O Banco do Brasil (BBAS3) vai processar por Pix o auxílio-alimentação destinado a cerca de 2,3 milhões de mesários e demais colaboradores convocados para trabalhar nas Eleições Gerais de 2026. A operação foi estruturada por meio de acordos de cooperação técnica com os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e abrangerá o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e o eventual segundo turno, em 25 de outubro.
O benefício foi fixado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em R$ 65 por turno trabalhado. O valor não constitui salário nem remuneração pelo serviço eleitoral. A Portaria TSE nº 86, de fevereiro de 2025, estabeleceu o pagamento de R$ 65 para mesários e pessoal de apoio logístico em 2026, contra R$ 60 nas eleições de 2024. O reajuste nominal foi de R$ 5, equivalente a 8,3%.
A participação do BB é operacional. Os tribunais eleitorais encaminham os dados necessários para os créditos, e a instituição processa as transferências com seus sistemas eletrônicos. Em acordos já formalizados por TREs de diferentes regiões, o modelo prevê que o banco faça os pagamentos em nome dos tribunais, a partir das informações e dos recursos disponibilizados pela Justiça Eleitoral.
Operação pode movimentar até R$ 149,5 milhões por turno
Considerando a estimativa de 2,3 milhões de beneficiários e o auxílio de R$ 65 por turno, uma conta direta indica potencial de cerca de R$ 149,5 milhões em créditos no primeiro turno, caso todo o contingente estimado receba o benefício. Se exatamente o mesmo grupo atuar e receber também no eventual segundo turno, o volume nominal poderia alcançar R$ 299 milhões nos dois turnos.
Esse cálculo é uma estimativa aritmética a partir do número de beneficiários informado para a operação e do valor oficial do auxílio. Não representa uma previsão orçamentária divulgada pelo TSE ou pelo Banco do Brasil, já que o número efetivo de pessoas que trabalharão em cada turno pode variar.
A escala também ajuda a dimensionar a operação bancária. Nas eleições municipais de 2024, o Banco do Brasil processou mais de 2,1 milhões de pagamentos destinados a colaboradores da Justiça Eleitoral, segundo a divulgação da operação deste ano. Isso significa que a estimativa de 2026 representa um acréscimo de aproximadamente 200 mil créditos, ou cerca de 9,5%, em relação ao volume informado para 2024.
Há, porém, uma diferença importante entre os indicadores. O TSE registrou 2.278.210 pessoas trabalhando como colaboradoras da Justiça Eleitoral nos dois turnos das eleições municipais de 2024, enquanto a referência de 2,3 milhões para 2026 corresponde à expectativa de beneficiários da operação de pagamentos. No primeiro turno de 2024, foram 1.888.301 pessoas presentes entre mesários e colaboradores, e no segundo turno, 389.909. Os números mostram que pagamentos e pessoas não devem ser tratados automaticamente como a mesma métrica, sobretudo quando há atuação em mais de um turno.
O calendário de 2026 também concentra a necessidade operacional em um período curto. O primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro, e o eventual segundo turno está previsto para 25 de outubro. As seções eleitorais funcionarão das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.
Acordos são firmados individualmente pelos tribunais eleitorais
A estrutura jurídica da operação não depende de um único contrato nacional centralizado. Os documentos públicos dos tribunais mostram acordos específicos entre o Banco do Brasil e diferentes TREs para executar os pagamentos.
Em Pernambuco, por exemplo, o Acordo de Cooperação Técnica nº 03/2026 prevê a operacionalização do pagamento pelo banco, em nome do TRE-PE, para mesários, apoios logísticos, motoristas e integrantes de equipes relacionadas à auditoria da votação eletrônica. O instrumento foi assinado em 1º de julho e tem vigência até 30 de dezembro de 2026.
No Rio de Janeiro, o TRE formalizou acordo com o Banco do Brasil para os pagamentos do auxílio-alimentação aos colaboradores das eleições de 2026. O instrumento entrou no conjunto de acordos do tribunal e tem vigência vinculada ao ciclo eleitoral, com término previsto para 30 de dezembro.
No Rio Grande do Sul, acordo semelhante estabelece o relacionamento entre o TRE e o Banco do Brasil e registra expressamente o valor de R$ 65 por colaborador para custear a alimentação, conforme a Portaria nº 86 do TSE. O desenho confirma que a operação nacional é executada por meio de instrumentos próprios em cada tribunal regional.
A documentação disponível também mostra que a transferência do dinheiro e o processamento bancário são etapas distintas. No acordo de Pernambuco, o tribunal fornece os dados dos beneficiários e transfere os recursos ao banco por mecanismos próprios da administração pública, enquanto o BB executa a operacionalização financeira. Isso reforça que o banco atua como agente de processamento, e não como responsável pelo custeio do benefício.
Pix passa a fazer parte da rotina de pagamentos eleitorais
A escolha do Pix amplia o uso de uma infraestrutura já incorporada às relações entre os tribunais eleitorais e o Banco do Brasil. Em São Paulo, o TRE informou que o pagamento será feito exclusivamente por meio da chave Pix vinculada ao CPF. O tribunal também publicou datas específicas para os créditos do primeiro e do eventual segundo turno.
