O BTG Pactual incluiu ISA Energia Brasil (ISAE4), Natura (NATU3) e Moura Dubeux (MDNE3) em uma estratégia de venda para swing trade divulgada nesta segunda-feira (17), com alvos que representam quedas potenciais entre 10,85% e 22,27% em relação aos preços de entrada indicados. As operações têm validade entre 17 e 24 de agosto de 2026 e utilizam sinais de análise técnica, como médias móveis, Índice de Força Relativa (IFR), suportes e projeções de Fibonacci.
A maior variação projetada está em Moura Dubeux. Para MDNE3, a entrada indicada é de R$ 22,90, com alvo de R$ 17,80 — queda potencial de 22,27% — e stop em R$ 26,00. Natura vem em seguida, com entrada em R$ 7,60, objetivo de R$ 6,00 e potencial de recuo de 21,05%. Para ISA Energia, o banco estabelece entrada em R$ 25,35 e alvo em R$ 22,60, equivalente a uma desvalorização de 10,85%.
A recomendação precisa ser interpretada dentro do horizonte para o qual foi elaborada. Trata-se de uma operação técnica de poucos pregões, e não de um rebaixamento da avaliação fundamentalista das três companhias. Uma ação pode receber indicação de venda em swing trade enquanto mantém perspectivas financeiras ou recomendações de longo prazo diferentes, porque a estratégia procura explorar exclusivamente movimentos gráficos de curto prazo.
O relatório identifica um padrão comum nos três ativos: perda ou incapacidade de recuperar médias móveis relevantes, IFR abaixo de 35 pontos e formação de resistências acima dos preços correntes. O cenário é interpretado como redução do momentum comprador e aumento da probabilidade de continuidade da correção caso suportes específicos sejam rompidos.
ISA Energia perde média de 200 dias e tem R$ 25 como suporte decisivo
Em ISA Energia, o movimento técnico negativo começou a ganhar força depois que ISAE4 falhou em recuperar a região entre R$ 29 e R$ 30, onde o papel havia encontrado resistência anteriormente. A ação posteriormente perdeu a média móvel de 200 dias, localizada perto de R$ 27,42, deixando essa referência acima do preço e transformando-a em resistência.
A média de 50 dias aparece praticamente no mesmo nível, em R$ 27,52, enquanto a média de 21 dias está em aproximadamente R$ 26,61. Com o preço abaixo das três referências, o gráfico apresenta um alinhamento considerado desfavorável para o curto prazo. O IFR caiu para perto de 34 pontos, também abaixo de sua própria média.
A região de R$ 25 tornou-se o suporte central da operação. Segundo a leitura técnica reproduzida no relatório, uma perda consistente desse patamar poderia abrir espaço para R$ 24 e posteriormente R$ 23. Para reduzir a pressão vendedora, ISAE4 precisaria retomar principalmente a região entre R$ 27,40 e R$ 27,50.
A operação estabelece entrada em R$ 25,35, limite de entrada em R$ 25,00, objetivo em R$ 22,60 e stop em R$ 26,60. A diferença entre entrada e alvo é de R$ 2,75 por ação, enquanto a distância até o stop é de R$ 1,25.
Isso produz uma relação aproximada de 2,2 unidades de retorno potencial para cada unidade de risco de preço, considerando apenas os níveis definidos na estratégia e desconsiderando custos de negociação, aluguel de ações, eventuais gaps e execução.
Resultado da ISA mostra por que análise técnica não deve ser confundida com fundamentos
O caso da ISA Energia também demonstra a diferença entre leitura gráfica e análise financeira da companhia.
No segundo trimestre, a empresa apresentou lucro líquido de R$ 173,9 milhões em sua contabilidade regulatória, queda de 32% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado foi pressionado, entre outros fatores, por uma despesa financeira líquida de R$ 638,9 milhões, avanço de 81,7% na comparação anual.
Há, porém, uma diferença contábil relevante. Pelo padrão IFRS, utilizado nas demonstrações financeiras consolidadas, o lucro líquido atribuível registrado pela ISA chegou a R$ 688,6 milhões no segundo trimestre, crescimento de 220% sobre os R$ 215,2 milhões de um ano antes. A receita operacional líquida IFRS avançou 81,3%, para R$ 2,598 bilhões.
Assim, tratar simplesmente o balanço como uma queda de 32% no lucro sem especificar a base contábil produziria uma leitura incompleta. O indicador de R$ 173,9 milhões pertence à visão regulatória; na contabilidade IFRS, a direção da comparação anual foi oposta.
Essa distinção reforça que o sinal de venda do BTG nesta semana está fundamentado no comportamento do preço da ação, e não necessariamente em deterioração equivalente dos resultados contábeis.
Natura mira R$ 6 após falhar entre R$ 8,30 e R$ 8,80
Natura apresenta o segundo maior potencial de baixa entre as três operações.
O papel mantém, segundo a análise, estrutura principal descendente e não conseguiu superar uma região de resistência formada pela concentração das médias móveis de 21, 50 e 200 dias entre aproximadamente R$ 8,30 e R$ 8,80. A incapacidade de superar essa faixa mantém a sequência de topos descendentes no gráfico diário.
A pressão se intensificou depois de um candle amplo de baixa levar NATU3 novamente à região de R$ 7,60, identificada como base da consolidação recente. O IFR está na faixa de 32 pontos, menor leitura entre as três ações incluídas na estratégia.
Caso R$ 7,60 seja perdido de forma consistente, o relatório identifica R$ 6,93 como primeira referência relevante, correspondente a uma retração de 61,8% de Fibonacci. Depois, R$ 5,97 aparece como projeção de 100%. O alvo operacional foi arredondado para R$ 6,00.
