A agenda econômica desta terça-feira tem como principal foco a divulgação dos dados de inflação ao consumidor no Brasil e nos Estados Unidos, em meio à escalada dos preços do petróleo e à cautela dos investidores com os efeitos do choque energético sobre juros, câmbio e atividade econômica. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga às 9h o IPCA de abril. Pouco depois, às 9h30, o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos informa o CPI, principal índice de preços ao consumidor da economia americana.
Os números serão acompanhados de perto por agentes financeiros porque podem alterar a percepção sobre o ritmo de desinflação, a condução da política monetária e o comportamento das curvas de juros. No Brasil, a mediana de 32 projeções coletadas pelo Valor Data aponta alta de 0,66% para o IPCA de abril. Nos Estados Unidos, as estimativas indicam avanço de 0,6% para o CPI cheio no mês e de 0,4% para o núcleo.
A divulgação ocorre em um ambiente externo mais sensível, após a alta do petróleo provocada pela guerra no Irã reacender preocupações com combustíveis e cadeias de preços. O mercado também acompanha leilões de títulos públicos no Brasil e nos Estados Unidos, falas de autoridade do Federal Reserve (Fed), compromissos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e votações no Congresso.
IPCA de abril deve mostrar nova pressão de alimentos e combustíveis
O IBGE divulga às 9h o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril. A mediana das projeções aponta alta de 0,66%, após avanço de 0,76% em fevereiro. As estimativas para o mês variam entre 0,62% e 0,85%.
A inflação brasileira ganhou atenção adicional depois da prévia do mês. O IPCA-15 de abril subiu 0,89%, acelerando de forma significativa em relação ao 0,44% registrado em março. A alta foi impulsionada principalmente por alimentos e combustíveis, em meio aos efeitos do choque nos preços do petróleo provocado pela guerra no Irã.
No acumulado em 12 meses, o IPCA deve passar de 4,14% para 4,38%, segundo o ponto médio das projeções. Nesse caso, as estimativas têm piso de 4,31% e teto de 4,57%.
O resultado será importante para avaliar se a pressão inflacionária segue concentrada em itens específicos ou se começa a se espalhar para outros grupos. Essa leitura tende a influenciar expectativas para a Selic, preços de ativos, juros futuros e comportamento do real.
CPI dos EUA pode calibrar apostas sobre o Fed
Nos Estados Unidos, o Departamento de Estatísticas do Trabalho divulga às 9h30, no horário de Brasília, o índice de preços ao consumidor de abril. O CPI é um dos indicadores mais acompanhados pelo Federal Reserve para avaliar a trajetória da inflação americana.
Em março, o índice cheio subiu 0,9% na margem e 3,3% em 12 meses. O núcleo, que exclui itens mais voláteis, avançou 0,2% no mês e 2,6% em bases anuais.
Para abril, as estimativas apontam alta de 0,6% na margem e 3,4% em 12 meses para o índice cheio. No núcleo, a previsão é de avanço de 0,4% no mês e 2,6% no acumulado anual.
A leitura será decisiva para o comportamento dos Treasuries, do dólar e das bolsas globais. Um CPI acima do esperado pode reforçar a percepção de que o Fed terá menos espaço para reduzir juros. Já um dado mais benigno pode aliviar a curva americana e favorecer ativos de risco.
Petróleo amplia sensibilidade dos indicadores de preços
A escalada do petróleo adiciona complexidade à leitura da inflação no Brasil e nos Estados Unidos. O avanço da commodity pode afetar combustíveis, transporte, fretes e custos de produção, com impacto direto e indireto sobre os índices de preços.
No Brasil, combustíveis têm peso relevante na composição do IPCA e podem contaminar expectativas quando há alta persistente do petróleo no mercado internacional. Além disso, o encarecimento da energia pode pressionar cadeias de alimentos, logística e bens industriais.
Nos Estados Unidos, o CPI também é sensível à energia. A alta do petróleo tende a influenciar gasolina e custos de transporte, além de afetar a percepção do Fed sobre riscos inflacionários.
Por isso, os dados desta terça-feira serão lidos não apenas pelo número cheio, mas também pela composição. A abertura dos indicadores deve mostrar se a pressão está concentrada em combustíveis e alimentos ou se há sinais de inflação mais disseminada.
