O Brasil tem 42,5 milhões de pessoas adultas que ainda não são donas do próprio negócio, mas pretendem começar a empreender em até três anos, segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2025, realizada no país pelo Sebrae. O resultado coloca o Brasil na segunda posição mundial em número absoluto de potenciais empreendedores, atrás apenas da Índia, que reúne cerca de 150 milhões de pessoas com intenção de abrir uma empresa.
O levantamento considera adultos entre 18 e 64 anos que ainda não possuem um negócio próprio, formal ou informal, mas manifestam desejo de empreender no curto prazo. O contingente brasileiro supera o registrado em economias como Estados Unidos, com 20 milhões de potenciais empreendedores, Egito, com 16 milhões, e México, com 11 milhões.
O dado mantém o Brasil na mesma posição observada na pesquisa anterior, realizada em 2024, e reforça o peso do empreendedorismo na economia nacional. Em um mercado de trabalho em transformação, abrir o próprio negócio segue como alternativa para geração de renda, autonomia profissional e mobilidade social.
Brasil fica atrás apenas da Índia no ranking global
A Índia lidera o ranking global de potenciais empreendedores, com cerca de 150 milhões de adultos interessados em abrir um negócio em até três anos. O Brasil aparece logo em seguida, com 42,5 milhões, consolidando-se como uma das maiores bases empreendedoras do mundo.
A comparação com outros países mostra a dimensão do mercado brasileiro. O número de pessoas que desejam empreender no Brasil é mais que o dobro do registrado nos Estados Unidos, que têm 20 milhões de potenciais empreendedores.
O resultado também supera os dados de países emergentes relevantes, como Egito e México. Essa diferença evidencia o papel do empreendedorismo como uma das principais respostas da população brasileira às mudanças econômicas, ao desejo de independência financeira e à busca por novas oportunidades.
O levantamento do GEM reúne informações de 110 economias, o que dá amplitude global à comparação. Nesse contexto, a posição brasileira indica não apenas vocação empreendedora, mas também uma demanda expressiva por apoio, crédito, capacitação e ambiente de negócios mais favorável.
Taxa de empreendedorismo potencial chega a 45%
Além do número absoluto, o Brasil também aparece bem posicionado quando a análise considera a proporção da população adulta que ainda não tem empresa, mas pretende abrir um negócio.
A Taxa de Empreendedorismo Potencial do país ficou em 45%, a sexta maior do ranking global. O indicador mede a parcela dos adultos sem negócio próprio que desejam empreender em até três anos.
Na prática, quase metade dos brasileiros adultos que ainda não têm empresa afirma querer iniciar um negócio. O percentual mostra que a intenção empreendedora é disseminada e não se limita a pequenos grupos ou setores específicos.
Esse desejo aparece em diferentes áreas da economia, como comércio, alimentação, beleza, serviços, tecnologia, logística, produção artesanal, educação, saúde, atividades digitais e negócios locais. A diversidade de setores ajuda a explicar a capilaridade do empreendedorismo no país.
Sebrae vê criatividade e determinação no brasileiro
Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, o desejo de empreender é uma das características mais marcantes da população brasileira. Ele afirma que o brasileiro combina criatividade e determinação para realizar projetos pessoais e profissionais.
“A população brasileira une criatividade e determinação para realizar seus sonhos. Ao criar um negócio, esses empreendedores estão gerando emprego, renda e proporcionando um movimento de inclusão e emancipação social”, disse Soares.
A avaliação do Sebrae reforça a dimensão social do empreendedorismo. Em muitos casos, abrir uma empresa representa mais do que uma decisão de investimento. É também uma tentativa de melhorar renda familiar, conquistar autonomia, formalizar uma atividade ou transformar uma habilidade em fonte de sustento.
O desafio está em transformar intenção em negócios sustentáveis. Para isso, potenciais empreendedores precisam de planejamento, conhecimento financeiro, acesso a crédito, orientação sobre formalização e capacidade de adaptação a um mercado competitivo.
Intenção de empreender não garante sobrevivência
O volume de brasileiros que desejam abrir uma empresa mostra força empreendedora, mas não elimina os riscos de iniciar um negócio. Entre a intenção e a consolidação de uma empresa há uma série de barreiras que podem limitar o avanço dos projetos.
Entre os principais desafios estão falta de capital inicial, dificuldade de acesso a crédito, baixa educação financeira, burocracia, carga tributária, concorrência intensa e ausência de planejamento comercial.
Muitos empreendedores começam pequenos, com estrutura limitada e pouca margem para erro. Nesse cenário, problemas de fluxo de caixa, precificação inadequada, falta de controle de estoque e baixa presença digital podem comprometer a sobrevivência nos primeiros anos.
Por isso, o dado de 42,5 milhões de potenciais empreendedores deve ser lido como oportunidade e também como alerta. O Brasil tem uma grande base de pessoas dispostas a abrir negócios, mas precisa ampliar as condições para que essas iniciativas se tornem empresas duradouras.
País também se destaca em negócios estabelecidos
A pesquisa GEM 2025 mostra ainda que o Brasil manteve a sexta posição global na Taxa de Empreendedores Estabelecidos, com 12,4% da população adulta.
Esse indicador mede a proporção de pessoas entre 18 e 64 anos que possuem um negócio, formal ou informal, com mais de 3,5 anos de atividade.
A permanência do Brasil entre os primeiros colocados nesse recorte é relevante porque indica que o país não se destaca apenas pela vontade de empreender. Há também uma base expressiva de negócios que conseguem superar a fase inicial e permanecer em funcionamento.
