terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Empresas

Cogna lucra R$ 148,9 milhões no 2T26, mas novo marco pressiona margens

Companhia registra alta de 25,3% no lucro, receita avança 17,8% e Educação Básica ganha força, enquanto mudança regulatória altera o mix de alunos no ensino superior

por João Souza
12/08/2026 às 21h01
em Empresas
Cogna (Cogn3) - Gazeta Mercantil

A Cogna (COGN3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 148,9 milhões, avanço de 25,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado veio acompanhado de crescimento de dois dígitos da receita, expansão da geração de caixa e redução da alavancagem, embora os efeitos do novo marco regulatório da educação superior tenham aumentado a pressão sobre as margens da principal divisão do grupo.

A receita líquida consolidada alcançou R$ 1,96 bilhão entre abril e junho, alta de 17,8% na comparação anual. No primeiro semestre, o faturamento chegou a R$ 4,11 bilhões, crescimento de 24,7% sobre os seis primeiros meses de 2025.

Leia também: Ações para ganhar mais de 6% nesta semana: Itaú BBA destaca Armac (ARML3), Lojas Renner (LREN3) e Cogna (COGN3).

O Ebitda recorrente, indicador utilizado para acompanhar a geração operacional de resultado, avançou 6,8%, para R$ 589,4 milhões no trimestre. A expansão ficou abaixo do crescimento da receita e veio acompanhada de uma redução de três pontos percentuais na margem, refletindo principalmente a mudança do perfil das operações no ensino superior.

Já o lucro líquido ajustado somou R$ 210,2 milhões, crescimento de 18,1% em relação ao segundo trimestre de 2025. No acumulado do primeiro semestre, o indicador chegou a R$ 411 milhões, alta de 23,6%.

Leia também: Trump pressiona por mudança na receita da Coca-Cola nos EUA, entenda!.

Educação Básica se torna principal motor de crescimento

O desempenho mais forte do trimestre veio da Educação Básica, segmento que reúne operações como Vasta e Saber. A receita líquida da divisão cresceu 50,5%, alcançando R$ 650,2 milhões no segundo trimestre.

O Ebitda recorrente da área avançou ainda mais, com alta de 62,7%, para R$ 74 milhões. A margem operacional cresceu 0,9 ponto percentual no período, apesar de efeitos desfavoráveis relacionados à composição das receitas.

Leia também: Sony Music expande estúdios para entretenimento regional.

Grande parte da aceleração veio do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). A receita relacionada ao programa atingiu R$ 124,1 milhões, salto de 457,8% na comparação com o mesmo trimestre de 2025.

Segundo a companhia, parte dessa receita estava originalmente prevista para o quarto trimestre do ano passado, mas o reconhecimento foi deslocado para o primeiro e o segundo trimestres de 2026 em razão do calendário de compras do governo federal.

A Cogna também informou ter aumentado em oito pontos percentuais sua participação no PNLD, alcançando 30% de participação no mercado. Para o grupo, esse ganho não afeta apenas o atual ciclo comercial, mas também pode ampliar as receitas provenientes de recompras nos anos seguintes.

Receitas de subscrição avançam mais de 20%

Outro componente importante da Educação Básica foi o avanço das receitas de subscrição, que cresceram 22,1%, para R$ 391,5 milhões.

No chamado Conteúdo Core, o crescimento foi de 19,4%, enquanto as Soluções Complementares registraram expansão de 220,2%. A companhia atribuiu esse desempenho à entrada de novas escolas e ao aumento do cross selling, estratégia pela qual produtos e serviços adicionais são comercializados para clientes que já fazem parte da base.

O crescimento expressivo da receita, entretanto, não impediu uma queda na margem bruta da Educação Básica. O indicador recuou 10,3 pontos percentuais, para 45,6%.

A Cogna explicou que o movimento está relacionado principalmente ao maior peso do PNLD no mix de receitas. O programa público possui margens estruturalmente inferiores às observadas no segmento B2B, além de envolver custos de produção dos materiais distribuídos.

A companhia classificou a redução como predominantemente sazonal e vinculada à composição dos produtos e ao momento de reconhecimento das vendas.

Novo marco muda dinâmica no ensino superior

Se a Educação Básica acelerou, a Educação Superior apresentou uma combinação de crescimento mais moderado e maior pressão sobre rentabilidade.

A receita líquida do segmento alcançou R$ 1,31 bilhão, crescimento de 6,3% na comparação anual. A modalidade presencial avançou 5,9%, enquanto o semipresencial teve crescimento de 14%.

