O Ibovespa hoje fechou em alta nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, após uma virada de humor nos mercados internacionais provocada por rumores de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio. O principal índice da B3 avançou 0,17%, aos 177.649,86 pontos, com ganho de 294,13 pontos, enquanto o dólar comercial caiu 0,06%, vendido a R$ 5,001. A sessão foi marcada por forte volatilidade, pressão externa no início do dia e recuperação na reta final do pregão, com apoio de Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), bancos e B3 (B3SA3).
O movimento ampliou a recuperação da véspera, quando o Ibovespa havia subido 1,77%. Na semana, o índice passou a acumular leve ganho de 0,21%. Ainda assim, maio segue negativo para a Bolsa brasileira, com queda de 5,16% no mês. No segundo trimestre, o recuo acumulado é de 5,23%, enquanto em 2026 o índice ainda sobe 10,26%.
Durante o pregão, o Ibovespa chegou a cair com força, pressionado pelo exterior negativo, pela alta dos rendimentos dos Treasuries e pela cautela com os desdobramentos da guerra no Oriente Médio. A mínima do dia foi de 175.805,16 pontos. Na máxima, após a melhora do apetite ao risco, o índice alcançou 178.546,59 pontos.
Rumor sobre acordo entre EUA e Irã muda direção do pregão
A virada do Ibovespa ocorreu no início da tarde, depois que passou a circular no mercado a informação de que Estados Unidos e Irã teriam chegado a um acordo final para encerrar o conflito no Oriente Médio. A notícia foi atribuída inicialmente ao canal estatal saudita Al Arabiya e reproduzida por um canal online oficial do Irã.
Apesar da ausência de confirmação formal das partes envolvidas, a informação foi suficiente para alterar o comportamento dos ativos globais. As bolsas em Nova York reduziram perdas e passaram ao campo positivo, o petróleo virou para queda e os juros futuros no Brasil inverteram o sinal, encerrando a sessão em baixa ao longo de toda a curva.
A reação dos investidores ocorreu porque um eventual acordo entre Washington e Teerã reduziria o risco geopolítico global, aliviaria a pressão sobre os preços do petróleo e poderia diminuir parte do temor inflacionário gerado pela guerra. O mercado, no entanto, manteve cautela diante da falta de confirmação oficial.
No Brasil, esse alívio externo ajudou a tirar o Ibovespa do terreno negativo. O índice vinha pressionado até o começo da tarde, mas passou a subir depois das 14h e encerrou o pregão com ganho moderado.
Dólar cai e fecha perto da estabilidade
O dólar comercial acompanhou a melhora do apetite ao risco e fechou em queda de 0,06%, vendido a R$ 5,001 e comprado a R$ 5,000. Durante a sessão, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,984 e a máxima de R$ 5,025.
A queda do dólar frente ao real ocorreu em direção oposta ao comportamento global da divisa norte-americana. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra uma cesta de moedas fortes, subiu 0,12%, aos 99,21 pontos.
A diferença mostra que o real foi beneficiado pela melhora localizada do apetite por risco em mercados emergentes após os rumores sobre o acordo entre Estados Unidos e Irã. O movimento também foi acompanhado por queda dos juros futuros, o que reduziu parte da pressão sobre ativos domésticos.
Entre os contratos de DI, as baixas foram observadas em todos os vencimentos. O DI para janeiro de 2027 fechou a 14,040%, com recuo de 0,035 ponto percentual. O DI para janeiro de 2028 caiu 0,075 ponto, a 13,815%, enquanto o DI para janeiro de 2029 recuou 0,110 ponto, a 13,845%.
Petrobras, Vale e bancos sustentam o índice
Entre as ações de maior peso no Ibovespa, Petrobras (PETR4), Vale (VALE3) e bancos ajudaram a sustentar o fechamento positivo. A Vale (VALE3), que chegou a operar em queda durante parte da sessão, virou à tarde e encerrou com alta de 0,77%.
A Petrobras (PETR4) subiu 0,78%, mesmo com a queda do petróleo no mercado internacional. O Brent para julho recuou 2,32%, a US$ 102,58, enquanto o WTI para o mesmo vencimento caiu 1,94%, a US$ 96,35.