Tesouro Nacional oferta LFT e NTN-B
No mercado doméstico de renda fixa, a Secretaria do Tesouro Nacional realiza às 11h leilão tradicional de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B).
As LFT ofertadas vencem em 1º de junho de 2032. As NTN-B têm vencimentos em 15 de maio de 2031, 15 de maio de 2037 e 15 de agosto de 2045. A liquidação financeira dos papéis ocorrerá na quarta-feira.
O leilão será acompanhado em um dia de maior atenção às expectativas de inflação. As NTN-B, por serem títulos indexados ao IPCA, costumam refletir a percepção dos investidores sobre juros reais, risco fiscal e trajetória de preços no médio e longo prazo.
A demanda pelos papéis pode sinalizar o apetite do mercado por proteção inflacionária e a avaliação sobre os prêmios exigidos para carregar dívida pública brasileira.
Tesouro dos EUA vende T-notes de 10 anos
Nos Estados Unidos, o Departamento do Tesouro realiza leilão de T-notes de 10 anos. O resultado será divulgado às 14h, no horário de Brasília.
O leilão ganha relevância porque ocorre no mesmo dia da divulgação do CPI americano. A demanda pelos títulos pode influenciar os juros dos Treasuries, referência central para ativos globais.
Caso o CPI venha acima do esperado, investidores podem exigir prêmios maiores nos títulos americanos, elevando os rendimentos e pressionando bolsas, moedas emergentes e ativos de risco. Se a inflação vier em linha ou abaixo das projeções, o leilão pode ocorrer em ambiente mais favorável.
Os juros dos Treasuries de 10 anos são acompanhados por investidores em todo o mundo porque servem como referência para custo de capital, avaliação de empresas, fluxo para mercados emergentes e precificação de risco.
ADP divulga pesquisa semanal de emprego privado
Ainda nos Estados Unidos, a Automatic Data Processing informa às 9h15, no horário de Brasília, sua pesquisa semanal da média móvel de criação de vagas no setor privado.
A leitura anterior apontou abertura de 39,25 mil postos de trabalho. Não há estimativas para o novo dado.
O mercado de trabalho continua sendo uma variável central para o Fed. Um mercado aquecido pode sustentar salários e consumo, dificultando a convergência da inflação. Já sinais de desaceleração podem reforçar a avaliação de que a política monetária restritiva começa a moderar a atividade.
Embora o dado da ADP tenha menor peso que o relatório oficial de emprego dos Estados Unidos, ele pode influenciar expectativas de curto prazo em um dia já marcado pela divulgação do CPI.
Goolsbee discursa em evento nos Estados Unidos
Às 14h, Austan Goolsbee, presidente do Federal Reserve de Chicago, discursa em evento. Ele não vota no Comitê Federal de Mercado Aberto, o Fomc, neste ano.
Ainda assim, falas de dirigentes regionais do Fed são acompanhadas pelo mercado porque ajudam a compor a leitura sobre o debate interno da autoridade monetária americana.
O discurso de Goolsbee será observado em busca de sinais sobre inflação, juros e atividade econômica. A relevância aumenta por ocorrer poucas horas após a divulgação do CPI.
Caso o dirigente adote tom mais cauteloso ou preocupado com os preços, o mercado pode reforçar apostas de juros altos por mais tempo. Se o tom for mais moderado, pode haver alívio parcial em ativos de risco.
Lula lança programa contra o crime organizado
Na agenda política doméstica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa às 10h da cerimônia de lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado.
Ao longo do dia, Lula também terá reunião às 11h30 com o ministro da Fazenda, Dario Durigan; às 14h40 com o secretário especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Marcelo Weick; às 15h com a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior; e às 16h30 com o ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães.
Às 19h, o presidente participa da solenidade de posse dos ministros Nunes Marques e André Mendonça nos cargos de presidente e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A agenda de Lula será monitorada pelo mercado principalmente pelos encontros com integrantes da equipe econômica e da articulação política, em meio à tramitação de projetos no Congresso e à atenção dos investidores sobre a condução fiscal.
Senado vota renovação automática da CNH
No Congresso, o Plenário do Senado reúne-se a partir das 14h para deliberar sobre a medida provisória 1.327/25, que permite a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas inscritos no Registro Nacional Positivo de Condutores.
