A Cedro Participações avançou na implantação do Porto do Meio, terminal de minério de ferro projetado para Itaguaí, no litoral sul do Rio de Janeiro, após a Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca) aprovar, em 13 de outubro, a emissão da Licença Ambiental Integrada (LAI). A formalização da autorização, porém, ainda depende da assinatura de um termo de compromisso ambiental. O empreendimento tem investimento estimado em R$ 3,6 bilhões, capacidade inicial prevista de 15 milhões de toneladas anuais e prazo de construção de aproximadamente três anos.
O projeto integra os planos de expansão da companhia, que busca ampliar sua produção mineral em Minas Gerais e estabelecer uma estrutura logística própria para transportar minério até o litoral fluminense. O terminal será conectado à malha ferroviária da MRS Logística e poderá receber cargas da própria Cedro e de outras mineradoras, conforme as informações divulgadas sobre o empreendimento.
A decisão ambiental representa uma etapa importante para o avanço do projeto, mas não significa que as obras já estejam autorizadas a começar de imediato. Segundo as informações divulgadas pela companhia, a contratação dos trabalhos deverá ocorrer após a conclusão das exigências relacionadas à licença. A implantação também dependerá da organização das frentes de construção civil, dragagem, instalação de equipamentos e montagem eletromecânica.
O Porto do Meio será instalado entre os terminais da Vale (VALE3) e da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em uma área do complexo portuário destinada ao arrendamento federal. A estrutura foi concebida para integrar o transporte ferroviário ao armazenamento e ao embarque marítimo de minério de ferro, reduzindo a dependência de soluções logísticas de terceiros para a exportação da produção mineral.
Expansão da mina em Mariana sustenta o plano logístico
O investimento no terminal ocorre após outro avanço da Cedro no setor mineral. Em 25 de setembro, o Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais (Copam) aprovou as licenças ambientais para a ampliação da operação da empresa em Mariana, na região central do estado. O projeto prevê aportes de R$ 3,5 bilhões e aumento gradual da capacidade de beneficiamento da unidade para 10 milhões de toneladas de minério bruto por ano.
A ampliação prevê ainda a produção de até 5,5 milhões de toneladas anuais de pellet feed de alto teor de ferro, produto utilizado na fabricação de pelotas destinadas à siderurgia. Atualmente, a mina de Mariana produz cerca de 2,5 milhões de toneladas anuais de minério bruto, segundo informações divulgadas pela companhia.
A soma dos investimentos anunciados para a expansão da mina e para o Porto do Meio chega a R$ 7,1 bilhões. Os valores correspondem a projetos distintos, com etapas de implantação e exigências regulatórias próprias, mas evidenciam a dimensão financeira da estratégia de crescimento mineral e logístico da empresa.
O planejamento da Cedro também contempla o aumento da produção em outras operações mineiras. A companhia informou que pretende elevar sua produção de minério de ferro em Minas Gerais para 20 milhões de toneladas anuais até 2032. A expansão em Mariana é uma das iniciativas previstas para ampliar a capacidade produtiva, enquanto o terminal em Itaguaí deverá oferecer uma alternativa para o transporte da carga até os mercados internacionais.
A integração entre mina, ferrovia e porto é relevante porque cada etapa interfere no custo e na capacidade de escoamento do minério. A ampliação da produção, isoladamente, não garante o mesmo crescimento nas exportações se a infraestrutura de transporte e embarque não acompanhar o volume adicional. O terminal foi projetado para funcionar como parte dessa cadeia, com acesso ferroviário à malha operada pela MRS Logística.
A estrutura também poderá atender produtores independentes. Esse modelo permite que a capacidade portuária seja utilizada por outras mineradoras, conforme os arranjos operacionais e comerciais que vierem a ser estabelecidos. Para empresas sem terminal próprio, o acesso a uma nova instalação pode representar uma alternativa logística, embora os efeitos sobre custos dependam dos contratos de transporte, armazenagem e embarque.
