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Banco Master repassou R$ 102 milhões a empresa investigada por lavagem de dinheiro no setor de combustíveis

Pagamentos feitos entre 2023 e 2025 colocam instituição financeira no centro de apurações sobre suposta lavagem de dinheiro e uso de laranjas no Rio.

por Carlos Menezes
10/06/2026 às 11h50
em Política
Banco Master Repassou R$ 102 Milhões A Empresa Investigada Por Lavagem De Dinheiro No Setor De Combustíveis-Gazeta Mercantil

O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, realizou pagamentos que somam R$ 102 milhões entre 2023 e 2025 para uma empresa atualmente investigada por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao setor de combustíveis no Rio de Janeiro. Os repasses foram destinados à Metanoein Participações e Consultoria Ltda., companhia registrada formalmente como prestadora de serviços de consultoria e gestão empresarial, mas que aparece em investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF).

A movimentação financeira coloca o Banco Master novamente no centro de apurações envolvendo operações milionárias realizadas por empresas que passaram a ser alvo de órgãos de controle e investigação. Segundo documentos públicos e registros empresariais, a Metanoein está entre as maiores recebedoras de recursos provenientes da instituição financeira.

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A empresa tem como sócia-administradora Rose Evelyn Machado Coité, apontada em investigações do MPF como figura central em uma estrutura que, segundo a apuração, seria utilizada para controlar postos de combustíveis por meio de terceiros. Os investigadores suspeitam da utilização de empresas e pessoas interpostas para ocultar patrimônio e movimentações financeiras relacionadas ao setor.

A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou sobre o caso. Já Rose Evelyn foi procurada por diferentes meios de contato, mas não apresentou posicionamento até o fechamento desta reportagem.

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Operação mira suposta infiltração do crime organizado no mercado de combustíveis

As suspeitas surgem no contexto das investigações da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, que busca identificar possíveis conexões entre organizações criminosas, postos de combustíveis e estruturas financeiras utilizadas para circulação de recursos.

O setor de combustíveis vem sendo monitorado por autoridades devido ao histórico de investigações relacionadas à lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e utilização de empresas de fachada. O segmento movimenta grandes volumes financeiros diariamente, característica que, segundo especialistas em combate a crimes financeiros, pode facilitar a ocultação da origem de recursos ilícitos.

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De acordo com informações registradas em documentos empresariais, a Metanoein recebeu valores classificados pelo Banco Master como pagamentos por prestação de serviços. No entanto, os detalhes dos contratos, escopo dos serviços e justificativas para os repasses não foram divulgados.

A empresa não possui atividade econômica formal ligada ao varejo de combustíveis. Seus registros na Receita Federal indicam atuação em consultoria empresarial, serviços administrativos e assessoria de gestão.

Apesar disso, investigadores sustentam que a sócia-administradora da companhia teria ligação com uma rede de postos de combustíveis operada por terceiros.

MPF pediu bloqueio de contas e aplicações financeiras

O avanço das investigações levou à adoção de medidas cautelares na Justiça Federal.

Registros disponíveis na Junta Comercial mostram que o Ministério Público Federal solicitou o sequestro de contas bancárias, aplicações financeiras e outros ativos relacionados à família de Rose Evelyn.

A medida foi acolhida no âmbito de processo que tramita sob sigilo na 8ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

Leia também: Prefeitura de SP intervém na Transunião após operação que apura lavagem de dinheiro para o PCC

Segundo informações constantes dos registros empresariais, o pedido envolve Rose Evelyn, seus filhos e outras pessoas apontadas pelos investigadores como possíveis operadores ou beneficiários da estrutura investigada.

Ao todo, a investigação alcançaria dezenas de empresas e pessoas físicas suspeitas de participação em uma rede de controle indireto de postos de combustíveis.

As autoridades apuram se houve utilização de laranjas para ocultação patrimonial, prática frequentemente associada a esquemas de lavagem de dinheiro.

Os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

Empresária é apontada como figura influente no mercado de combustíveis

Embora seja conhecida em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, como empresária ligada ao mercado de combustíveis, Rose Evelyn não aparece oficialmente como proprietária de postos registrados em seu nome.

Os registros públicos indicam participação societária em empresas de segmentos distintos, incluindo consultoria empresarial, serviços jurídicos e atividades ligadas à área médica.

A discrepância entre a atividade econômica formal e as suspeitas levantadas pelas autoridades é um dos elementos analisados pelos investigadores.

Rose Evelyn é viúva do advogado criminalista César Pimentel Coité, falecido em 2020. O nome da família aparece em diferentes frentes investigativas relacionadas ao setor de combustíveis no estado.

As apurações buscam determinar se houve utilização de estruturas empresariais paralelas para controle indireto de ativos e movimentação financeira.

Até o momento, não há condenação definitiva relacionada aos fatos investigados.

Coincidências aproximam Metanoein e outra empresa que recebeu R$ 126 milhões

As investigações também identificaram conexões entre a Metanoein e outra empresa que recebeu recursos expressivos do Banco Master.

A Mídias Promotora recebeu R$ 126,6 milhões da instituição financeira e foi alvo de medidas de busca e apreensão em investigações relacionadas a aplicações realizadas pelo Rioprevidência, fundo responsável pela gestão de benefícios previdenciários de servidores do Estado do Rio de Janeiro.

As duas empresas compartilham características consideradas relevantes pelos investigadores.

Além de funcionarem em endereços próximos na região central de Bangu, ambas participaram da constituição de Sociedades em Conta de Participação (SCPs) registradas exatamente na mesma data: 28 de julho de 2021.

As SCPs são estruturas empresariais que permitem a existência de investidores ou participantes que não aparecem publicamente nos registros societários tradicionais.

Esse modelo é amplamente utilizado em operações legítimas de negócios, mas também costuma ser analisado por autoridades quando há suspeitas de ocultação de beneficiários finais.

A coincidência temporal e operacional entre as duas estruturas chamou a atenção dos órgãos de investigação.

Caso amplia escrutínio sobre movimentações financeiras do Banco Master

As revelações ocorrem em meio ao aumento do escrutínio sobre operações financeiras vinculadas ao Banco Master.

Nos últimos meses, a instituição passou a ser citada em diferentes investigações e procedimentos envolvendo clientes, empresas parceiras e operações estruturadas.

Embora os pagamentos identificados não representem, por si só, comprovação de irregularidade, especialistas observam que a existência de repasses milionários para empresas posteriormente alcançadas por investigações criminais tende a ampliar o interesse de órgãos reguladores e de fiscalização.

Para o mercado financeiro, o caso adiciona um componente reputacional relevante às discussões envolvendo governança, controles internos e mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro adotados por instituições financeiras.

O episódio também reforça a atenção sobre a relação entre o sistema financeiro e setores considerados mais vulneráveis à infiltração de organizações criminosas, especialmente atividades econômicas caracterizadas por intensa circulação de recursos.

Enquanto as investigações avançam, autoridades federais seguem analisando a origem, a destinação e a justificativa econômica dos pagamentos realizados. O desfecho das apurações poderá influenciar não apenas os envolvidos diretamente no caso, mas também o debate regulatório sobre controles de compliance e prevenção a crimes financeiros no setor bancário brasileiro.

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