Cinco companhias negociadas na B3 distribuem dividendos ou juros sobre capital próprio (JCP) entre esta segunda-feira (10) e sexta-feira (14), colocando no calendário de proventos da semana nomes como JHSF (JHSF3), WEG (WEGE3), Banco ABC Brasil (ABCB4), Schulz (SHUL3; SHUL4) e Intelbras (INTB3).
A programação começou nesta segunda-feira com a JHSF, que realiza o pagamento de aproximadamente R$ 0,0692 por ação. Na quarta-feira (12), o calendário ganha peso com o Banco ABC Brasil, que desembolsa R$ 1,168 por ação em JCP, e com a WEG, que paga R$ 0,412831673 por ação em dividendos.
Na sexta-feira (14), outros dois pagamentos completam a semana. A Schulz distribui juros sobre capital próprio para os titulares de ações ordinárias e preferenciais, com valores diferentes para cada classe, enquanto a Intelbras paga R$ 0,2856 por ação em dividendos aos investidores que cumpriram a respectiva data de corte.
Ao todo, são cinco empresas e seis códigos de negociação envolvidos, uma vez que a Schulz possui pagamentos tanto para SHUL3 quanto para SHUL4. Os valores variam conforme a companhia, o tipo de provento e a classe da ação.
Veja os dividendos e JCP pagos nesta semana
| Empresa | Ticker | Tipo | Valor por ação | Data de corte | Pagamento |
|---|---|---|---|---|---|
| JHSF | JHSF3 | Dividendo | R$ 0,069156 | 30/07/2026 | 10/08/2026 |
| Banco ABC Brasil | ABCB4 | JCP | R$ 1,1680 | 29/06/2026 | 12/08/2026 |
| WEG | WEGE3 | Dividendo | R$ 0,412832 | 19/12/2025 | 12/08/2026 |
| Schulz | SHUL3 | JCP | R$ 0,070303 | 26/03/2026 | 14/08/2026 |
| Schulz | SHUL4 | JCP | R$ 0,077333 | 26/03/2026 | 14/08/2026 |
| Intelbras | INTB3 | Dividendo | R$ 0,2856 | 03/08/2026 | 14/08/2026 |
Os valores apresentados para JCP são brutos e, portanto, não correspondem necessariamente ao montante que será creditado ao investidor após a retenção tributária aplicável. Desde 2026, os juros sobre capital próprio estão sujeitos a Imposto de Renda retido na fonte de 17,5%, conforme a legislação vigente.
Os dividendos seguem tratamento tributário próprio e, diante das mudanças introduzidas na tributação da renda a partir de 2026, a situação fiscal final também pode depender do valor recebido e das condições do contribuinte.
JHSF abre calendário com pagamento nesta segunda-feira
A JHSF (JHSF3) iniciou a programação semanal nesta segunda-feira com o pagamento de cerca de R$ 0,069156 por ação, correspondente a mais uma parcela de dividendos aprovada pela companhia.
O histórico oficial de proventos da incorporadora mostra uma sequência de pagamentos programados ao longo de 2026. Para agosto, a empresa registra valor bruto de R$ 0,0691563395 por ação, com crédito previsto para 10 de agosto.
A companhia já havia realizado pagamentos com valor equivalente em junho e julho e possui novas parcelas programadas para setembro, outubro, novembro e dezembro, dentro do cronograma divulgado aos acionistas.
Para o investidor, a data de pagamento não deve ser confundida com a data que determina quem tem direito ao provento. O recebimento depende de o acionista ter mantido a posição na data estabelecida pela empresa anteriormente, não sendo necessário possuir a ação no dia em que o dinheiro efetivamente cai na conta.
Banco ABC Brasil paga R$ 1,168 por ação
O maior valor nominal por ação entre os pagamentos previstos para esta semana pertence ao Banco ABC Brasil (ABCB4), que distribui R$ 1,168 por ação na forma de juros sobre capital próprio nesta quarta-feira.
O próprio banco registra em seu histórico de distribuição de proventos uma operação referente a junho de 2026 no valor total de aproximadamente R$ 301 milhões, equivalente a R$ 1,168 por ação.
O JCP é uma forma de remuneração aos acionistas diferente do dividendo do ponto de vista contábil e tributário. Para a companhia, o mecanismo possui regras específicas para cálculo e reconhecimento, enquanto o investidor recebe o valor líquido após a retenção do Imposto de Renda aplicável.
Com a alíquota de 17,5%, um JCP bruto de R$ 1,168 corresponde, em uma situação padrão de retenção integral, a aproximadamente R$ 0,9636 líquidos por ação, sem considerar situações tributárias específicas do beneficiário.
Assim, um investidor com 1.000 ações ABCB4 teria direito a R$ 1.168 brutos no pagamento, antes da retenção tributária prevista para esse tipo de provento.
WEG paga R$ 0,4128 por ação na quarta-feira
A WEG (WEGE3) também concentra atenção dos investidores nesta quarta-feira, quando realiza o pagamento de R$ 0,412831673 por ação em dividendos.
O valor consta no histórico oficial de proventos da companhia e foi aprovado em reunião do Conselho de Administração realizada em 19 de dezembro de 2025. A empresa definiu pagamentos de igual valor para diferentes exercícios, sendo a primeira parcela prevista para 12 de agosto de 2026.
A mesma quantia de R$ 0,412831673 por ação aparece no calendário da WEG para agosto de 2027 e agosto de 2028, refletindo a estrutura de distribuição aprovada anteriormente pela fabricante de equipamentos elétricos.
