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Home Economia

Vendas no varejo sobem 0,5% em outubro, indica IBGE

por Redação
11/12/2025
em Destaque, Economia, News
Vendas No Varejo Sobem 0,5% Em Outubro, Indica Ibge - Gazeta Mercantil

Vendas no varejo crescem em outubro e reforçam trajetória moderada da economia brasileira

O desempenho do comércio brasileiro voltou a ganhar fôlego em outubro, segundo dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume de vendas no varejo registrou crescimento de 0,5% na passagem de setembro para outubro, consolidando um ritmo de expansão contínuo, ainda que moderado, no consumo das famílias. O avanço ocorre em um ambiente econômico marcado por juros elevados, renda pressionada e incertezas sobre o comportamento da atividade no último trimestre do ano.

Os números refletem a resiliência de segmentos estratégicos do comércio e apontam para uma possível estabilização do consumo, mesmo diante da desaceleração de alguns grupos importantes. Ainda assim, o setor reforça sinais de heterogeneidade, com desempenho robusto em móveis e eletrodomésticos, recuperação tímida de hiper e supermercados e queda mais intensa no comércio de vestuário.

Ao mesmo tempo, os resultados mostram que, apesar das pressões, os consumidores seguem encontrando espaços para recompor compras represadas. Esse comportamento, somado à desaceleração gradual da inflação ao longo de 2025, ajuda a sustentar a evolução das vendas no varejo, ainda que sem impulsos mais fortes capazes de acelerar o ritmo da atividade econômica no curto prazo.

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Crescimento moderado, mas consistente

De acordo com o IBGE, o crescimento de 0,5% das vendas no varejo em outubro foi acompanhado de um leve avanço de 0,1% na média móvel trimestral, sinal de estabilidade no comportamento recente do setor. Na comparação com outubro de 2024, houve aumento de 1,1%, reforçando a tendência de recuperação gradualmente construída ao longo de 2025.

No acumulado de janeiro a outubro, o varejo registra alta de 1,5%. Em 12 meses, o crescimento é de 1,7%, evidenciando que, apesar das oscilações mensais, a trajetória geral permanece positiva.

O conjunto dos dados indica que, embora o varejo ainda não tenha rompido barreiras estruturais para um crescimento mais acelerado, seu desempenho segue cumprindo papel relevante em sustentar a atividade econômica em um ano marcado por desafios fiscais, inflação persistente nos serviços e juros em patamar restritivo.

Varejo ampliado mostra quadro mais disperso

Ao incluir veículos, motos e materiais de construção, o chamado varejo ampliado apresentou alta de 1,1% em outubro, com média móvel trimestral de 0,7%. Apesar disso, o segmento ainda enfrenta dificuldades quando observado em horizontes mais amplos: na comparação com outubro de 2024, houve queda de 0,3%, e o acumulado de 2025 também é negativo, com retração de 0,3%.

Esse comportamento evidencia os impactos de um ambiente de crédito ainda caro e seletivo, que afeta sobretudo compras de maior valor. No caso de materiais de construção, a recuperação mais forte esperada para a segunda metade do ano acabou sendo limitada por incertezas no mercado imobiliário e pela desaceleração do investimento privado.

Móveis e eletrodomésticos seguem como destaque positivo

Entre os segmentos que compõem as vendas no varejo, o desempenho mais expressivo veio do setor de móveis e eletrodomésticos. O grupo cresceu 3,5% em outubro em relação ao mesmo mês do ano anterior, consolidando sua quarta alta consecutiva e contribuindo com 0,2 ponto percentual para a taxa geral.

O avanço está alinhado à melhora pontual do crédito parcelado e à maior disposição de consumidores em realizar compras de bens duráveis, especialmente nos meses que antecedem promoções de fim de ano. O segmento acumula alta de 4,1% no ano e de 4,2% em 12 meses, marcando um ciclo sólido que se prolonga por 28 meses consecutivos.

Esse desempenho mostra que, sempre que há algum alívio no custo financeiro ou reposição programada, o consumidor reage, indicando que a demanda reprimida segue viva, ainda que restrita pelo peso das condições macroeconômicas.

