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Itaú, Banco do Brasil, Bradesco ou Nubank: qual banco vale mais a pena investir agora?

Juros altos, inadimplência e endividamento pressionam o setor, mas qualidade do crédito e potencial de crescimento diferenciam ITUB4, BBAS3, BBDC4 e ROXO34

por Camila Braga
14/09/2026 às 09h09
em Mercados
Itaú, Banco Do Brasil, Bradesco Ou Nubank: Qual Banco Vale Mais A Pena Investir Agora? - Gazeta Mercantil - Mercados

O ambiente econômico brasileiro tornou a escolha de ações bancárias mais difícil em 2026. Juros elevados, endividamento das famílias em níveis historicamente altos, aumento da inadimplência e dificuldades financeiras de empresas pressionam a qualidade das carteiras de crédito justamente quando investidores tentam identificar quais instituições conseguem atravessar o ciclo sem sacrificar rentabilidade. Nesse cenário, Itaú Unibanco (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Nubank (ROXO34) apresentam teses de investimento cada vez mais distintas.

O Itaú aparece como a alternativa mais defensiva entre os grandes bancos tradicionais, apoiado em elevada rentabilidade, disciplina de crédito e histórico consistente de execução. O Nubank oferece o maior potencial estrutural de crescimento, mas também carrega uma exposição maior ao risco de crédito e às oscilações de valuation típicas de empresas em expansão acelerada. O Bradesco avança em sua recuperação operacional, embora analistas ainda esperem uma normalização mais lenta dos resultados. O Banco do Brasil, por sua vez, permanece pressionado principalmente pela qualidade da carteira de agronegócio e pelo aumento das dificuldades no crédito a pessoas físicas.

A diferença entre os quatro ficou ainda mais evidente nas últimas revisões realizadas por bancos e casas de análise. O Bank of America elevou o preço-alvo do Itaú para R$ 51 e reiterou recomendação de compra. Para o Bradesco, mesmo reduzindo o preço-alvo de R$ 26 para R$ 23, manteve indicação positiva. No Banco do Brasil, o movimento foi inverso: o preço-alvo caiu de R$ 21 para R$ 20 e a recomendação permaneceu equivalente a desempenho inferior ao mercado.

No Nubank, a tese tem outra natureza. O banco digital continua apresentando crescimento de dois dígitos elevados, expansão internacional e aumento de rentabilidade. No segundo trimestre de 2026, o lucro líquido superou US$ 1 bilhão pela primeira vez, enquanto a carteira de crédito cresceu quase 40% em relação ao ano anterior.

Itaú permanece como referência de qualidade entre os grandes bancos

Entre os bancos tradicionais, o Itaú continua recebendo a avaliação mais consistente dos analistas. A instituição combina crescimento de lucro, rentabilidade elevada e qualidade de crédito superior à observada em boa parte dos concorrentes.

O Bank of America elevou recentemente o preço-alvo de ITUB4 de R$ 50 para R$ 51 e manteve recomendação de compra. O Santander também transformou o Itaú em sua principal escolha entre os grandes bancos brasileiros, substituindo Bradesco em uma de suas carteiras recomendadas de setembro.

A preferência tem uma explicação estrutural. Ao longo dos últimos ciclos de crédito, o Itaú construiu uma política mais disciplinada de concessão de empréstimos e conseguiu preservar qualidade dos ativos mesmo em períodos de deterioração econômica.

Essa característica ganha importância em um momento no qual famílias e empresas convivem com maior comprometimento de renda e custos financeiros elevados. Em vez de buscar crescimento de carteira a qualquer preço, o banco historicamente selecionou melhor os riscos assumidos, o que reduz a necessidade de provisões extraordinárias quando a inadimplência aumenta.

A rentabilidade continua sendo outra vantagem competitiva. Analistas vêm trabalhando com retorno sobre patrimônio próximo de 25%, patamar significativamente superior ao observado em grande parte dos bancos tradicionais.

O lucro também permanece em trajetória positiva. As estimativas para 2026 apontam para mais um resultado recorde, reforçando a capacidade do Itaú de gerar capital e distribuir dividendos sem comprometer o crescimento.

Para o investidor que procura exposição ao setor bancário com menor dependência de uma recuperação econômica rápida, ITUB4 aparece, portanto, como a tese mais equilibrada entre risco e retorno.

