O Ibovespa fechou em alta de 0,69%, aos 176.543,51 pontos, nesta terça-feira, 28 de julho, na B3, em uma sessão marcada pela desaceleração mais forte do que a esperada do IPCA-15 e pelo recuo das taxas de juros futuros. O avanço dos bancos e de empresas mais sensíveis ao custo do crédito sustentou o índice, enquanto TIM (TIMS3) e Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, lideraram as perdas após a divulgação dos balanços do segundo trimestre de 2026.
O principal índice da Bolsa brasileira ganhou 1.209,05 pontos em relação ao fechamento anterior, de 175.334,46 pontos. A sessão começou perto da estabilidade, aos 175.326 pontos, que também representaram a mínima do dia, e ganhou força após a divulgação da prévia da inflação.
Na máxima, o Ibovespa alcançou 178.539 pontos, avanço superior a 1,8% sobre o fechamento de segunda-feira. Parte do movimento perdeu intensidade durante a tarde, diante das quedas superiores a 5% das duas maiores operadoras de telecomunicações da B3 e da postura mais seletiva observada nos mercados internacionais.
Ainda assim, o índice terminou no campo positivo pelo segundo pregão consecutivo. A alta acumulada nas duas sessões chegou a aproximadamente 1,44%, após o avanço de 0,74% registrado na segunda-feira.
Fechamento do Ibovespa em números
- Pontuação final: 176.543,51 pontos
- Variação no dia: alta de 0,69%
- Variação em pontos: 1.209,05 pontos
- Abertura: 175.326 pontos
- Máxima da sessão: 178.539 pontos
- Mínima da sessão: 175.326 pontos
- Fechamento anterior: 175.334,46 pontos
- Dólar comercial: R$ 5,12
- Variação do dólar: alta de 0,13%
- Acumulado no mês: alta de aproximadamente 2,63%
- Acumulado no ano: alta de aproximadamente 9,57%
IPCA-15 abaixo do esperado derruba juros futuros
O principal impulso doméstico veio do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, o IPCA-15, que avançou 0,06% em julho. O resultado mostrou desaceleração expressiva em relação à alta de 0,41% registrada em junho e ficou abaixo do piso das projeções coletadas no mercado.
As estimativas variavam entre 0,17% e 0,28%, com mediana de 0,21%. A surpresa favorável reforçou a percepção de que o processo de desinflação pode abrir espaço para uma flexibilização adicional da política monetária brasileira.
Em 12 meses, o IPCA-15 desacelerou de 4,80% para 4,52%. No acumulado de 2026, a prévia da inflação chegou a 3,51%.
O grupo alimentação e bebidas apresentou queda de 0,66% e exerceu a principal influência de baixa sobre o indicador. Na direção contrária, habitação avançou 0,97%, pressionada principalmente pelos custos de energia elétrica.
A reação apareceu rapidamente na curva de juros. As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro recuaram nos vencimentos intermediários e longos, refletindo a revisão das expectativas para a Selic e a queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
O fechamento da curva favoreceu ações de companhias cujo valor de mercado é mais sensível aos juros. Empresas com dívida elevada, negócios dependentes de crédito ou fluxos de caixa projetados para prazos mais longos tendem a se beneficiar quando o mercado reduz os prêmios exigidos para financiar a economia.
Bancos ajudam o Ibovespa a manter alta
As ações dos grandes bancos avançaram e exerceram influência positiva sobre o Ibovespa. O movimento acompanhou a queda dos juros futuros e a leitura de que uma inflação mais moderada pode favorecer a atividade econômica e a demanda por crédito.
O Itaú Unibanco (ITUB4) terminou cotado próximo de R$ 42,69, com valorização de cerca de 1,40%. O Bradesco (BBDC4) subiu aproximadamente 1,24%, para R$ 18,71, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) avançou 0,74%, a R$ 20,50.
A redução dos juros não produz efeito uniforme sobre o setor bancário. Taxas mais baixas podem estimular empréstimos, reduzir o custo de captação e aliviar a inadimplência, mas também alteram as margens financeiras e a remuneração de recursos próprios.
Nesta terça-feira, prevaleceu a leitura favorável ao crédito e à qualidade dos ativos. Como os bancos têm participação relevante na composição do Ibovespa, o desempenho conjunto do setor ajudou a compensar as perdas das operadoras de telecomunicações.
A B3 (B3SA3) também avançou. A operadora da Bolsa costuma responder positivamente à queda da curva de juros, que pode favorecer a migração de recursos da renda fixa para ativos de maior risco e elevar a atividade nos mercados de capitais.
