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EWZ avança após corte da Selic, mas Fed e dólar a R$ 5 limitam recuperação

por Camila Braga - Repórter de Economia
29/04/2026 às 20h42 - Atualizado em 14/05/2026 às 16h55
em Economia, Destaque, Notícias
Ewz Avança Após Corte Da Selic, Mas Fed E Dólar A R$ 5 Limitam Recuperação - Gazeta Mercantil

Reprodução

O EWZ avançou no after-market desta quarta-feira (29) após o Comitê de Política Monetária (Copom) cortar a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano, em uma reação pontual de investidores estrangeiros à continuidade do ciclo de queda dos juros no Brasil. O movimento ocorreu depois de um pregão regular negativo para os ativos brasileiros, marcado por queda do Ibovespa (IBOV), alta do dólar à vista para R$ 5,0018 e cautela global após a decisão de juros do Federal Reserve nos Estados Unidos.

Às 19h10, no horário de Brasília, o EWZ subia 0,39%, a US$ 38,80, nas negociações posteriores ao fechamento regular. Antes disso, o fundo havia encerrado o pregão principal em baixa de 2,62%, a US$ 36,65, acompanhando a aversão ao risco nos mercados internacionais.

O EWZ, sigla do iShares MSCI Brazil, é um fundo de índice negociado na Bolsa de Nova York (NYSE) que replica o desempenho de ações brasileiras. Por ser operado no mercado americano, o ETF funciona como um termômetro externo do apetite de investidores globais por Brasil, especialmente em dias em que decisões relevantes ocorrem após o fechamento da B3.

A alta no after-market veio após o Banco Central confirmar o segundo corte consecutivo da Selic, em linha com as expectativas do mercado. Ainda assim, o comunicado do Copom manteve tom cauteloso ao citar inflação elevada, expectativas desancoradas, pressões no mercado de trabalho e incertezas externas ligadas ao conflito no Oriente Médio. A reação do EWZ, portanto, indicou alívio moderado, não uma mudança definitiva de tendência.

EWZ reage ao corte da Selic após queda no pregão regular

A reação do EWZ no after-market mostrou que parte do mercado externo recebeu de forma positiva a redução da Selic para 14,50% ao ano. Juros menores tendem a favorecer ativos de risco, porque reduzem o custo de capital das empresas e diminuem a atratividade relativa da renda fixa ao longo do tempo.

No entanto, a alta foi limitada. O avanço de 0,39% ocorreu após uma queda de 2,62% no pregão regular, o que reforça que o ETF ainda carregava perdas relevantes no dia. O corte da Selic ajudou a compensar parte da pressão, mas não eliminou a cautela provocada pelo cenário externo.

A decisão do Copom era amplamente esperada. Por isso, o principal ponto de atenção não foi apenas o corte em si, mas o comunicado divulgado pelo Banco Central. O texto indicou que a autoridade monetária vê espaço para reduzir juros, mas continua preocupada com a convergência da inflação para a meta.

Para o EWZ, esse detalhe é decisivo. O fundo pode se beneficiar de um ciclo de queda da Selic, mas apenas se investidores acreditarem que o Banco Central está preservando credibilidade no combate à inflação. Caso contrário, o real pode se desvalorizar, o que reduz o retorno em dólar de aplicações no Brasil.

Ibovespa fecha em queda antes da decisão do Copom

Enquanto o EWZ avançou após o fechamento, o Ibovespa (IBOV) encerrou o pregão regular em queda de 2,05%, aos 184.750,42 pontos. A decisão do Copom saiu depois do encerramento das negociações na B3, o que impediu uma reação imediata do principal índice da bolsa brasileira.

A diferença de horário ajuda a explicar a divergência entre os dois ativos. O Ibovespa (IBOV) refletiu a piora do ambiente global durante o pregão. Já o EWZ, por continuar sendo negociado no mercado americano após o fechamento regular, conseguiu incorporar a decisão de juros no Brasil.

A queda da bolsa brasileira ocorreu em um dia de pressão ampla sobre mercados emergentes. Juros nos Estados Unidos, dólar forte, tensão geopolítica e volatilidade do petróleo elevaram a aversão ao risco. A decisão do Federal Reserve também pesou no humor dos investidores.

Esse quadro mostra que o movimento do EWZ deve ser lido com cautela. O ETF sinalizou uma resposta inicial positiva ao corte da Selic, mas o mercado brasileiro ainda precisará testar essa reação no pregão seguinte, especialmente diante da pressão externa.

