O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta quarta-feira, 5 de agosto, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente em sua chapa na disputa pelo Palácio do Planalto. A escolha mantém os dois integrantes da candidatura presidencial dentro do Partido Liberal e consolida uma composição puro-sangue para as eleições de outubro.
O anúncio ocorreu durante um evento político em Brasília, no último dia do período reservado pela Justiça Eleitoral para a realização das convenções partidárias. Gaspar participou da cerimônia ao lado de Flávio, de dirigentes do PL e de outras lideranças políticas.
A definição partidária não encerra, contudo, as etapas legais da candidatura. O PL ainda precisa apresentar ao Tribunal Superior Eleitoral o pedido de registro da chapa até as 19h de 15 de agosto. O tribunal analisará a documentação, as condições de elegibilidade e eventuais impugnações antes de decidir sobre o deferimento dos nomes.
Ao escolher Gaspar, Flávio Bolsonaro incorpora à campanha um parlamentar com atuação associada às áreas de segurança pública, Ministério Público e combate ao crime organizado. O deputado ganhou projeção nacional como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investigou fraudes e descontos não autorizados em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social.
Escolha mantém candidatura presidencial dentro do PL
A indicação de Alfredo Gaspar forma uma chapa composta exclusivamente por integrantes do PL. Flávio Bolsonaro exerce mandato de senador pelo Rio de Janeiro, enquanto Gaspar representa Alagoas na Câmara dos Deputados.
Uma chapa puro-sangue preserva maior controle partidário sobre a candidatura, a estratégia eleitoral e a distribuição interna de responsabilidades. Ao mesmo tempo, deixa de utilizar a vaga de vice para incorporar formalmente outra legenda à aliança presidencial.
Durante os meses anteriores ao anúncio, aliados de Flávio discutiram a possibilidade de entregar a vice a uma liderança de outro partido, inclusive a uma mulher. Entre os nomes mencionados nas articulações estavam a senadora Tereza Cristina, do Progressistas, e a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, ligada ao Republicanos.
As negociações não produziram uma composição nacional. Partidos de centro e de centro-direita avaliaram que a neutralidade na disputa presidencial poderia preservar alianças regionais distintas e ampliar a competitividade de suas chapas para o Congresso.
A escolha de Gaspar indica que o PL decidiu concluir a formação da candidatura com um nome de seu próprio quadro. A opção reduz a incerteza sobre a vice, mas mantém aberta a discussão sobre quais partidos apoiarão formalmente Flávio durante a campanha.
Alfredo Gaspar representa Alagoas desde 2023
Alfredo Gaspar de Mendonça Neto nasceu em Maceió, em agosto de 1970. Advogado e pós-graduado em Direito Público, foi eleito deputado federal por Alagoas em 2022 e iniciou o mandato na Câmara em fevereiro de 2023.
O parlamentar foi eleito pelo União Brasil, mas transferiu-se para o PL em março de 2026. A filiação ocorreu dentro do prazo exigido para a participação nas eleições gerais deste ano.
Gaspar passou a exercer influência na organização do PL em Alagoas e vinha sendo apresentado como um dos principais nomes da legenda para a disputa estadual. Antes da definição da vice-presidência, chegou a anunciar uma candidatura ao Senado pelo estado.
A escolha para integrar a chapa presidencial exige a reconfiguração desse projeto. O Código Eleitoral não permite que uma mesma pessoa registre candidatura para mais de um cargo na mesma eleição. Gaspar, portanto, não poderá concorrer simultaneamente ao Senado e à Vice-Presidência da República.
A alteração também afeta os planos do PL em Alagoas. O partido terá de decidir se lançará outro candidato ao Senado, apoiará um nome aliado ou reorganizará a composição estadual até o encerramento dos registros.
Carreira foi construída no Ministério Público
Antes de ingressar na política eleitoral, Gaspar exerceu por aproximadamente 24 anos funções no Ministério Público de Alagoas. Entrou na instituição em 1996 e atuou em diferentes comarcas e promotorias especializadas.
O deputado presidiu o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas do Ministério Público alagoano em dois períodos. Também integrou estruturas nacionais de articulação entre grupos de atuação especial contra o crime organizado.
Gaspar ocupou o cargo de procurador-geral de Justiça de Alagoas nos biênios de 2017 a 2018 e de 2019 a 2020. Em março de 2020, deixou a chefia da instituição e pediu exoneração da carreira de promotor para ingressar definitivamente na atividade política.
Ele também comandou áreas de segurança do governo de Alagoas. Foi secretário estadual de Defesa Social entre 2015 e 2018 e secretário de Segurança Pública entre 2021 e março de 2022.
Essa trajetória deverá ser explorada pelo PL na campanha presidencial. Segurança pública, combate ao crime organizado e corrupção estão entre os temas utilizados por Gaspar em sua atuação parlamentar e em seus pronunciamentos políticos.
A experiência no Ministério Público também distingue o deputado de outros integrantes da base bolsonarista com trajetória predominantemente partidária ou empresarial. O anúncio procura associar a chapa a uma imagem de investigação e enfrentamento de estruturas criminosas.