A entrada proposta é de R$ 7,60, com limite de R$ 7,52 e stop em R$ 8,40.
Da entrada até o alvo, a diferença é de R$ 1,60, ou 21,05%. Já até o stop, a distância é de R$ 0,80, equivalente a 10,53%. Isso corresponde a uma relação de retorno potencial sobre risco de aproximadamente duas vezes, antes de custos e diferenças de execução.
A faixa entre R$ 8,30 e R$ 8,80 permanece como referência para uma eventual invalidação da estrutura negativa. A recuperação das médias reduziria a leitura de pressão vendedora usada para justificar a estratégia.
Moura Dubeux tem alvo que implica queda de 22,27%
Moura Dubeux apresenta a projeção mais agressiva do relatório.
MDNE3 voltou a acelerar o processo de correção depois de não conseguir sustentar uma recuperação acima de R$ 25,80. O ativo está abaixo das médias móveis de 21, 50 e 200 dias e mantém sequência de topos e fundos descendentes no curto prazo.
A média de 21 dias está em aproximadamente R$ 24,84, enquanto a de 50 dias aparece em R$ 26,36. As duas passam a funcionar como áreas de resistência após o enfraquecimento recente.
Outro ponto técnico foi o fechamento abaixo de R$ 23,76, nível equivalente à retração de 38,2% de Fibonacci utilizada no estudo. O IFR está próximo de 34 pontos.
Na sequência, R$ 23,05 é considerado o suporte mais importante. Se esse preço for perdido, o relatório aponta inicialmente R$ 22,43 e depois R$ 20,53, correspondente a uma projeção de 100% de Fibonacci. A extensão do movimento coloca R$ 17,80 como referência adicional em um cenário de deterioração mais forte.
É justamente R$ 17,80 que aparece como objetivo da operação.
O BTG estabelece entrada em R$ 22,90, limite de entrada de R$ 22,67 e stop em R$ 26,00. A distância entre entrada e objetivo é de R$ 5,10 por ação, contra R$ 3,10 até o stop.
A relação entre retorno potencial e risco de preço fica, portanto, em aproximadamente 1,65 vez, menor que as relações observadas nas estratégias de ISA Energia e Natura.
Moura Dubeux chega à operação após balanço do segundo trimestre
A recomendação também ocorre poucos dias depois da divulgação do resultado financeiro da incorporadora.
A Moura Dubeux publicou os números do segundo trimestre em 12 de agosto e realizou a teleconferência com investidores no dia seguinte, conforme o calendário oficial da companhia. A empresa já havia informado na prévia operacional do período aproximadamente R$ 1 bilhão em lançamentos e R$ 1 bilhão em vendas, reforçando uma dinâmica operacional que precisa ser analisada separadamente do movimento gráfico que motivou a operação de swing trade.
Esse contraste é particularmente relevante para ações de empresas ligadas à construção civil. O preço pode sofrer ajustes rápidos em função de juros futuros, fluxo estrangeiro, realização de lucros e percepção de risco, mesmo quando indicadores operacionais permanecem em expansão.
No swing trade, o que determina a validade da tese não é a evolução dos lançamentos imobiliários nos próximos anos, mas a capacidade do papel de respeitar ou romper as referências gráficas estabelecidas durante poucos pregões.
IFR abaixo de 35 não significa sozinho que ação continuará caindo
O Índice de Força Relativa utilizado nas três análises mede a intensidade e velocidade dos movimentos recentes do preço em uma escala de zero a 100.
Leituras menores indicam predominância de movimentos negativos. O nível de 30 pontos costuma ser utilizado como referência clássica de sobrevenda, embora não exista garantia de reversão quando esse patamar é atingido.
Essa característica é importante porque ISAE4 e MDNE3 têm IFR na região de 34, enquanto NATU3 está perto de 32. Os valores confirmam perda de momentum, mas também colocam os ativos relativamente próximos da área convencionalmente associada à sobrevenda.
Por isso, o BTG não utiliza o IFR isoladamente. O relatório combina o indicador com posicionamento diante das médias móveis, formação de topos e fundos, suportes e resistências e níveis de Fibonacci.
É essa convergência de sinais — e não apenas o número do IFR — que sustenta as três operações.
Venda em swing trade exige disciplina com o stop
Outro componente central da estratégia é o stop.
Se os preços se moverem na direção contrária à esperada, os níveis estabelecidos são R$ 26,60 para ISA Energia, R$ 8,40 para Natura e R$ 26 para Moura Dubeux.
Os stops correspondem a movimentos adversos de aproximadamente 4,93%, 10,53% e 13,54%, respectivamente, a partir das entradas.
A diferença mostra que o risco nominal não é uniforme. Moura Dubeux oferece o maior alvo percentual, mas também exige tolerância maior à oscilação contrária. ISA Energia apresenta o menor potencial de queda, mas também o stop mais próximo e a melhor relação matemática entre alvo e risco entre as três estruturas propostas.
O prazo adiciona outra restrição: todas as recomendações expiram em 24 de agosto. Portanto, os níveis foram construídos para uma janela específica de mercado e não devem ser automaticamente extrapolados para semanas ou meses posteriores.
Até lá, R$ 25 em ISAE4, R$ 7,60 em NATU3 e R$ 23,05 em MDNE3 serão as referências técnicas mais relevantes para confirmar se a pressão vendedora identificada pelo BTG continua ou se as três ações conseguem neutralizar a configuração negativa antes de atingir os objetivos projetados.








