O Banco do Brasil (BBAS3) ampliou sua atuação no Move Brasil com uma parceria comercial com a BYD para financiar veículos de menor impacto ambiental a motoristas de aplicativos e taxistas. A oferta permite financiar automóveis elegíveis de até R$ 150 mil, com prazo de até 72 meses, carência de até seis meses e juros de 0,91% ao mês para mulheres e 0,99% para os demais clientes. A contratação continua sujeita à elegibilidade no programa federal e à análise de crédito feita pelo banco.
A aproximação entre o BB e a montadora chinesa transforma uma política pública de renovação de frota em uma operação de varejo dentro das concessionárias. No sábado, 8 de agosto, o banco promoveu uma mobilização em cerca de 125 lojas da BYD, atendeu aproximadamente 1,2 mil motoristas e registrou mais de R$ 30 milhões em propostas de financiamento. O valor representa intenção de crédito submetida à análise, e não necessariamente contratos já desembolsados.
O desenho tenta resolver uma das fricções do programa: depois de ser considerado apto na plataforma do governo, o motorista ainda precisa encontrar um veículo enquadrado e uma instituição financeira disposta a assumir o risco da operação. Ao aproximar banco, concessionária e cliente no mesmo ponto de venda, a parceria busca encurtar esse caminho.
Para a BYD, o público de aplicativos e táxis utiliza o automóvel como ativo de trabalho, com quilometragem normalmente superior à de um veículo de uso particular. Isso coloca preço, gasto com energia ou combustível, manutenção, seguro e prestação no centro da decisão econômica sobre a troca do carro.
Crédito tem teto de R$ 150 mil e prazo de seis anos
O Move Brasil estabelece condições comuns para as instituições financeiras participantes. Motoristas de aplicativo precisam manter cadastro ativo por pelo menos 12 meses na mesma plataforma e comprovar ao menos 100 corridas nesse período. Taxistas devem estar devidamente registrados e ativos. A iniciativa é voltada a pessoas físicas e limita a aquisição a um veículo por CPF.
Para automóveis novos, o valor final da nota fiscal deve ser de até R$ 150 mil. O veículo também precisa cumprir critérios de sustentabilidade e constar das relações de modelos e fabricantes habilitados. Entre as tecnologias admitidas estão modelos elétricos, híbridos a etanol e veículos flex enquadrados nas regras oficiais.
O BNDES permite financiar até 100% dos itens elegíveis, mas isso não significa crédito sem entrada para todos. A instituição financeira que assume o risco pode definir o percentual financiado e exigir sinal conforme sua política. A aprovação do cadastro no portal do governo apenas confirma que o motorista cumpre os requisitos do programa; ela não substitui a avaliação financeira do banco.
Na oferta divulgada pelo Banco do Brasil, os juros são de 0,91% ao mês para mulheres e 0,99% ao mês para os demais clientes, com pagamento em até 72 meses. A carência pode chegar a seis meses para amortização do principal. Durante esse período, os juros continuam sendo pagos e não podem ser incorporados ao saldo devedor, conforme as regras do BNDES.
Move Brasil opera com recursos de até R$ 30 bilhões
A linha para motoristas integra uma estrutura de crédito de até R$ 30 bilhões coordenada pelo governo federal e operacionalizada pelo BNDES por meio de instituições financeiras credenciadas. O modelo é indireto: os recursos passam pelo sistema bancário, e o agente financeiro decide se concede ou não o financiamento.
Do montante previsto, pelo menos R$ 3 bilhões foram reservados para mulheres e outros R$ 3 bilhões para taxistas. A diferenciação de taxa também favorece as motoristas, que têm custo máximo inferior ao aplicado aos demais tomadores.
O protocolo do BNDES começou a receber operações em 19 de junho. Antes de procurar o banco, o profissional precisa se cadastrar na plataforma oficial do Move Brasil, que verifica se os critérios de participação são atendidos. A resposta sobre a elegibilidade é encaminhada após o processamento das informações disponíveis ao governo.
Para motoristas de aplicativos, o governo utiliza informações fornecidas pelas plataformas cadastradas. Não há exclusividade para Uber ou 99. Outras empresas podem participar desde que estejam integradas ao programa. As 100 corridas exigidas, contudo, precisam ter sido realizadas em uma mesma plataforma; não é permitido somar viagens feitas em aplicativos diferentes.
Depois da confirmação de elegibilidade começa uma segunda seleção, agora financeira. O banco analisa renda, histórico de crédito, capacidade de pagamento e seus critérios internos. A política pública reduz o custo e organiza as condições, mas não elimina o risco bancário.
Parceria leva financiamento para dentro das concessionárias
A mobilização realizada pelo BB e pela BYD em agosto mostra como essa segunda etapa pode ser organizada. Em aproximadamente 125 concessionárias, equipes atenderam 1,2 mil profissionais e reuniram mais de R$ 30 milhões em propostas.
Uma proposta pode ser rejeitada, alterada ou aprovada por valor distinto do solicitado. Por isso, os R$ 30 milhões não devem ser tratados como financiamento já liberado. O número mostra a demanda capturada durante a ação comercial e a capacidade de geração de negócios da parceria.