TIM e Vivo despencam mesmo com crescimento operacional
TIM e Telefônica Brasil ocuparam as duas primeiras posições entre as maiores quedas do Ibovespa. A TIM (TIMS3) recuou 6,19%, para R$ 20,17, enquanto a Telefônica Brasil (VIVT3) caiu 5,90%, a R$ 33,98.
As perdas ocorreram depois que as duas companhias apresentaram seus resultados do segundo trimestre. Embora os balanços tenham mostrado crescimento de receita, Ebitda e lucro, o comportamento das ações indicou que o mercado esperava uma combinação mais forte de desempenho operacional, geração de caixa e qualidade dos resultados.
A TIM registrou receita líquida de R$ 6,965 bilhões, alta anual de 5,5%. O Ebitda normalizado avançou 7%, para R$ 3,586 bilhões, com margem de 51,5%, expansão de 0,7 ponto percentual.
O lucro líquido normalizado da operadora alcançou R$ 1,036 bilhão, crescimento de 6,2%. Entre os pontos que ganharam atenção estava o avanço de 38,1% das provisões para devedores duvidosos, influenciado por um impacto pontual associado a um cliente do segmento empresarial e de atacado.
Na Telefônica Brasil, a receita líquida somou R$ 15,757 bilhões, alta de 7,6%. O Ebitda aumentou 10,9%, para R$ 6,581 bilhões, enquanto a margem subiu 1,3 ponto percentual, para 41,8%.
O lucro líquido da dona da Vivo cresceu 17%, para R$ 1,573 bilhão. O fluxo de caixa livre, contudo, recuou 10,7%, para R$ 2,661 bilhões, diante de pagamentos maiores de tributos e de uma contribuição menor do capital de giro.
Os resultados não indicaram deterioração operacional generalizada. A reação negativa mostrou, porém, que números positivos podem não ser suficientes quando as expectativas incorporadas às cotações são elevadas.
Vamos lidera altas; Hapvida e Suzano também avançam
A Vamos (VAMO3) encerrou o pregão como a maior alta do Ibovespa, com valorização de 5,36%, a R$ 3,34. Não houve fato relevante novo identificado até o término da apuração que explicasse isoladamente o movimento.
O recuo das taxas de juros ofereceu um ambiente mais favorável para a companhia, cujo negócio de locação de caminhões, máquinas e equipamentos exige volume elevado de capital e financiamento. A relação, entretanto, deve ser tratada como um dos vetores da sessão, e não como explicação exclusiva.
A Hapvida (HAPV3) subiu 3,83%, para R$ 10,58. Empresas de saúde com estruturas financeiras sensíveis ao custo de capital também se beneficiaram da queda dos DIs.
A Suzano (SUZB3) avançou 3,10%, a R$ 43,17. A MBRF (MBRF3) ganhou 3,02%, para R$ 16,37, mantendo o desempenho positivo observado nas sessões anteriores.
A Gerdau (GGBR4) completou o grupo das cinco maiores altas, com valorização de 2,98%, a R$ 25,21.
Os movimentos ocorreram em setores diferentes e não tiveram um único fator corporativo em comum. O alívio dos juros, o ajuste de posições e notícias específicas acumuladas nos pregões anteriores contribuíram para a formação dos preços.
CSN, Sabesp e SLC Agrícola acompanham telecomunicações nas perdas
Depois de TIM e Telefônica Brasil, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) registrou a terceira maior queda do índice. O papel recuou 2,45%, para R$ 5,57.
A Sabesp (SBSP3) perdeu 1,59%, a R$ 28,41, enquanto a SLC Agrícola (SLCE3) caiu 1,42%, para R$ 13,19.
Não foi identificado, até o encerramento da apuração, um fato relevante novo que justificasse sozinho as quedas dessas três companhias. O desempenho refletiu uma combinação de ajustes setoriais, realização de ganhos e rotação de carteiras.
O comportamento reforçou a assimetria da sessão. Embora o Ibovespa tenha alcançado uma máxima superior a 178 mil pontos, a alta não foi distribuída de maneira uniforme entre os componentes do índice.
Vale avança e Petrobras sente recuo do petróleo
A Vale (VALE3) encerrou perto de R$ 75,69, com alta de aproximadamente 0,60%. O avanço moderado da mineradora ofereceu apoio ao Ibovespa, dada sua participação elevada na carteira teórica.
