelos para o mandante e quatro para o visitante.
O placar zerado foi o segundo entre os clubes no ano. No Brasileirão de 2026, o Santos venceu o Remo por 2 a 0 na Vila em abril, com gols de Thaciano e Moisés, segundo o relato oficial da partida. Na Copa do Brasil, o empate em casa ampliou a sequência de jogos sem vitória do Santos como mandante no mata-mata, mas manteve o Remo vivo em uma competição onde já eliminou o Bahia por 2 a 1 e o Coritiba na fase anterior.
Para esta terça, o empate muda o comportamento tático. O Remo não pode apenas se defender por 90 minutos porque o 0 a 0 leva aos pênaltis e qualquer gol sofrido obriga a buscar dois. O Santos não pode repetir o volume estéril da ida, com 478 passes tentados e apenas 4 finalizações certas. A tendência, segundo comissões técnicas ouvidas nos boletins oficiais, é de um primeiro tempo mais estudado e um segundo tempo de risco crescente após os 60 minutos, especialmente se o placar seguir zerado.
Janela nobre na TV fechada e o novo valor do direito da Copa
Remo x Santos às 21h30 terá exibição no SporTV na TV fechada e no Premiere no pay-per-view e no streaming via Globoplay. De acordo com a tabela oficial da CBF, não há exibição neste jogo na TV aberta nem no Prime Video, ao contrário de Juventude x Atlético-MG, às 19h30, que será exclusivo no streaming. A distribuição por janelas faz parte do ciclo 2026 a 2029, que fragmentou os direitos em pacotes para TV aberta, fechada, pay-per-view e streaming e elevou o valor total comercializado pela entidade.
Para os clubes, a cota é fixa por fase, independentemente de audiência, mas a valorização do pacote sustenta o aumento progressivo das premiações. Conforme o quadro divulgado pela CBF, a quinta fase paga R$ 2 milhões, as oitavas garantem mais R$ 3 milhões, as quartas adicionam R$ 4 milhões, as semifinais R$ 9 milhões e a final reserva R$ 34 milhões para o vice e R$ 78 milhões para o campeão apenas na decisão. No acumulado, um time da Série A que entra na quinta fase e chega ao título pode somar cerca de R$ 96 milhões. Um clube que vem desde a primeira fase pode chegar ao teto de R$ 99,25 milhões.
Quem avançar hoje já terá acumulado pelo menos R$ 9 milhões apenas nas três últimas fases, caso tenha entrado na quinta fase, e mais se vier de fases anteriores. Para o Remo, que vem de fases anteriores por ter disputado a Série B em 2025, o acumulado já supera esse valor. Para o Santos, que entrou na quinta fase, a vaga nas quartas dobra o que recebeu até aqui e mantém vivo o caminho mais curto para a Libertadores.
Remo tenta transformar acesso recente em superávit
O Remo vive o ano mais relevante da década em termos de posicionamento. Promovido em 2025 com a quarta colocação na Série B, com 62 pontos, 16 vitórias, 14 empates e 8 derrotas, 51 gols pró e 39 contra, segundo o balanço oficial da competição, o clube paraense voltou à elite e precisa agora equilibrar aumento de custos com novas receitas.
Conforme a classificação atualizada da Série A, o time ocupa a 19ª colocação com 21 pontos em 21 jogos, com 5 vitórias, 6 empates e 10 derrotas, 24 gols marcados e 34 sofridos, saldo de 10 negativos. Está na zona de rebaixamento, a um ponto do Grêmio, que tem 22 pontos, e empatado com o Vasco, que também tem 21. Na Copa do Brasil, a campanha já é a melhor desde 1991, quando chegou às semifinais, e representa a segunda maior fonte de receita extraordinária do ano, atrás apenas das cotas de TV da Série A.
O aspecto financeiro explica a escolha do Mangueirão. Segundo o Cadastro Nacional de Estádios e o Governo do Estado do Pará, administrador do estádio, o Mangueirão tem capacidade oficial de 53.645 espectadores, com recorde de público de 65 mil pessoas em Remo 1 a 0 Paysandu em julho de 1999. Outras medições operacionais apontam 45.007 lugares após a reinauguração de 2023, que modernizou vestiários, iluminação e sistema de drenagem. De toda forma, é o maior estádio do Norte, mais que o triplo da capacidade do Baenão, e permite ao Remo ampliar bilheteria, camarotes e consumo.
De acordo com o clube, a venda de ingressos para esta terça foi aberta com expectativa de mais de 40 mil torcedores, com setores populares esgotados ainda na segunda-feira. A receita de bilheteria em mata-mata nacional costuma representar entre 15% e 20% do faturamento mensal de um clube recém-promovido em ano de Série A, além de gerar efeito indireto em patrocínios pontuais e em conversão de sócio-torcedor. A classificação para as quartas adicionaria R$ 4 milhões diretos, valor equivalente a cerca de dois meses de folha do futebol profissional, segundo estimativas de mercado para clubes do porte do Remo.
Dentro de campo, o Remo deve manter a base da ida. Segundo o boletim de jogo, a formação teve Marcelo Rangel no gol, Marcelinho, Marllon, Matheus Felipe e Mayk na defesa, Leonel Picco e Zé Welison na sustentação, Yago Pikachu, Zé Ricardo e Jajá na criação e Alef Manga como referência. O técnico tem como dúvidas Franco Catarozzi e Panagiotis, que passaram por avaliação do departamento médico nos últimos dias. A aposta é em transições rápidas com Pikachu e Jajá e em bola parada com Marllon, que tem três jogos como titular e média de 7,67 chutes por jogo na competição, segundo o levantamento estatístico.
