A nova sondagem prevê 2.100 entrevistas presenciais com eleitores de diferentes regiões do país, realizadas entre terça-feira (20) e quinta-feira (22). A margem de erro informada é de 2,15 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está identificado pelo registro BR-03259/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e tem divulgação programada para a reta final da campanha presidencial.
A publicação ocorrerá em um momento decisivo da disputa, marcada pela proximidade entre os candidatos nas pesquisas e pela necessidade de conquistar eleitores que ainda podem modificar sua escolha. Como o trabalho de campo ainda está em andamento nesta quarta-feira (21), não existem resultados definitivos da nova rodada disponíveis para divulgação. Os percentuais conhecidos até agora pertencem a levantamentos anteriores e não podem ser apresentados como indicação antecipada do resultado da pesquisa de sexta-feira.
O calendário eleitoral estabelece que os brasileiros retornarão às urnas em 25 de outubro para escolher o próximo presidente da República. A votação será realizada das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. A divulgação da Vox Brasil ocorrerá aproximadamente 48 horas antes da abertura das urnas, oferecendo uma das últimas medições nacionais da preferência dos eleitores antes da decisão.
Lula teve 51% e Flávio Bolsonaro 49% na pesquisa anterior
O levantamento da Vox Brasil divulgado no domingo (18) apresentou Lula com 51% das intenções de voto válidas, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 49%. A diferença nominal de dois pontos percentuais colocou o presidente à frente no resultado central da pesquisa, mas não foi suficiente para estabelecer uma vantagem estatisticamente conclusiva. A margem de erro informada pelo instituto era de 2,15 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Nos votos totais, que incluem também as respostas de eleitores que pretendem votar em branco, anular ou ainda não decidiram, Lula registrou 46,4%, contra 44,6% de Flávio. A distância entre os dois candidatos foi de 1,8 ponto percentual nessa modalidade de apresentação. Outros 5% declararam intenção de votar em branco, anular ou não escolher nenhum dos concorrentes, enquanto aproximadamente 3,9% não souberam responder.
A diferença entre votos totais e válidos é fundamental para interpretar corretamente os resultados. Nos votos válidos, são desconsideradas as respostas de branco e nulo, e os percentuais dos candidatos são recalculados sobre as preferências efetivamente atribuídas a cada um. Esse procedimento permite uma comparação com o critério utilizado pela Justiça Eleitoral para definir o vencedor, embora pesquisas e apuração oficial constituam processos diferentes.
No caso da pesquisa de 18 de outubro, a soma das intenções de voto totais atribuídas aos dois candidatos chegou a 91%. Ao dividir a participação individual de cada concorrente por essa soma, obtêm-se aproximadamente 51% para Lula e 49% para Flávio. O cálculo demonstra que os percentuais válidos não representam uma segunda pesquisa, mas uma forma de apresentar os mesmos dados, desconsiderando as demais respostas.
O levantamento anterior ouviu 2.100 eleitores entre 15 e 17 de outubro, mediante entrevistas presenciais. A pesquisa foi custeada pelo próprio instituto e informada sob o registro BR-04332/2026. As condições metodológicas ajudam a estabelecer uma referência para a comparação com a rodada que será divulgada na sexta-feira, desde que sejam consideradas eventuais diferenças no plano amostral e na composição das respostas.
Pesquisa poderá mostrar se houve mudança nas intenções de voto
A principal questão da nova rodada será verificar se a pequena vantagem numérica registrada por Lula no levantamento anterior foi mantida, ampliada ou revertida. O resultado também permitirá observar o comportamento dos votos brancos, nulos e das respostas de indecisão. Essas informações são relevantes porque diferenças reduzidas entre os candidatos podem ser influenciadas por pequenas alterações no comportamento dos entrevistados.
Uma mudança de um ou dois pontos percentuais entre duas pesquisas não comprova, isoladamente, uma transferência efetiva de eleitores. Oscilações desse tamanho podem decorrer das variações amostrais próprias de levantamentos de opinião. Para avaliar tendências, é necessário considerar a margem de erro, os intervalos de coleta, a metodologia empregada e a consistência dos resultados ao longo de várias medições.
