A Universidade de São Paulo (USP) alcançou, pela primeira vez, a faixa das 150 melhores universidades do mundo no Times Higher Education (THE) World University Rankings 2027, divulgado em 30 de setembro de 2026. A instituição aparece em 141º lugar, depois de ter ficado na faixa de 201º a 250º na edição anterior. O resultado recoloca o Brasil entre os paÃses com presença no grupo das 200 primeiras instituições do levantamento.
A evolução da USP ocorreu em um ranking que ampliou a participação global. A edição de 2027 reúne 2.297 universidades de 118 paÃses e territórios, ante 2.191 instituições no levantamento anterior. Mesmo nesse universo maior, a universidade paulista avançou dezenas de posições e passou a liderar a classificação da América Latina. O Brasil também foi o paÃs latino-americano com maior número de instituições incluÃdas, com 58 universidades.
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) também registrou seu melhor resultado no levantamento, avançando da faixa de 351º a 400º lugar em 2026 para 326º a 350º em 2027. Com isso, as duas universidades públicas paulistas ficaram nas primeiras posições entre as instituições brasileiras e entre as mais bem classificadas da América Latina. A mudança da faixa da Unicamp representa uma melhora de pelo menos 25 posições no limite superior da classificação em relação à edição anterior.
USP avança para uma nova faixa no ranking global
A trajetória da USP no THE ajuda a dimensionar o resultado. Na edição de 2026, a instituição estava no intervalo de 201º a 250º. Na nova classificação, passou para a posição conjunta 141, o que representa uma redução de pelo menos 60 posições no limite superior da faixa anterior e a entrada inédita no top 150 mundial. O próprio THE identifica a USP como a universidade mais bem classificada da América Latina na edição de 2027.
Há uma diferença em relação à informação reproduzida em parte do material de referência: a classificação oficial do THE e a publicação institucional da USP apontam 141º lugar, e não 144º. O dado utilizado nesta reportagem é, portanto, o resultado oficial de 141º, com empate registrado pelo ranking.
O avanço ocorre em uma universidade de grande escala. Dados do Anuário EstatÃstico da USP mostram que a instituição tinha 97.561 estudantes matriculados em graduação e pós-graduação com base nos números de 2024, além de 5.306 docentes e 12.610 servidores técnico-administrativos. No mesmo levantamento, foram registrados 15.429 trabalhos indexados na Web of Science.
A estrutura de pesquisa aparece como um componente relevante para interpretar o resultado, embora o ranking não possa ser reduzido a um único indicador. A metodologia do THE combina dados institucionais, pesquisa de reputação acadêmica e informações bibliométricas para avaliar diferentes dimensões das universidades. Entre os elementos considerados estão produção cientÃfica, impacto das publicações, ambiente de pesquisa, relação entre estudantes e docentes, internacionalização, geração de receitas com a indústria e patentes.
Ranking amplia presença brasileira, mas concentra liderança em São Paulo
O Brasil passou a ter 58 instituições classificadas na edição de 2027, número que também deve ser interpretado à luz da expansão do universo analisado. Em 2026, o ranking havia incluÃdo 2.191 universidades; em 2027, foram 2.297, uma diferença de 106 instituições.
A USP ocupa a primeira posição brasileira, seguida pela Unicamp. O avanço das duas instituições mantém a liderança concentrada no estado de São Paulo dentro da faixa superior da classificação. A trajetória recente da Unicamp reforça a consistência dessa presença. Antes da subida registrada agora, a universidade havia passado de 401º-500º para 351º-400º a partir da edição de 2024 e permaneceu nesse intervalo em 2025 e 2026.
A estrutura da Unicamp também ajuda a contextualizar seu desempenho. O Anuário EstatÃstico 2026, com dados referentes a 2025, registra 20.804 estudantes matriculados na graduação e 17.070 na pós-graduação. A universidade informa ainda 2.000 docentes, 7.607 servidores não docentes e orçamento de aproximadamente R$ 4,72 bilhões no conjunto dos recursos orçamentários apresentados pela Assessoria de Economia e Planejamento.
Na pesquisa cientÃfica, a própria Unicamp informa que sua produção resultou em quase 500 mil citações no perÃodo analisado, com média de 13,6 citações por publicação. Segundo os dados institucionais, 9,4% das publicações ficaram entre os 10% mais citados do mundo e 27,2% foram publicados nos 10% de periódicos cientÃficos de maior impacto internacional. Esses números são institucionais e não equivalem diretamente à pontuação obtida no THE, mas ajudam a dimensionar a base de pesquisa da universidade.