Hiper e supermercados mostram retomada após dois meses de queda

Outro segmento relevante das vendas no varejo é o de hiper e supermercados, cuja participação no índice geral é uma das maiores. Em outubro, o grupo registrou alta de 0,3% na comparação anual, contribuindo igualmente com 0,2 ponto percentual para o resultado consolidado.

Após dois meses de desempenho negativo, o setor retomou o campo positivo, acompanhando a desaceleração de preços de alimentos em comparação aos picos inflacionários observados no início de 2025. Ainda assim, o ritmo é modesto: no acumulado do ano, o segmento cresce 0,8%, e em 12 meses, 1%.

Mesmo sem resultados mais expressivos, a estabilização é importante. Hiper e supermercados funcionam como termômetro da renda disponível das famílias, e sua retomada, embora tímida, indica que os consumidores começam a sentir algum alívio na inflação dos itens básicos.

Tecidos, vestuário e calçados registram queda mais forte

Na outra ponta, o setor de tecidos, vestuário e calçados apresentou retração de 3,3% em outubro frente ao mesmo mês do ano anterior. A queda, que sucede outro recuo observado em setembro, retirou 0,2 ponto percentual da taxa geral e mostra uma perda de fôlego mais acentuada.

Pressionado pela concorrência internacional, principalmente de produtos importados de baixo custo, pela diminuição do ritmo de consumo discricionário e pelo encarecimento do crédito rotativo, o segmento enfrenta um cenário desafiador.

Ainda assim, o acumulado do ano mostra crescimento de 2,6%, embora em desaceleração constante desde junho. Em 12 meses, o avanço caiu de 4,5% para 3,2% entre agosto e outubro.

O setor deve encerrar o ano com desempenho mais fraco, compensado parcialmente pelas promoções típicas do período de festas.

Fatores estruturais influenciam o comportamento das vendas

O resultado de outubro revela que as vendas no varejo avançam em um ambiente que combina fatores positivos e negativos. Entre os elementos que ajudam a sustentar o setor estão:

  • a inflação mais baixa em alimentos e alguns bens industriais;

  • a massa de renda ampliada pelo reajuste salarial em determinados setores;

  • a recomposição parcial da confiança do consumidor.

Por outro lado, pesam sobre o varejo:

  • a taxa Selic em 15% ao ano, que restringe o crédito;

  • o endividamento elevado das famílias;

  • a pressão dos preços de serviços, que reduz a margem de consumo em outros segmentos;

  • a incerteza sobre o ritmo da atividade econômica em 2026.

É nesse equilíbrio delicado que se dá a evolução das vendas no varejo, com oscilações mensais que refletem tanto choques conjunturais quanto limitações estruturais do consumo.

Perspectivas para os próximos meses

O último bimestre do ano costuma ser influenciado por fatores sazonais, como pagamento do 13º salário, promoções de fim de ano e maior circulação de consumidores no comércio. Esse conjunto de estímulos costuma impulsionar as vendas no varejo, embora o resultado final dependa de como as famílias planejam seus gastos diante de um cenário de juros altos.

Economistas avaliam que o varejo deve encerrar 2025 com crescimento moderado, próximo ao registrado até outubro. Para 2026, a expectativa é de desaceleração, especialmente se o mercado de trabalho não mantiver o ritmo observado este ano ou se houver piora nas condições de crédito.

O desenrolar das negociações fiscais, a evolução da confiança empresarial e a trajetória de preços de alimentos serão determinantes para o início do próximo ciclo.

Uma fotografia de um setor resistente, mas atento aos riscos

O panorama de outubro oferece uma fotografia clara: o varejo avança, mas com passos curtos. Não há sinais de retração generalizada, mas também não há impulso suficiente para uma aceleração expressiva. As vendas no varejo seguem sustentadas por segmentos específicos e pela capacidade das famílias de reorganizar seus gastos diante de um cenário econômico ainda desafiador.

A resiliência do setor até aqui mostra que a economia brasileira segue encontrando pontos de estabilidade, mesmo sob pressões constantes. As próximas leituras devem confirmar se essa tendência é robusta o suficiente para atravessar 2026 de forma equilibrada.

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