A proximidade entre Lula e Flávio também exige cautela com a interpretação de uma eventual inversão de posições. Se um candidato aparecer com 51% e o outro com 49%, a liderança numérica não significa necessariamente que o primeiro seja favorito estatístico. O mesmo cuidado deverá ser aplicado caso os percentuais se invertam na pesquisa de sexta-feira.
A margem de erro de 2,15 pontos percentuais é uma estimativa associada à metodologia e ao nível de confiança declarado. Ela não deve ser confundida com a diferença entre os candidatos nem utilizada como uma garantia de que o resultado real da eleição ficará dentro de uma faixa específica. O intervalo de confiança de 95% descreve uma propriedade estatística do procedimento de amostragem, não uma probabilidade de vitória de determinado concorrente.
A realização de entrevistas presenciais também constitui uma característica relevante da Vox Brasil. Nesse formato, os pesquisadores coletam informações diretamente dos entrevistados, conforme o plano amostral do estudo. A qualidade da estimativa depende, entre outros elementos, da seleção das pessoas, da distribuição geográfica da amostra, dos critérios de ponderação e do controle do trabalho de campo.
O TSE exige que as empresas responsáveis por pesquisas eleitorais registrem informações sobre metodologia, período de realização, contratantes, financiamento, plano amostral e profissional de estatística responsável. A regulamentação também estabelece a disponibilização de documentos que permitem a fiscalização das pesquisas. O registro, entretanto, não representa aprovação prévia dos resultados nem certificação de sua precisão pela Justiça Eleitoral.
Primeiro turno terminou com vantagem de 2,2 milhões de votos para Flávio
O equilíbrio registrado nas sondagens contrasta com a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Segundo os dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o senador recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos. Lula ficou em segundo lugar, com 53.876.617 votos, ou 45,16%.
A diferença entre os dois candidatos foi de 2.227.651 votos, correspondente a 1,87 ponto percentual na participação sobre os votos válidos. Nenhum deles alcançou a maioria absoluta necessária para encerrar a eleição na primeira etapa. O resultado levou à realização do segundo turno, em que apenas os dois mais votados disputam a Presidência.
O primeiro turno registrou 125.272.513 votos válidos, além de 2.300.781 votos em branco e 3.674.149 votos nulos, conforme a totalização apresentada pelo TSE. Esses números mostram a dimensão do eleitorado que participou da escolha presidencial e ajudam a contextualizar a importância de pequenas diferenças percentuais em uma disputa nacional.
Uma diferença de um ponto percentual, se aplicada hipoteticamente ao universo de votos válidos registrado na primeira etapa, corresponderia a aproximadamente 1,25 milhão de votos. Esse cálculo serve apenas como referência de escala, pois a quantidade de votos válidos do segundo turno ainda não é conhecida. A participação eleitoral, a abstenção e a distribuição das preferências poderão apresentar alterações entre as duas votações.
O cenário também envolve a redistribuição dos votos concedidos aos candidatos eliminados no primeiro turno. Como Lula e Flávio passam a ser as únicas alternativas de escolha válida para presidente, eleitores que anteriormente apoiaram outros nomes precisarão decidir entre os dois concorrentes, votar em branco, anular ou deixar de comparecer. O comportamento desse grupo pode influenciar o resultado final, sobretudo em uma eleição com diferenças reduzidas.
A comparação direta entre o primeiro turno e as pesquisas posteriores deve ser feita com cuidado. A votação de 4 de outubro constitui um resultado oficial, enquanto as sondagens seguintes estimam a preferência de uma amostra de eleitores em outro momento da campanha. Não é correto interpretar a diferença entre esses indicadores como uma transferência comprovada de votos de um candidato para outro.