A combinação entre pesquisa, ensino e conexão com o setor produtivo também aparece no histórico recente da Unicamp no THE. Na edição de 2026, o pilar de indústria, que considera receitas provenientes da indústria e patentes, deu à universidade pontuação de 78,1, correspondente à 358ª posição mundial nesse indicador. O desempenho em ambiente de pesquisa foi associado à 151ª posição global e o de ensino à 120ª.
Cinco pilares determinam a classificação
O THE avalia as universidades em cinco grandes áreas: ensino, ambiente de pesquisa, qualidade da pesquisa, perspectiva internacional e indústria. Para a edição de 2027, a organização informa que utiliza 17 indicadores de desempenho distribuÃdos nesses cinco pilares. A mudança de 18 para 17 indicadores está associada à retirada de um indicador que anteriormente tinha peso zero.
Na avaliação, ensino mede aspectos do ambiente de aprendizagem; o ambiente de pesquisa considera volume, receitas e reputação da atividade cientÃfica; a qualidade da pesquisa incorpora impacto das citações, força, excelência e influência; a dimensão internacional considera estudantes, docentes e coautoria internacional; e o pilar indústria inclui receitas oriundas do setor produtivo e patentes.
O ranking também mudou sua forma de apresentação em 2027. Pela primeira vez, foram divulgadas posições individuais até o 300º lugar. A partir daÃ, aparecem faixas de classificação com intervalos menores e posteriormente maiores. Ao todo, são 18 faixas, que começam em 301º-325º e avançam até 2.001º ou mais.
A alteração na forma de apresentação torna a comparação anual mais detalhada nas posições imediatamente abaixo das 300 primeiras, mas também exige cautela na leitura de movimentos entre faixas. Uma universidade que passa de 351º-400º para 326º-350º, por exemplo, demonstra avanço dentro da tabela, mas não significa que sua colocação exata possa ser determinada sem a pontuação e a posição especÃfica utilizada internamente pelo ranking.
Oxford permanece no topo pelo 11º ano consecutivo
Na liderança global, a Universidade de Oxford, no Reino Unido, permaneceu em primeiro lugar pelo 11º ano seguido. O Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos, ficou em segundo. Princeton e Stanford aparecem empatadas em terceiro, enquanto a Universidade de Cambridge ocupa a quinta posição.
O resultado da edição de 2027 também evidencia mudanças na distribuição geográfica do ensino superior de alto desempenho. O THE aponta o avanço das universidades asiáticas, com destaque para a Universidade Tsinghua, da China, que passou ao 11º lugar, e para a National University of Singapore, que chegou à 15ª posição. Pela primeira vez, três universidades asiáticas ficaram entre as 15 primeiras colocadas.
O quadro global mostra, ao mesmo tempo, a forte presença de instituições dos Estados Unidos e do Reino Unido no topo. Sete universidades americanas aparecem entre as dez primeiras posições, enquanto Oxford, Cambridge e Imperial College London representam o Reino Unido nesse grupo.
Para o Brasil, o resultado da USP tem dimensão adicional porque interrompe a ausência do paÃs entre as 200 primeiras instituições. O THE registrou que a universidade havia caÃdo para a faixa de 201º-250º na edição anterior e voltou agora ao grupo superior, enquanto o paÃs manteve o maior número de universidades classificadas da América Latina, com 58 instituições.
A classificação, porém, representa uma fotografia baseada em indicadores e metodologia próprios do THE. Ela não constitui uma medida única de qualidade universitária e não substitui avaliações especÃficas de cursos, áreas de conhecimento, produção cientÃfica ou inserção regional. O próprio modelo do ranking combina dimensões distintas, de pesquisa e ensino a internacionalização, patentes e relacionamento com a indústria.
Para USP e Unicamp, o resultado de 2027 coloca as duas instituições em novas faixas de referência internacional. A USP alcançou pela primeira vez a posição conjunta 141, enquanto a Unicamp avançou para o intervalo de 326º a 350º. O movimento ocorre em um ranking que passou a reunir 2.297 universidades e consolida o Brasil, com 58 instituições classificadas, como o paÃs latino-americano com maior presença no levantamento.
Fontes:
Times Higher Education – World University Rankings 2027, resultados globais, posições, metodologia e número de instituições classificadas
Universidade de São Paulo – divulgação institucional do resultado da USP no THE World University Rankings 2027
USP – Anuário EstatÃstico 2026, indicadores de estudantes, docentes, produção cientÃfica e estrutura institucional
Unicamp – divulgação do desempenho histórico no Times Higher Education World University Rankings
Unicamp – Anuário EstatÃstico 2026, dados institucionais de ensino, pesquisa, orçamento e recursos humanos
Unicamp – indicadores institucionais de pesquisa e produção cientÃfica









