Aprovação do governo Lula fica estável e defesa da soberania é bem avaliada, mostra pesquisa
Estabilidade na popularidade do presidente
A aprovação do governo Lula se manteve estável, de acordo com a mais recente pesquisa Genial/Quaest. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (17), aponta que 46% dos brasileiros avaliam positivamente a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, o mesmo percentual registrado em agosto. Já a reprovação permaneceu em 51%, sinalizando que a percepção da população segue praticamente inalterada, mesmo diante de desafios econômicos e políticos.
O estudo também revela que a avaliação negativa oscilou de 39% em agosto para 38% em setembro, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Enquanto isso, a avaliação positiva repetiu os mesmos 31%, e a parcela dos que consideram o governo regular subiu levemente de 27% para 28%. Esses números mostram uma fotografia de estabilidade, sem mudanças significativas no cenário de opinião pública.
Direção do país e percepção da população
Quando perguntados se o Brasil está na direção certa ou errada, 58% responderam acreditar que o país segue em um caminho equivocado. Esse número cresceu um ponto em relação ao mês anterior, quando era de 57%. Já os que veem o Brasil na direção correta permanecem em 36%.
Esse dado reforça que, mesmo com a aprovação do governo Lula estável, persiste um ceticismo entre parte da população sobre os rumos do país. Esse sentimento está diretamente relacionado ao desempenho da economia e à percepção do custo de vida, fatores que influenciam fortemente a popularidade de qualquer governo.
Economia e expectativa para os próximos meses
Um ponto central da pesquisa foi a expectativa em relação à economia brasileira nos próximos 12 meses. Os números mostram uma leve melhora no pessimismo: aqueles que acreditam em uma piora caíram de 40% em agosto para 37% em setembro. Por outro lado, os que esperam uma melhora se mantiveram em 40%, enquanto 19% acreditam que a situação continuará igual.
Outro fator importante para medir a aprovação do governo Lula é a percepção da população sobre os preços dos alimentos. Em setembro, 61% afirmaram que os preços subiram, contra 60% em agosto. Já 18% disseram perceber uma queda nos preços, repetindo o mesmo índice do mês anterior. Esses dados indicam que a inflação dos alimentos continua sendo um dos principais desafios para o governo.
Defesa da soberania nacional em meio ao tarifaço dos EUA
Em meio ao tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros, a pesquisa mostrou forte apoio à postura de Lula em defesa da soberania nacional. Para 64% dos entrevistados, o presidente está certo em adotar uma posição firme diante das medidas norte-americanas, enquanto apenas 26% consideram essa estratégia equivocada.
A sondagem também revelou que 53% dos brasileiros aprovam a defesa de Lula em favor da aliança comercial com o Brics — grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul —, contra 29% que consideram essa posição incorreta. Esses números mostram que a agenda internacional do governo tem respaldo entre a maioria da população, contribuindo para sustentar sua imagem mesmo diante das dificuldades internas.
Julgamento de Bolsonaro: influência no debate político
A pesquisa também avaliou a percepção da população sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). O tema impacta diretamente o debate político, já que Bolsonaro segue como figura central na oposição.
Entre os entrevistados:
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55% acreditam que houve uma tentativa de golpe de Estado para impedir a posse de Lula após as eleições de 2022.
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38% não acreditam nessa versão.
Além disso, a fatia dos que veem Bolsonaro como participante direto da trama golpista passou de 52% em agosto para 54% em setembro. Os que não acreditam em seu envolvimento caíram de 36% para 34%.
Em relação à condenação, 49% consideram exagerada a pena de 27 anos e três meses de prisão aplicada ao ex-presidente, enquanto 35% a veem como adequada e 12% a classificam como insuficiente. Esses números mostram que, embora a maioria reconheça a gravidade das acusações, há divergências sobre a proporcionalidade da pena.
Popularidade e desafios do governo Lula
A aprovação do governo Lula estável em 46% mostra que o presidente mantém um núcleo de apoio sólido, mas também enfrenta resistência de parte significativa da população. O alto índice de reprovação (51%) e a percepção de que o país está na direção errada (58%) indicam que o governo precisará apresentar resultados concretos para reverter o quadro.
A economia, especialmente os preços dos alimentos, continua sendo o ponto mais sensível para a população. Ao mesmo tempo, a política externa — marcada pela defesa da soberania nacional e pelo fortalecimento da relação com o Brics — tem se mostrado um trunfo importante para o presidente.
O cenário mostra que, embora não haja uma deterioração da popularidade, também não há sinais de recuperação expressiva no curto prazo. A estabilidade nos índices reflete uma conjuntura de polarização e de grande expectativa em relação ao futuro econômico do país.
Pesquisa Genial/Quaest: metodologia
O levantamento da Genial/Quaest foi realizado entre os dias 12 e 14 de setembro, com 2.004 entrevistados. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Os resultados confirmam a percepção de que a imagem do presidente Lula segue estável, mas pressionada por fatores internos, como a inflação, e externos, como as tensões comerciais com os Estados Unidos.
A aprovação do governo Lula se mantém estável, com metade da população apoiando ou considerando regular sua gestão e a outra metade criticando duramente. Ao mesmo tempo, a postura firme na defesa da soberania nacional, especialmente diante das medidas impostas pelos EUA, tem boa receptividade entre os brasileiros e serve como um dos principais pontos de apoio político.
No entanto, os indicadores econômicos seguem sendo determinantes. O desafio do governo será equilibrar a agenda internacional, que reforça sua imagem de liderança global, com as demandas internas, que impactam diretamente o bolso da população e influenciam a popularidade do presidente.






