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Procon-SP Multa Itaú Consignado por Descontos Indevidos em Benefícios do INSS

Itaú Consignado é multado pelo Procon-SP por descontos indevidos no INSS: entenda o caso e os impactos para aposentados

por Gabriel Monteiro
17/07/2025 às 09h01
em Economia
Procon-Sp Multa Itaú Consignado Por Descontos Indevidos Em Benefícios Do Inss Gazeta Mercantil - Economia

O crédito consignado é uma das modalidades mais populares entre aposentados, pensionistas e servidores públicos no Brasil. Com taxas de juros reduzidas e pagamento automático por meio de desconto na folha ou benefício do INSS, essa linha de crédito se tornou amplamente utilizada — e também alvo de controvérsias. Um novo episódio envolvendo o setor reacendeu o debate sobre regulação, transparência e responsabilidade das instituições financeiras: o Procon-SP multou o Itaú Consignado em R$ 5,8 milhões por efetuar descontos indevidos diretamente no benefício previdenciário de consumidores.

A seguir explicamos os detalhes da autuação, como os consumidores foram afetados, os direitos dos beneficiários do INSS e o que esse caso revela sobre as fragilidades do sistema financeiro voltado ao crédito consignado. Com base nas melhores práticas de SEO, esta matéria visa esclarecer todas as nuances do caso e orientar o leitor quanto à prevenção e reação diante de práticas semelhantes.

Leia também: Open Finance: veja mitos, verdades e benefícios do sistema bancário aberto.

O que é o crédito consignado e como funciona

O crédito consignado é um empréstimo cujo pagamento é feito diretamente na fonte, ou seja, as parcelas são descontadas automaticamente do salário ou benefício do contratante. Isso significa que, antes mesmo do valor cair na conta do cliente, o banco já retém a parcela correspondente. O modelo é amplamente utilizado por aposentados, pensionistas, servidores públicos e, mais recentemente, trabalhadores com carteira assinada.

A atratividade do crédito consignado está na baixa inadimplência, o que permite que os bancos ofereçam taxas de juros menores. No entanto, essa mesma facilidade abre espaço para abusos, especialmente quando o cliente não é devidamente informado ou quando há contratação sem consentimento.

Leia também: Vale (VALE3) mantém perspectiva positiva após Itaú BBA elevar preço-alvo para 2026.

A multa ao Itaú Consignado: o que motivou a penalização

O Procon de São Paulo aplicou uma multa de R$ 5,8 milhões ao Itaú Consignado por descumprimento das normas do Código de Defesa do Consumidor. A penalidade foi resultado de uma investigação iniciada a partir de centenas de reclamações de aposentados e pensionistas do INSS que relataram descontos indevidos em seus benefícios mensais, mesmo sem ter solicitado qualquer tipo de empréstimo.

As denúncias revelaram um padrão preocupante: consumidores notaram, em seus extratos de pagamento, descontos rotulados como “consignados” sem que tivessem assinado qualquer contrato ou fornecido autorização prévia. Em muitos casos, os beneficiários sequer tinham conhecimento da instituição financeira envolvida.

Leia também: Itaú (ITUB4) transfere varejo na Colômbia e Petrobras (PETR4) descobre gás.

As principais irregularidades encontradas

Durante o processo de apuração, o Procon-SP identificou as seguintes irregularidades cometidas pelo Itaú Consignado:

  • Liberação de crédito sem solicitação do consumidor;

  • Descontos automáticos em contas correntes e benefícios do INSS sem autorização;

  • Ausência de canais eficazes para contestação ou cancelamento do contrato;

  • Manutenção dos débitos mesmo após o consumidor informar que desconhecia a contratação.

Essas práticas configuram violações graves à legislação de proteção ao consumidor, sobretudo porque atingem um público considerado vulnerável: os aposentados e pensionistas, que muitas vezes têm menor acesso à tecnologia ou ao conhecimento jurídico necessário para se defender.

Consentimento é obrigatório por lei

A legislação brasileira estabelece que qualquer contrato de crédito, especialmente o consignado, deve ser celebrado com consentimento prévio, claro e documentado do consumidor. Além disso, o Banco Central e o INSS impõem regras rígidas para proteger os beneficiários contra fraudes ou contratações indevidas.

No caso específico da multa aplicada ao Itaú Consignado, ficou evidente que houve falha em garantir o consentimento informado dos clientes. Muitos dos afetados relataram que sequer sabiam da existência de um contrato ativo, sendo surpreendidos pelos descontos em seus benefícios.

Reações institucionais e impacto da decisão

A multa milionária gerou forte repercussão no setor financeiro e em órgãos de defesa do consumidor. Representa uma sinalização clara de que abusos não serão mais tolerados, especialmente quando atingem cidadãos idosos ou de baixa renda. A decisão fortalece o papel fiscalizador do Procon-SP e alerta as instituições financeiras sobre a importância de rever seus protocolos de verificação e contratação.

