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Copasa (CSMG3), Ambipar (AMBP3), JSL (JSLG3) e Tupy (TUPY3): destaques da Bolsa hoje (29)

Mudanças no comando da Copasa e da Tupy, avanço judicial da Ambipar nos Estados Unidos e R$ 421 milhões em dividendos da JSL movimentam o radar corporativo desta terça-feira.

por Camila Braga
29/09/2026 às 10h24
em Mercados
Copasa (Csmg3), Ambipar (Ambp3), Jsl (Jslg3) E Tupy (Tupy3): Destaques Da Bolsa Hoje (29) - Gazeta Mercantil - Mercados

O radar corporativo desta terça-feira, 29 de setembro, reúne mudanças administrativas, decisões judiciais envolvendo reestruturação financeira e anúncios de remuneração aos acionistas de companhias negociadas na B3. Entre os principais destaques estão a eleição de um novo diretor-presidente da Copasa (CSMG3), o reconhecimento da recuperação judicial brasileira da Ambipar (AMBP3) pela Justiça norte-americana e a confirmação do calendário de pagamento de R$ 421,1 milhões em dividendos pela JSL (JSLG3).

A Tupy (TUPY3) também comunicou alterações em sua estrutura de governança após a renúncia do presidente do conselho de administração, enquanto a Schulz (SHUL3; SHUL4) informou uma redução relevante na participação acionária de fundos administrados pela Real Investor Asset Management.

Leia também: Telecom na bolsa ganha força com 5G, fibra e busca por dividendos na B3.

Os anúncios foram divulgados predominantemente na segunda-feira (28), após o encerramento das negociações, e passam a integrar o conjunto de informações disponíveis aos investidores no pregão desta terça-feira. Os fatos apresentam naturezas diferentes: enquanto a JSL estabelece datas para uma obrigação financeira já aprovada, Copasa e Tupy atravessam processos de reorganização administrativa, e a Ambipar avança em uma disputa judicial relacionada à condução de sua recuperação.

Confira os principais acontecimentos e seus desdobramentos para as companhias.

Copasa (CSMG3) elege novo presidente após privatização

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) anunciou a eleição de Augusto Dantas Borges como novo diretor-presidente, em substituição a Marília Carvalho de Melo, que permanecerá na empresa na função de diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade.

A mudança foi formalizada em 28 de setembro, durante a reorganização da estrutura administrativa da companhia após o processo de desestatização e a entrada do Grupo Equatorial em sua composição acionária. Augusto Dantas Borges possui mais de 18 anos de experiência no Grupo Equatorial e assume o comando da concessionária com mandato previsto até 2028.

A reorganização também contempla alterações em outras posições estratégicas. Adriano Rudek de Moura foi designado para a Diretoria Financeira e de Relações com Investidores, enquanto Tinn Freire Amado assume a presidência do conselho de administração.

A troca de comando representa uma etapa importante na transição da governança corporativa da Copasa. A empresa, responsável por serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em Minas Gerais, passa a estruturar sua administração sob uma nova configuração acionária, após a transferência de participação anteriormente pertencente ao governo estadual.

A entrada de uma nova equipe executiva coloca em evidência temas como planejamento de investimentos, eficiência operacional, cumprimento de contratos de concessão e execução das metas de universalização dos serviços previstas no marco legal do saneamento.

Embora a eleição dos administradores esteja concluída, seus efeitos sobre investimentos, estrutura de capital e política comercial dependerão das decisões que forem adotadas pela nova direção. O comunicado não representa, por si só, a aprovação de alterações tarifárias ou de novos programas de investimentos.

Ambipar (AMBP3) obtém reconhecimento da recuperação judicial brasileira nos Estados Unidos

A Ambipar informou que a Corte de Falências dos Estados Unidos para o Distrito Sul do Texas, em Houston, reconheceu o processo de recuperação judicial em andamento na 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro como procedimento estrangeiro principal, no âmbito dos pedidos de Chapter 15 apresentados pela companhia e pela Environmental ESG.

A decisão também determinou a suspensão do processo de Chapter 11 da subsidiária Ambipar Emergency Response e rejeitou as objeções apresentadas durante a análise judicial.

O reconhecimento representa um avanço na estratégia da companhia de concentrar no Brasil a condução de sua reestruturação financeira. A recuperação judicial brasileira passa a constituir o processo central para a coordenação das medidas relacionadas às empresas abrangidas pela decisão, permitindo uma articulação mais estruturada entre as jurisdições brasileira e norte-americana.