Selic a 14,50% reduz juros, mas mantém política monetária restritiva

O Copom reduziu a Selic para 14,50% ao ano e deu continuidade ao processo de flexibilização monetária. O corte de 0,25 ponto percentual manteve o ritmo gradual adotado pelo Banco Central e confirmou a expectativa majoritária de analistas.

No comunicado, o Banco Central afirmou que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para perto da meta ao longo do horizonte relevante. Também destacou que o corte contribui para suavizar flutuações da atividade econômica e fomentar o pleno emprego, sem abandonar o objetivo principal de estabilidade de preços.

Para o EWZ, a Selic menor tem leitura positiva porque pode melhorar a precificação das empresas brasileiras. Juros mais baixos reduzem o custo de financiamento, aliviam despesas financeiras e podem favorecer setores ligados a consumo, crédito, construção, varejo e empresas endividadas.

Ainda assim, a taxa de 14,50% ao ano permanece elevada. O Brasil continua em ambiente de juros restritivos, o que limita uma recuperação mais forte da renda variável. A queda do EWZ no pregão regular mostrou que investidores ainda exigem cautela antes de aumentar exposição a ativos brasileiros.

Comunicado do Copom impede leitura de alívio amplo

O avanço do EWZ após a decisão não significa que o comunicado do Banco Central tenha sido totalmente favorável ao mercado. O Copom manteve alertas relevantes sobre a inflação e deixou claro que o cenário segue desafiador.

A autoridade monetária citou expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas e pressões no mercado de trabalho. Esses elementos indicam que o Banco Central não deve acelerar cortes na Selic sem melhora consistente dos indicadores.

O comunicado também mencionou que os dados de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mas permanecem compatíveis com desaceleração no acumulado de 2026. Esse diagnóstico reforça uma leitura ambígua: a economia mostra algum fôlego, mas ainda opera sob restrição monetária e risco inflacionário.

Para o EWZ, a mensagem limita uma leitura mais agressiva de compra. O mercado pode reagir positivamente ao corte, mas continuará monitorando se há espaço para novas reduções. A ata do Copom será decisiva para calibrar essa expectativa.

Fed mantém juros nos EUA e aumenta incerteza global

O movimento do EWZ também foi influenciado pela decisão do Federal Reserve. O Comitê Federal de Mercado Aberto manteve os juros dos Estados Unidos na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela terceira reunião consecutiva, em linha com o esperado.

A decisão, no entanto, veio acompanhada de divergências relevantes. Stephen Miran votou por um corte de 0,25 ponto percentual. Outros integrantes, como Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan, apoiaram a manutenção da taxa, mas sem sinalização de flexibilização monetária. A divisão foi interpretada como sinal de incerteza sobre o ritmo futuro da política monetária americana.

Para mercados emergentes, essa leitura é sensível. Juros americanos elevados tornam os títulos dos Estados Unidos mais atraentes e reduzem o incentivo para assumir risco em países como o Brasil. Esse fator pressionou o EWZ durante o pregão regular e continuou como obstáculo para uma recuperação mais consistente.

O Federal Reserve também afirmou que continuará monitorando novas informações e poderá ajustar a política monetária caso surjam riscos ao cumprimento de seus objetivos. Essa comunicação preserva incerteza sobre os próximos passos e mantém investidores atentos aos dados de inflação e atividade nos Estados Unidos.

Dólar a R$ 5 pesa sobre retorno de investidores estrangeiros

O dólar à vista fechou a R$ 5,0018, em alta de 0,39%, acompanhando o fortalecimento global da moeda americana. Esse movimento tem impacto direto sobre o EWZ, já que o ETF é negociado em dólar e reflete a percepção de investidores estrangeiros sobre ativos brasileiros.

Quando o real se desvaloriza, o retorno de ações brasileiras em moeda estrangeira pode ser reduzido. Mesmo que determinados papéis avancem na B3, a alta do dólar pode corroer parte do ganho para quem investe a partir do exterior. Por isso, câmbio e bolsa caminham juntos na análise do EWZ.

A moeda americana acima de R$ 5 também aumenta a preocupação com inflação no Brasil. Um dólar mais caro encarece produtos importados, combustíveis, insumos industriais e componentes de cadeias produtivas. Se essa pressão persistir, o Banco Central pode ter menos espaço para cortar a Selic.