CPMI do INSS ampliou projeção nacional
Gaspar ganhou maior exposição nacional ao assumir a relatoria da CPMI do INSS, instalada no Congresso para apurar descontos não autorizados e outras irregularidades envolvendo aposentados e pensionistas.
Ao final dos trabalhos, o deputado apresentou um relatório com mais de 4 mil páginas e pedidos de indiciamento contra 216 pessoas. A relação abrangia antigos dirigentes públicos, representantes de entidades associativas, empresários, parlamentares e ex-integrantes do governo.
O parecer, contudo, não foi aprovado pela comissão. Em votação concluída em março de 2026, o relatório de Gaspar foi rejeitado por 19 votos a 12. A CPMI encerrou suas atividades sem aprovar um texto final.
O presidente da comissão, senador Carlos Viana, informou que o material produzido pela relatoria seria encaminhado às autoridades responsáveis pelas investigações. Os pedidos de indiciamento formulados por uma comissão parlamentar não equivalem a denúncia criminal nem a condenação.
O trabalho na CPMI projetou Gaspar entre o eleitorado conservador e reforçou sua aproximação com lideranças do PL. Também o colocou no centro da disputa política entre governo e oposição sobre a origem das fraudes, a responsabilidade dos gestores públicos e o alcance das investigações.
Durante o anúncio da vice, o deputado retomou temas relacionados ao combate à corrupção, ao crime organizado e à situação econômica. Essas áreas deverão ocupar espaço relevante na apresentação inicial da chapa ao eleitorado.
Vice amplia presença da chapa no Nordeste
A escolha de um deputado de Alagoas acrescenta uma representação nordestina à candidatura liderada por Flávio Bolsonaro, senador eleito pelo Rio de Janeiro. O movimento ocorre em uma região na qual o campo político associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta historicamente maior resistência eleitoral.
A presença de Gaspar, por si só, não assegura a transferência de votos nem a formação de palanques regionais. A capacidade de ampliar a candidatura dependerá das alianças estaduais, da atuação de prefeitos, governadores e candidatos ao Congresso, além da estrutura partidária disponível em cada estado.
Em Alagoas, o deputado possui uma trajetória política vinculada à segurança pública e ao Ministério Público, mas ainda precisará ser apresentado nacionalmente a uma parcela expressiva do eleitorado.
O PL deverá utilizar a campanha para associar o nome de Gaspar aos trabalhos da CPMI do INSS. Ao mesmo tempo, adversários poderão explorar a rejeição do relatório final pela comissão e questionar as conclusões apresentadas pelo então relator.
A escolha também permite a Flávio dividir parte da agenda relacionada à segurança e à fiscalização do Estado. Tradicionalmente, candidatos a vice participam de eventos regionais, debates, entrevistas e articulações partidárias paralelas às atividades do cabeça de chapa.
Registro formal deve ser apresentado até 15 de agosto
O anúncio ocorreu no encerramento do prazo das convenções partidárias, realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto. Essas reuniões são responsáveis pela escolha formal dos candidatos e pela definição das coligações para as eleições majoritárias.
Depois da convenção, o partido ou a coligação deve transmitir os pedidos de registro à Justiça Eleitoral. Nas candidaturas ao Poder Executivo, os nomes de presidente e vice são apresentados em uma chapa única e indivisível.
O prazo para o envio termina às 19h de 15 de agosto. Compete ao TSE analisar os registros das candidaturas à Presidência e à Vice-Presidência da República.
Após a publicação do pedido, partidos, federações, coligações, candidatos e o Ministério Público Eleitoral poderão apresentar impugnações no prazo de cinco dias. Qualquer cidadão também poderá encaminhar notícia de inelegibilidade.
A Justiça Eleitoral examinará a documentação, o vínculo partidário, a regularidade dos atos da convenção e o cumprimento das condições constitucionais e legais. O anúncio político, portanto, antecede o reconhecimento definitivo da candidatura pelo tribunal.
O primeiro turno das eleições gerais está marcado para 4 de outubro de 2026. Caso nenhum candidato à Presidência obtenha a maioria absoluta dos votos válidos, os dois mais votados disputarão o segundo turno.
Definição abre nova fase da campanha de Flávio
Com a escolha do vice, Flávio Bolsonaro encerra uma das principais indefinições de sua candidatura e passa a concentrar as articulações na formação de palanques estaduais e na atração de partidos que ainda não formalizaram apoio nacional.
A opção por Gaspar preserva a identidade política do PL e incorpora à chapa um nome com histórico no Ministério Público e na segurança pública. Em contrapartida, não amplia automaticamente a aliança partidária e exige uma reorganização das candidaturas do partido em Alagoas.
A partir do registro, a campanha deverá detalhar seu programa de governo, a divisão de funções entre os candidatos e as prioridades apresentadas ao eleitorado. Também terá de demonstrar a capacidade de construir apoio fora da base partidária e regional já associada ao bolsonarismo.
Até a conclusão da análise pelo TSE, Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar devem ser tratados como candidatos escolhidos pelo PL e com registro ainda sujeito à apreciação da Justiça Eleitoral.








