O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve nesta sexta-feira, 3 de julho de 2026, a prisão domiciliar humanitária do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão prorroga a medida concedida em março, depois de uma internação para tratamento de broncopneumonia bacteriana.
Bolsonaro continuará cumprindo pena em sua residência, em Brasília, submetido às restrições do regime fechado e às condições determinadas pelo Supremo. Entre elas estão o uso de tornozeleira eletrônica, a limitação de visitas e a proibição de utilizar celulares ou outros meios de comunicação externa, inclusive por intermédio de terceiros.
A manutenção da prisão domiciliar atende a um pedido apresentado pela defesa, que alegou que o quadro clínico do ex-presidente ainda exige acompanhamento contínuo e cuidados especiais. Nas últimas semanas, os advogados também informaram o retorno de crises persistentes de soluço e a necessidade de novos exames.
A medida não representa liberdade, progressão para um regime mais brando nem redução da pena. Bolsonaro permanece preso e o período em casa continuará sendo contabilizado como cumprimento da condenação.
Prisão domiciliar havia sido concedida por 90 dias
Moraes autorizou a prisão domiciliar humanitária em 24 de março, inicialmente pelo período de 90 dias. Bolsonaro passou efetivamente a cumprir a medida em 27 de março, quando recebeu alta do Hospital DF Star.
O ex-presidente havia sido internado em Brasília com broncopneumonia bacteriana, após apresentar febre, queda na saturação de oxigênio e outros sintomas.
Na decisão inicial, o ministro classificou a substituição do estabelecimento prisional pela residência como uma medida excepcional, fundamentada exclusivamente nas condições de saúde.
O prazo original terminou em 25 de junho. Antes do vencimento, a defesa pediu a prorrogação e apresentou novos documentos médicos.
Moraes também solicitou informações sobre o cumprimento das regras e abriu prazo para manifestação da Procuradoria-Geral da República antes de decidir sobre a permanência do ex-presidente em casa.
Bolsonaro continuará preso e usando tornozeleira
A prisão domiciliar não altera a situação penal do ex-presidente.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão imposta pelo STF no processo da trama golpista. A execução definitiva da condenação começou em novembro de 2025, depois do encerramento da fase de recursos.
Antes de ser transferido para casa por motivos médicos, ele estava recolhido em uma unidade prisional do Distrito Federal.
A decisão desta sexta-feira apenas mantém a residência como local de cumprimento da pena enquanto persistirem as razões humanitárias reconhecidas pelo Supremo.
O ex-presidente deverá continuar usando tornozeleira eletrônica e não poderá deixar o imóvel sem autorização judicial, exceto em eventual situação médica emergencial.
Restrições de comunicação permanecem em vigor
Bolsonaro continuará proibido de usar telefone celular, telefone fixo, computador ou qualquer outro equipamento que permita comunicação externa não autorizada.
A restrição alcança contatos diretos e indiretos. O ex-presidente também não pode transmitir mensagens por meio de familiares, aliados, funcionários ou terceiros.
Em março, Moraes esclareceu que Bolsonaro não poderia acessar conteúdos apresentados em celulares de outras pessoas nem participar indiretamente de vídeos destinados às redes sociais.
A determinação foi reforçada depois que uma publicação de Eduardo Bolsonaro levantou dúvidas sobre um possível contato do ex-presidente com material exibido em um aparelho eletrônico. O ministro pediu explicações à defesa sobre o episódio.
A proibição busca impedir que a prisão domiciliar seja utilizada para manifestações políticas, articulações externas ou comunicação pública sem autorização do STF.
Visitas continuam limitadas
O acesso à residência permanece restrito a pessoas previamente autorizadas.
Michelle Bolsonaro, a filha Laura e outros moradores permanentes da casa não precisam de autorização individual para permanecer no imóvel. A exigência vale para familiares que vivem em outros endereços, aliados políticos e visitantes em geral.
Advogados, médicos, fisioterapeutas, seguranças e prestadores de serviços podem entrar de acordo com as condições fixadas pelo Supremo.
Moraes já havia negado um pedido para que os filhos do ex-presidente tivessem livre acesso à residência. Na ocasião, afirmou que a prisão domiciliar não poderia ser tratada como flexibilização do regime fechado.
As visitas de familiares foram autorizadas pontualmente, dentro de horários e condições definidos pelo ministro.
Aliados políticos permaneceram impedidos de visitar Bolsonaro durante o período inicial da medida.
Relatórios não indicaram violação das principais regras
Durante os primeiros 90 dias, a Polícia Militar do Distrito Federal produziu relatórios sobre a fiscalização da residência e a entrada de pessoas no imóvel.
Segundo as informações divulgadas, os documentos não apontaram descumprimento das principais restrições relacionadas a visitas e comunicação.