Também estão na pauta o PL 3.777/23, que dispensa novas provas para a fixação de indenização por dano moral contra pessoa condenada por crimes contra a vida, integridade física, liberdade e honra, e o PL 4.676/19, que estabelece adesão voluntária ao sistema de certificação para qualificação de armazéns destinados à guarda e conservação de produtos agropecuários.
A pauta legislativa será acompanhada por envolver temas de mobilidade, Justiça e agronegócio. Embora não tenha impacto direto imediato sobre a política monetária, a agenda no Congresso compõe o ambiente institucional observado por investidores.
CAE analisa projeto sobre crimes financeiros
A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado analisa o PL 2.091/23, que altera a Lei nº 6.385/1976 para criar novos tipos penais aplicáveis ao mercado de valores mobiliários.
A proposta amplia o rol de crimes passíveis de punição no setor financeiro e de capitais. O tema tem relevância para a regulação do mercado, especialmente em um momento de maior atenção sobre governança, transparência e proteção de investidores.
Mudanças na legislação de crimes financeiros podem afetar a atuação de empresas, fundos, intermediários e participantes do mercado de capitais. Por isso, o texto será acompanhado por agentes jurídicos, reguladores e entidades do setor financeiro.
Câmara debate fim da escala 6×1
A Comissão Especial sobre o Fim da Escala 6×1 Vida Digna ao Trabalhador, vinculada à PEC 221/19, realiza audiência pública para discutir os aspectos econômicos da redução da jornada de trabalho.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa da audiência. A presença de um representante da equipe econômica reforça a relevância fiscal, trabalhista e empresarial do debate.
Durigan também participa, às 10h, da cerimônia de lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado. Às 11h30 e às 15h, terá reuniões com o presidente Lula. Às 14h30, recebe o senador Renan Calheiros. Às 17h, comparece à audiência pública na comissão especial da Câmara sobre o fim da escala 6×1.
O tema tem impacto potencial sobre custos das empresas, produtividade, relações trabalhistas e organização da jornada. Por isso, deve seguir no radar de entidades empresariais, sindicatos e equipe econômica.
Banco Central tem agenda regulatória
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tem despachos internos em São Paulo nesta terça-feira.
Na diretoria de Regulação, Gilneu Francisco Vivan terá reunião por videoconferência, às 11h, com representantes da ABCripto, a Associação Brasileira de Criptoeconomia, em Brasília. Às 14h, encontra-se com conselheiros do Conselho Deliberativo do Open Finance, Marta Heis e Márcio Rodrigues.
Também participam da reunião das 14h a presidente-executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras, Tania Zanella; o coordenador do Ramo de Crédito, Thiago Abrantes; e a superintendente da OCB, Fabíola Nader Motta.
Às 16h, Vivan terá reunião por videoconferência com representantes da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, a Abecs. Todos os compromissos tratam de assuntos de regulação.
A agenda do Banco Central reforça o peso de temas como criptoeconomia, Open Finance, cooperativas de crédito e cartões no ambiente regulatório brasileiro. Esses setores têm ganhado relevância com a digitalização dos serviços financeiros e a ampliação da concorrência no sistema bancário.
Indicadores podem definir direção dos ativos no dia
A terça-feira concentra eventos capazes de influenciar diferentes classes de ativos. O IPCA de abril tende a orientar a leitura sobre juros futuros no Brasil, enquanto o CPI americano pode alterar as apostas para o Fed, impactando dólar, Treasuries, bolsas globais e moedas emergentes.
Os leilões de títulos no Brasil e nos Estados Unidos também podem revelar o apetite dos investidores por dívida pública em um dia de forte sensibilidade à inflação. Ao mesmo tempo, a agenda política em Brasília mantém no radar temas de segurança pública, jornada de trabalho, regulação do mercado financeiro e articulação do governo.
Em meio à alta do petróleo e às incertezas externas, a composição dos índices de inflação será tão importante quanto o número cheio. A leitura dos núcleos, dos alimentos, dos combustíveis e dos serviços deve ajudar a calibrar as expectativas para juros e para a trajetória dos mercados nas próximas sessões.