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) oscilaram próximas da estabilidade, sem acompanhar integralmente a alta do índice. A petrolífera continuou sob influência da correção dos preços internacionais do petróleo.
O Brent permaneceu próximo de US$ 82 por barril, depois de superar US$ 100 durante o agravamento dos conflitos no Oriente Médio. A diminuição do prêmio geopolítico reduziu o suporte para as ações de companhias produtoras.
O movimento da Petrobras não depende apenas da variação diária do barril. Câmbio, política de preços, expectativas de dividendos, investimentos e risco político também interferem na formação das cotações.
No setor de mineração e siderurgia, a alta da Vale contrastou com a queda da CSN e o avanço da Gerdau. A diferença mostrou que o comportamento das companhias não pode ser atribuído automaticamente a uma única commodity.
Dólar fecha a R$ 5,12 e juros recuam em toda a curva
O dólar comercial encerrou a sessão cotado ao redor de R$ 5,12, com alta de 0,13%. A moeda americana oscilou pouco, dividida entre a surpresa positiva com a inflação brasileira e o fortalecimento moderado do dólar no exterior.
A queda dos juros futuros foi mais intensa do que o movimento do câmbio. O IPCA-15 abaixo de todas as projeções reduziu os prêmios nos contratos intermediários e longos.
Os vencimentos de prazo menor também passaram a refletir maior probabilidade de flexibilização monetária. A próxima decisão do Comitê de Política Monetária ocorrerá na primeira semana de agosto.
As taxas exatas dos principais contratos de DI no encerramento não estavam consolidadas em fonte acessível até a conclusão da apuração. O sinal predominante, entretanto, foi de queda ao longo de toda a curva.
Wall Street fecha sem direção única antes do Fed
Os índices de Nova York terminaram a terça-feira com resultados mistos. O Dow Jones avançou 1%, aos 52.747,32 pontos, apoiado por balanços corporativos melhores do que o esperado em setores ligados ao consumo.
O S&P 500 subiu 0,2%, para 7.428,78 pontos. O Nasdaq recuou 0,2%, aos 24.876,91 pontos, pressionado por nova queda das empresas de semicondutores e de ações ligadas à inteligência artificial.
O comportamento de Wall Street limitou parte do ganho da Bolsa brasileira durante a tarde. O mercado internacional permanece cauteloso antes da decisão de política monetária do Federal Reserve.
A reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto começou nesta terça-feira e termina na quarta-feira, 29 de julho. O comunicado e a entrevista do presidente do Fed serão examinados em busca de indicações sobre inflação, atividade e trajetória dos juros americanos.
A queda do petróleo também contribuiu para o recuo dos rendimentos dos Treasuries. Juros americanos mais baixos ajudaram a curva brasileira, mas o efeito foi parcialmente compensado pela fraqueza das ações de tecnologia.
Ibovespa acumula alta de 2,63% em julho
Com o fechamento desta terça-feira, o Ibovespa passou a acumular valorização de aproximadamente 2,63% em julho. No ano, a alta alcançou cerca de 9,57%.
O índice permanece, contudo, abaixo da máxima de 178.539 pontos alcançada durante a própria sessão. O afastamento do pico mostrou que a entrada de compradores perdeu intensidade nas últimas horas de negociação.
O desempenho acumulado ainda reflete forte oscilação entre inflação doméstica, preços das commodities, decisões de política monetária e tensões internacionais.
O patamar superior a 176 mil pontos mantém o Ibovespa próximo das máximas recentes, mas a continuidade do movimento dependerá da combinação entre resultados empresariais, curva de juros e ambiente externo.
Fed e balanço do Santander entram no radar do próximo pregão
Na quarta-feira, 29 de julho, a atenção estará concentrada na decisão do Federal Reserve. Alterações na linguagem do comunicado poderão produzir reação no dólar, nos Treasuries, nas commodities e nas Bolsas globais.
No Brasil, o mercado continuará ajustando as apostas para a próxima reunião do Copom depois da surpresa com o IPCA-15. A intensidade da queda dos juros futuros será testada diante dos sinais vindos do banco central americano.
A temporada de resultados também avançará. O Santander Brasil (SANB11) está entre as companhias previstas para divulgar o balanço do segundo trimestre, inaugurando uma fase mais intensa de números dos grandes bancos.
O desempenho das ações de telecomunicações permanecerá no foco depois das fortes quedas desta terça-feira. Investidores deverão avaliar se a reação representou um ajuste pontual às expectativas ou uma revisão mais duradoura das projeções para o setor.










