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Agenda econômica tem ata do Copom, PMIs dos EUA e Jolts nesta terça

por Álvaro Lima - Repórter de Economia
05/05/2026 às 09h00 - Atualizado em 14/05/2026 às 16h56
em Economia, Destaque, Notícias
Agenda Econômica - Gazeta Mercantil

A agenda econômica desta terça-feira, 5 de maio de 2026, concentra indicadores e eventos com potencial para influenciar juros, câmbio, Bolsa, renda fixa e expectativas sobre a atividade no Brasil e no exterior. O principal destaque doméstico é a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, do Banco Central, após a decisão que reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano.

O documento será lido com atenção por bancos, gestoras, empresas, economistas e investidores porque pode indicar a avaliação do Banco Central sobre inflação, atividade econômica, cenário fiscal, câmbio e ambiente internacional. Em um momento de incerteza sobre o ritmo de cortes da Selic, a ata do Copom ganha peso adicional na formação de preços dos ativos brasileiros.

No exterior, a agenda econômica traz uma sequência relevante de indicadores dos Estados Unidos. Os mercados acompanham os PMIs de serviços e composto, a pesquisa Jolts de abertura de vagas, a balança comercial norte-americana, dados do setor imobiliário e discursos de dirigentes do Federal Reserve. Esses dados podem alterar expectativas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos, com reflexos diretos sobre o dólar global e os mercados emergentes.

A terça-feira também reúne leilões do Tesouro Nacional, rolagem de swap cambial pelo Banco Central, indicadores de confiança no Brasil, compromissos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, votações no Congresso Nacional e agendas de autoridades monetárias. Com tantos eventos concentrados, a agenda econômica tende a orientar o comportamento dos mercados ao longo da sessão.

Ata do Copom é o principal evento da agenda econômica no Brasil

O Banco Central divulga às 8h a ata da última reunião do Copom, encerrada na quarta-feira anterior. O comitê decidiu reduzir a taxa Selic para 14,25% ao ano, movimento que colocou o mercado em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária.

A ata deve explicar os argumentos que sustentaram a decisão e detalhar como o Banco Central avalia o balanço de riscos para a inflação. O mercado espera indicações sobre a possibilidade de continuidade do ciclo de cortes, o grau de cautela da autoridade monetária e a influência do ambiente externo sobre a condução dos juros.

A agenda econômica ganha relevância porque a comunicação do Copom pode afetar diretamente a curva de juros futuros. Um tom mais conservador tende a pressionar contratos de DI, elevar prêmios de risco e reduzir o apetite por ativos mais sensíveis à atividade. Um documento mais favorável à continuidade dos cortes pode beneficiar setores dependentes de crédito, consumo e investimento.

A leitura da ata também será importante para o câmbio. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos segue como um dos fatores de sustentação do real. Se o Banco Central sinalizar pressa em reduzir a Selic, o mercado pode reavaliar o prêmio exigido para manter posições em ativos brasileiros.

Selic em 14,25% mantém dúvidas sobre o ritmo dos juros

A decisão de reduzir a Selic para 14,25% ao ano não encerrou o debate sobre a política monetária. Ao contrário, aumentou a atenção sobre a agenda econômica, porque investidores querem entender se o corte representa continuidade de um ciclo ou se o Banco Central adotará postura mais gradual nas próximas reuniões.

O cenário ainda combina sinais contraditórios. Parte dos indicadores de inflação mostra acomodação, mas preços de serviços, expectativas, câmbio e incertezas fiscais seguem no radar. O Banco Central precisa equilibrar a necessidade de aliviar o custo do crédito com o compromisso de manter a inflação em trajetória compatível com a meta.

Para empresas, a trajetória da Selic influencia financiamento, capital de giro, investimentos, fusões, aquisições e consumo. Para famílias, afeta crédito imobiliário, empréstimos, cartão, financiamento de veículos e renegociação de dívidas. Para o governo, juros menores aliviam parcialmente o custo da dívida pública, mas dependem de credibilidade fiscal.

Por isso, a agenda econômica desta terça-feira será determinante para a leitura sobre o tom do Banco Central. O mercado buscará expressões que indiquem preocupação com inflação, prudência fiscal, deterioração de expectativas ou dependência dos dados futuros.

FGV mede confiança de empresas e consumidores

A Fundação Getúlio Vargas publica às 8h a Síntese das Sondagens de abril, relatório do Instituto Brasileiro de Economia da FGV que consolida indicadores de confiança de empresas e consumidores. O dado integra a agenda econômica porque ajuda a medir o humor de agentes econômicos em relação à atividade, emprego, renda, investimentos e consumo.