Últimos dias de campanha concentram novas pesquisas
A divulgação da Vox Brasil na sexta-feira ocorrerá em meio à sequência de levantamentos nacionais programados para os dias que antecedem o segundo turno. A intensificação das pesquisas permite acompanhar o comportamento das intenções de voto, mas também aumenta o risco de interpretações precipitadas quando resultados de institutos diferentes são apresentados sem considerar suas metodologias.
Cada empresa pode utilizar procedimentos distintos de seleção dos entrevistados, coleta de informações e ponderação estatística. Há levantamentos presenciais, telefônicos e digitais, com diferenças no tamanho das amostras e nos períodos de realização. Por essa razão, variações entre pesquisas de institutos diferentes não devem ser tratadas automaticamente como mudanças efetivas no eleitorado.
A comparação entre rodadas sucessivas de uma mesma empresa tende a oferecer uma referência mais consistente para acompanhar a evolução dos indicadores, desde que o desenho metodológico permaneça comparável. Mesmo assim, uma sequência de oscilações dentro da margem de erro não necessariamente caracteriza uma tendência estatisticamente demonstrada. A leitura precisa considerar o conjunto das informações disponíveis.
No caso da Vox Brasil, a rodada de 23 de outubro será particularmente relevante para verificar o comportamento dos percentuais registrados cinco dias antes. O intervalo relativamente curto entre as divulgações permitirá observar se a pequena vantagem numérica apresentada por Lula se mantém ou se o levantamento passa a indicar Flávio à frente. Em qualquer hipótese, a interpretação dependerá da dimensão da diferença e das incertezas associadas à estimativa.
A pesquisa também poderá indicar a evolução do contingente de eleitores sem preferência definida. Embora os dois candidatos concentrem a maior parte das respostas, a presença de votos brancos, nulos e indecisos nos levantamentos anteriores demonstra que nem todos os entrevistados manifestaram apoio a um dos concorrentes. A forma como esses grupos se distribuirão na votação efetiva constitui uma das variáveis relevantes para o resultado de domingo.
Divulgação ocorrerá dois dias antes da eleição presidencial
O segundo turno está marcado para domingo, 25 de outubro, quando os eleitores escolherão entre Lula e Flávio Bolsonaro. A definição ocorrerá pelo sistema majoritário, no qual será eleito o candidato que conquistar mais da metade dos votos válidos. Os votos em branco e nulos não integram essa contagem e não são transferidos a nenhum dos concorrentes.
A pesquisa de sexta-feira será divulgada em um momento em que a campanha estará praticamente encerrada e os candidatos concentrarão seus esforços nas últimas atividades públicas. O levantamento poderá oferecer uma fotografia atualizada das preferências declaradas pelos entrevistados até quinta-feira, mas não será uma antecipação oficial do resultado das urnas.
A diferença entre os conceitos é essencial. Pesquisas estimam opiniões em um determinado período e estão sujeitas a incertezas estatísticas, enquanto a votação registra escolhas efetivamente realizadas pelos eleitores. Além disso, a decisão individual pode mudar depois da entrevista, e o comparecimento às urnas também influencia o resultado.
Até a divulgação do novo levantamento, a referência mais recente da Vox Brasil permanece sendo a rodada de 18 de outubro, com Lula numericamente à frente por dois pontos percentuais nos votos válidos, em situação de empate técnico. Os resultados previstos para sexta-feira permitirão uma nova avaliação desse equilíbrio. A definição de quem governará o país a partir de 2027, entretanto, dependerá exclusivamente da votação e da apuração oficial de domingo.
Fontes:
Tribunal Superior Eleitoral — Resultado oficial do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, divulgado em 5 de outubro, com votação de Lula e Flávio Bolsonaro.
Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.600/2019, atualizada pela Resolução nº 23.747/2026, sobre registro, metodologia e divulgação de pesquisas eleitorais.
Tribunal Superior Eleitoral — Calendário eleitoral de 2026, com as regras e datas do segundo turno presidencial.
Tribunal Superior Eleitoral — Glossário Eleitoral Brasileiro e orientações institucionais sobre votos válidos, votos brancos e votos nulos.









