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Selic em 15%: Brasil tem 2º maior juro real do mundo e impacto direto na economia

por Gabriel Monteiro
18/09/2025 às 11h57
em Economia
Selic Em 15%: Brasil Tem 2º Maior Juro Real Do Mundo E Impacto Direto Na Economia - Gazeta Mercantil - Economia

Selic em 15% coloca Brasil como o 2º maior juro real do mundo e amplia impacto na economia

Copom mantém Selic em 15% e surpreende parte do mercado

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a Selic em 15%, frustrando a expectativa de parte dos investidores que apostavam em um corte de 0,25 ponto percentual. A decisão, embora amplamente antecipada, reforça o Brasil como o segundo país com maior juro real do planeta, atrás apenas da Turquia.

Segundo levantamento da MoneYou e da Levante Intelligence, a taxa real de juros no Brasil alcança 9,51% ao ano, enquanto a média global de 40 países analisados é de apenas 1,45%. Esse patamar elevado gera efeitos diretos sobre a inflação, a atração de capitais externos e, sobretudo, o custo de crédito para famílias e empresas.

Leia também: Petrobras Reduz Preço da Gasolina em 5,2%: Entenda o Impacto no Bolso e na Economia.


Brasil no ranking global dos maiores juros reais

Com a Selic em 15%, o Brasil se mantém no topo do ranking internacional de juros reais. A liderança segue com a Turquia, com taxa de 12,34%, enquanto Rússia (4,79%), Colômbia (4,38%) e México (3,77%) aparecem bem abaixo do Brasil.

Esse cenário reforça a posição do país como destino de capital estrangeiro de curto prazo, já que investidores buscam rendimento em ambientes de juros elevados. Porém, o efeito colateral é o enfraquecimento da atividade econômica interna, uma vez que o custo do crédito limita o consumo e os investimentos produtivos.

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Fatores que levaram à manutenção da Selic em 15%

A decisão do Copom reflete principalmente o risco fiscal brasileiro. O aumento de gastos do governo e a dificuldade em cumprir metas de resultado primário aumentam a percepção de incerteza sobre as contas públicas. Essa fragilidade se soma ao cenário internacional de guerra tarifária e à volatilidade cambial, que pressionam a autoridade monetária a manter uma postura conservadora.

Mesmo com sinais de desaceleração da inflação, a ausência de responsabilidade fiscal impede cortes imediatos nos juros. Para analistas, a estratégia do Banco Central é clara: enviar uma mensagem de firmeza ao governo federal, cobrando disciplina fiscal antes de iniciar um ciclo de redução da taxa básica.


Impactos da Selic em 15% sobre a economia brasileira

A Selic em 15% gera efeitos amplos em diversos setores da economia. Entre os principais impactos estão:

1. Crédito mais caro e restrito

Bancos e instituições financeiras elevam os custos de financiamento, dificultando o acesso ao crédito para empresas e consumidores. Isso afeta desde a compra de bens duráveis até os investimentos de longo prazo.

2. PIB em desaceleração

Com menor capacidade de consumo e investimentos reduzidos, o crescimento econômico fica comprometido. Projeções já indicam que o Produto Interno Bruto pode crescer abaixo do potencial em 2025 e 2026.

3. Pressão sobre a dívida pública

A manutenção da Selic em 15% aumenta consideravelmente o custo do endividamento brasileiro. O Tesouro Nacional precisa destinar mais recursos para pagamento de juros, o que dificulta o equilíbrio fiscal.

4. Impacto no setor produtivo

Indústrias e comércio argumentam que a política monetária em vigor sufoca a recuperação econômica, já que o consumo interno segue retraído e o ambiente de negócios permanece desafiador.


Comparação internacional: Brasil e outros mercados

Enquanto o Brasil mantém a Selic em 15%, outros países seguem tendência de corte de juros. O Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos, já sinalizou a possibilidade de reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual, observando os dados de emprego e inflação.

Na Europa e na Ásia, a política monetária também caminha para ajustes mais brandos. Isso torna o Brasil uma exceção, com política monetária restritiva em um ambiente de flexibilização global. O resultado é ambíguo: o país se torna atrativo para capital externo, mas paga o preço do baixo dinamismo econômico doméstico.


Inflação e projeções do mercado

Apesar da recente queda da inflação, que foi influenciada pela retração do consumo, pela valorização do real e pela redução nos preços de commodities, o IPCA segue acima da meta estipulada pelo Banco Central. Isso mantém as expectativas ancoradas na necessidade de juros elevados.

Analistas projetam que a inflação pode continuar cedendo ao longo de 2025, mas a ausência de reformas estruturais e o descontrole fiscal ainda pesam contra um movimento de cortes mais agressivo.


Quando a Selic pode cair?

O mercado aposta que eventuais cortes só devem ocorrer a partir do segundo trimestre de 2026, caso o governo consiga reverter a trajetória das contas públicas e o IPCA mantenha sua tendência de queda. A chave estará na condução fiscal e na confiança dos investidores em relação ao equilíbrio das finanças públicas.

Enquanto isso, a expectativa é de que a Selic permaneça em 15%, mantendo o Brasil entre os países com maior juro real do mundo.


Perspectivas futuras e cenário fiscal

Para que a política monetária comece a flexibilizar, será necessária uma combinação de fatores:

  • Cumprimento de metas fiscais;

  • Aprovação de reformas estruturais;

  • Redução consistente da inflação;

  • Estabilidade política e econômica.

Sem esses elementos, o Banco Central deve resistir às pressões políticas e de setores produtivos, mantendo a Selic em 15% como instrumento de contenção de riscos.

A decisão do Copom de manter a Selic em 15% consolida o Brasil como um dos países com maior juro real do mundo. Essa posição tem benefícios, como a atração de capital externo, mas traz sérios desafios internos, especialmente no consumo, nos investimentos e no custo da dívida pública.

Enquanto o cenário fiscal não for corrigido, a perspectiva é de manutenção dos juros em patamar elevado, prolongando os efeitos de desaquecimento econômico e restringindo a retomada do crescimento.

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