Arrendamento federal estabelece prazo de 35 anos
A área identificada como ITG02 foi arrematada pela Cedro em leilão federal realizado em dezembro de 2024. O contrato de arrendamento foi assinado em 21 de fevereiro de 2025 e prevê prazo de 35 anos. O empreendimento é classificado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) como uma área greenfield, ou seja, sem instalações operacionais e administrativas que permitam iniciar imediatamente as atividades previstas.
A configuração exige a implantação de estruturas para recebimento e armazenamento do minério, transporte interno e embarque nos navios. O projeto contempla instalações em terra, estrutura marítima para atracação, pátio de estocagem, correias transportadoras e infraestrutura ferroviária conectada à malha regional.
A previsão de investimento de R$ 3,6 bilhões está alinhada à estimativa de capital indicada nos documentos oficiais do arrendamento. A Antaq registra aproximadamente R$ 3,58 bilhões em investimentos previstos para a área. O valor corresponde ao aporte associado à implantação do terminal, e não ao valor global do contrato de arrendamento, que constitui outra medida econômica.
A capacidade inicial informada pela Cedro é de 15 milhões de toneladas por ano. A empresa também indicou a possibilidade de ampliar esse volume em etapas futuras. A capacidade efetiva dependerá da implantação da infraestrutura prevista e das condições de operação do terminal, não devendo ser confundida com a movimentação já realizada pelo porto ou com a produção mineral atual da companhia.
O cronograma de entrada em operação ainda exige cautela. Informações divulgadas anteriormente pela Prefeitura de Itaguaí apontavam obras previstas para 2027 e início de operação em 2029, enquanto o planejamento publicado pela empresa já mencionou 2030 como referência para o funcionamento do empreendimento. Com a licença ainda condicionada à assinatura do termo ambiental e a contratação das obras prevista para uma etapa posterior, a data efetiva dependerá da evolução dos procedimentos pendentes e da execução do projeto.
Itaguaí movimentou 62,8 milhões de toneladas em 2025
O terminal será instalado em um complexo portuário que já desempenha papel relevante no comércio exterior brasileiro. Segundo dados divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos, o Porto de Itaguaí movimentou 62,8 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 3,55% em relação ao ano anterior. O minério de ferro representou 92,2% desse volume.
A partir desses números, a capacidade inicial de 15 milhões de toneladas projetada para o Porto do Meio equivale a aproximadamente 23,9% de toda a carga movimentada pelo Porto de Itaguaí em 2025. A comparação dimensiona o porte do empreendimento em relação ao fluxo atual do complexo, mas não representa uma previsão automática de crescimento da movimentação total: o resultado dependerá da entrada em operação, da utilização da capacidade instalada e da dinâmica dos demais terminais.
O perfil da carga também ajuda a explicar a localização escolhida. A concentração de operações de minério de ferro no complexo permite integrar o novo terminal a uma região já estruturada para exportação mineral. A proximidade com os terminais da Vale e da CSN coloca o projeto em uma área com atividade portuária consolidada, embora a instalação de novas estruturas ainda exija obras próprias e cumprimento das exigências ambientais aplicáveis.
O plano nacional de infraestrutura amplia o contexto para esse tipo de empreendimento. Em 8 de outubro, o Ministério de Portos e Aeroportos apresentou uma carteira de aproximadamente R$ 160 bilhões em projetos para o período de 2027 a 2030. O total reúne investimentos previstos para portos, aeroportos e hidrovias, portanto não corresponde exclusivamente ao setor portuário.
Dentro da carteira, o ministério separou R$ 20,6 bilhões em investimentos associados a 34 leilões portuários, R$ 33,1 bilhões em autorizações para empreendimentos privados e R$ 2,15 bilhões em obras públicas portuárias. Somadas, essas três parcelas representam R$ 55,85 bilhões em iniciativas portuárias descritas no planejamento, sem incluir outras modalidades de financiamento apresentadas pelo governo.