Santos busca aliviar pressão no Brasileirão com atalho da Copa
O Santos chega à decisão com outro tipo de urgência. Conforme a tabela oficial da Série A, o Peixe ocupa a 15ª colocação com 22 pontos em 20 jogos, com 5 vitórias, 7 empates e 8 derrotas, 29 gols marcados e 33 sofridos, saldo de 4 negativos. Está fora da zona de rebaixamento, mas a margem é curta e o desempenho como visitante é o pior do grupo intermediário, com apenas 1 vitória em 10 jogos fora de casa.
O elenco tem custo mensal elevado. Segundo balanço divulgado pelo clube, apenas o contrato de Neymar representa mais de R$ 4 milhões por mês entre salários, luvas e participações comerciais. Gabriel Barbosa, Benjamin Rollheiser, Lucas Veríssimo, Gonzalo Escobar e Thaciano completam o núcleo de maior investimento. A comissão técnica é de Cuca, que retornou ao clube para a sequência da temporada com a missão de estabilizar o time no Brasileirão e buscar título no mata-mata.
Na Copa do Brasil, o Santos entrou na quinta fase e recebeu R$ 2 milhões por participação. Na fase anterior, empatou sem gols com o Coritiba na Vila e venceu por 2 a 0 na volta, com gols de Bontempo e Adonis Frías, garantindo mais R$ 3 milhões. De acordo com a CBF, a vaga nas quartas adicionaria R$ 4 milhões e manteria vivo o caminho mais curto para a Libertadores de 2027, já que o clube ocupa posição intermediária na Série A e tem calendário apertado com Sul-Americana. O clube ainda disputa o playoff da Sul-Americana contra a Universidad Central da Venezuela, com vitória por 4 a 1 fora e 4 a 2 em casa, segundo os registros oficiais.
O time provável para esta terça deve ter Gabriel Brazão no gol, Igor Vinícius, João Ananias, Lucas Veríssimo e Gonzalo Escobar na defesa, Christian Oliva e Gabriel Bontempo no meio, com Benjamín Rollheiser, Neymar e Álvaro Barreal na linha de criação e Gabriel Barbosa como referência. No banco, Rony, Thaciano e Gabriel Menino são opções de velocidade. Conforme o boletim médico, Mayke, Zé Rafael e Gabigol foram desfalques recentes, enquanto Escobar e Willian Arão passaram por controle de carga. Neymar, que recebeu cartão amarelo na ida, está pendurado e foi titular nos últimos quatro jogos, com dois gols e uma assistência no período.
Mangueirão como ativo esportivo e comercial
Levar a decisão para o Mangueirão não é apenas esportivo. É comercial. O estádio, inaugurado em 4 de março de 1978 e de propriedade do Governo do Estado, foi reinaugurado em 2023 com padrão Fifa, recebeu jogos da Copa América de 1989 e do Mundial Sub-17 de 2019 e é o oitavo maior estádio do país em capacidade, segundo o ranking oficial de estádios. Para o Remo, jogar lá significa ampliar a receita de matchday em um ano em que o clube já superou a média de público da última passagem pela Série A, em 1994, e tem a maior média entre os clubes do Norte na elite.
O Santos, por outro lado, terá que lidar com logística, clima e gramado. A delegação viajou na segunda-feira, fez o último treino em Belém e trabalhou bola parada defensiva, ponto que foi explorado pelo Remo nos dois gols contra o Bahia. A temperatura prevista para as 21h30 é de 26 graus, com umidade acima de 80%, condição típica que aumenta o desgaste e favorece o time habituado.
Histórico, pênaltis e o que vem depois
Remo e Santos se enfrentaram poucas vezes em mata-mata nacional. O confronto mais lembrado é de 2010, quando o Santos venceu o Remo por 4 a 0 no segundo jogo da segunda fase da Copa do Brasil, segundo o histórico oficial da competição, em ano em que o Santos de Neymar foi campeão. Em 2026, além do 2 a 0 do Santos no Brasileirão e do 0 a 0 da ida da Copa, não há outros encontros recentes.
Em caso de empate hoje, a decisão vai direto para os pênaltis. O Remo eliminou um adversário nos pênaltis nas fases iniciais. O Santos foi eliminado na Copa do Brasil de 2024 nos pênaltis e venceu uma disputa na Sul-Americana deste ano. Esse detalhe aumenta a importância do aproveitamento em penalidades e do desempenho dos goleiros. De acordo com o boletim da ida, Gabriel Brazão fez 4 defesas, sendo 1 considerada difícil, enquanto Marcelo Rangel fez 3 defesas, com 10 desvios de goleiro, segundo o relatório.
Quem passar hoje entra no grupo dos oito melhores da Copa do Brasil e garante mais duas datas com exposição em TV aberta ou fechada, além de manter a chance de prêmio recorde na final. Para o Remo, seria a primeira vez nas quartas desde 1991 e a oportunidade de transformar uma campanha de Série A de luta contra o rebaixamento em superávit esportivo. Para o Santos, seria o respiro para fechar o ano sem necessidade de venda de ativos e com a possibilidade real de título que não vem desde 2010.
A arbitragem será confirmada no boletim oficial da CBF no dia da partida, com quadro Fifa e VAR centralizado. A bola rola às 21h30, com expectativa de Mangueirão lotado e com R$ 4 milhões em jogo em 90 minutos que valem mais do que três pontos.










