O Safra fez apenas uma mudança em sua carteira recomendada de dividendos para outubro. A corretora retirou as ações da Cury (CURY3) e incluiu B3 (B3SA3), mantendo os outros nove papéis que já integravam a seleção. O portfólio segue dividido igualmente entre dez empresas, com peso de 10% para cada ação e dividend yield médio projetado de aproximadamente 8,2%.
A maior estimativa individual pertence à Allos (ALOS3), com dividend yield de 12,1%. Petrobras (PETR4) aparece em seguida, com 10,2%, enquanto Taesa (TAEE11) tem projeção de 9,4%. Itaúsa (ITSA4), Vale (VALE3) e CPFL Energia (CPFE3) também aparecem entre as ações com yields mais elevados da seleção, com estimativas de 8,6%, 8,0% e 7,7%, respectivamente.
A carteira é completada por B3, com projeção de 7,2%, Caixa Seguridade (CXSE3), com 6,7%, Bradsaúde (SAUD3), com 6,2%, e Copel (CPLE3), com 5,5%. Os percentuais representam estimativas utilizadas pelo Safra na construção do portfólio e não devem ser interpretados como rentabilidade garantida. O retorno efetivo dependerá tanto dos proventos distribuídos pelas companhias quanto da variação das ações na Bolsa.
A composição distribui a exposição por diferentes setores. B3, Caixa Seguridade e Itaúsa representam 30% do portfólio, enquanto Taesa, CPFL Energia e Copel somam outros 30% em energia elétrica. A Bradsaúde acrescenta exposição ao setor de saúde, enquanto Petrobras, Vale e Allos completam a carteira com negócios ligados a petróleo, mineração e shopping centers.
B3 entra no lugar da Cury
A principal novidade de outubro está na inclusão da B3. Segundo o Safra, as ações da operadora da Bolsa brasileira negociavam com desconto em relação ao múltiplo médio dos últimos cinco anos na data de elaboração da carteira. A instituição também espera uma aceleração da atividade do mercado no quarto trimestre, comportamento que historicamente tende a favorecer a geração de receitas da companhia.
O Safra estima dividend yield de 7,2% para B3SA3 na carteira atual e aponta um carrego de aproximadamente 7,8% para 2027. A recomendação foi preparada considerando o preço de R$ 18,34 por ação no fechamento de 30 de setembro, referência utilizada na composição divulgada pelo banco.
Esse ponto é importante porque o dividend yield é uma relação entre o valor esperado dos proventos e o preço da ação. Se a cotação sobe de maneira relevante e a projeção de dividendos permanece a mesma, o yield implícito para quem compra a ação posteriormente tende a diminuir. Da mesma forma, uma eventual queda do papel aumenta essa relação, sem que isso signifique necessariamente melhora dos fundamentos da companhia.
A saída da Cury teve justificativa diferente. O Safra apontou ausência de catalisadores mais claros no curto prazo e um ambiente mais desafiador para o segmento de construção voltado à baixa renda, especialmente diante do orçamento comprometido das famílias. O banco, entretanto, afirmou continuar gostando da tese da companhia, indicando que a exclusão da carteira representa uma decisão de alocação para o período e não necessariamente uma mudança estrutural de visão sobre a empresa.
A troca modifica apenas 10% da carteira. Sai uma incorporadora mais dependente das condições de crédito e renda das famílias e entra a empresa responsável pela principal infraestrutura do mercado de capitais brasileiro.
Allos lidera projeção de dividend yield
Entre as dez ações selecionadas, a Allos ocupa a primeira posição em dividend yield projetado, com 12,1%. A companhia de shopping centers é seguida pela Petrobras, com 10,2%, e pela Taesa, com 9,4%.
A Itaúsa aparece na sequência, com yield estimado de 8,6%, enquanto a Vale tem projeção de 8,0%. A CPFL Energia apresenta 7,7%, seguida pela B3, com 7,2%, Caixa Seguridade, com 6,7%, Bradsaúde, com 6,2%, e Copel, com 5,5%.
A diferença entre a maior e a menor projeção da carteira é de 6,6 pontos percentuais. Isso mostra que a seleção não foi construída simplesmente com as ações que oferecem os maiores yields estimados. Empresas com percentuais menores permanecem no portfólio porque a análise também considera elementos como qualidade dos negócios, geração de caixa, previsibilidade dos resultados, valuation e diversificação.
A própria Bradsaúde é um exemplo dessa diversificação. Negociada sob o código SAUD3, a companhia surgiu da combinação dos negócios da Odontoprev com a Bradesco Saúde e reúne operações voltadas ao ecossistema de saúde. Sua presença na carteira, portanto, deve ser classificada como exposição ao setor de saúde, e não aos serviços financeiros.
A empresa reúne negócios de saúde suplementar, odontologia e serviços relacionados ao atendimento e à gestão de saúde, ampliando a diversificação setorial da seleção do Safra.