Banco do Brasil enfrenta recuperação mais difícil

A situação do Banco do Brasil é praticamente oposta. Embora BBAS3 tenha historicamente negociado com desconto em relação aos bancos privados e seja conhecido pela distribuição de dividendos, a deterioração da carteira de crédito alterou a percepção de risco.

A XP mantém recomendação neutra para a ação e preço-alvo de R$ 21. O Bank of America reduziu sua projeção para R$ 20 e mantém avaliação negativa em relação ao desempenho relativo do papel.

O maior problema continua no agronegócio. O Banco do Brasil possui exposição particularmente elevada ao setor rural e sofreu com aumento da inadimplência após períodos de margens menores para produtores, problemas climáticos e dificuldades de refinanciamento.

Medidas recentes de renegociação das dívidas rurais podem aliviar parte do problema, mas a recuperação tende a ser gradual. A própria XP avalia que uma melhora no agro pode reduzir o custo de risco nos próximos trimestres, embora esse efeito seja parcialmente neutralizado pela deterioração da carteira de pessoas físicas.

Cartões de crédito e consignado aparecem entre os pontos de atenção.

O resultado é uma combinação pouco confortável para o investidor. O BB pode apresentar melhora se a normalização da carteira rural ocorrer mais rapidamente do que o mercado espera, mas ainda há pouca visibilidade sobre quando o custo de crédito retornará a níveis considerados normais.

Outro problema é o capital. Com índices mais pressionados, existe menos espaço para ampliar significativamente a distribuição de dividendos enquanto o banco atravessa esse período de ajuste.

Isso não significa que BBAS3 tenha deixado de possuir valor. Uma melhora mais rápida do crédito rural, associada à redução da inadimplência e ao eventual fechamento do desconto frente aos bancos privados, poderia criar uma oportunidade relevante. No curto prazo, porém, essa é uma tese que depende mais de recuperação futura do que da qualidade dos resultados atuais.

Bradesco melhora, mas recuperação ainda não terminou

O Bradesco ocupa uma posição intermediária.

Depois de vários anos de deterioração da rentabilidade e aumento das provisões, o banco apresenta sinais concretos de recuperação. No segundo trimestre de 2026, o lucro líquido recorrente alcançou R$ 7,05 bilhões, avanço de aproximadamente 16% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Foi o décimo trimestre consecutivo de crescimento do lucro recorrente.

O retorno sobre o patrimônio chegou a 16,2%, indicando que a instituição recuperou parte relevante da rentabilidade perdida durante os anos mais difíceis da reestruturação.

Mesmo assim, o mercado ainda encontra motivos para cautela. A inadimplência acima de 90 dias ficou em 4,3%, enquanto algumas métricas de qualidade dos ativos apresentaram deterioração.

Isso ajuda a explicar por que há diferenças relevantes entre as recomendações. O Bank of America mantém compra para BBDC4, apesar de ter reduzido o preço-alvo para R$ 23. Já XP e JPMorgan demonstram postura mais cautelosa e ainda enxergam obstáculos para uma reprecificação rápida da ação.

A principal dúvida é quanto tempo será necessário para o Bradesco voltar a apresentar uma rentabilidade comparável à do Itaú.

A recuperação operacional existe e é mensurável, mas ainda precisa avançar. Ganhos de eficiência, crescimento de carteiras com garantias e melhora comercial contribuíram para os resultados recentes, enquanto provisões e qualidade do crédito continuam limitando parte do potencial.

BBDC4 pode, assim, interessar principalmente ao investidor disposto a apostar na continuidade da recuperação. É uma tese diferente da do Itaú: enquanto ITUB4 depende principalmente da manutenção de um desempenho já elevado, Bradesco precisa continuar fechando a distância em relação aos concorrentes.

Essa característica pode gerar maior potencial de valorização caso o processo seja bem-sucedido, mas também aumenta o risco de execução.

Nubank combina crescimento elevado com risco maior

O Nubank é o ativo mais difícil de comparar diretamente com os três grandes bancos tradicionais.

A instituição continua em uma fase de expansão muito mais acelerada. No segundo trimestre de 2026, a Nu Holdings registrou lucro líquido de US$ 1,06 bilhão, alta de aproximadamente 49% na comparação anual em base neutra de efeitos cambiais.