Na leitura anterior, a confiança empresarial e a confiança dos consumidores seguiram caminhos opostos. Esse movimento é relevante porque pode indicar divergência entre a disposição das empresas para investir e a capacidade das famílias de ampliar gastos.

Sondagens de confiança funcionam como indicadores antecedentes. Quando empresários estão mais confiantes, tendem a contratar, investir e ampliar produção. Quando consumidores demonstram maior otimismo, o comércio e os serviços podem ganhar tração. Por outro lado, perda de confiança pode antecipar desaceleração da atividade.

A agenda econômica brasileira depende desses sinais para avaliar se a redução dos juros já começa a produzir efeitos sobre o sentimento econômico ou se a cautela ainda predomina entre empresas e famílias.

Confiança do comércio mostra força do consumo

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo divulga às 10h o Índice de Confiança do Empresário do Comércio de abril. O indicador também ocupa posição relevante na agenda econômica, especialmente por medir a percepção do setor sobre vendas, estoques, contratações e condições de investimento.

Em março, o Icec avançou 2,2% na comparação com fevereiro, já descontados os efeitos sazonais. O índice atingiu 107,0 pontos, maior patamar desde janeiro do ano anterior. A continuidade desse movimento pode reforçar a leitura de recuperação gradual do comércio.

O setor varejista é sensível à renda, ao emprego e ao crédito. Uma melhora consistente da confiança pode indicar expectativa de vendas mais fortes e maior disposição para ampliar estoques. Em sentido contrário, eventual recuo sugeriria cautela empresarial diante de juros ainda elevados e orçamento familiar pressionado.

Para investidores, a agenda econômica do comércio pode afetar a leitura sobre empresas varejistas, bancos, concessão de crédito, inadimplência e consumo doméstico.

Banco Central inicia rolagem de swap cambial

O Banco Central começa a rolagem dos contratos de swap cambial com vencimento em 1º de junho de 2026. A operação faz parte da agenda econômica e será acompanhada pelo mercado de câmbio em um dia de forte concentração de informações.

O swap cambial é um instrumento usado pelo BC para oferecer proteção contra oscilações do dólar, sem representar venda direta de moeda norte-americana no mercado à vista. A rolagem evita concentração de vencimentos e ajuda a preservar a funcionalidade do mercado futuro.

O Banco Central poderá alterar o lote ofertado a cada dia ou aceitar propostas em montante inferior à oferta, conforme as condições de demanda. Esse tipo de flexibilidade permite ajuste à liquidez e ao apetite dos agentes financeiros.

A combinação entre ata do Copom e rolagem de swap torna a agenda econômica especialmente relevante para o real. O mercado observará tanto a mensagem de política monetária quanto a atuação técnica do Banco Central no câmbio.

Tesouro faz leilão de LFT e NTN-B

O Tesouro Nacional realiza às 11h leilão tradicional de Letras Financeiras do Tesouro e Notas do Tesouro Nacional Série B. A operação integra a agenda econômica e será acompanhada por fundos, bancos, seguradoras, investidores institucionais e mesas de renda fixa.

As LFT ofertadas vencem em 1º de junho de 2032. Esses títulos são pós-fixados e acompanham a Selic, o que os torna relevantes em momentos de dúvida sobre o ritmo dos juros. As NTN-B têm vencimentos em 15 de maio de 2029, 15 de maio de 2033 e 15 de agosto de 2040, com remuneração atrelada à inflação mais juros reais.

A demanda por NTN-B ajuda a medir o prêmio exigido pelo mercado para financiar o governo no longo prazo. Juros reais elevados podem refletir preocupações com inflação, risco fiscal ou incerteza sobre a trajetória da dívida pública.

Por isso, o resultado do leilão será uma peça importante da agenda econômica. Forte demanda pode indicar apetite por títulos públicos. Exigência elevada de prêmio pode revelar cautela dos investidores.

Estados Unidos concentram dados que podem mexer com o dólar

No exterior, a agenda econômica será dominada por indicadores dos Estados Unidos. Às 9h, o Departamento do Comércio divulga dados finais de permissões para construção de fevereiro e março. O setor imobiliário norte-americano é monitorado porque responde rapidamente ao nível dos juros.