Em sentido contrário, o ensino a distância recuou 1,4%, movimento associado pela empresa aos efeitos do novo marco regulatório da educação superior.

O Decreto nº 12.456, publicado em 2025, estabeleceu novas regras para a oferta de cursos de graduação a distância no Brasil, com requisitos relacionados a atividades presenciais, formatos acadêmicos, infraestrutura e organização dos cursos.

Para grupos educacionais com grande número de alunos no EAD, as mudanças exigem uma adaptação gradual do portfólio e favorecem a migração de parte da demanda para formatos com maior nível de presencialidade.

Esse processo já aparece nos números da Cogna.

Captação no EAD cai quase 34%

A captação total de novos alunos da companhia caiu 16,5% no primeiro semestre, pressionada principalmente pela redução de 33,9% nas entradas do ensino a distância.

Ao mesmo tempo, a captação presencial cresceu 11,6%, enquanto o formato semipresencial apresentou expansão de 3,4%.

A movimentação mostra uma alteração relevante na composição da base de estudantes. O número de alunos presenciais cresceu 8,2%, chegando a 206,3 mil, enquanto a base semipresencial aumentou 13,3%, para 404,8 mil estudantes.

O ticket médio total também avançou, com alta de 10,9% no semestre, chegando a R$ 428.

O efeito financeiro dessa mudança, entretanto, não é neutro. Modalidades que exigem maior presencialidade podem apresentar uma estrutura de custos diferente daquela encontrada em cursos predominantemente digitais, o que ajuda a explicar a pressão observada sobre a rentabilidade.

O Ebitda recorrente da Educação Superior cresceu apenas 1,8% no segundo trimestre, alcançando R$ 515,4 milhões. A margem recuou 1,8 ponto percentual, para 39,3%.

No primeiro semestre, o Ebitda recorrente da divisão chegou a R$ 918,5 milhões, crescimento de 2,5%, enquanto a margem caiu 2,1 pontos percentuais.

Geração de caixa livre quase dobra

Além da expansão do lucro, outro ponto de destaque no balanço foi a geração de caixa.

Leia também: Pátria reorganiza SuperFrio após reforçar capital da Cold LatAm

A geração de caixa livre atingiu R$ 251,9 milhões no segundo trimestre, crescimento de 87,8% em relação ao mesmo período de 2025. No primeiro semestre, o montante chegou a R$ 504,3 milhões, avanço de 77,7%.

A geração de caixa operacional após investimentos, ou capex, somou R$ 394,9 milhões entre abril e junho, aumento de 33,1%. Nos seis primeiros meses do ano, chegou a R$ 713 milhões, alta de 30,4%.

A evolução do caixa reforça uma tendência relevante para a companhia porque amplia a capacidade de financiar investimentos, reduzir endividamento ou realizar operações estratégicas sem depender exclusivamente de novas fontes de capital.

Ao mesmo tempo, a melhora da conversão de resultado operacional em caixa ocorre em um período no qual a Cogna continua reorganizando seu portfólio e ampliando negócios relacionados à educação básica e a serviços destinados às instituições de ensino.

Dívida líquida recua e alavancagem melhora

A dívida líquida da Cogna encerrou junho em R$ 2,78 bilhões, redução de R$ 21,8 milhões, ou 0,8%, em relação ao segundo trimestre de 2025.

O caixa e equivalentes de caixa alcançaram R$ 1,43 bilhão, crescimento de 51,6% em um ano.

Com isso, a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado caiu de 1,22 vez no segundo trimestre de 2025 para 1,10 vez no 2T26. Desconsiderando a aquisição da Educbank, a alavancagem teria terminado o período em 1,02 vez.

A redução do indicador mostra que o crescimento do resultado operacional e a geração de caixa estão ajudando a companhia a absorver investimentos e operações de aquisição sem provocar uma deterioração equivalente na estrutura financeira.

Em junho, a Cogna anunciou a aquisição adicional de 47% da Educbank por R$ 46,3 milhões, elevando para 90% a participação da Somos Sistemas de Ensino na empresa.

A Educbank atua com soluções de gestão financeira para escolas, incluindo cobrança, recebimento e parcelamento de mensalidades. A operação amplia a presença da Cogna em serviços que vão além do conteúdo educacional tradicional.

Resultado financeiro sofre efeito dos derivativos

Apesar do avanço operacional, o resultado financeiro apresentou impacto negativo da marcação a mercado de instrumentos derivativos.