A receita alcançou US$ 5,88 bilhões e também superou as expectativas do mercado.

A carteira de crédito chegou a aproximadamente US$ 39,4 bilhões, avançando perto de 37% em um ano. Ao mesmo tempo, a base de clientes se aproxima de 139 milhões considerando Brasil, México e Colômbia.

O tamanho da base é uma das maiores vantagens competitivas da companhia. O banco pode aumentar a receita por cliente oferecendo novos produtos a usuários que já estão dentro de seu ecossistema, reduzindo o custo necessário para adquirir novos consumidores.

A expansão internacional acrescenta outra avenida de crescimento. México e Colômbia continuam ganhando escala, enquanto a empresa prepara movimentos adicionais fora desses mercados.

A Empiricus mantém uma visão positiva sobre o negócio e avalia que a expansão dos lucros ainda pode ser elevada nos próximos anos.

O risco está justamente no motor que sustenta boa parte dessa expansão: crédito.

Quanto mais empréstimos o Nubank concede, maior sua capacidade de aumentar receitas financeiras, mas também aumenta a exposição a consumidores que podem deixar de pagar. O custo de crédito ainda é elevado e precisa ser acompanhado principalmente se o mercado de trabalho e a renda das famílias se deteriorarem.

No segundo trimestre, houve um sinal favorável: a inadimplência inicial diminuiu em relação aos três primeiros meses do ano, enquanto as provisões recuaram mesmo com o crescimento da carteira.

O Nubank, portanto, apresenta potencial de expansão muito superior ao de um banco tradicional maduro, mas exige tolerância maior à volatilidade.

Qual banco apresenta hoje a melhor relação entre risco e retorno?

Quando as quatro teses são colocadas lado a lado, não existe uma única resposta adequada a todos os perfis de investidor.

Para quem procura qualidade, previsibilidade e capacidade de atravessar um ciclo econômico difícil, o Itaú possui atualmente os fundamentos mais consistentes. A combinação de ROE elevado, qualidade de crédito, geração de capital e disciplina histórica explica por que diferentes casas mantêm ITUB4 entre as principais escolhas do setor.

O Nubank aparece logo em seguida quando o critério é crescimento. A companhia já deixou para trás a fase em que investidores precisavam apostar apenas na expansão futura e hoje entrega lucro superior a US$ 1 bilhão por trimestre. Ainda assim, o valuation e a maior exposição ao crescimento do crédito tornam ROXO34 uma alternativa mais agressiva.

Bradesco representa uma aposta de recuperação. Caso continue aumentando rentabilidade e reduzindo a diferença em relação ao Itaú, existe espaço para reprecificação. O investidor, porém, precisa aceitar o risco de que o processo leve mais tempo do que o previsto.

Banco do Brasil possui atualmente a tese mais dependente de uma virada. A melhora do agronegócio pode funcionar como catalisador, mas a combinação de custo de crédito elevado, deterioração da carteira de pessoas físicas e menor flexibilidade de capital mantém BBAS3 sob cautela.

Em termos de posicionamento relativo, o cenário atual permite dividir os quatro ativos em categorias distintas: Itaú como qualidade e defesa; Nubank como crescimento; Bradesco como recuperação; e Banco do Brasil como tese de normalização.

Essa diferença se torna ainda mais importante em um cenário de juros elevados. Quando o crédito se deteriora, a análise de bancos deixa de depender apenas de múltiplos baixos ou dividendos elevados. A qualidade de quem tomou dinheiro emprestado, a quantidade de capital disponível para absorver perdas e a capacidade de manter rentabilidade tornam-se elementos decisivos.

É exatamente por isso que uma ação aparentemente barata pode continuar barata durante muito tempo, enquanto uma instituição negociada a múltiplos maiores pode continuar entregando retorno superior.

No atual estágio do ciclo brasileiro, os analistas demonstram preferência justamente pelos bancos capazes de combinar crescimento com controle de risco. Entre os grandes tradicionais, essa posição pertence hoje ao Itaú. Entre as plataformas financeiras de crescimento, o Nubank continua sendo o nome que mais desafia a antiga hierarquia do setor.

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