O deputado federal Mario Frias respondeu formalmente ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, e negou qualquer uso irregular de emendas parlamentares para financiar o filme “Dark Horse”, produção inspirada na campanha presidencial do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2018. Em manifestação enviada à Suprema Corte, a defesa do parlamentar afirmou que não há “uma única prova” de desvio de recursos públicos para o longa-metragem.
O caso é analisado no âmbito da ADPF 854, ação que discute mecanismos de transparência, rastreabilidade e fiscalização das emendas parlamentares. A investigação ganhou forte repercussão política após denúncia apresentada pela deputada federal Tabata Amaral, que aponta suposta triangulação de verbas públicas destinadas a organizações ligadas à produção cinematográfica.
Segundo a petição enviada ao STF, Mario Frias teria direcionado cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares para a ONG Instituto Conhecer Brasil, entidade apontada como integrante de uma rede de organizações relacionadas ao projeto audiovisual.
A defesa do deputado classificou as acusações como “absolutamente falsas”, sem qualquer lastro probatório e de caráter difamatório.
O episódio amplia a pressão política sobre parlamentares ligados ao bolsonarismo e recoloca o filme “Dark Horse” no centro de uma nova frente de tensão entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.
Defesa de Mario Frias afirma que recursos foram destinados a projetos sociais
Na manifestação apresentada ao gabinete de Flávio Dino, os advogados de Mario Frias sustentam que todas as transferências realizadas por meio das emendas parlamentares tiveram finalidade social específica e rastreável.
Segundo a defesa, os recursos foram destinados a projetos devidamente registrados no sistema federal Transferegov, sem qualquer relação com a produção cinematográfica.
O documento menciona ainda a Nota Técnica nº 195/2026 da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados (CONOF), acolhida pela Advocacia da Câmara, que não teria identificado vínculo entre as emendas investigadas e o filme “Dark Horse”.
“As transferências foram realizadas para projetos sociais específicos, devidamente registrados e rastreáveis no Transferegov, com objetos claros e distintos de qualquer atividade cinematográfica privada”, afirmaram os advogados do parlamentar.
A defesa também argumenta que não existe comprovação de desvio de finalidade nem provas concretas de repasses indiretos ao longa-metragem.
Segundo o documento enviado ao STF, a acusação apresentada por Tabata Amaral se basearia apenas em supostas relações societárias e compartilhamento de endereço entre entidades ligadas ao projeto cultural.
“A alegação é puramente especulativa e baseada em uma suposta associação ilícita entre pessoas jurídicas que compartilham endereço”, diz a manifestação protocolada pela defesa.
Com base nesses argumentos, Mario Frias pediu o arquivamento imediato da denúncia por ausência de justa causa.
Flávio Dino tentou intimar deputado por mais de um mês
O ministro Flávio Dino vinha tentando intimar Mario Frias havia mais de um mês para que o deputado prestasse esclarecimentos formais sobre os repasses investigados.
Segundo informações do processo, oficiais de Justiça não conseguiram localizar o parlamentar em seu gabinete na Câmara dos Deputados durante diferentes tentativas de intimação.
Diante da ausência do deputado, Dino chegou a solicitar explicações ao presidente da Câmara, Hugo Motta, sobre as viagens internacionais realizadas por Frias.
Após a repercussão do caso, o parlamentar publicou mensagens nas redes sociais afirmando que responderia ao ministro assim que retornasse ao Brasil.
A resposta oficial foi apresentada nesta segunda-feira (25) ao STF.
O episódio aumentou a tensão política entre integrantes do PL e ministros da Suprema Corte em meio ao avanço de investigações relacionadas ao uso de emendas parlamentares e à destinação de recursos públicos para organizações privadas.
Denúncia aponta rede de ONGs ligadas ao filme “Dark Horse”
A denúncia apresentada por Tabata Amaral sustenta que recursos oriundos de emendas parlamentares teriam sido direcionados a um conjunto de organizações supostamente interligadas.