No estado de São Paulo, o pagamento relativo ao primeiro turno foi programado para 2 de outubro, dois dias antes da votação. Quem não tivesse a chave Pix-CPF cadastrada na data poderia fazê-lo posteriormente, dentro do prazo estabelecido pelo TRE-SP. Para o eventual segundo turno, o calendário divulgado pelo tribunal prevê pagamento em 23 de outubro.
O TRE do Ceará também adotou o Pix para o auxílio-alimentação das eleições de 2026. O tribunal informa que a chave CPF deve estar vinculada a uma conta ativa e estabelece restrições para contas que não possam receber esse tipo de crédito, como determinadas contas-salário ou de benefício social. O acordo local identifica a parceria com o Banco do Brasil como Acordo de Cooperação Técnica nº 13/2026.
As regras operacionais podem, portanto, apresentar detalhes próprios conforme o tribunal regional, embora o valor do auxílio tenha origem em norma nacional do TSE. A orientação oficial é que o beneficiário observe as instruções do TRE responsável pela sua convocação e mantenha seus dados bancários aptos ao recebimento.
O modelo também aproveita uma experiência anterior. Em 2024, documentos eleitorais já registravam acordos com o Banco do Brasil para disponibilização do auxílio por Pix. No Amazonas, por exemplo, o TRE estabeleceu o pagamento diretamente em conta vinculada à chave CPF dos beneficiários no segundo turno daquele ano.
Benefício cresce, mas continua separado da remuneração
O auxílio-alimentação é uma ajuda de custo vinculada ao dia de atuação eleitoral. O TSE deixa claro que o trabalho dos mesários não é remunerado. Além dos R$ 65 por turno, os convocados têm direito a dois dias de folga para cada dia de atuação e a dois dias relativos à conclusão do treinamento, sem perda de salário, conforme as regras eleitorais.
O benefício financeiro, portanto, não altera a natureza da atividade exercida pelos mesários. A legislação eleitoral trata esses colaboradores como integrantes da estrutura necessária para a realização da votação, enquanto a compensação trabalhista ocorre por meio das folgas e o auxílio cobre a alimentação durante o serviço.
Em 2026, a elevação do valor para R$ 65 ocorre em uma eleição geral, diferente do pleito municipal de 2024. Para uma pessoa que trabalhe nos dois turnos, o auxílio nominal alcança R$ 130, sem considerar eventual atuação adicional em funções ou situações específicas previstas pela Justiça Eleitoral. Em comparação com os R$ 120 correspondentes aos dois turnos de 2024, a diferença é de R$ 10 por pessoa, mantendo o aumento de 8,3%.
A preparação para o pleito já entrou na fase operacional. O TSE encerrou em agosto o prazo para a nomeação de mesários e integrantes do apoio logístico, enquanto a convocação e a organização das equipes passaram a ser conduzidas pelos tribunais regionais e pelas zonas eleitorais.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, a operação de pagamentos deixa de ser apenas uma etapa administrativa e passa a integrar o calendário imediato da eleição. Para o Banco do Brasil, o desafio está concentrado no processamento em escala nacional, a partir das bases de dados enviadas pelos TREs. Para os beneficiários, a principal exigência prática é manter regularizados os dados necessários ao recebimento do crédito conforme as orientações do tribunal eleitoral responsável.
A experiência de 2024, o aumento do valor individual e a expansão esperada do número de pagamentos colocam a operação de 2026 em uma escala ligeiramente superior à do último pleito municipal. Ao mesmo tempo, o uso do Pix consolida uma forma de repasse que já vinha sendo adotada pelos tribunais e transforma o pagamento do auxílio-alimentação em uma operação predominantemente digital, com execução descentralizada pelos TREs e processamento bancário pelo Banco do Brasil.
Fontes:
Tribunal Superior Eleitoral – Portaria nº 86/2025, que fixa o auxílio-alimentação de R$ 65 para mesários e apoio logístico em 2026
Tribunal Superior Eleitoral – informações sobre benefícios, convocação e participação de mesários nas Eleições Gerais de 2026
Tribunal Superior Eleitoral – estatísticas sobre colaboradores da Justiça Eleitoral nas Eleições Municipais de 2024
Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo – regras e calendário de pagamento do auxílio-alimentação via Pix nas Eleições 2026
Tribunal Regional Eleitoral do Ceará – acordo e procedimentos para pagamento do auxílio-alimentação por Pix em 2026
Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco – Acordo de Cooperação Técnica nº 03/2026 com o Banco do Brasil
Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro – acordo de cooperação para pagamento de auxílio-alimentação aos colaboradores das Eleições 2026
Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul – Acordo de Cooperação Técnica nº 04/2026 com o Banco do Brasil
Agência Brasil – informações sobre a operação nacional do Banco do Brasil e a estimativa de 2,3 milhões de beneficiários