O desempenho da estatal ocorreu em meio à leitura de analistas de que ainda há potencial para os papéis da companhia. Petrobras (PETR4) também esteve entre as ações mais negociadas do pregão, liderando o volume de negócios no Ibovespa.
Os grandes bancos também contribuíram para a alta do índice. Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 1,13%, Banco do Brasil (BBAS3) subiu 0,58%, Santander (SANB11) ganhou 0,51% e Bradesco (BBDC4) teve alta de 0,22%. A B3 (B3SA3) também fechou no azul, com avanço de 1,37%.
Wall Street fecha em alta após balanço da Nvidia e notícia sobre Oriente Médio
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários encerraram o dia em alta, mas sem euforia. O Dow Jones subiu 0,55%, aos 50.285,72 pontos. O S&P 500 avançou 0,17%, aos 7.445,70 pontos, enquanto o Nasdaq ganhou 0,09%, aos 26.293,09 pontos.
Além do noticiário geopolítico, investidores acompanharam o balanço da Nvidia, uma das empresas mais importantes do mercado global por seu papel central na expansão da inteligência artificial. A companhia apresentou resultado acima das expectativas, mas a reação de Wall Street foi moderada.
O mercado avaliou que os números foram fortes, mas manteve dúvidas sobre a capacidade da empresa de sustentar crescimento acelerado, preservar margens e manter participação dominante em um setor cada vez mais competitivo.
A Nvidia segue como uma das principais referências da corrida por inteligência artificial, mas o alto nível de expectativa em torno da companhia torna a reação do mercado mais exigente. Mesmo resultados positivos podem gerar resposta limitada quando os investidores já precificam crescimento elevado.
Petróleo vira para queda com possível alívio geopolítico
O petróleo teve forte mudança de direção ao longo do pregão. Os contratos começaram o dia em alta, pressionados pela continuidade das tensões no Oriente Médio, mas passaram a cair após os rumores de acordo entre Estados Unidos e Irã.
O Brent para julho fechou em queda de 2,32%, a US$ 102,58 por barril. O WTI para o mesmo vencimento recuou 1,94%, a US$ 96,35.
A queda do petróleo ajudou a aliviar os temores de inflação global e contribuiu para a redução dos juros futuros. Em um cenário de guerra no Oriente Médio, o mercado monitora especialmente o risco de interrupção de oferta e de pressão sobre rotas estratégicas de energia.
Para o Brasil, a queda do petróleo tem efeitos mistos. De um lado, pode aliviar expectativas inflacionárias e reduzir pressão sobre combustíveis. De outro, pode limitar o desempenho de petroleiras, embora Petrobras (PETR4) tenha conseguido fechar em alta nesta sessão.
Maiores altas do Ibovespa têm CSN, Brava e Natura
Entre as maiores altas do Ibovespa nesta quinta-feira, CSN (CSNA3) liderou os ganhos, com avanço de 3,43%, cotada a R$ 6,34. A ação se beneficiou da melhora do humor externo e da recuperação parcial de papéis ligados a setores cíclicos.
Na sequência, Brava Energia (BRAV3) subiu 2,03%, a R$ 20,15. Natura (NATU3) avançou 2,00%, a R$ 10,20, enquanto Usiminas (USIM5) ganhou 1,98%, a R$ 9,80. Cosan (CSAN3) completou a lista das maiores altas do índice, com valorização de 1,85%, a R$ 4,40.
O desempenho de siderúrgicas, energia e consumo refletiu a melhora do apetite ao risco ao longo da tarde. A queda do dólar e dos juros futuros também ajudou papéis mais sensíveis ao custo de capital.
Ainda assim, o avanço foi seletivo. O Ibovespa passou boa parte do dia em queda e só consolidou alta após a virada dos mercados internacionais.
Hapvida lidera perdas com queda superior a 7%
Na ponta negativa, Hapvida (HAPV3) foi a maior queda do Ibovespa, com recuo de 7,01%, a R$ 12,34. A ação voltou a ser pressionada por preocupações com desafios operacionais no setor de saúde suplementar, incluindo a alta da judicialização dos planos de saúde.