O valor da penalidade foi estabelecido considerando o número de consumidores lesados, a gravidade da infração e a capacidade econômica da empresa. Ainda que R$ 5,8 milhões não represente uma perda significativa no balanço de um grande banco, o impacto reputacional e as consequências jurídicas podem ser consideráveis.

A resposta do banco

Até o momento, o Itaú Consignado informou apenas que ainda não foi oficialmente notificado da penalidade e que irá se manifestar após análise do auto de infração. O banco declarou possuir protocolos de validação de crédito e segurança, mas reconheceu a possibilidade de falhas pontuais no processo. A instituição reforçou que seus canais de atendimento estão disponíveis para receber contestações de consumidores.

Essa postura é comum entre grandes instituições financeiras em casos semelhantes. No entanto, é esperado que o banco reveja suas práticas operacionais e reforce a fiscalização sobre correspondentes bancários terceirizados, que muitas vezes são os responsáveis por captar e registrar contratos de crédito.

Histórico de problemas com empréstimos consignados

O setor de crédito consignado tem um histórico de problemas relacionados a práticas abusivas. Nos últimos anos, diferentes instituições foram multadas ou tiveram suas operações suspensas temporariamente por causa de irregularidades semelhantes.

É comum que bancos utilizem correspondentes bancários para ofertar consignado, o que descentraliza o processo e, por vezes, fragiliza o controle interno. Golpes, falsificações de assinatura, gravações fraudulentas e contratos celebrados sem autorização são algumas das práticas já denunciadas em diferentes regiões do país.

Como saber se você foi vítima de desconto indevido

Muitos aposentados e pensionistas não percebem de imediato os descontos irregulares, pois os valores podem ser baixos e diluídos ao longo do tempo. Por isso, é essencial estar atento a sinais como:

  • Redução inexplicável no valor do benefício recebido;

  • Lançamentos no extrato com a descrição “consignado” ou “empréstimo”;

  • Recebimento de mensagens ou ligações sobre contratos que você não reconhece;

  • Ofertas insistentes de crédito mesmo sem solicitação prévia.

Caso identifique qualquer movimentação estranha, o consumidor deve agir imediatamente.

Passo a passo para denunciar descontos indevidos

Se você foi vítima de um desconto não autorizado em seu benefício, siga as orientações abaixo:

  1. Acesse o extrato do benefício pelo aplicativo ou site Meu INSS;

  2. Solicite ao banco a cópia do contrato supostamente firmado;

  3. Registre reclamação no Procon da sua cidade ou no Procon-SP;

  4. Formalize denúncia junto ao Banco Central do Brasil;

  5. Procure a Defensoria Pública ou o Juizado Especial Cível, caso não consiga resolver administrativamente.

A legislação garante ao consumidor o direito de interromper os descontos, receber ressarcimento em dobro e, em muitos casos, indenização por danos morais.

Por que os idosos são os mais afetados?

Aposentados e pensionistas são, historicamente, alvos preferenciais de golpes e abusos bancários. Isso se deve a diversos fatores:

  • Maior dificuldade em lidar com tecnologia;

  • Confiança excessiva em terceiros;

  • Menor familiaridade com direitos legais;

  • Vulnerabilidade emocional ou social.

Além disso, dados pessoais desse público costumam ser compartilhados ou vazados com facilidade, facilitando o acesso de correspondentes ou golpistas a informações sensíveis.

Medidas legais e regulatórias para proteger o consumidor

Nos últimos anos, autoridades como o Banco Central, o INSS e o Ministério da Justiça criaram regras específicas para coibir abusos na concessão de crédito consignado. Entre elas:

  • Proibição de oferta de crédito nos primeiros 90 dias após concessão do benefício do INSS;

  • Confirmação de contratação por autenticação em dois fatores;

  • Gravação obrigatória de ligações telefônicas;

  • Cadastro “Não me Perturbe” para bloquear ofertas de empréstimo;

  • Campanhas educativas voltadas ao público idoso.

Apesar dessas iniciativas, os casos continuam ocorrendo, o que mostra que a fiscalização ainda precisa ser intensificada.

Uma penalidade simbólica com lições importantes

A multa de R$ 5,8 milhões aplicada ao Itaú Consignado é uma vitória importante para os consumidores brasileiros, especialmente os mais vulneráveis. Ainda que represente apenas um alerta simbólico para um banco de grande porte, o episódio lança luz sobre uma prática que precisa ser combatida com firmeza: a contratação de crédito sem consentimento do cliente.

O caso também evidencia a importância do papel dos órgãos de defesa do consumidor e do próprio cidadão na fiscalização ativa dos seus direitos. O crédito consignado deve continuar existindo como ferramenta útil para quem deseja acessar recursos com juros menores. No entanto, ele precisa ser oferecido com responsabilidade, transparência e respeito à dignidade do consumidor.

Enquanto as instituições financeiras não aprimorarem seus controles e não responsabilizarem seus representantes por práticas abusivas, será necessário continuar aplicando multas e fortalecendo os canais de denúncia.

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