O comportamento do condenado durante o período é um dos elementos considerados pelo Judiciário ao avaliar a continuidade de uma prisão domiciliar.
Uma eventual violação das condições poderá provocar a revogação da medida e o retorno de Bolsonaro a um estabelecimento prisional.
O STF também poderá ampliar a fiscalização, reduzir o número de pessoas autorizadas ou impor novas restrições caso identifique irregularidades.
Defesa alegou necessidade de cuidados permanentes
No pedido de prorrogação, os advogados afirmaram que Bolsonaro continua necessitando de assistência médica frequente.
Além do episódio recente de broncopneumonia, a defesa mencionou o histórico de cirurgias abdominais e complicações decorrentes da facada sofrida durante a campanha presidencial de 2018.
Os documentos médicos também relataram o retorno de crises de soluço, sintoma que já havia provocado internações anteriores.
A equipe jurídica sustentou que a transferência para uma unidade prisional poderia comprometer o tratamento e dificultar respostas rápidas em caso de agravamento súbito.
Os laudos apresentados indicaram melhora do quadro respiratório, mas defenderam a continuidade do acompanhamento em ambiente domiciliar.
Moraes pode exigir nova avaliação médica
A manutenção da prisão em casa não precisa ser definitiva.
Moraes poderá solicitar novos exames, laudos complementares ou uma perícia médica oficial para verificar se as condições que justificaram a medida continuam presentes.
O ministro também poderá rever a decisão caso os médicos indiquem que Bolsonaro recuperou condições suficientes para retornar à unidade prisional.
A defesa deverá manter o STF informado sobre consultas, procedimentos, internações e mudanças relevantes no estado de saúde.
Durante o primeiro período da prisão domiciliar, Bolsonaro deixou a residência uma vez para realizar um procedimento no ombro. Depois de permanecer internado por quatro dias, voltou a cumprir a pena em casa.
Caso da arma entrou na análise do STF
A decisão sobre a prorrogação ocorreu enquanto o Supremo examinava um episódio envolvendo uma pistola registrada em nome de Bolsonaro.
A arma foi encontrada com um integrante da equipe de segurança durante uma abordagem policial no Distrito Federal.
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as circunstâncias em que o armamento deixou a residência e foi transportado pelo segurança.
Bolsonaro afirmou em depoimento que mantinha a pistola em casa por razões de proteção da família. A defesa também disse que ele não tinha interesse em recuperar o armamento apreendido.
O episódio levou Moraes a pedir esclarecimentos e manifestação da Procuradoria-Geral da República antes de decidir sobre a manutenção da prisão domiciliar.
A existência da arma registrada não levou, até o momento, à revogação da medida humanitária.
STF diferencia prisão domiciliar de benefício penal
Ao analisar pedidos anteriores da defesa, Moraes ressaltou que a permanência em casa não equivale a uma progressão de regime.
O ex-presidente continua sujeito às regras próprias do regime fechado, mesmo fora de uma unidade prisional.
A residência funciona, temporariamente, como o local de custódia definido pela Justiça por causa das condições médicas.
Essa diferença é importante porque a prisão domiciliar humanitária não devolve ao condenado o direito de circular livremente, receber qualquer visitante ou retomar atividades políticas e profissionais.
A medida apenas adapta a execução da pena à necessidade de tratamento e acompanhamento médico.
Bolsonaro cumpre pena no processo da trama golpista
Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão no processo que apurou a tentativa de impedir a transição de poder depois das eleições de 2022.
O Supremo considerou o ex-presidente responsável por liderar uma organização voltada à ruptura da ordem democrática e à manutenção irregular de seu grupo político no poder.
A pena começou a ser cumprida de forma definitiva em 25 de novembro de 2025.
A transferência para prisão domiciliar ocorreu meses depois e decorreu do agravamento do quadro de saúde, não de uma revisão da condenação.
A defesa continua questionando aspectos do processo e apresentando medidas judiciais, mas a pena permanece válida e em execução.
Medida poderá ser revista se houver melhora clínica
A decisão desta sexta-feira mantém a situação atual sem transformar a prisão domiciliar em uma condição permanente.
O futuro da medida dependerá da evolução da saúde, do cumprimento das regras e das próximas avaliações judiciais.
Se os relatórios apontarem recuperação suficiente, Moraes poderá determinar o retorno de Bolsonaro à unidade prisional.
Caso o quadro permaneça instável ou surjam novas complicações, a defesa poderá solicitar outra prorrogação, acompanhada de documentação médica atualizada.
Até nova ordem, o ex-presidente continuará preso em casa, com tornozeleira eletrônica, visitas controladas e comunicação externa proibida.