A linha de ganhos e perdas com esses instrumentos registrou despesa líquida de R$ 13,9 milhões no segundo trimestre, depois de uma receita de R$ 11,9 milhões no mesmo período de 2025.

A empresa utiliza derivativos como instrumentos de proteção contra oscilações de taxas de juros e câmbio. Por essa razão, variações contábeis dessa natureza não necessariamente representam a mesma movimentação de caixa no período.

Mesmo com essa pressão, a combinação de maior resultado operacional, redução de itens não recorrentes e menor despesa com Imposto de Renda e Contribuição Social contribuiu para que o lucro líquido consolidado avançasse 25,3%.

Cogna chega ao segundo semestre com mudança no mix de negócios

O balanço do segundo trimestre evidencia duas forças diferentes dentro da Cogna. De um lado, a Educação Básica apresentou aceleração expressiva, sustentada pelo PNLD, crescimento das receitas de subscrição e ampliação da presença em escolas parceiras.

De outro, o ensino superior passa por uma transição provocada pelas mudanças regulatórias, com retração na captação do EAD e expansão relativa dos formatos presencial e semipresencial.

A consequência aparece diretamente nas margens. Enquanto o faturamento consolidado cresceu 17,8%, o Ebitda recorrente avançou 6,8%, sinalizando que parte da expansão de receita ocorreu em atividades ou formatos com rentabilidade menor.

Para os próximos trimestres, um dos principais pontos de acompanhamento será justamente a capacidade da companhia de compensar a mudança estrutural no ensino superior com aumento de ticket, crescimento da presencialidade, expansão da Educação Básica e maior geração de caixa.

A evolução da captação após a implementação das novas regras também deverá indicar com maior clareza como o novo marco regulatório da educação superior afetará a composição da base de alunos e as margens da Cogna nos próximos ciclos.

LEIA MAIS

Vivara Aprova Emissão De R$ 300 Milhões Em Debêntures Com Vencimento Em 2031-Gazeta Mercantil
Empresas

Vivara aprova emissão de R$ 300 milhões em debêntures com vencimento em 2031

A Vivara (VIVA3) aprovou uma emissão de debêntures simples no valor de R$ 300 milhões, em uma operação voltada principalmente à reorganização de passivos e ao reforço da...

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH registra queda de 5% em moda e ações acumulam perda de 40% em 2026

A LVMH, conglomerado francês que reúne marcas como Louis Vuitton, Christian Dior, Tiffany & Co. e Sephora, encerrou o terceiro trimestre de 2026 com resultados abaixo das expectativas...

Leia MaisDetails
Mercado Livre
Mercados

Mercado Livre (MELI): Citi corta preço-alvo para US$ 2.100 antes do balanço do 3T26

O Citi elevou a recomendação do Mercado Livre (MELI34) de Neutra/Alto Risco para Neutra e cortou o preço-alvo das ações. Saiba mais.

Leia MaisDetails
Embraer (Embj3) Fecha Acordo Com Latam Para Suporte A 24 Jatos E195-E2 - Gazeta Mercantil - Empresas
Empresas

Embraer (EMBJ3) fecha acordo com Latam para suporte a 24 jatos E195-E2

A Embraer (EMBJ3) e a Latam assinaram um acordo do Programa Pool para dar suporte à introdução de 24 aeronaves Embraer E195-E2 encomendadas pela companhia

Leia MaisDetails
Movida (Movi3) - Gazeta Mercantil
Empresas

Movida (MOVI3) lucra R$ 152,1 milhões no 3T26, alta de 117%, e supera projeção

A Movida (MOVI3) informou nesta terça-feira (13) sua prévia de resultados do terceiro trimestre de 2026 (3T26). Veja.

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

19:03:14
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
â‚¿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Leia MaisDetails
Brasileiros Conservadores - Gazeta Mercantil
Política

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec

Leia MaisDetails
Motos (Foto De Paulo Pinto, Abr)
Economia

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

Leia MaisDetails
Vivara Aprova Emissão De R$ 300 Milhões Em Debêntures Com Vencimento Em 2031-Gazeta Mercantil
Empresas

Vivara aprova emissão de R$ 300 milhões em debêntures com vencimento em 2031

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH registra queda de 5% em moda e ações acumulam perda de 40% em 2026

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec

Dólar hoje (13/10): moeda fecha a R$ 5,02, sobe 0,74% e contraria queda no exterior após pesquisas eleitorais

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

Vivara aprova emissão de R$ 300 milhões em debêntures com vencimento em 2031

LVMH registra queda de 5% em moda e ações acumulam perda de 40% em 2026

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP