A agenda econômica desta quinta-feira (25) concentra três eventos decisivos para o mercado financeiro: a divulgação do Relatório de Política Monetária do Banco Central, às 8h; o IPCA-15 de junho, às 9h; e o índice PCE dos Estados Unidos, às 9h30. Segundo apuração da Gazeta Mercantil com profissionais de mercado, os dados devem orientar a leitura dos investidores sobre inflação, juros, dólar e Bolsa em um momento de maior incerteza sobre os próximos passos da política monetária no Brasil e no exterior.
O principal foco no Brasil será o Relatório de Política Monetária, documento em que o Banco Central atualiza suas projeções para inflação, atividade econômica, crédito e balanço de riscos. A publicação ocorre poucos dias após a ata do Copom, que detalhou a decisão unânime de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano.
Nos bastidores do mercado, a avaliação é que a ata não eliminou completamente as dúvidas deixadas pelo comunicado anterior. A autoridade monetária buscou justificar uma trajetória mais gradual de flexibilização, mas parte dos investidores ainda vê ruído na comunicação sobre a extensão do ciclo de cortes.
Mercado busca sinais no Banco Central
A coletiva marcada para as 11h, com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, será acompanhada de perto por bancos, gestoras e tesourarias.
Segundo apuração da Gazeta Mercantil, a principal dúvida entre agentes financeiros é se o Banco Central indicará espaço para continuidade dos cortes da Selic ou se adotará um tom mais cauteloso diante da inflação ainda pressionada e das incertezas fiscais.
A comunicação de Galípolo será observada especialmente por causa da tentativa de alinhar expectativas após a última decisão do Copom. A leitura predominante é que qualquer sinalização mais dura pode reduzir apostas em novos cortes de juros, enquanto uma fala mais construtiva pode aliviar a curva de juros futuros.
IPCA-15 testa cenário de inflação
Às 9h, o IBGE divulga o IPCA-15 de junho, considerado a prévia da inflação oficial. A expectativa é de alta de 0,44% no mês e avanço de 4,82% em 12 meses.
O dado é relevante porque chega em um momento de reprecificação das expectativas para a Selic. Uma inflação acima do esperado tende a reforçar cautela no Banco Central. Já uma leitura mais favorável pode sustentar a visão de que o processo de desinflação segue em curso.
Entre os grupos monitorados estão alimentação, energia elétrica, combustíveis, habitação e serviços. A inflação de serviços segue como um dos principais pontos de atenção, por refletir pressões ligadas ao mercado de trabalho e à renda.
PCE dos EUA pode mexer com dólar e emergentes
No exterior, o destaque será o índice PCE de maio, indicador de inflação preferido do Federal Reserve. A previsão é de alta de 0,5% no mês e avanço de 4,1% em 12 meses.
O dado será divulgado junto com o PIB final do primeiro trimestre, previsto em 1,6%, os pedidos semanais de auxílio-desemprego, estimados em 225 mil, e os números de bens duráveis.
Para investidores brasileiros, a inflação americana tem impacto direto sobre dólar, juros futuros e fluxo para mercados emergentes. Caso o PCE venha acima do esperado, o Fed pode manter juros elevados por mais tempo, fortalecendo o dólar no exterior e pressionando moedas como o real.
Lula mira fertilizantes e infraestrutura em Mato Grosso do Sul
Na agenda política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre compromissos em Mato Grosso do Sul. Pela manhã, visita a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobras, em Três Lagoas, e participa do anúncio da retomada das obras da fábrica.
A unidade é considerada estratégica pelo governo por reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados, tema sensível para o agronegócio e para a segurança de abastecimento.
À tarde, Lula visita o Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, participa de cerimônia sobre reforma agrária e acompanha o anúncio da entrega de obras de ampliação e modernização de aeroportos concedidos no estado.
Petrobras informa recorde em Búzios
No campo corporativo, a Petrobras informou que o campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, atingiu produção média recorde de 1,1 milhão de barris de petróleo por dia na terça-feira.
A marca supera o recorde anterior de 1 milhão de barris por dia, registrado em outubro de 2025. O desempenho reforça o peso do pré-sal na geração de caixa da companhia e na produção nacional de petróleo.
Para investidores, Búzios segue como um dos principais ativos da Petrobras e um ponto central nas projeções de produção, dividendos e investimentos da estatal.
Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado
Em Brasília, o senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou sua saída da liderança do governo no Senado após reunião com Lula no Palácio da Alvorada. Wagner é alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
“Acabei de ter uma ótima reunião com o presidente Lula, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal”, afirmou o senador em publicação na rede social X.
O parlamentar nega irregularidades e tem direito à defesa. A mudança ocorre em um momento delicado para a articulação política do governo no Congresso, especialmente em pautas econômicas e fiscais.
Geopolítica mantém cautela nos mercados
No exterior, investidores seguem atentos ao Oriente Médio. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que tropas israelenses não deixarão o sul do Líbano, o que pode dificultar negociações diplomáticas envolvendo Irã e Estados Unidos.
A tensão regional ainda preocupa mercados por causa do Estreito de Ormuz, rota estratégica para petróleo e gás natural liquefeito. Embora parte do risco energético tenha diminuído após sinais de acordo entre EUA e Irã, o cenário segue sensível.
Na Bolívia, governos da região e o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificaram como “grave ameaça” à ordem constitucional os esforços para desestabilizar o governo local.
Indicadores devem calibrar apostas para o segundo semestre
A combinação de IPCA-15, Relatório de Política Monetária e PCE torna esta quinta-feira uma das sessões mais relevantes para a leitura de juros no curto prazo.
Segundo a apuração da Gazeta Mercantil, mesas de operação devem reagir principalmente à diferença entre as projeções do Banco Central e os dados efetivos de inflação no Brasil e nos Estados Unidos.
O resultado pode afetar a curva de juros, o câmbio, o Ibovespa e a estratégia de alocação de investidores estrangeiros em ativos brasileiros.








