A atividade do Airbnb movimentou mais de R$ 113 bilhões na economia brasileira em 2025, segundo estudo divulgado nesta terça-feira (23) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O levantamento aponta que as operações relacionadas à plataforma de hospedagem contribuíram com quase R$ 63 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB), sustentaram mais de 700 mil postos de trabalho e geraram aproximadamente R$ 9 bilhões em tributos. Os números representam avanço em relação ao ano anterior e reforçam o peso crescente do aluguel por temporada na cadeia econômica do turismo nacional.
De acordo com a pesquisa, encomendada pelo Airbnb e elaborada com base em metodologia de insumo-produto, a movimentação econômica associada à plataforma registrou crescimento de 13% em comparação com 2024. O impacto sobre o PIB brasileiro também avançou 12% no período, refletindo não apenas os gastos diretos dos viajantes, mas também os efeitos indiretos em diversos setores da economia.
O estudo mostra que a atividade do Airbnb vai além das reservas de hospedagem. Os recursos movimentados alcançam restaurantes, supermercados, transportes, serviços de limpeza, manutenção de imóveis, comércio local e pequenos empreendedores, ampliando a circulação de renda em diferentes regiões do país.
Segundo a FGV, os resultados reforçam a consolidação do modelo de aluguel por temporada no Brasil em um momento de expansão do turismo doméstico e de maior diversificação das opções de hospedagem oferecidas aos consumidores.
Impacto do Airbnb alcança PIB, emprego e arrecadação tributária
Os dados divulgados pela FGV indicam que o Airbnb ampliou sua relevância econômica em praticamente todos os indicadores analisados.
A contribuição para o PIB brasileiro atingiu quase R$ 63 bilhões em 2025. O cálculo considera tanto os efeitos diretos gerados pelas estadias quanto os impactos indiretos decorrentes das relações produtivas criadas ao longo da cadeia econômica.
A renda do trabalho associada à atividade da plataforma alcançou aproximadamente R$ 32 bilhões no período, crescimento próximo de 12% em relação ao ano anterior.
Já o número de empregos sustentados pela atividade ultrapassou 700 mil vagas, também registrando expansão de cerca de 12% na comparação anual.
Além disso, a arrecadação tributária gerada pelas operações relacionadas ao Airbnb chegou a quase R$ 9 bilhões, reforçando a relevância fiscal do setor para estados, municípios e governo federal.
Os números sugerem que o impacto econômico da plataforma não se concentra apenas nos anfitriões que alugam imóveis, mas se espalha por diferentes segmentos ligados ao turismo e ao consumo.
Turismo impulsiona cadeia de serviços em diversas regiões
O estudo destaca que o crescimento da atividade do Airbnb tem efeito multiplicador sobre a economia brasileira.
Quando um viajante realiza uma reserva, os gastos normalmente extrapolam a hospedagem. Alimentação, transporte urbano, passeios turísticos, compras e contratação de serviços locais passam a integrar a cadeia econômica associada à viagem.
Esse movimento beneficia especialmente pequenos negócios e prestadores de serviços que dependem diretamente da circulação de turistas.
Segundo a análise da FGV, os impactos econômicos se distribuem por diversos segmentos produtivos, ampliando a geração de renda em municípios turísticos e também em cidades que tradicionalmente ficam fora dos principais roteiros nacionais.
O fenômeno tem chamado atenção de economistas do setor por contribuir para a descentralização dos fluxos turísticos e pela capacidade de ampliar a ocupação em localidades com infraestrutura hoteleira limitada.
Na prática, a expansão da oferta de acomodações por meio de plataformas digitais aumenta a capacidade de recepção de visitantes sem exigir investimentos imediatos em novos empreendimentos hoteleiros.
Crescimento das reservas reforça expansão do aluguel por temporada
A atualização do estudo ocorre em meio à continuidade da expansão das reservas realizadas por brasileiros.
Dados apresentados pela companhia mostram que o número de noites reservadas por usuários brasileiros no Airbnb cresceu mais de 20% no primeiro trimestre de 2026.
O avanço marcou o terceiro trimestre consecutivo com expansão superior a esse patamar, indicando que o hábito de utilizar plataformas de hospedagem permanece em trajetória de crescimento.
O desempenho acompanha um movimento observado globalmente após a recuperação do turismo internacional e doméstico nos últimos anos.
Além da busca por preços competitivos, consumidores têm demonstrado interesse crescente por hospedagens alternativas, imóveis completos e experiências mais personalizadas durante as viagens.
