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Aécio lidera rejeição; Flávio Bolsonaro e Lula aparecem em seguida

Pesquisa AtlasIntel mostra Aécio com 54%, Flávio Bolsonaro com 53% e Lula com 48,6%; os dois primeiros estão tecnicamente empatados.

por Júlia Campos
01/07/2026 às 08h39
em Política
Aécio Lidera Rejeição; Flávio Bolsonaro E Lula Aparecem Em Seguida - Gazeta Mercantil - Política

O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem tecnicamente empatados no topo da rejeição entre os líderes políticos avaliados pela pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira, 1º de julho. Aécio registra 54%, enquanto Flávio tem 53%. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece em terceiro lugar, com 48,6%.

A diferença de um ponto percentual entre os dois primeiros colocados está dentro da margem de erro do levantamento, também de um ponto percentual, para mais ou para menos. Dessa forma, não é possível afirmar estatisticamente que Aécio seja mais rejeitado do que Flávio no conjunto da população pesquisada.

A pesquisa ouviu 4.999 pessoas entre 26 e 30 de junho, por meio de recrutamento digital aleatório. O levantamento informa nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04582/2026.

O índice de rejeição corresponde à parcela dos entrevistados que afirma não votar de jeito nenhum em determinado político. O indicador não deve ser confundido com intenção de voto, uma vez que um nome pode reunir apoio eleitoral expressivo e, ao mesmo tempo, enfrentar resistência elevada fora de sua base.

Esse é o caso de Lula e Flávio Bolsonaro. Embora estejam entre os políticos mais rejeitados, os dois ocupam as primeiras posições no principal cenário de primeiro turno testado pela AtlasIntel. Lula aparece com 46,3%, ante 36,6% de Flávio.

Margem de erro coloca Aécio e Flávio em empate técnico

Aécio Neves tem rejeição de 54%, resultado que pode oscilar entre 53% e 55% quando considerada a margem de erro geral informada pela pesquisa. Flávio Bolsonaro, com 53%, pode variar entre 52% e 54%.

A sobreposição dos intervalos coloca os dois em situação de empate técnico na liderança da rejeição. O resultado não permite concluir que a resistência a Aécio seja efetivamente maior do que a enfrentada por Flávio em toda a população brasileira.

Lula aparece abaixo dos dois, com 48,6%. Ainda assim, o percentual indica que quase metade dos entrevistados declara que não votaria no presidente em nenhuma circunstância.

Na sequência estão o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com 45,2%, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), com 43,2%. Ronaldo Caiado (PSD) registra 38,6%, praticamente o mesmo resultado de Romeu Zema (Novo), que tem 38,5%.

Renan Santos, do Missão, aparece com rejeição de 35,8%. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), registra 30,7%, enquanto Joaquim Barbosa (DC) tem o menor índice entre os nomes apresentados, com 24,6%.

A pesquisa informa ainda que 1% dos entrevistados marcou a opção “nenhum destes”. O dado significa que essa parcela não indicou nenhum dos políticos apresentados como um nome em quem não votaria de jeito nenhum. O percentual, portanto, não representa eleitores que rejeitam todos os nomes.

Lula lidera principal cenário de primeiro turno

Apesar da rejeição de 48,6%, Lula lidera o principal cenário estimulado de primeiro turno com 46,3% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 36,6%, uma diferença de 9,7 pontos percentuais.

Renan Santos ocupa a terceira posição, com 7,8%. Ronaldo Caiado tem 2,9%, enquanto Romeu Zema registra 2%. Joaquim Barbosa aparece com 1%.

Os demais nomes ficam abaixo desse patamar. Aécio Neves tem 0,7%, Samara Martins (UP) registra 0,6%, Augusto Cury (Avante) aparece com 0,5% e Cabo Daciolo (Mobiliza), com 0,3%.

Rui Costa Pimenta (PCO) tem 0,1%. Edmilson Costa (PCB) e Hertz Dias (PSTU) não pontuaram nesse cenário. Os votos brancos e nulos somam 1,1%, enquanto 0,1% dos entrevistados declarou não saber em quem votar.

Os números mostram que rejeição e intenção de voto medem dimensões diferentes da disputa. Aécio lidera numericamente o índice de resistência, mas recebe menos de 1% das intenções de voto. Lula, por outro lado, combina rejeição elevada com a maior base eleitoral entre os nomes apresentados.

