O Santander abriu uma nova rodada de venda de imóveis pela internet, com mais de 200 oportunidades distribuídas por diferentes regiões do Brasil. O evento, organizado pela SOLD Leilões na plataforma Superbid Exchange, está programado para 6 de outubro de 2026 e reúne unidades residenciais de diferentes padrões, desde apartamentos compactos até casas de maior valor. Parte dos imóveis admite financiamento em até 420 meses, equivalentes a 35 anos, e utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), conforme as condições individuais de cada lote.
A divulgação do pregão menciona descontos que podem alcançar 90% em relação aos valores de avaliação. Entretanto, esse percentual representa uma condição máxima anunciada, não uma redução aplicada indistintamente aos imóveis disponíveis. Na consulta realizada pela Gazeta Mercantil em 28 de setembro, a página oficial do evento apresentava 203 anúncios, número ligeiramente superior aos 202 imóveis informados inicialmente. A quantidade poderá sofrer alterações até o encerramento das ofertas.
A análise dos anúncios individuais também revela uma característica importante para quem pretende participar: imóveis apresentados com abatimentos expressivos podem estar ocupados. Nesses casos, a diferença entre o valor de avaliação e o lance inicial precisa ser considerada juntamente com as condições de transferência, eventuais despesas de regularização e o tempo necessário para obter a posse efetiva da propriedade.
O evento ocorre em praça única, com participação exclusivamente digital e programação de encerramento individualizada para os lotes. Os interessados precisam realizar cadastro, solicitar habilitação e aceitar as condições de venda antes de registrar suas ofertas.
Imóveis disponíveis abrangem diferentes faixas de preço
O catálogo reúne propriedades em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás, Minas Gerais, Ceará, Rio de Janeiro, Bahia, Maranhão e Mato Grosso, além de outras localidades das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
A diversidade geográfica permite encontrar imóveis tanto em municípios de pequeno e médio porte quanto em centros urbanos consolidados. No entanto, a localização, a situação documental, a ocupação e a forma de pagamento variam de uma propriedade para outra, tornando inadequado avaliar todas as oportunidades exclusivamente pelo percentual de desconto anunciado.
Em São Paulo, quatro anúncios examinados pela Gazeta Mercantil mostram diferenças relevantes de valor, metragem e condições de aquisição.
Em Araraquara, o lote 132 corresponde a um apartamento no Condomínio Parque Arpoador, com 45,54 metros quadrados de área privativa. O lance inicial está fixado em R$ 90.950, com deságio anunciado de 37%. A documentação disponibilizada pela plataforma identifica a matrícula 137.578 e informa que a unidade está ocupada. O anúncio também apresenta uma despesa condominial mensal de R$ 292,59.
Em Sorocaba, uma casa no Jardim São Carlos, com 189,5 metros quadrados de construção e terreno de 320 metros quadrados, está disponível a partir de R$ 355.300. O desconto anunciado é de 40%. O imóvel também aparece como ocupado e possui matrícula registrada sob o número 36.779 no 2º Cartório de Registro de Imóveis do município.
Outra propriedade está localizada em Marília, no Condomínio Reserva Esmeralda. A casa possui 343,61 metros quadrados de área construída e lance inicial de R$ 1.616.700, correspondente a um deságio anunciado de 41%. O anúncio informa despesa condominial de R$ 537,03 e IPTU anual de R$ 4.972,32. Nesse caso, a propriedade também consta como ocupada.
No litoral paulista, uma casa no Jardim Ribamar, em Peruíbe, está anunciada por R$ 423.300. Com 148 metros quadrados de construção e terreno de 155,3 metros quadrados, a propriedade apresenta deságio de 40%. A descrição informa três quartos, quatro banheiros e piscina, além de indicar que o imóvel se encontra ocupado.
Os quatro exemplos mostram descontos entre 37% e 41%. Todos aparecem como ocupados nas respectivas descrições consultadas, embora essa amostra não permita concluir que a mesma situação se reproduza na totalidade do catálogo.
Desconto sobre a avaliação não representa economia garantida
Um dos aspectos que exige atenção na aquisição de imóveis em leilão é a diferença entre o deságio divulgado e a economia efetivamente obtida pelo comprador. O desconto corresponde à comparação entre o preço anunciado e determinado valor de referência utilizado na avaliação do bem. Ele não representa necessariamente a diferença entre o lance vencedor e o preço pelo qual a propriedade poderia ser revendida imediatamente no mercado.
Além disso, o lance inicial não corresponde obrigatoriamente ao preço final da operação. Havendo concorrência, os participantes podem apresentar ofertas sucessivas, elevando o montante necessário para a aquisição.
Para compreender essa diferença, considere um imóvel hipoteticamente avaliado em R$ 500 mil, com lance inicial de R$ 300 mil. O abatimento anunciado seria de 40%, equivalente a R$ 200 mil. Caso a disputa termine com uma oferta de R$ 375 mil, porém, o desconto efetivo em relação à mesma avaliação cairá para 25%, antes da inclusão das despesas adicionais.
O cálculo financeiro deve considerar também a comissão eventualmente aplicável, custos cartorários, Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), registro da propriedade, possíveis reformas e despesas previstas nas condições de venda.
Nos imóveis ocupados, a necessidade de recuperar a posse pode acrescentar custos e comprometer o cronograma originalmente planejado pelo adquirente. O comprador deve verificar, especificamente, quem ficará responsável pelas providências de desocupação e quais obrigações serão assumidas após a formalização da compra.