Carteira de dividendos do Safra para outubro
| Código | Companhia | Preço de referência | Peso | Dividend yield |
|---|---|---|---|---|
| B3SA3 | B3 | R$ 18,34 | 10% | 7,2% |
| PETR4 | Petrobras | R$ 49,12 | 10% | 10,2% |
| SAUD3 | Bradsaúde | R$ 13,35 | 10% | 6,2% |
| CXSE3 | Caixa Seguridade | R$ 19,88 | 10% | 6,7% |
| ITSA4 | Itaúsa | R$ 14,60 | 10% | 8,6% |
| ALOS3 | Allos | R$ 29,49 | 10% | 12,1% |
| VALE3 | Vale | R$ 69,91 | 10% | 8,0% |
| TAEE11 | Taesa | R$ 41,81 | 10% | 9,4% |
| CPFE3 | CPFL Energia | R$ 45,51 | 10% | 7,7% |
| CPLE3 | Copel | R$ 16,00 | 10% | 5,5% |
Os preços utilizados pelo Safra correspondem ao fechamento de 30 de setembro. Como as cotações variam diariamente, o dividend yield disponível para quem compra os papéis posteriormente também muda conforme o preço pago pelas ações.
A tabela também evidencia o equilíbrio de pesos escolhido pelo banco. Cada empresa responde por exatamente 10% do portfólio, impedindo que um único papel determine sozinho o desempenho da estratégia.
Bradsaúde amplia exposição da carteira ao setor de saúde
A Bradsaúde merece uma distinção em relação aos demais nomes financeiros presentes na seleção. Embora tenha origem relacionada ao Grupo Bradesco, SAUD3 é uma companhia do setor de saúde e não deve ser classificada como banco ou empresa de serviços financeiros.
A estrutura atual resulta da combinação dos negócios da Odontoprev com a Bradesco Saúde, formando uma plataforma que reúne diferentes operações do ecossistema de saúde. A reorganização colocou sob a Bradsaúde negócios ligados a planos de saúde, odontologia, serviços médicos, hospitais, diagnósticos e outras atividades relacionadas ao setor.
Na carteira do Safra, o papel foi incluído com preço de referência de R$ 13,35 e dividend yield projetado de 6,2%. Como todas as demais posições, possui peso de 10%.
A presença de SAUD3 acrescenta uma fonte de receitas com dinâmica diferente daquelas encontradas em bancos, empresas de energia, commodities ou shopping centers, contribuindo para diminuir a dependência da carteira em relação a um único segmento da economia.
Carteira ficou abaixo do Ibovespa em setembro, mas supera índices no ano
O desempenho recente traz uma leitura diferente dependendo do período utilizado. Em setembro, a carteira de dividendos do Safra avançou 2,30%, abaixo dos 4,45% registrados pelo Índice Dividendos (IDIV) e dos 5,03% do Ibovespa.
Isso representa uma diferença negativa de 2,15 pontos percentuais em relação ao IDIV e de 2,73 pontos diante do principal índice da Bolsa brasileira no mês.
Quando o horizonte é ampliado, o resultado muda. Segundo os números divulgados pelo Safra, a carteira acumulava valorização de 22% em 2026 até o fechamento de setembro, enquanto o IDIV avançava 17,6% e o Ibovespa, 15,7%.
Nesse intervalo, o portfólio superava o índice de dividendos em 4,4 pontos percentuais e o Ibovespa em 6,3 pontos.
Nos últimos 12 meses, a diferença também era favorável à carteira. O portfólio acumulava 36,7%, diante de 27,9% do IDIV e 27,4% do Ibovespa. A vantagem chegava, portanto, a 8,8 pontos percentuais sobre o índice de dividendos e 9,3 pontos sobre o principal índice da B3.
Esses dados também ajudam a separar dois conceitos diferentes. O dividend yield médio projetado de aproximadamente 8,2% representa a relação estimada entre os proventos e o preço das ações utilizado como referência. Já o desempenho acumulado da carteira considera a evolução dos ativos segundo a metodologia de acompanhamento do Safra.
Para outubro, a estratégia permanece praticamente inalterada. A entrada da B3 no lugar da Cury foi a única substituição realizada, enquanto Petrobras, Bradsaúde, Caixa Seguridade, Itaúsa, Allos, Vale, Taesa, CPFL Energia e Copel foram mantidas.
Allos, Petrobras e Taesa aparecem com os três maiores dividend yields projetados da seleção, enquanto a combinação de empresas financeiras, energia, saúde, commodities e shopping centers reduz a concentração em uma única atividade.
As projeções, porém, não representam promessa de retorno. Os dividendos efetivamente distribuídos podem mudar de acordo com lucro, geração de caixa, investimentos e decisões das empresas. Além disso, a valorização ou desvalorização das ações interfere diretamente no retorno total obtido pelo investidor e no yield disponível para novas compras.
Fontes
Safra Corretora — Carteira Dividendos de outubro de 2026
Safra — relatório de estratégia e composição da carteira recomendada
B3 — dados cadastrais e informações de SAUD3
Bradsaúde — informações institucionais e estrutura societária
Relações com Investidores das companhias integrantes da carteira