Flávio também apresenta essa dupla característica. O senador tem o segundo maior índice de rejeição, mas reúne 36,6% das intenções de voto e aparece como o principal adversário do presidente no cenário testado.

Polarização concentra votos e rejeição

A combinação entre intenção de voto elevada e forte rejeição indica que Lula e Flávio Bolsonaro concentram tanto apoio quanto resistência entre os entrevistados.

Lula reúne 46,3% no primeiro turno, mas é rejeitado por 48,6%. Flávio tem 36,6% das intenções de voto e rejeição de 53%.

Os percentuais ajudam a delinear um cenário de polarização eleitoral. Os dois primeiros colocados possuem bases expressivas, mas enfrentam dificuldades para avançar entre eleitores que se posicionam fora de seus respectivos campos políticos.

A situação de Aécio Neves é diferente. O deputado registra o maior percentual nominal de rejeição, com 54%, mas aparece com apenas 0,7% das intenções de voto no principal cenário.

A combinação representa uma dificuldade adicional para uma eventual candidatura presidencial. Além de ampliar uma base atualmente reduzida, Aécio teria de enfrentar a resistência manifestada pela maioria dos entrevistados.

A pesquisa, contudo, representa apenas o momento em que as entrevistas foram realizadas. As candidaturas ainda precisam ser formalizadas nas convenções partidárias, previstas para ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto.

Lula vence todos os confrontos diretos testados

A AtlasIntel também simulou diferentes cenários de segundo turno. Lula aparece à frente em todos os confrontos apresentados aos entrevistados.

Contra Flávio Bolsonaro, o presidente registra 48,8%, enquanto o senador tem 42,3%. A diferença é de 6,5 pontos percentuais. Brancos, nulos e entrevistados que não souberam responder somam 8,9%.

Em uma disputa contra Ronaldo Caiado, Lula aparece com 48%, ante 39% do adversário. Nesse cenário, a diferença chega a nove pontos percentuais, e 13,1% não escolhem nenhum dos dois nomes.

Contra Romeu Zema, o presidente registra 48,2%, enquanto o representante do Novo aparece com 38,5%. Brancos, nulos e indecisos somam 13,3%.

A maior vantagem de Lula ocorre no confronto com Renan Santos. O presidente alcança 49,2%, ante 28,9% do adversário, uma distância de 20,3 pontos percentuais. Nesse cenário, 21,9% não indicam voto em nenhum dos dois.

Em uma disputa com Michelle Bolsonaro, Lula tem 48,7%, enquanto a ex-primeira-dama registra 38,9%. A diferença é de 9,8 pontos, e 12,4% aparecem como brancos, nulos ou indecisos.

A pesquisa também apresenta um confronto hipotético entre Lula e Jair Bolsonaro. O presidente registra 48,6%, ante 43,1% do ex-presidente. Os entrevistados que não escolhem nenhum dos nomes somam 8,3%.

Os cenários de segundo turno não constituem previsão do resultado das eleições. Eles mostram como os entrevistados responderam às alternativas apresentadas durante a coleta realizada no fim de junho.

Michelle registra 19,3% em cenário alternativo

A pesquisa testou ainda um cenário de primeiro turno no qual Michelle Bolsonaro ocupa o espaço de principal nome do PL.

Nessa simulação, Lula lidera com 47,1%, enquanto Michelle aparece com 19,3%. Romeu Zema registra 8,6%, seguido por Renan Santos e Ronaldo Caiado, ambos com 8,1%. Joaquim Barbosa tem 1,7%.

Os votos brancos e nulos chegam a 5,1%, enquanto 2% dos entrevistados afirmam não saber em quem votar.

O desempenho de Michelle fica abaixo do resultado obtido por Flávio no principal cenário, no qual o senador registra 36,6%. A comparação, entretanto, exige cautela porque as listas apresentadas aos entrevistados não são idênticas.

O cenário com Flávio reúne um número maior de candidatos, incluindo Aécio Neves, Samara Martins, Augusto Cury, Cabo Daciolo, Rui Costa Pimenta, Edmilson Costa e Hertz Dias. Já a simulação com Michelle apresenta uma relação mais reduzida de nomes.

Por essa razão, a diferença não pode ser interpretada como uma transferência automática de votos entre integrantes da família Bolsonaro. Parte do resultado pode decorrer da própria composição de cada cenário.

