A Positivo Tecnologia (POSI3) registrou prejuízo líquido de R$ 12,3 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 2,4% em relação ao prejuízo apurado no mesmo período de 2025, em um balanço marcado por melhora operacional, crescimento de receita e pressão do resultado financeiro, afetado pela Selic elevada e pela maior variação cambial.
Entre janeiro e março, o Ebitda da Positivo Tecnologia (POSI3) somou R$ 69,7 milhões, alta de 31% frente ao primeiro trimestre do ano anterior. A margem Ebitda atingiu 9,4%, avanço de 2 pontos porcentuais na comparação anual.
A receita líquida da companhia chegou a R$ 741,4 milhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 3,6% ante igual intervalo de 2025. O desempenho foi sustentado, segundo a empresa, pela maior participação da área de infraestrutura de tecnologia da informação no mix de receitas.
Infraestrutura de TI eleva margem da Positivo
A Positivo Tecnologia (POSI3) informou que a melhora da margem Ebitda reflete a maior presença da categoria de infraestrutura de TI no resultado consolidado. Esse negócio tem rentabilidade superior à média do portfólio da companhia e ajudou a compensar a pressão ainda existente em outras linhas de atuação.
A leitura operacional do trimestre mostra avanço na qualidade da receita. Embora a expansão da receita líquida tenha sido moderada, a alta de 31% do Ebitda indica melhora de eficiência e contribuição maior de segmentos com margens mais elevadas.
Para os investidores, esse ponto é relevante porque sinaliza uma tentativa da Positivo Tecnologia (POSI3) de reduzir a dependência de produtos mais sensíveis ao consumo e ampliar a participação em áreas corporativas, como infraestrutura, servidores, soluções de TI e contratos com maior valor agregado.
Ainda assim, a melhora operacional não foi suficiente para levar a companhia ao lucro líquido no trimestre.
Resultado financeiro pesa sobre o lucro
O resultado financeiro da Positivo Tecnologia (POSI3) ficou negativo em R$ 56,5 milhões no primeiro trimestre de 2026. O número representa piora de 26,5% em relação ao resultado financeiro negativo de R$ 44,7 milhões registrado no mesmo período de 2025.
Segundo a companhia, a deterioração foi provocada pelo aumento da taxa Selic e pela maior variação cambial. O efeito é importante para empresas com dívidas, custos financeiros indexados a juros e exposição a insumos ou componentes ligados ao dólar.
Com juros altos, parte maior da geração operacional é consumida por despesas financeiras. No caso da Positivo Tecnologia (POSI3), o avanço do Ebitda ajudou a reduzir a pressão sobre o balanço, mas não eliminou o impacto na última linha do resultado.
A variação cambial também afeta companhias de tecnologia por causa da dependência de cadeias globais de fornecimento, importação de componentes e contratos expostos à moeda americana. Esse ambiente torna a gestão de custos e capital de giro mais sensível às oscilações do câmbio.
Receita avança, mas prejuízo permanece
A receita líquida de R$ 741,4 milhões mostra que a Positivo Tecnologia (POSI3) manteve crescimento no primeiro trimestre. O avanço de 3,6% em relação ao mesmo período do ano anterior indica expansão da atividade, embora em ritmo mais moderado do que o crescimento do Ebitda.
A diferença entre a alta da receita e o avanço mais forte da geração operacional reforça o efeito positivo do mix de produtos e serviços. A maior participação de infraestrutura de TI contribuiu para elevar a margem e melhorar a eficiência do resultado.
O prejuízo líquido de R$ 12,3 milhões, porém, mostra que a recuperação ainda não chegou de forma plena ao lucro. A companhia reduziu a perda em relação ao primeiro trimestre de 2025, mas continuou pressionada por despesas financeiras.
A principal leitura do balanço é que a operação apresentou melhora, enquanto a estrutura financeira ainda limita a capacidade de conversão do Ebitda em lucro líquido.
Dívida líquida recua 11,4%
A Positivo Tecnologia (POSI3) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com endividamento líquido de R$ 673,8 milhões, queda de 11,4% na comparação anual.
A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, ficou em 2,1 vezes, abaixo das 2,5 vezes registradas no primeiro trimestre de 2025.
A redução da alavancagem é um dos pontos positivos do balanço. Em um cenário de juros elevados, diminuir a relação entre dívida e geração operacional melhora a percepção de risco financeiro e pode dar mais flexibilidade à companhia.
Mesmo com a queda, o endividamento segue relevante. Por isso, o mercado deve continuar acompanhando a capacidade da Positivo Tecnologia (POSI3) de preservar geração de caixa, reduzir despesas financeiras e manter disciplina no capital de giro.
Balanço combina avanço operacional e cautela financeira
O resultado do primeiro trimestre de 2026 mostra uma Positivo Tecnologia (POSI3) com desempenho operacional mais forte, apoiado por alta do Ebitda, melhora de margem e expansão da receita líquida.
A maior participação da infraestrutura de TI no mix de receitas reforça uma estratégia de crescimento em negócios de maior rentabilidade. Esse movimento pode ser positivo para a empresa caso se mantenha nos próximos trimestres.
Ao mesmo tempo, o balanço ainda exige cautela. O prejuízo líquido menor representa melhora, mas a pressão do resultado financeiro mostra que juros e câmbio seguem como fatores de risco para a companhia.
Para investidores, a reação ao balanço tende a depender da avaliação sobre a sustentabilidade da melhora operacional. A alta do Ebitda e a queda da alavancagem são sinais favoráveis. O prejuízo líquido e a piora do resultado financeiro, por outro lado, mantêm dúvidas sobre a velocidade de recuperação do lucro.
Mercado monitora conversão de Ebitda em lucro
A trajetória da Positivo Tecnologia (POSI3) nos próximos trimestres dependerá da capacidade da companhia de manter margens mais altas, ampliar negócios de maior rentabilidade e reduzir a pressão financeira sobre o balanço.
A Selic elevada ainda representa obstáculo para empresas endividadas, enquanto o câmbio segue como variável importante para companhias do setor de tecnologia. Nesse contexto, a melhora operacional precisa ser acompanhada por controle financeiro para que o resultado líquido avance de forma mais consistente.
O primeiro trimestre de 2026 trouxe sinais de recuperação na operação, mas ainda não marcou uma virada completa no lucro. A Positivo Tecnologia (POSI3) reduziu o prejuízo, elevou o Ebitda e diminuiu a alavancagem, mas segue pressionada por juros e variação cambial.