Esse cenário favorece o crescimento do Airbnb, que ampliou sua presença em destinos urbanos, litorâneos, rurais e em localidades consideradas emergentes no mercado turístico.
A tendência também ocorre em um contexto de digitalização do setor de turismo e maior familiaridade dos consumidores com plataformas de economia compartilhada.
Oferta adicional de hospedagem amplia capacidade turística
Um dos pontos destacados pela pesquisa é a capacidade do Airbnb de ampliar a oferta de acomodações disponíveis aos viajantes.
Segundo o levantamento, parte significativa das viagens realizadas atualmente depende da existência de opções complementares às estruturas tradicionais de hospedagem.
Em períodos de alta demanda, como feriados prolongados, eventos culturais, festivais e temporadas de férias, a disponibilidade de imóveis para aluguel por temporada contribui para absorver o aumento do fluxo turístico.
A expansão da oferta também permite atender perfis variados de consumidores, incluindo famílias, grupos maiores e viajantes que buscam estadias de longa duração.
Na avaliação da FGV, esse modelo amplia o acesso ao turismo e distribui parte dos benefícios econômicos para moradores que disponibilizam imóveis em suas comunidades.
A dinâmica tem sido observada em cidades médias e pequenas, onde a presença de hotéis costuma ser mais limitada e a atividade turística depende fortemente da capacidade de acomodação disponível.
Economia local recebe parcela relevante dos recursos gerados
Outro aspecto apontado pelo estudo é a permanência de parte expressiva da renda nas localidades onde os imóveis estão situados.
Diferentemente de modelos mais concentrados de hospedagem, o aluguel por temporada permite que proprietários e anfitriões recebam diretamente os recursos provenientes das reservas.
Esse dinheiro tende a ser reinvestido em consumo local, manutenção dos imóveis, contratação de serviços e realização de melhorias nas propriedades.
O efeito gera circulação econômica em bairros e comunidades que frequentemente ficam à margem dos grandes corredores turísticos.
Para economistas especializados em desenvolvimento regional, esse mecanismo contribui para uma distribuição mais ampla dos benefícios gerados pelo turismo.
A movimentação econômica observada pela FGV sugere que a atividade do Airbnb se tornou parte relevante da estrutura produtiva ligada às viagens e ao setor de serviços no Brasil.
Metodologia mede efeitos diretos e indiretos na economia
A pesquisa “Airbnb: Impactos e Benefícios Econômicos no Brasil” foi desenvolvida pela FGV com base em metodologia de insumo-produto, amplamente utilizada para avaliar os efeitos econômicos de determinados setores.
O modelo considera inicialmente os impactos diretos, representados pelos gastos realizados por hóspedes e anfitriões.
Na sequência, incorpora os impactos indiretos decorrentes das compras e contratações geradas ao longo das cadeias produtivas associadas a essas despesas.
Para elaborar o levantamento, a instituição utilizou dados internos da plataforma referentes ao ano de 2025, além de informações complementares da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A análise também levou em consideração características específicas de estados e municípios, utilizando matrizes regionais para refletir diferenças econômicas locais.
Segundo a FGV, esse método permite mensurar de forma mais abrangente os reflexos da atividade do Airbnb sobre emprego, renda, arrecadação tributária e geração de valor agregado para a economia brasileira.
Expansão do turismo digital fortalece disputa no mercado de hospedagem
Os números divulgados reforçam a transformação estrutural observada no setor de hospedagem ao longo da última década.
Plataformas digitais passaram a disputar espaço com hotéis tradicionais, redes de hospedagem e operadores turísticos, alterando a dinâmica competitiva do mercado.
O avanço do Airbnb ocorre em um ambiente de crescente digitalização das reservas e de mudanças no comportamento dos consumidores.
Ao mesmo tempo, o crescimento do segmento mantém debates regulatórios em diferentes países sobre tributação, regras urbanísticas, concorrência e impactos no mercado imobiliário.
No Brasil, a expansão contínua da atividade coloca o aluguel por temporada entre os temas cada vez mais relevantes para governos locais, setor turístico e agentes econômicos ligados ao mercado de viagens.
Com movimentação superior a R$ 113 bilhões em 2025, contribuição de quase R$ 63 bilhões para o PIB e mais de 700 mil empregos sustentados, o Airbnb consolida sua presença como um dos principais agentes econômicos da cadeia do turismo brasileiro, ampliando sua influência sobre consumo, serviços e desenvolvimento regional.