A distinção entre os dois procedimentos é relevante para compreender o alcance do anúncio. O Chapter 11 é utilizado nos Estados Unidos para a reorganização de empresas submetidas à legislação falimentar norte-americana. Já o Chapter 15 permite que tribunais dos Estados Unidos reconheçam e apoiem processos de insolvência conduzidos em outros países, estabelecendo mecanismos de cooperação internacional e proteção patrimonial.

O reconhecimento da recuperação judicial brasileira como processo estrangeiro principal não significa que o plano de recuperação da Ambipar tenha sido definitivamente aprovado, tampouco representa a extinção automática das obrigações com seus credores.

A companhia enfrenta uma complexa reestruturação financeira, marcada por divergências entre diferentes grupos de credores sobre a condução do processo, o tratamento das dívidas e os mecanismos previstos para sua reorganização.

Segundo a empresa, a decisão favorece a coordenação dos procedimentos judiciais entre Brasil e Estados Unidos, tendo a recuperação judicial em curso no Rio de Janeiro como referência central.

Para os investidores, o novo fato relevante esclarece uma etapa da disputa sobre a jurisdição da reestruturação. Permanecem, entretanto, pendentes os desdobramentos relacionados ao plano brasileiro, às negociações com credores e ao cumprimento das condições necessárias à reorganização financeira do grupo.

JSL (JSLG3) confirma R$ 421,1 milhões em dividendos

A JSL, empresa de logística controlada pela Simpar (SIMH3), comunicou que realizará o pagamento de R$ 421,06 milhões em dividendos em duas parcelas iguais, encerrando a indefinição sobre as datas de distribuição dos valores aprovados pelo conselho de administração em 22 de dezembro de 2025.

A primeira parcela, de R$ 210,53 milhões, será paga em 2 de outubro de 2026. A segunda, de igual valor, está programada para 28 de dezembro. Cada pagamento corresponde a R$ 0,740150001 por ação ordinária, totalizando aproximadamente R$ 1,4803 por papel.

O anúncio não representa uma nova distribuição de resultados. Trata-se da definição do calendário de desembolso de dividendos anteriormente aprovados, cujo prazo de pagamento havia sido estabelecido para o encerramento de 2026.

O direito ao recebimento foi constituído com base na posição acionária definida na deliberação de dezembro de 2025. Assim, investidores que adquirirem ações JSLG3 nesta terça-feira não terão direito às parcelas agora anunciadas em decorrência dessas novas aquisições.

Por outro lado, acionistas contemplados na distribuição original mantêm o direito ao pagamento mesmo que tenham vendido os papéis posteriormente.

Leia também: Safra troca Cury por B3 e indica 10 ações com dividend yield de até 12,1%

A diferença entre a data de declaração dos dividendos, a composição acionária considerada para o provento e o efetivo desembolso é particularmente relevante para evitar interpretações equivocadas sobre a remuneração oferecida pelas ações.

Considerando as duas parcelas, um investidor que possuía mil ações habilitadas terá direito ao recebimento de aproximadamente R$ 1.480,30, distribuídos entre outubro e dezembro.

A confirmação das datas também permite identificar o cronograma de saída de recursos da companhia no último trimestre do ano. Como a distribuição foi aprovada anteriormente, o comunicado não deve ser interpretado como indicação de novos dividendos relacionados ao desempenho financeiro do terceiro trimestre de 2026.

Tupy (TUPY3) anuncia renúncia do presidente do conselho e prepara sucessão

A Tupy informou que Jaime Luiz Kalsing apresentou renúncia aos cargos de membro e presidente do conselho de administração, alegando motivos de foro íntimo. O desligamento será efetivado em até 60 dias ou quando ocorrer a posse de seu substituto, o que acontecer primeiro.

Para a sucessão, o conselho manifestou a intenção de indicar Gueitiro Matsuo Genso, atual vice-presidente de Estratégia, Novos Negócios, Inovação e Fusões e Aquisições da companhia.

A eventual nomeação depende de sua eleição em Assembleia Geral Extraordinária. Portanto, a comunicação representa uma proposta de sucessão e não a conclusão imediata da substituição na presidência do colegiado.

Genso já presidiu o conselho de administração da Tupy entre 2019 e 2021. Desde 2024, integra a diretoria estatutária da companhia, tendo exercido também as funções de diretor de Relações com Investidores e diretor-presidente interino.

A empresa informou ainda que pretende manter Jaime Kalsing em sua estrutura de governança, mediante eventual nomeação como membro externo do Comitê de Estratégia, Inovação e Sustentabilidade. A indicação dependerá da verificação dos requisitos aplicáveis.