Minerva (BEEF3) caiu 5,40%, a R$ 4,03, após revisão negativa de recomendação por banco. A avaliação refletiu um ambiente considerado menos favorável para o ciclo pecuário e menor visibilidade sobre variáveis relevantes para exportadoras de carne, como demanda externa, câmbio e custos.
MRV (MRVE3) recuou 3,26%, a R$ 6,23. Copasa (CSMG3) perdeu 3,14%, a R$ 51,14, em meio ao noticiário sobre oferta secundária de ações que pode marcar a privatização da companhia. RD Saúde (RADL3) fechou em baixa de 2,51%, a R$ 18,65, após anúncio de aquisição.
As perdas em saúde, construção, saneamento e alimentos mostram que a alta do Ibovespa não foi disseminada. O pregão terminou positivo, mas ainda com forte seletividade entre os papéis.
Copasa e Energisa movimentam noticiário corporativo
No noticiário corporativo, a Copasa (CSMG3) ficou no radar após protocolar uma oferta pública secundária de ações que pode movimentar mais de R$ 10 bilhões e representar a privatização da companhia de saneamento de Minas Gerais.
A operação prevê a venda inicial de 171,1 milhões de ações ordinárias, com possibilidade de lote adicional de 19,1 milhões de papéis. A precificação está prevista para 2 de junho. Caso os lotes base e adicional sejam vendidos, o governo de Minas Gerais deixará de ter participação na companhia, atualmente de 50,03%.
A Energisa (ENGI11) também chamou atenção após anunciar a venda de cinco ativos, equivalentes a cerca de 27% dos ativos atuais de transmissão da empresa. Os papéis encerraram o dia em queda de 0,43%.
Essas movimentações reforçaram a importância do noticiário corporativo em uma sessão dominada por fatores externos. O pregão combinou geopolítica, commodities, juros, balanço de tecnologia nos Estados Unidos e eventos específicos de companhias brasileiras.
Juros futuros recuam em toda a curva
Os juros futuros fecharam em queda em toda a curva, revertendo o movimento de alta observado mais cedo. A mudança ocorreu após os rumores sobre um possível acordo entre Estados Unidos e Irã reduzirem a pressão sobre petróleo, Treasuries e ativos de risco.
O DI para janeiro de 2031 caiu 0,090 ponto percentual, a 14,020%. O contrato para janeiro de 2032 recuou 0,080 ponto, a 14,090%. Já o DI para janeiro de 2035 fechou a 14,145%, com queda de 0,060 ponto.
A queda dos juros futuros favoreceu a recuperação de ações mais sensíveis ao custo de capital e contribuiu para a melhora do ambiente doméstico na reta final do pregão. Ainda assim, as taxas permanecem em patamares elevados, refletindo dúvidas sobre inflação, risco fiscal e cenário internacional.
A agenda doméstica teve peso menor nesta quinta-feira. Investidores seguem atentos à divulgação do PIB do primeiro trimestre, prevista para 29 de maio, e a novas sinalizações do Banco Central e do Ministério da Fazenda.
Mercado entra na sexta-feira atento ao Oriente Médio
A sexta-feira, 22 de maio, começa com agenda de indicadores mais esvaziada, mas com investidores atentos aos desdobramentos no Oriente Médio. A confirmação ou a negação de um acordo entre Estados Unidos e Irã pode determinar o comportamento dos ativos globais no curto prazo.
Se a notícia avançar para um anúncio oficial, o mercado pode precificar redução do risco geopolítico, queda adicional do petróleo e alívio nos juros globais. Caso a informação seja negada, parte da melhora observada nesta quinta-feira pode ser devolvida.
Para o Ibovespa, o cenário segue condicionado a três vetores principais: commodities, fluxo estrangeiro e comportamento dos juros globais. A alta desta quinta-feira foi modesta, mas relevante por ocorrer após forte oscilação intradiária e em um mês ainda negativo para a Bolsa brasileira.
O fechamento aos 177.649 pontos mostra que o índice conseguiu preservar parte da recuperação iniciada na véspera. A continuidade do movimento dependerá do noticiário externo e da capacidade de ações de maior peso, como Petrobras (PETR4), Vale (VALE3) e bancos, de sustentar ganhos nos próximos pregões.









