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Moraes determina perda de mandato de Carla Zambelli no STF

por Júlia Campos - Repórter de Política
11/12/2025 às 21h18
em Política, Brasil, Destaque, Notícias
Moraes Determina Perda De Mandato De Carla Zambelli No Stf - Gazeta Mercantil - Política

Moraes determina perda de mandato de Carla Zambelli e abre nova crise institucional entre STF e Câmara

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que decretou a perda do mandato da deputada federal Carla Zambelli, gerou uma onda de repercussões políticas e institucionais em Brasília. O caso, que envolve divergências explícitas entre o Judiciário e o Legislativo, reacende discussões sobre limites de competência, separação de poderes e responsabilidade de parlamentares condenados criminalmente.

O despacho foi publicado na noite desta quinta-feira (11/12), poucas horas após a Câmara dos Deputados votar pela manutenção do mandato da parlamentar. A atuação do STF, no entanto, alterou radicalmente o cenário, impondo à Casa Legislativa prazo de 48 horas para dar posse ao suplente da agora ex-deputada.

Com isso, o caso de Carla Zambelli torna-se mais um capítulo de forte tensão institucional, em um momento de elevada sensibilidade política no país — especialmente porque envolve uma parlamentar que se tornou uma das figuras mais visíveis da oposição bolsonarista e que, nos últimos meses, se viu envolvida em acusações graves, inclusive de fuga internacional após condenação.

Carla Zambelli e a fuga para a Itália: os desdobramentos que levaram à decisão

A deputada Carla Zambelli está presa na Itália, mais precisamente na penitenciária de Rebibbia, região de Roma. A prisão ocorreu após ela deixar o Brasil sem autorização, violando determinação judicial imposta após sua condenação pelo STF a 10 anos de reclusão.

A condenação está relacionada à participação da parlamentar na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), episódio que teve ampla repercussão pública e foi interpretado pelo Supremo como uma ameaça direta à segurança institucional do Judiciário.

Ao fugir do país, Zambelli agravou sua situação jurídica. A avaliação interna do STF é de que a fuga evidencia risco concreto de descumprimento reiterado de medidas cautelares e desprezo pela autoridade do tribunal — fatores que pesaram na decisão de Moraes.

A decisão do STF: fundamentos e implicações legais

O ministro fundamentou a determinação de perda de mandato na regra constitucional que estabelece que parlamentares condenados criminalmente, com sentença transitada em julgado ou confirmada por órgão colegiado, devem perder o mandato. Tradicionalmente, esse processo é conduzido pelo Plenário da Câmara, mas o STF entende que, em condenações por crimes comuns, a perda pode ser declarada judicialmente.

Moraes alegou que a manutenção do mandato seria incompatível com a execução da pena imposta, já que a parlamentar encontra-se presa no exterior e impedida de exercer o cargo. Para o ministro, o exercício do mandato é incompatível com a situação penal da deputada.

Além disso, o magistrado ordenou que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), cumpra a decisão em até 48 horas, efetivando a posse do suplente — procedimento que deve ocorrer mesmo diante da votação da Casa que tentou preservar o mandato da parlamentar.

A Câmara dos Deputados e a repercussão política imediata

A decisão surpreendeu parlamentares, especialmente porque foi tomada poucas horas depois de a Câmara manter o mandato de Zambelli. A atuação do STF foi interpretada por alguns deputados como intervenção direta em prerrogativas legislativas, enquanto outros afirmam que a Corte apenas aplicou o entendimento consolidado sobre perda de mandato após condenação criminal.

Nos bastidores, líderes partidários reconhecem que há desconforto institucional, mas também admitem que a fuga da parlamentar tornou sua situação indefensável do ponto de vista político. Deputados da oposição veem a decisão como sinal de “excesso de rigor”, enquanto integrantes da base governista consideram o ato “inevitável”.

Apesar do debate, a Câmara deverá cumprir a determinação, sob risco de descumprimento de ordem judicial — algo impensável em uma democracia consolidada.

Reação da defesa de Carla Zambelli

Até o momento, os advogados da parlamentar não se manifestaram formalmente. Porém, aliados próximos afirmam que a defesa pretende recorrer, alegando que a perda de mandato deveria ser competência exclusiva da Câmara.

Contudo, especialistas em direito constitucional apontam que a jurisprudência recente do STF fortalece a tese de perda automática em casos de condenação criminal, sobretudo quando há elementos que inviabilizam o exercício do cargo, como ocorre com a prisão no exterior.