A documentação individual disponível na Superbid informa a situação de ocupação, a matrícula imobiliária e características físicas das propriedades, além de apresentar condições específicas de pagamento. Essas informações permitem distinguir imóveis com características semelhantes, mas exposições jurídicas e financeiras diferentes.
Financiamento pode chegar a 420 meses, mas depende de aprovação
A possibilidade de financiar determinados lotes em até 420 meses constitui uma das condições comerciais destacadas no evento. O prazo corresponde a 35 anos, período máximo anunciado para as operações elegíveis, e não significa que todos os compradores receberão financiamento nessa duração.
O acesso ao crédito depende das condições específicas do imóvel, da modalidade de pagamento admitida e da aprovação cadastral e financeira do interessado. O valor efetivamente financiável, a necessidade de entrada e o custo total da operação devem ser confirmados antes da participação.
Há uma diferença importante entre a informação de que determinada propriedade aceita financiamento e a efetiva concessão do crédito. A primeira diz respeito às condições comerciais da venda; a segunda depende da análise da instituição financeira e do cumprimento dos requisitos contratuais.
O uso do FGTS também está sujeito a exigências próprias. Conforme as regras habitacionais divulgadas pela Caixa Econômica Federal, o trabalhador precisa cumprir requisitos relacionados ao tempo de vinculação ao fundo, à inexistência de determinadas condições impeditivas de propriedade ou financiamento e à destinação residencial do imóvel.
A regra geral estabelece um mínimo de três anos de trabalho sob o regime do FGTS, considerando períodos consecutivos ou não. Também existem restrições relacionadas à propriedade de outro imóvel residencial no município de residência ou de exercício da atividade profissional, incluindo localidades limítrofes e integrantes da mesma região metropolitana.
Portanto, a menção ao FGTS no catálogo não constitui autorização automática para utilizar o saldo disponível. A elegibilidade precisa ser verificada individualmente, inclusive quanto ao enquadramento do imóvel e da operação nas normas aplicáveis.
Imóveis ocupados exigem verificação documental
A situação de ocupação merece atenção particular porque interfere diretamente na finalidade da aquisição. Para quem pretende utilizar o imóvel como residência, a impossibilidade de assumir imediatamente a posse pode gerar despesas simultâneas com aluguel, financiamento e encargos associados à propriedade.
No caso de investidores, a permanência de ocupantes também pode retardar reformas, locações e eventual revenda.
As informações devem ser verificadas mediante análise do anúncio, das condições de venda e dos documentos pertinentes. A matrícula atualizada permite identificar o histórico registral, a titularidade e eventuais ônus inscritos. A documentação do lote, por sua vez, pode conter condições específicas que não aparecem integralmente nos resumos comerciais utilizados para divulgar o leilão.
Outro aspecto é a atribuição de responsabilidade por débitos anteriores à compra. Despesas condominiais, tributos municipais e outros encargos precisam ser examinados à luz das cláusulas contratuais aplicáveis ao imóvel escolhido. Não se deve presumir que todas essas obrigações serão automaticamente quitadas pelo banco ou integralmente transferidas ao comprador.
Também é necessário observar as condições de desistência. A plataforma informa que os lances registrados constituem compromissos sujeitos às regras aceitas pelo participante, com possíveis consequências financeiras em situações de inadimplemento ou descumprimento das condições de venda.
A consulta prévia ao edital é, portanto, uma etapa essencial para estabelecer o custo total da operação e as responsabilidades assumidas pelo interessado.
Como participar do leilão do Santander
O procedimento começa com o cadastro na plataforma Superbid Exchange, onde está disponível o evento denominado Santander Oportunidades, organizado pela SOLD Leilões. Após a criação da conta, o participante deve localizar o imóvel pretendido, consultar sua descrição integral e solicitar habilitação.
Cada anúncio apresenta informações sobre localização, características físicas, lance inicial, condições de pagamento e documentação disponível. Também é possível verificar o histórico de ofertas e as condições estabelecidas para participação.
A programação principal está marcada para terça-feira, 6 de outubro, a partir das 10h, no horário de Brasília. Entretanto, os imóveis possuem horários individuais de encerramento, razão pela qual os participantes devem observar a programação específica de cada lote e eventuais atualizações realizadas pela plataforma.
Antes da oferta, é importante conferir se o valor disponível para a compra contempla não apenas o lance pretendido, mas também as despesas necessárias para formalização, eventuais encargos e possíveis custos relacionados à situação do imóvel.
Nos casos de financiamento, a avaliação da capacidade de pagamento deve considerar o custo efetivo total da operação, e não somente a quantidade de parcelas oferecida. O prazo de 420 meses pode ampliar as possibilidades de contratação, mas não elimina os encargos financeiros nem substitui a análise das condições definitivas do crédito.
Para quem considera a compra como investimento, o retorno dependerá de fatores adicionais, entre eles localização, liquidez, estado de conservação, custos de regularização e período necessário até a efetiva disponibilidade da propriedade.
Com o encerramento previsto para 6 de outubro, os interessados ainda podem examinar as condições comerciais dos imóveis disponíveis. A aquisição, contudo, deve ser fundamentada nas características e obrigações de cada lote, e não exclusivamente na comparação entre o lance inicial e o desconto anunciado.
Fontes:
Superbid Exchange — Santander Oportunidades, catálogo oficial e programação do evento de 6 de outubro de 2026.
SOLD Leilões — Descrições individuais, condições comerciais e informações documentais dos lotes de Araraquara, Sorocaba, Marília e Peruíbe.
Caixa Econômica Federal — Orientações oficiais sobre financiamento habitacional e utilização do FGTS na aquisição da moradia própria.