Esse é um dos principais limites para a recuperação do EWZ. A Selic menor ajuda ativos de risco, mas um câmbio pressionado pode neutralizar parte do efeito positivo ao elevar inflação e reduzir o apetite externo por Brasil.

ETF brasileiro em Nova York vira termômetro após decisões de juros

O EWZ costuma reagir rapidamente a decisões de política monetária, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Por ser negociado em Nova York, o fundo incorpora a visão de investidores globais sobre o risco brasileiro, muitas vezes antes da abertura da B3 no dia seguinte.

Em sessões como a desta quarta-feira, essa característica fica mais evidente. A decisão do Copom saiu depois do fechamento da bolsa brasileira, mas enquanto o mercado americano ainda permitia negociação no after-market. Por isso, o EWZ funcionou como primeira leitura externa sobre o corte da Selic.

A composição do ETF também explica sua sensibilidade. O fundo reúne ações brasileiras de grande liquidez e exposição a setores como bancos, commodities, energia, mineração e consumo. Esses segmentos respondem diretamente a juros, câmbio, petróleo, minério de ferro, fluxo estrangeiro e decisões de bancos centrais.

A alta moderada do EWZ indicou que investidores viram algum alívio no corte da Selic, mas não ignoraram os riscos. O movimento foi positivo, porém insuficiente para compensar a queda do pregão regular.

Ativos brasileiros seguem divididos entre Selic menor e exterior adverso

O comportamento do EWZ resume a leitura atual sobre o Brasil: há um fator doméstico favorável, mas um cenário externo ainda adverso. A Selic menor pode beneficiar ações brasileiras, mas juros altos nos Estados Unidos, dólar forte e tensão geopolítica limitam o potencial de recuperação.

Esse equilíbrio será decisivo nos próximos pregões. Se o mercado interpretar que o Banco Central continuará cortando juros de forma responsável, o EWZ pode ganhar sustentação. Se a inflação brasileira piorar ou se o dólar permanecer pressionado, o alívio pode desaparecer rapidamente.

A decisão do Fed adiciona outro elemento de incerteza. Enquanto os juros americanos permanecerem elevados, ativos emergentes continuarão competindo com títulos dos Estados Unidos. Isso reduz o espaço para entrada consistente de capital estrangeiro em mercados como o Brasil.

O conflito no Oriente Médio também permanece no radar. O Banco Central citou incertezas sobre duração, extensão e desdobramentos do conflito. Caso o petróleo suba com força, a inflação global pode voltar a pressionar bancos centrais, inclusive o brasileiro.

Mercado aguarda ata do Copom e reação da B3

A próxima etapa para o EWZ será a leitura da ata do Copom e a reação da bolsa brasileira no pregão seguinte. Como o Ibovespa (IBOV) fechou antes da decisão, investidores locais ainda terão de precificar a Selic a 14,50% ao ano.

A ata poderá esclarecer o grau de preocupação do Banco Central com inflação, câmbio, mercado de trabalho e cenário externo. Também poderá indicar se novos cortes estão no radar ou se o Copom pretende manter postura mais dependente dos dados.

Para o EWZ, uma ata considerada equilibrada pode sustentar a recuperação. Uma comunicação mais dura pode limitar ganhos, ao sugerir que o ciclo de queda será lento. Já uma mensagem vista como excessivamente branda pode pressionar o câmbio e gerar efeito negativo sobre ativos brasileiros.

A reação do dólar será igualmente importante. Se a moeda americana perder força, o ETF pode se beneficiar. Se o dólar continuar acima de R$ 5, o mercado pode manter postura defensiva.

Selic ajuda, mas risco global ainda define o ritmo do EWZ

A alta do EWZ após o corte da Selic mostrou uma reação inicial favorável à decisão do Banco Central, mas não eliminou os sinais de cautela. O ETF avançou no after-market depois de cair no pregão regular, refletindo uma tentativa de recuperação em meio a um cenário ainda instável.

O corte da Selic para 14,50% ao ano é positivo para ativos brasileiros porque reduz gradualmente o custo de capital e pode favorecer a renda variável. No entanto, a taxa permanece alta, o comunicado do Copom manteve alertas sobre inflação e o ambiente externo segue pressionado pelo Fed e pelo dólar.

Nos próximos dias, o EWZ dependerá da combinação entre três fatores: a interpretação da ata do Copom, o comportamento do dólar e a leitura do mercado sobre os juros nos Estados Unidos. A Selic menor abre espaço para algum alívio, mas a recuperação dos ativos brasileiros ainda depende de um cenário global menos defensivo.

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