O programa prevê ampliar a capacidade de movimentação de cargas e modernizar a infraestrutura logística nos próximos anos. Nesse contexto, projetos privados de terminais especializados, como o Porto do Meio, integram o conjunto de iniciativas que buscam atender à demanda de transporte de mercadorias. A realização dos investimentos, entretanto, depende da conclusão das etapas contratuais, ambientais e operacionais específicas de cada empreendimento.
Licenciamento exige controle dos impactos ambientais
A implantação do terminal também envolve intervenções em terra e no ambiente marítimo. O processo de licenciamento conduzido pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) inclui o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima), documentos destinados a avaliar os efeitos do projeto e apresentar informações sobre suas características à população.
Em janeiro de 2026, a Prefeitura de Itaguaí divulgou a realização de audiência pública para discutir o empreendimento. O procedimento integra o processo ambiental e permite que moradores, instituições e demais interessados apresentem questionamentos e manifestações sobre os impactos previstos.
Entre os aspectos contemplados no planejamento ambiental estão o monitoramento da qualidade do ar, dos ruídos, dos sedimentos e das águas marinhas, além do acompanhamento da fauna terrestre e aquática. Também estão previstos programas relacionados à dragagem, à conservação de espécies ameaçadas, à gestão do tráfego, ao apoio à atividade pesqueira e à comunicação com as comunidades afetadas.
Esses pontos são relevantes porque a instalação de um terminal de minério envolve movimentação de material, transporte interno, intervenções marítimas e aumento das atividades associadas ao embarque de carga. A avaliação ambiental precisa considerar os efeitos das obras e da operação, além das medidas de controle, mitigação e monitoramento estabelecidas para o empreendimento.
A aprovação da Ceca, portanto, não elimina as obrigações ambientais da empresa. A assinatura do termo de compromisso é uma condição para a emissão da licença, e o cumprimento das exigências aplicáveis continuará sendo determinante para a implantação e a operação do terminal.
Obras podem gerar milhares de empregos durante a implantação
A Cedro estima que a construção do Porto do Meio poderá gerar cerca de 3 mil empregos diretos e indiretos no pico das obras. A projeção está associada ao período de implantação, que deverá envolver diferentes frentes de engenharia, serviços civis, dragagem, montagem de equipamentos e infraestrutura logística.
Depois da construção, a operação terá uma estrutura de pessoal menor do que a mobilizada durante o canteiro de obras. Informações divulgadas sobre o projeto apontam previsão de 256 empregos diretos permanentes na fase operacional. Os números são estimativas e dependem do dimensionamento final das equipes, do cronograma e da estrutura adotada para operar o terminal.
A implantação também poderá movimentar fornecedores de equipamentos, prestadores de serviços e atividades relacionadas à construção e à logística regional. A dimensão desses efeitos dependerá do volume de contratações locais, das compras realizadas durante as obras e das necessidades de manutenção e operação após a entrada em funcionamento.
O próximo marco do projeto é a conclusão da etapa ambiental que falta para a emissão formal da Licença Ambiental Integrada. Na sequência, a Cedro prevê avançar na contratação das obras. Até que essas fases sejam concluídas, os valores de investimento, a capacidade de movimentação, os empregos projetados e as datas de operação devem ser tratados como previsões do empreendimento, e não como resultados já realizados.
Fontes:
Cedro Participações – informações institucionais sobre o Porto do Meio, os investimentos previstos e a expansão da produção mineral em Minas Gerais
Instituto Estadual do Ambiente – estudos de impacto ambiental e processo de licenciamento do terminal Cedro Porto do Meio
Agência Nacional de Transportes Aquaviários – dados do arrendamento ITG02, características da área e investimentos previstos
PortosRio – informações sobre o leilão do terminal ITG02 e a formalização do contrato de arrendamento
Ministério de Portos e Aeroportos – carteira de investimentos em infraestrutura para 2027 a 2030 e dados de movimentação do Porto de Itaguaí em 2025
Prefeitura de Itaguaí – informações sobre a audiência pública, o projeto portuário e as previsões de implantação
CNN Brasil – informações sobre a aprovação da emissão da licença ambiental e as condições para sua formalização