Os primeiros anos são considerados os mais críticos para empresas pequenas. Negócios recém-abertos enfrentam maior exposição a erros de gestão, sazonalidade de vendas, dificuldade de formar clientela e limitação de capital de giro.
A presença de empreendedores estabelecidos mostra que parte relevante da população consegue atravessar essa etapa. Ainda assim, o fortalecimento dessa taxa depende de políticas de apoio, qualificação empresarial e melhora do ambiente econômico.
GEM ouviu 2.350 adultos no Brasil
O Global Entrepreneurship Monitor é uma das maiores pesquisas sobre empreendedorismo do mundo. A edição de 2025 reuniu dados de 110 países, permitindo comparar intenção, criação e consolidação de negócios em diferentes economias.
No Brasil, a pesquisa foi realizada pelo Sebrae e ouviu 2.350 pessoas adultas, com idade entre 18 e 64 anos, ao longo do ano passado.
O levantamento considera diferentes estágios do empreendedorismo. Entre os empreendedores iniciais, estão os chamados nascentes, que realizaram alguma ação nos últimos 12 meses para abrir um negócio ou têm empresa com até três meses de operação.
Também entram nessa categoria os empreendedores novos, que já possuem negócio com mais de três meses de funcionamento. Já os empreendedores estabelecidos são aqueles que mantêm atividade por mais de 3,5 anos.
Essa divisão ajuda a medir não apenas o desejo de empreender, mas também a capacidade de transformar intenção em atividade econômica e de manter o negócio ativo ao longo do tempo.
Empreendedorismo cresce com busca por autonomia
O alto número de potenciais empreendedores no Brasil reflete mudanças no comportamento profissional da população. Cada vez mais brasileiros avaliam o negócio próprio como alternativa de renda, carreira e independência.
Essa tendência foi acelerada por transformações no mercado de trabalho, avanço de atividades digitais, popularização do microempreendedor individual e maior acesso a ferramentas de venda, pagamento e divulgação.
O empreendedorismo também ganha força em momentos de instabilidade econômica. Quando o emprego formal fica mais competitivo ou a renda familiar é pressionada, abrir um pequeno negócio pode se tornar uma alternativa de sobrevivência.
Ao mesmo tempo, há empreendedores que entram no mercado por oportunidade. Nesse caso, a abertura do negócio ocorre a partir da identificação de uma demanda, de uma inovação, de uma tendência de consumo ou de uma possibilidade de expansão em determinado nicho.
A distinção entre empreender por necessidade e empreender por oportunidade é importante. O primeiro grupo tende a precisar de mais suporte básico. O segundo costuma demandar ferramentas de crescimento, gestão, tecnologia e acesso a novos mercados.
Pequenos negócios têm peso na economia brasileira
O resultado do GEM reforça a importância dos pequenos negócios para a economia brasileira. Micro e pequenas empresas têm papel relevante na geração de renda, emprego local e dinamização de comunidades.
Esses empreendimentos estão presentes em praticamente todos os municípios do país e atuam em setores essenciais para o consumo cotidiano. Serviços, comércio, alimentação, beleza, manutenção, transporte, educação e atividades digitais estão entre as áreas mais comuns.
A força do empreendedorismo também tem impacto social. Pequenos negócios podem funcionar como instrumento de inclusão produtiva, especialmente para mulheres, jovens, trabalhadores autônomos e pessoas que buscam complementar renda.
Para que esse potencial se converta em desenvolvimento econômico, é necessário reduzir a mortalidade das empresas e ampliar a produtividade. Isso exige capacitação, crédito adequado, tecnologia, formalização e acesso a mercados.
Crédito e capacitação serão decisivos
O Brasil tem uma das maiores populações potenciais empreendedoras do mundo, mas o avanço desse contingente depende de condições concretas para a abertura e manutenção de empresas.
O acesso a crédito segue como um dos principais gargalos. Muitos empreendedores começam com recursos próprios, empréstimos familiares ou capital limitado, o que reduz a capacidade de investimento e aumenta o risco de fechamento.
A capacitação também é decisiva. Conhecimentos sobre planejamento, fluxo de caixa, precificação, marketing, atendimento, vendas digitais e obrigações fiscais podem fazer diferença entre a sobrevivência e o encerramento de um negócio.
Outro ponto central é a formalização. A entrada no mercado formal permite emissão de nota fiscal, acesso a crédito, participação em compras públicas, contribuição previdenciária e maior segurança jurídica.
Nesse contexto, o Sebrae tende a ter papel relevante na orientação de potenciais empreendedores, especialmente aqueles que ainda estão na fase de planejamento ou nos primeiros meses de operação.
Brasil mostra força empreendedora, mas desafio é transformar intenção em empresas
A presença de 42,5 milhões de potenciais empreendedores coloca o Brasil entre os países mais relevantes do mundo em intenção de abrir negócios. O dado mostra que o desejo de empreender segue forte e disseminado na população adulta.
A posição no ranking global, atrás apenas da Índia, reforça a dimensão econômica desse movimento. O país tem uma base numerosa de pessoas que enxergam no negócio próprio um caminho para renda, autonomia e realização profissional.
O desafio agora é transformar esse potencial em empresas sustentáveis. A intenção de empreender precisa ser acompanhada por planejamento, crédito, capacitação, inovação e ambiente regulatório mais simples.
Com taxa de empreendedorismo potencial de 45% e presença relevante também entre empreendedores estabelecidos, o Brasil mantém uma vocação empreendedora clara. A capacidade de converter essa força em produtividade, empregos e crescimento será decisiva para o impacto econômico dos próximos anos.