No caso do pagamento desta semana, um acionista com 1.000 ações teria um valor nominal de aproximadamente R$ 412,83, antes de eventual consideração tributária individual que possa incidir conforme a legislação vigente.
A WEG possui histórico recorrente de remuneração aos acionistas. Em 2025, segundo informações disponibilizadas pela própria companhia, foram registrados aproximadamente R$ 5,7 bilhões em proventos, entre dividendos e juros sobre capital próprio.
Schulz paga JCP para SHUL3 e SHUL4
Na sexta-feira, a Schulz realizará dois pagamentos distintos porque possui ações ordinárias e preferenciais negociadas na bolsa.
Os detentores de SHUL3 terão direito a aproximadamente R$ 0,070302839 por ação, enquanto os investidores posicionados em SHUL4 receberão cerca de R$ 0,077333123 por papel.
Os valores correspondem a juros sobre capital próprio deliberados pela companhia em março, com pagamento definido para 14 de agosto. A posição acionária considerada para a operação remonta ao fim de março.
A diferença entre os valores decorre das características das duas classes de ações e da estrutura de remuneração estabelecida pela companhia. Como se trata de JCP, os montantes divulgados são brutos e ficam sujeitos à retenção do Imposto de Renda.
A própria área de Relações com Investidores da Schulz mantém uma seção específica para dividendos, juros sobre capital próprio e bonificações, além dos comunicados enviados ao mercado sobre cada distribuição aprovada.
Intelbras completa pagamentos da sexta-feira
A Intelbras (INTB3) também aparece no calendário de sexta-feira com pagamento de R$ 0,2856 por ação em dividendos, conforme o cronograma divulgado ao mercado.
A data de corte considerada para a distribuição é 3 de agosto de 2026. Dessa forma, apenas os investidores que atendiam às condições estabelecidas pela companhia naquela data têm direito ao valor que será creditado no dia 14.
Para uma posição hipotética de 1.000 ações INTB3, o pagamento corresponde a R$ 285,60 em dividendos, considerando exclusivamente o valor nominal informado por ação.
O pagamento ocorre poucas semanas depois da divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026 pela Intelbras, apresentada ao mercado no fim de julho, reforçando o calendário corporativo movimentado da empresa no período.
Data de pagamento não dá direito ao dividendo
Um ponto essencial para investidores menos familiarizados com o mercado é que comprar uma ação no dia em que o dividendo será pago não dá direito ao recebimento daquele provento.
O direito é definido pela chamada data de corte ou data-com, estabelecida anteriormente pela companhia. Quem possui a ação ao final daquela data passa a ter direito ao pagamento, mesmo que posteriormente venda os papéis antes de o dinheiro ser depositado.
Depois da data-com, a ação passa a ser negociada ex-proventos, o que significa que novos compradores não têm direito àquela distribuição específica.
Esse mecanismo explica por que vários pagamentos realizados nesta semana estão relacionados a posições acionárias formadas meses antes. No caso da WEG, por exemplo, a distribuição foi deliberada ainda em dezembro de 2025, embora o crédito ocorra somente agora.
Dividendo e JCP têm diferenças importantes
Embora dividendos e juros sobre capital próprio tenham o mesmo objetivo geral de remunerar os acionistas, os dois mecanismos possuem características jurídicas, contábeis e tributárias diferentes.
Os dividendos representam a distribuição de parte dos resultados da companhia aos proprietários das ações, conforme deliberações societárias e regras previstas na Lei das Sociedades por Ações e no estatuto de cada empresa.
O JCP, por sua vez, é calculado sobre determinadas contas do patrimônio líquido e possui tratamento específico na legislação tributária. A partir de 2026, a retenção de Imposto de Renda na fonte sobre o JCP passou a ser de 17,5%, elevando a tributação em relação à alíquota que vigorava anteriormente.
Por isso, comparar apenas o valor bruto da tabela pode produzir uma leitura imprecisa. O pagamento de R$ 1,168 do Banco ABC Brasil, por exemplo, é um JCP sujeito à retenção, enquanto os pagamentos de WEG, JHSF e Intelbras listados nesta semana foram declarados como dividendos.
Semana concentra pagamentos de cinco companhias
Com os pagamentos de segunda, quarta e sexta-feira, o calendário desta semana reúne empresas de diferentes setores da economia, incluindo indústria, mercado imobiliário, serviços financeiros e tecnologia.
A JHSF abriu a agenda nesta segunda-feira, enquanto WEG e Banco ABC Brasil concentram os pagamentos de quarta-feira. Na sexta, Schulz e Intelbras encerram a programação entre as companhias consideradas neste levantamento.
Em valores individuais por ação, o Banco ABC Brasil ocupa a primeira posição, com R$ 1,168 bruto por ABCB4, seguido pela WEG, com aproximadamente R$ 0,4128 por WEGE3, e pela Intelbras, com R$ 0,2856 por INTB3.
O montante efetivamente recebido por cada investidor, entretanto, dependerá da quantidade de ações elegíveis mantidas nas respectivas datas de corte e, no caso dos juros sobre capital próprio, da retenção tributária correspondente.
Para quem acompanha estratégias de geração de renda na bolsa, o calendário de pagamentos é uma ferramenta para monitorar os créditos já aprovados pelas companhias, mas não deve ser utilizado isoladamente para decidir a compra de uma ação. Rentabilidade dos negócios, capacidade de geração de caixa, endividamento, política de distribuição e preço dos papéis continuam sendo elementos fundamentais para avaliar a sustentabilidade dos proventos ao longo do tempo.