Às 9h30, será divulgada a balança comercial de março. A leitura anterior apontou déficit de US$ 57,3 bilhões, enquanto a estimativa era de déficit de US$ 55 bilhões. O dado ajuda a medir a dinâmica entre demanda interna, importações, exportações e competitividade da economia norte-americana.

Às 10h45, a S&P Global apresenta os PMIs de serviços e composto dos Estados Unidos referentes a abril. As leituras anteriores foram de 49,8 para serviços e 50,3 para o composto. As expectativas apontavam avanço para 51,3 e 52,0, respectivamente.

A agenda econômica segue às 11h com o PMI de serviços do ISM. A leitura anterior foi de 54,0, com estimativa de 53,7. Como o setor de serviços representa parcela expressiva da economia norte-americana, o indicador pode influenciar apostas sobre inflação, atividade e juros.

Jolts será observado pelo Federal Reserve

Também às 11h, o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulga a pesquisa Jolts de abertura de vagas referente a março. O indicador é um dos pontos mais sensíveis da agenda econômica internacional, pois ajuda a medir a força do mercado de trabalho.

Em fevereiro, foram abertas 6,882 milhões de vagas. A estimativa para março era de 7 milhões de postos. Um número acima do esperado pode indicar mercado de trabalho ainda aquecido, o que dificultaria a queda da inflação e reduziria espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve.

Um resultado abaixo das expectativas, por outro lado, poderia reforçar a percepção de desaquecimento da economia. Nesse caso, investidores poderiam aumentar apostas em uma política monetária menos restritiva nos Estados Unidos.

A agenda econômica norte-americana terá impacto direto sobre moedas emergentes. Quando dados fortes elevam a expectativa de juros altos por mais tempo nos Estados Unidos, o dólar tende a ganhar força e ativos de risco podem sofrer. Quando os dados indicam desaceleração, o apetite por mercados emergentes pode melhorar.

Discursos de Lagarde e Fed completam a agenda externa

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, discursa às 9h30, no horário de Brasília. A fala entra na agenda econômica porque pode trazer sinais sobre juros, inflação e crescimento na zona do euro.

Nos Estados Unidos, a vice-presidente para supervisão do Federal Reserve, Michelle Bowman, discursa às 11h. Às 13h30, o diretor Michael S. Barr também participa de evento. Ambos votam no Fomc e suas declarações podem ser interpretadas como pistas sobre a política monetária norte-americana.

O mercado buscará referências a inflação, emprego, crédito, estabilidade financeira, bancos regionais e riscos para a economia. Em dias de muitos indicadores, falas de autoridades monetárias podem reforçar ou suavizar a interpretação dos dados.

À noite, a agenda econômica global terá ainda os PMIs de serviços e composto da China, divulgados por RatingDog e S&P Global às 22h45. A leitura anterior foi de 52,1 para serviços e 51,5 para o composto. As expectativas eram de 52,5 e 51,8, respectivamente.

Lula tem reuniões com ministros e evento da Anfavea

A agenda política também se conecta à agenda econômica desta terça-feira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá compromissos com ministros e auxiliares ao longo do dia, além de participar à noite da cerimônia de celebração dos 70 anos da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.

Lula despacha às 9h com o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e com o secretário de Imprensa, Laércio Portela. Às 10h, reúne-se com a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior. Às 15h, encontra o secretário especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Marcelo Weick. Às 16h, recebe o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Às 19h, o presidente participa do evento da Anfavea. A presença de Lula ocorre em um momento importante para a indústria automobilística, que acompanha juros, crédito, política industrial, descarbonização, transição energética e demanda doméstica.

O setor automotivo tem peso relevante na agenda econômica por sua cadeia extensa de fornecedores, impacto sobre emprego industrial, arrecadação, inovação e investimentos.

Congresso tem PEC, minerais críticos e pautas sociais

A agenda econômica também passa pelo Congresso Nacional. A partir das 15h, o Congresso realiza sessão para promulgar a Emenda Constitucional 139, conhecida como PEC da Essencialidade, que reconhece os tribunais de contas dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios como órgãos permanentes e essenciais ao controle externo da administração pública.

No Senado, o plenário pode votar, a partir das 14h, projeto que torna mais rigorosos os Planos de Contingência de Proteção e Defesa Civil para prevenir desastres como enchentes e deslizamentos. Também estão na pauta a criação da Universidade Federal Indígena e proposta de incentivo profissional às artesãs.

