O Itaú Unibanco (ITUB4) voltou à carteira de ações recomendadas do BTG Pactual em junho e assumiu o lugar do Nubank (ROXO34) na seleção mensal do banco. A mudança reflete uma leitura mais defensiva do cenário para a Bolsa brasileira, em meio à saída de capital estrangeiro, inflação ainda pressionada e expectativa de juros elevados por mais tempo.
Segundo os analistas do BTG Pactual, o ambiente para ações brasileiras se tornou mais desafiador desde meados de abril. Nesse período, cerca de R$ 27 bilhões em recursos estrangeiros deixaram o mercado local, em um movimento influenciado pela busca global por empresas de tecnologia e por maior cautela com ativos emergentes.
Nesse contexto, o banco decidiu reforçar a exposição a um nome considerado mais resiliente no setor financeiro. O Itaú (ITUB4) entrou com participação de 15% na carteira 10SIM de junho, ocupando o espaço antes destinado ao Nubank (ROXO34), que havia sido destaque do setor em maio.
Itaú substitui Nubank na carteira recomendada
A troca entre Itaú (ITUB4) e Nubank (ROXO34) sinaliza uma mudança na estratégia do BTG Pactual para o setor financeiro. Em maio, o Nubank era tratado como principal escolha do banco no segmento. Para junho, porém, os analistas passaram a preferir uma instituição mais consolidada e com balanço considerado mais preparado para um ciclo de crédito difícil.
O BTG avalia que o Itaú (ITUB4) está melhor posicionado para atravessar um mercado de crédito mais desafiador. A combinação entre juros altos, inflação persistente e crescimento econômico mais incerto tende a exigir maior disciplina na concessão de crédito e controle de risco.
Nesse ambiente, bancos tradicionais de grande porte podem se beneficiar da diversificação de receitas, base ampla de clientes, escala operacional e histórico de gestão de risco. Para os analistas, esses fatores favorecem o Itaú (ITUB4) em relação a empresas mais sensíveis à percepção de crescimento e ao apetite por risco.
A saída do Nubank (ROXO34) da carteira não representa, necessariamente, uma visão negativa estrutural sobre a companhia. A decisão indica, sobretudo, uma preferência tática por um ativo considerado mais defensivo no atual momento de mercado.
BTG vê Itaú como âncora de qualidade entre bancos
O BTG Pactual considera o Itaú (ITUB4) a “âncora de qualidade” do setor bancário. Para os analistas, o banco apresenta qualidade de ativos sólida, exposição controlada a riscos e capacidade de preservar rentabilidade mesmo em um ambiente econômico mais volátil.
A instituição também vinha adotando uma postura mais prudente nos últimos trimestres. Essa estratégia moderou o crescimento da receita líquida no curto prazo, mas reduziu a exposição a deterioração de crédito e ajudou a proteger a qualidade do balanço.
Na avaliação do BTG, essa postura não deve ser interpretada como problema estrutural. Ao contrário, o banco entende que o Itaú (ITUB4) se preparou com antecedência para um ambiente mais difícil, o que aumenta sua atratividade no momento atual.
A tese se apoia na capacidade do Itaú de manter retornos consistentes, mesmo com menor apetite por risco em determinadas linhas de crédito.
Valuation ficou mais atraente, diz BTG
Outro ponto citado pelos analistas é o valuation. Após um período de desempenho abaixo do esperado, considerado justificável pelo BTG diante do contexto macroeconômico, o preço das ações do Itaú (ITUB4) passou a ser visto como mais atrativo.
Segundo o banco, o papel negocia a 8,6 vezes o lucro projetado para 2026. Para os analistas, esse múltiplo reforça a tese de entrada, especialmente diante da qualidade dos ativos e da capacidade de geração de resultado da instituição.
O Itaú (ITUB4) também costuma ser visto pelo mercado como um dos nomes mais defensivos entre os grandes bancos brasileiros. Em períodos de maior incerteza, investidores tendem a buscar empresas com histórico de rentabilidade, balanço forte e previsibilidade operacional.
A volta do papel à carteira recomendada mostra que o BTG Pactual passou a enxergar melhor relação entre risco e retorno para a ação em junho.
Cenário de juros altos favorece postura defensiva
A decisão do BTG ocorre em um momento de revisão das expectativas para a política monetária. Com a inflação ainda acima da meta e maior incerteza fiscal, o mercado passou a projetar uma trajetória mais dura para a Selic.
Juros elevados afetam diretamente o mercado acionário. A renda fixa se torna mais competitiva, o custo de capital das empresas aumenta e companhias dependentes de crescimento acelerado tendem a sofrer maior pressão.
Para bancos, o efeito é mais complexo. Juros altos podem ampliar spreads em algumas linhas, mas também aumentam o risco de inadimplência e reduzem a demanda por crédito. Por isso, a qualidade da carteira e a disciplina de concessão se tornam pontos centrais.
Nesse cenário, o BTG avalia que o Itaú (ITUB4) reúne características mais adequadas para atravessar o período de volatilidade.
Saída de estrangeiros aumenta pressão sobre Bolsa
A saída de cerca de R$ 27 bilhões em capital estrangeiro desde meados de abril também pesou na leitura do BTG. O fluxo externo é um dos principais motores de valorização ou pressão sobre a Bolsa brasileira, especialmente em ações de grande liquidez.
Parte desse movimento foi explicada pela valorização global de ações de tecnologia em maio, que atraiu recursos para mercados desenvolvidos e reduziu o apetite por ativos brasileiros.
Com menos entrada de capital estrangeiro, o Ibovespa fica mais sensível a choques domésticos, como revisões de juros, ruídos fiscais e incertezas políticas. Esse ambiente favorece carteiras mais seletivas e com maior peso em empresas consideradas resilientes.
A inclusão do Itaú (ITUB4) no lugar do Nubank (ROXO34) se encaixa nessa leitura de maior cautela.
Carteira 10SIM reúne dez ações da B3
A carteira 10SIM do BTG Pactual é atualizada mensalmente e reúne dez ações listadas na B3. A seleção busca refletir as principais teses do banco para o mês, considerando cenário macroeconômico, valuation, resultados corporativos e fluxo de mercado.
Em junho, o retorno do Itaú (ITUB4) chama atenção por marcar uma preferência por qualidade, escala e resiliência dentro do setor financeiro.
Para investidores, a mudança indica que o BTG passou a priorizar um banco tradicional e rentável diante de um cenário de crédito mais desafiador, juros elevados e maior volatilidade nos ativos brasileiros.
A troca também reforça uma leitura mais ampla do mercado: em momentos de incerteza, papéis com balanço sólido, rentabilidade recorrente e menor sensibilidade a revisões de crescimento tendem a ganhar espaço nas carteiras recomendadas.