Segundo a petição enviada ao STF, as entidades fariam parte de um “ecossistema de pessoas jurídicas interconectadas” associado à produção do filme “Dark Horse”.
Entre as organizações citadas na ação estão:
- Instituto Conhecer Brasil;
- Academia Nacional de Cultura;
- Go Up Entertainment;
- Conhecer Brasil Assessoria.
De acordo com a denúncia, todas as entidades estariam ligadas à produtora cultural Karina Ferreira da Gama, apontada como uma das responsáveis pela produção do longa-metragem.
Além de Mario Frias, a ação também menciona repasses realizados por parlamentares como Bia Kicis, Marcos Pollon, Alexandre Ramagem e Carla Zambelli.
Segundo a denúncia, a ONG Academia Nacional de Cultura teria recebido aproximadamente R$ 2,6 milhões por meio de emendas parlamentares.
Até o momento, não há decisão judicial conclusiva sobre eventual irregularidade nos repasses.
Os citados têm direito à defesa.
Filme “Dark Horse” amplia desgaste político do bolsonarismo
O filme “Dark Horse” ganhou dimensão política nacional após a divulgação de um áudio atribuído ao senador Flávio Bolsonaro.
Na gravação, o parlamentar aparece cobrando apoio financeiro do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para viabilizar a produção cinematográfica.
O episódio ampliou a repercussão política do caso em Brasília e aumentou o desgaste do entorno bolsonarista.
Produzido nos Estados Unidos, o longa busca retratar a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018 e fortalecer a imagem internacional do movimento conservador brasileiro.
O projeto ganhou repercussão internacional após a divulgação do trailer estrelado pelo ator Jim Caviezel, conhecido mundialmente por A Paixão de Cristo.
Nos bastidores do Congresso Nacional, parlamentares avaliam que a associação entre emendas parlamentares, Banco Master e financiamento do filme ampliou os riscos políticos para aliados do ex-presidente.
Banco Master aumenta pressão sobre aliados do PL
O nome do empresário Daniel Vorcaro passou a ocupar posição central na crise política após o avanço das investigações envolvendo o Banco Master.
A instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025 após o órgão regulador concluir que o banco apresentava inviabilidade financeira e operacional.
Desde então, a operação Compliance Zero passou a investigar suspeitas de fraudes financeiras, movimentações patrimoniais e relações entre empresários, agentes públicos e estruturas políticas ligadas ao antigo controlador da instituição.
A associação do nome de Vorcaro ao financiamento do filme “Dark Horse” ampliou o impacto político do caso e elevou a pressão sobre parlamentares do PL.
Nos bastidores políticos, lideranças partidárias acompanham com preocupação os possíveis desdobramentos jurídicos e eleitorais das investigações conduzidas pelo STF e pela Polícia Federal.
Além do impacto institucional, o episódio passou a produzir desgaste reputacional sobre figuras próximas a Jair Bolsonaro em meio à reorganização da direita para as eleições presidenciais de 2026.
STF amplia fiscalização sobre emendas parlamentares e ONGs
A ação relatada por Flávio Dino integra uma série de medidas adotadas pelo STF para ampliar mecanismos de fiscalização sobre emendas parlamentares.
Nos últimos meses, ministros da Corte passaram a cobrar maior transparência na destinação de recursos públicos transferidos a ONGs, entidades privadas e organizações culturais.
O debate ganhou força após denúncias envolvendo suposto uso político de verbas parlamentares por meio de entidades sem fins lucrativos.
Analistas políticos avaliam que o caso envolvendo “Dark Horse” pode aprofundar a tensão institucional entre o Supremo Tribunal Federal e setores do Congresso ligados ao bolsonarismo.
Ao mesmo tempo, a investigação reforça o ambiente de judicialização crescente sobre financiamento político, emendas parlamentares e fiscalização de recursos públicos federais.
Com o avanço das apurações e a ampliação da repercussão política do caso, o filme “Dark Horse” se consolidou como um novo foco de desgaste institucional envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.