Para o Banco do Brasil, a operação abre uma relação mais ampla com trabalhadores autônomos cuja vida financeira gira em torno do veículo. Além do crédito, o banco anunciou seguros, cartões, assistências e coberturas voltadas a esse público, ampliando a possibilidade de relacionamento para além do financiamento.
A BYD entra com a rede de concessionárias e modelos que podem se enquadrar no programa. Nas condições comerciais de agosto, a montadora oferece, por exemplo, bônus de R$ 8 mil para a compra do Dolphin GS por meio do Move Brasil, condicionado às regras promocionais e à aprovação de crédito pela instituição responsável.
Elétrico passa a ser analisado como ferramenta de trabalho
A entrada de veículos elétricos acrescenta uma variável econômica diferente da compra convencional. Para quem utiliza o automóvel profissionalmente, o preço de aquisição é apenas uma parcela do custo. Consumo de energia ou combustível, manutenção, depreciação, seguro, disponibilidade para rodar e valor da prestação interferem diretamente na renda líquida.
Um prazo de até seis anos reduz a amortização mensal, mas prolonga a exposição à dívida e exige atenção ao custo total do contrato. A carência inicial também não elimina o custo financeiro: como os juros precisam ser pagos durante o período, ela adia o principal, mas não cria meses sem desembolso financeiro.
No caso de um elétrico, a viabilidade depende ainda da rotina do motorista. Acesso à recarga, tarifa de energia, autonomia, tempo de carregamento e quilometragem diária influenciam o custo de uso. Para profissionais que percorrem muitos quilômetros por mês, diferenças pequenas por quilômetro podem ganhar peso relevante ao longo do ano.
É nesse público de utilização intensiva que o programa pode funcionar como porta de entrada para novas tecnologias de propulsão. Ao mesmo tempo, a necessidade de manter o automóvel disponível para trabalhar torna manutenção e tempo de parada fatores mais sensíveis do que para consumidores de uso particular.
Banco mantém decisão sobre aprovação do crédito
Embora o Move Brasil tenha sido criado pelo governo e utilize a estrutura do BNDES, a instituição financeira continua responsável pela análise. Nas operações indiretas, o agente credenciado assume o risco perante o banco de desenvolvimento, ressalvados mecanismos específicos de garantia previstos pelo programa.
O Move Motoristas permite o uso do FGI Peac como garantia parcial em operações elegíveis. O instrumento pode reduzir a exposição do banco e facilitar o acesso ao crédito, mas não funciona como seguro para o motorista nem elimina sua obrigação de pagamento.
Essa arquitetura explica por que dois profissionais igualmente aptos na plataforma federal podem receber decisões diferentes. O cumprimento dos requisitos profissionais abre acesso ao programa; a capacidade de pagamento continua sendo examinada individualmente.
Também não há obrigação geral de entrada zero. O BNDES informa que o programa não exige sinal, mas deixa ao agente financeiro a decisão de solicitá-lo. Percentual financiado, entrada e aprovação podem variar conforme o perfil de crédito.
Prazo atual coloca pressão sobre as contratações
Segundo as regras publicadas pelo BNDES, as instituições credenciadas devem contratar as operações com motoristas até 15 de setembro de 2026, data indicada como limite da vigência da Medida Provisória 1.359/2026 que ampara a linha, salvo mudança legislativa ou normativa posterior.
Isso cria uma janela curta entre a abertura dos protocolos, em 19 de junho, e a data-limite atual. A parceria com a BYD ocorre justamente nessa fase, quando bancos e concessionárias procuram converter profissionais elegíveis em operações contratadas.
Para o Banco do Brasil, os mais de R$ 30 milhões em propostas obtidos na mobilização mostram o potencial comercial do canal, mas o indicador decisivo será o montante efetivamente aprovado e desembolsado. Para a BYD, a medida aproxima seus veículos de um público cuja decisão de compra é fortemente determinada pela relação entre prestação e custo operacional.
A próxima etapa será a conversão das propostas coletadas nas concessionárias em contratos. Cada operação continuará condicionada à elegibilidade do motorista, ao enquadramento do veículo e à aprovação de crédito pelo BB, mantendo o Move Brasil como facilitador do financiamento sem substituir a avaliação de risco realizada pelo banco.
Fontes primárias
- Banco do Brasil — BB amplia atuação no Move Brasil com parceria com a BYD — 13 de agosto de 2026 —
https://www.bb.com.br/pbb/pagina-inicial/imprensa/n/69235/BB%20amplia%20atua%C3%A7%C3%A3o%20no%20Move%20Brasil%20com%20parceria%20com%20a%20BYD - BNDES — Programa BNDES Move Motoristas —
https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/produto/programa-move-motoristas/programa-bndes-move-motoristas - Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — Perguntas Frequentes do Move Brasil para taxistas e motoristas de aplicativos — atualização de 17 de julho de 2026 —
https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/sdic/move-brasil/taxi-e-aplicativos/faq - Governo Federal — Solicitar adesão ao Move Brasil Táxi e Aplicativos — atualização de 23 de junho de 2026 —
https://www.gov.br/pt-br/servicos/solicitar-adesao-ao-move-brasil-taxi-e-aplicativos - BYD Brasil — Condições comerciais e benefício associado ao Move Brasil — atualização de 5 de agosto de 2026 —
https://www.byd.com/br/condicoes