Contexto político: trajetória de confrontos e radicalização

A figura de Carla Zambelli ganhou projeção nos últimos anos por sua atuação combativa nas redes sociais e no Congresso. Aliada de primeira hora do ex-presidente Jair Bolsonaro, a parlamentar esteve no centro de diversos embates políticos, desde debates sobre urnas eletrônicas até confrontos diretos com ministros do Supremo.

Seu envolvimento no episódio da invasão dos sistemas do CNJ, somado à fuga para a Itália, compôs um cenário que acentuou desgaste político e jurídico. Antes disso, Zambelli já havia enfrentado outras controvérsias, incluindo episódios de tensão com jornalistas e adversários políticos.

A condenação pelo STF marcou um ponto de ruptura, isolando a parlamentar politicamente e ampliando o distanciamento entre ela e setores mais moderados da direita institucional.

A relação entre poderes e a importância da decisão

O caso tem potencial para se tornar emblemático na relação entre Legislativo e Judiciário. Parlamentares que já criticavam a atuação do Supremo veem na decisão de Moraes uma nova demonstração de força da Corte. Por outro lado, juristas lembram que o STF tem responsabilidade constitucional de garantir a execução de suas próprias decisões e assegurar que penas impostas sejam cumpridas efetivamente.

Além disso, o fato de a deputada estar presa no exterior reforça a sensação de urgência e necessidade de resolução institucional. Manter alguém impossibilitado de exercer o mandato poderia gerar distorções de representatividade.

Impacto político na direita e no bolsonarismo

A cassação de Carla Zambelli representa um abalo simbólico para o bolsonarismo, que perde uma de suas vozes mais ativas no Congresso. A presença de Zambelli sempre foi marcada por forte engajamento digital e discursos orientados à base conservadora e antipetista.

Sua ausência abre caminho para que novos nomes disputem o espaço de protagonismo dentro do campo bolsonarista. Parlamentares próximos ao ex-presidente já se movimentam para se posicionar como herdeiros desse público específico.

Próximos passos: o que acontece agora

Com a ordem de Alexandre de Moraes, o presidente da Câmara deve dar posse ao suplente nos próximos dois dias. O processo, embora formalmente simples, terá significativa carga política.

Entre os próximos capítulos esperados estão:

• manifestações públicas da defesa da ex-deputada;
• eventual recurso ao STF ou ao próprio Plenário da Câmara;
• repercussão internacional por conta da prisão na Itália;
• debates sobre revisão das regras de perda de mandato.

No Congresso, o caso já reacendeu articulações para discutir mudanças no rito de cassações, especialmente no contexto de condenações judiciais que impactam diretamente o exercício do mandato.

O peso simbólico da decisão para o STF

Para o Supremo, a decisão reafirma um entendimento consolidado: parlamentares condenados criminalmente não podem permanecer no cargo, não importando o impacto político. A Corte tem atuado de forma firme na defesa das instituições e no enfrentamento de ataques que buscam deslegitimar o Judiciário.

O julgamento de Zambelli, somado à sua fuga, fortaleceu essa postura. A perda de mandato, portanto, é vista dentro do tribunal como medida proporcional.

Tags: Alexandre de MoraesCâmara dos DeputadosCNJcrise institucionaldeputada cassadaperda de mandatopolítica brasileiraprisão na ItáliaSTF

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Segundo A Versão Divulgada Pela Fintech, A Azara Capital Teria Adquirido A Naskar E Outras Empresas Do Grupo, Como 7Trust E Next, Assumindo A Responsabilidade Por Tratativas Voltadas Ao Ressarcimento Dos Clientes. O Caso, Porém, Passou A Levantar Questionamentos Sobre A Própria Azara Capital. A Empresa Não Apresenta Em Seu Site Nomes De Presidente, Diretores, Sócios Ou Responsáveis Pela Gestão. A Página Informa Um Endereço Em Miami, Nos Estados Unidos, Mas A Localização Indicada Aparece Associada Ao Ocean Bank, Banco Comercial Independente Da Flórida. Em Buscas Por “Azara Capital” Em Plataformas De Geolocalização, Não Há Indicação Clara De Sede Própria Da Companhia. Além Disso, A Presença Digital Da Empresa É Recente. O Perfil Da Azara Capital No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E, Até A Manhã Desta Quinta-Feira, Contava Com Apenas Três Publicações. 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Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. 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Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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