Ainda assim, os números mostram que, entre os nomes do PL testados nos cenários de primeiro turno, Flávio apresenta maior concentração de intenções de voto do que Michelle nesta rodada.

Pesquisa anterior da AtlasIntel permanece suspensa

O levantamento divulgado nesta quarta-feira possui registro diferente de uma pesquisa anterior da AtlasIntel cuja divulgação foi suspensa por decisão liminar do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques.

A pesquisa suspensa está registrada sob o número BR-06939/2026 e foi realizada entre 13 e 18 de maio. O levantamento divulgado agora possui o registro BR-04582/2026 e ouviu os entrevistados entre 26 e 30 de junho.

A suspensão foi determinada depois de uma representação apresentada pelo Partido Liberal. A legenda alegou que o questionário da pesquisa de maio continha elementos capazes de induzir respostas desfavoráveis a Flávio Bolsonaro.

Em análise preliminar, Nunes Marques apontou indícios de possível comprometimento da metodologia, especialmente pela apresentação aos entrevistados de conteúdo relacionado a uma investigação antes das perguntas eleitorais.

A decisão determinou a suspensão da divulgação, do impulsionamento, da republicação e da manutenção do levantamento nos canais oficiais do instituto. O julgamento da liminar pelo plenário do TSE foi iniciado em 9 de junho, mas acabou interrompido por pedido de vista.

A suspensão da pesquisa de maio não alcança automaticamente o levantamento divulgado em 1º de julho. As duas pesquisas possuem registros, períodos de coleta e questionários diferentes.

A série histórica apresentada pela AtlasIntel na rodada atual também não incorpora os resultados de maio nos gráficos comparativos. Os dados avançam de abril diretamente para junho.

Rejeição pode limitar expansão no segundo turno

O índice de rejeição ganha relevância em eleições presidenciais porque indica o grau de dificuldade que determinado político pode enfrentar para conquistar eleitores fora de sua base inicial.

Uma rejeição elevada não impede, isoladamente, que um candidato vença. Em disputas polarizadas, os principais concorrentes podem apresentar simultaneamente percentuais altos de apoio e de resistência.

O indicador, no entanto, pode limitar a expansão de uma candidatura entre indecisos, eleitores de nomes eliminados no primeiro turno e parcelas menos identificadas com os polos políticos.

Flávio Bolsonaro, por exemplo, registra 36,6% no principal cenário de primeiro turno, mas é rejeitado por 53%. O resultado mostra uma base eleitoral expressiva acompanhada de resistência majoritária entre os entrevistados.

Lula parte de uma posição mais favorável nas intenções de voto, com 46,3%, mas também enfrenta rejeição próxima da metade do eleitorado. O percentual ajuda a explicar por que o presidente lidera, mas permanece abaixo da maioria absoluta no primeiro turno.

Aécio Neves enfrenta o quadro mais desfavorável entre os nomes testados, ao combinar 54% de rejeição com 0,7% das intenções de voto.

O levantamento divulgado em 1º de julho mostra, portanto, uma disputa ainda marcada pela concentração de votos e rejeição. Aécio e Flávio estão tecnicamente empatados no topo da resistência, enquanto Lula reúne a maior intenção de voto e lidera todas as simulações de segundo turno apresentadas pela AtlasIntel.

As candidaturas, porém, ainda não foram formalizadas. Partidos e federações realizarão convenções entre 20 de julho e 5 de agosto, e a propaganda eleitoral geral começará em 16 de agosto. Até lá, os números devem ser tratados como um retrato da pré-campanha no encerramento de junho.

Fontes:

Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg — Eleições Presidenciais Brasil 2026 — coleta realizada entre 26 e 30 de junho de 2026 — registro TSE BR-04582/2026.

Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral.

Decisões e comunicados do Tribunal Superior Eleitoral referentes à pesquisa BR-06939/2026.

Calendário oficial das Eleições Gerais de 2026.

Como apuramos

Esta reportagem foi elaborada com base na íntegra do relatório da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, nos dados metodológicos associados ao registro BR-04582/2026 e nas informações oficiais do Tribunal Superior Eleitoral disponíveis até 1º de julho de 2026. Os resultados foram analisados considerando a margem de erro de um ponto percentual informada pelo instituto.

Tags: Aécio NevesAtlasIntelEleições 2026Flávio Bolsonarointenção de votoLulapesquisa eleitoralPolíticapresidência da Repúblicarejeiçãorejeição presidencial

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