A Comissão de Meio Ambiente analisa projeto sobre proteção e bem-estar dos animais, com penas mais graves para maus-tratos. A Comissão de Constituição e Justiça deve avaliar proposta que torna imprescritíveis os crimes de estupro, estupro de vulnerável e feminicídio.

Na Comissão de Assuntos Econômicos, senadores analisam projeto que permite dedução integral de gastos com educação de pessoas com deficiência no Imposto de Renda. Na Câmara dos Deputados, o plenário pode discutir projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

A pauta de minerais críticos tem relação direta com a agenda econômica, pois envolve cadeias estratégicas para energia, tecnologia, defesa, indústria e transição energética. O tema ganhou relevância global diante da disputa por insumos essenciais a baterias, semicondutores, equipamentos industriais e infraestrutura verde.

Banco Central tem despachos e reuniões em São Paulo

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, terá despachos internos em São Paulo. A agenda econômica da autoridade monetária também inclui compromissos de diretores com representantes do setor financeiro, consultorias, bancos e investidores.

O diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, participa de reunião com representantes da PwC pela manhã e com dirigentes da Associação Brasileira de Bancos à tarde. O diretor de Regulação, Gilneu Vivan, reúne-se com executivos da CSD BR, representantes do BTG Pactual, dirigentes da ABBC e integrantes do Instituto para Desenvolvimento do Varejo.

A diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta, Izabela Correa, terá despachos internos em Salvador. O diretor de Política Monetária, Nilton David, recebe investidores estrangeiros da Picea Value Investors em São Paulo para tratar de conjuntura econômica. O diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, Paulo Picchetti, também terá despachos internos.

Essas agendas institucionais ganham atenção adicional em um dia marcado pela ata do Copom. Embora não representem decisões de política monetária, reuniões com agentes do mercado podem indicar interlocução do Banco Central com setores regulados e investidores.

Mercados podem reagir a juros, dólar e atividade

A agenda econômica desta terça-feira reúne fatores capazes de mexer com os principais ativos financeiros. No Brasil, a ata do Copom será decisiva para calibrar expectativas sobre a Selic. Nos Estados Unidos, Jolts, PMIs e discursos de dirigentes do Fed podem alterar projeções para os juros norte-americanos.

O Ibovespa pode refletir a leitura sobre juros domésticos, apetite global por risco e desempenho de setores sensíveis ao crédito. O dólar pode reagir tanto ao tom do Banco Central quanto aos dados norte-americanos. Os juros futuros devem concentrar ajustes após a ata do Copom e os indicadores dos Estados Unidos.

A renda fixa também tende a ter uma sessão relevante. O leilão do Tesouro, a demanda por NTN-B, a inclinação da curva de juros e a leitura sobre inflação serão acompanhados por investidores institucionais.

A agenda econômica ainda pode influenciar empresas expostas ao consumo, construção, bancos, varejo, indústria e exportações. Em dias de muitos dados, a direção dos mercados costuma depender não apenas dos números, mas da interpretação sobre o que eles significam para os juros.

Terça-feira concentra sinais decisivos para BC, Fed e investidores

A agenda econômica desta terça-feira reúne, em um único dia, sinais importantes sobre política monetária, atividade, emprego, câmbio, dívida pública, confiança e política institucional. A ata do Copom será o eixo doméstico. Os indicadores dos Estados Unidos formarão o eixo externo. A pauta do Congresso e a agenda do governo completarão o quadro de atenção dos investidores.

O mercado brasileiro entra na sessão em busca de respostas sobre a Selic. O mercado global observa se a economia norte-americana continua forte o suficiente para manter o Federal Reserve cauteloso. Entre esses dois vetores, o comportamento do dólar, dos juros e da Bolsa pode definir o tom dos negócios.

Para empresas, a leitura da agenda econômica ajuda a antecipar custo de crédito, demanda, fluxo de investimentos e condições financeiras. Para investidores, os dados do dia funcionam como bússola para ajustar posições em renda fixa, renda variável, câmbio e commodities.

A terça-feira será marcada por uma disputa de interpretações. Se a ata do Copom reforçar prudência e os dados dos Estados Unidos vierem fortes, os mercados podem adotar postura mais defensiva. Se o documento do Banco Central indicar espaço para novos cortes e os indicadores externos mostrarem desaceleração, ativos de risco podem encontrar alívio.

Em um ambiente de juros ainda elevados e incerteza global, a agenda econômica deixa de ser apenas uma lista de eventos. Ela passa a ser o principal mapa de riscos para quem acompanha mercado financeiro, política econômica e decisões de investimento.

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