Além da sucessão, a Tupy pretende submeter aos acionistas uma proposta de reforma do estatuto social, com a inclusão de critérios de elegibilidade para integrantes do conselho de administração e da diretoria.

A iniciativa ocorre em um contexto no qual a composição dos órgãos administrativos da companhia tem sido objeto de questionamentos por parte de investidores. Entre os temas levantados em discussões anteriores estão os critérios de indicação de conselheiros, a experiência profissional de executivos e a participação de acionistas relevantes na definição da governança.

A eventual aprovação das alterações estatutárias dependerá da deliberação societária correspondente. Até lá, a companhia permanece submetida às regras atualmente vigentes, observadas as condições estabelecidas para a transição administrativa.

Schulz (SHUL3; SHUL4) informa redução da participação da Real Investor

A Schulz comunicou ao mercado que a Real Investor Asset Management realizou, em 24 de setembro, uma operação relevante de venda de ações ordinárias da companhia. Após a movimentação, a participação conjunta dos fundos sob gestão da instituição passou a representar 9,99% das ações ordinárias emitidas pela fabricante.

A informação foi apresentada em comunicado divulgado na segunda-feira (28), em cumprimento às regras de transparência aplicáveis à negociação de participações acionárias relevantes em companhias abertas.

Segundo a comunicação encaminhada à Schulz, a operação possui finalidade exclusivamente de investimento, sem intenção de adquirir o controle ou promover alterações na estrutura administrativa da empresa.

A redução envolve especificamente as ações ordinárias, negociadas sob o código SHUL3, e não deve ser confundida com uma alteração equivalente na participação sobre as ações preferenciais SHUL4.

A distinção entre as duas classes é importante porque a participação acionária relevante foi informada com base no capital representado pelos papéis ordinários. A operação não permite concluir, isoladamente, qual foi a alteração na exposição financeira total dos fundos à companhia, considerando todas as classes de ações eventualmente mantidas em carteira.

Fundada em Joinville, Santa Catarina, a Schulz atua nos segmentos de compressores de ar, componentes para a indústria automotiva e soluções industriais. Seus papéis são negociados na B3 e integram o universo de empresas acompanhadas por gestores especializados em ações de companhias de menor capitalização.

A comunicação de movimentações relevantes por investidores institucionais constitui um mecanismo de transparência do mercado de capitais. O registro informa mudanças na composição acionária, mas não representa necessariamente uma avaliação pública da gestora sobre o desempenho futuro da companhia.

Governança, reestruturação financeira e remuneração concentram os anúncios

O conjunto de comunicados desta terça-feira reúne três dimensões distintas da administração de companhias abertas. Na Copasa e na Tupy, o foco recai sobre a composição dos órgãos de administração e a condução das respectivas transições de governança. Na Ambipar, a informação central está relacionada ao avanço de um procedimento judicial internacional, enquanto JSL e Schulz apresentam fatos associados à remuneração e à composição da base acionária.

A leitura individualizada desses acontecimentos é necessária para distinguir decisões já concluídas de medidas ainda condicionadas a etapas posteriores.

Na Copasa, as eleições administrativas foram formalizadas. Na Tupy, a sucessão anunciada permanece dependente da assembleia e da posse do substituto. No caso da Ambipar, houve reconhecimento judicial nos Estados Unidos, mas a reestruturação financeira ainda depende de outros procedimentos. Já a JSL apenas detalhou as datas de pagamento de uma distribuição previamente aprovada.

Para os acionistas, a divulgação de fatos relevantes e comunicados ao mercado permite acompanhar mudanças administrativas, obrigações financeiras e decisões que podem alterar a estrutura das empresas investidas.

As informações conhecidas até a manhã de 29 de setembro, entretanto, não permitem atribuir a esses anúncios uma reação específica das cotações durante o pregão. A avaliação de seus efeitos sobre os preços dependerá dos dados efetivos de negociação e dos demais fatores que influenciam o mercado.

Fontes:

Copasa — Comunicado ao Mercado sobre a nova composição do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva, de 28 de setembro de 2026.

Ambipar — Fato Relevante sobre o reconhecimento judicial nos Estados Unidos e a transição do Chapter 11 para o Chapter 15, de 28 de setembro de 2026.

JSL — Aviso aos Acionistas sobre o calendário de pagamento de dividendos, de 28 de setembro de 2026.

Tupy — Fato Relevante sobre alterações na administração da companhia, de 28 de setembro de 2026.

Schulz — Comunicado ao Mercado sobre alienação de participação acionária relevante, de 28 de setembro de 2026.

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